sábado, 27 de dezembro de 2025



27/12/2025 - 04h00min
Fabrício Carpinejar 

A humildade é o nosso pijama

Entenda que a humildade é o nosso caráter, não visível, já a confiança é o nosso rosto, à mostra. Não se subestime. Não se rebaixe. Há pessoas que desejam nos humilhar, que aproveitam a nossa vulnerabilidade para pisar nos calos, nos pontos fracos, para nos expor indevidamente.

Eu me dei conta de que a humildade é um movimento interior, discreto, inflexível. Você só pode praticá-la consigo. Não é para espalhar aos outros: "como eu sou humilde".

Caso a sua intenção seja angariar simpatia, acabará perdendo respeito. Parecerá que aceita tudo, que qualquer coisa serve, que dá pouca importância para o seu dom. O discurso logo desemboca em uma inferiorização súbita, em que você se limita a papéis pequenos, prontificando-se a ser um mero coadjuvante.

Nada disso. Se você não defende o seu valor para o mundo, ninguém mais o fará. Todos querem tirar de você o máximo de trabalho pelo menor preço possível. Todos se deliciam com pretextos para que esteja disponível, para obter um desconto, para arrancar uma barganha.

Transmitirá uma imagem de desespero de opções, desprezo pela autoestima, transparecendo não desfrutar de grandes aspirações. Não convém. O exercício da humildade cabe unicamente dentro da solidão, a partir da labuta, do esforço, da disciplina.

Não se adequa à ostentação, não se trata de uma qualidade que você deve difundir por aí, para influenciar a opinião alheia.

O efeito sempre será o oposto do pretendido. Ao tentar se ver livre da soberba e da arrogância, ao fugir de ser identificado como ególatra ou chamado de megalomaníaco, cometerá o pecado maior de transformar a humildade em vaidade, em propaganda. Por isso existe a expressão "falsa modéstia".

É uma ferramenta que você somente usará para si, para o seu conhecimento, para o desenvolvimento do seu potencial — sem plateia, sem testemunhas. Só você tem condições de concluir se vem sendo humilde ou não. Mas, para fora, mantenha a linguagem da firmeza e da segurança, protegendo a sua riqueza, o seu tamanho, o alcance dos seus projetos.

A humildade é o nosso pijama. Você não sai na rua de pijama. Não frequenta restaurante de pijama. Não comparece a uma festa de pijama. A humildade é exclusivamente para você e para os mais próximos. É restrita para a intimidade, acessível a quem está em casa. É o seu momento reservado, o seu esconderijo de energia e fôlego, o seu reabastecimento de propósito. E, quando você foca naquilo de que depende para crescer, consegue estabelecer as suas prioridades, pôr empenho silencioso para realizá-las, espantar a inércia, concentrar-se nas tarefas mentais, demonstrar disposição, tomar a iniciativa, combater a procrastinação e o amuo.

Não indica uma postura externa, um privilégio para colocar no currículo, para contar vantagens. Não há meios de calcular, medir, explicar ou justificar o quanto você é verdadeiramente singelo.

Quando gostamos de nós mesmos, é fundamental nos elogiar publicamente, incentivar-nos em nosso círculo profissional, falar bem de quem somos e do que descobrimos sobre nós ao longo das árduas experiências e extensas terapias — desse processo duro da vivência de ganhos e sacrifícios.

O discernimento é absolutamente imprescindível: criar um filtro entre o que revelar e o que guardar para si.

Entenda que a humildade é o nosso caráter — não visível —, já a confiança é o nosso rosto — à mostra. A primeira acontece no território da sombra, feita do nosso suor, da fragilidade e insuficiência conscientes; a segunda é destinada a transitar na luz, a brilhar com o nosso invencível sorriso.



Meu ranking afetivo dos filmes lançados no Brasil neste ano tem obras da Austrália, do Brasil, dos EUA, da França e da Itália. Menções honrosas para "F1: O Filme", "Uma Bela Vida", "Sing Sing" e "A Natureza das Coisas Invisíveis"

Os melhores de 2025

Top 10

Filmes estão em exibição nos cinemas ou disponíveis no streaming

10º) "Uma Batalha Após a Outra" (2025)

De Paul Thomas Anderson. As duas horas e 40 minutos passam voando, porque o diretor fez uma mistura fascinante de comédia maluca, comentário político e filme de ação - incluindo sequência antológica de perseguição de carro. Sean Penn rouba a cena na pele do militar Lockjaw, sujeito ao mesmo tempo ridículo e perigoso, reprimido e agressivo. (HBO Max)

9º) "Vermiglio: A Noiva da Montanha" (2024)

De Maura Delpero. Em 1944, a chegada de um soldado desertor da Segunda Guerra Mundial transforma a imensa família do professor de uma vila alpina na Itália. Cesare, o docente, exerce um tipo diferente de patriarcado: não é violento nem chega a ser abusivo, mas rotula os próprios filhos e determina seus destinos. Dino, o mais velho, é tratado pelo pai como uma decepção. Ada, a filha do meio, tem um "limite" na vida escolar. (Canal Filmelier+ do Amazon Prime Video)

8º) "Oeste Outra Vez" (2024)

De Erico Rassi. Filmado na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, é o faroeste dos homens tristes, dos homens patéticos, dos homens que não conseguem falar sobre seus sentimentos. Na trama, Totó (Ângelo Antônio), inconformado pelo fato de a mulher que ama estar agora com outro homem, contrata um velho pistoleiro para tentar matar Durval (Babu Santana). (Telecine)

7º) "Misericórdia" (2024)

De Alain Guiraudie. Jérémie regressa à cidadezinha natal para o funeral do antigo patrão. Lá, ele decide ficar uns dias hospedado na casa da viúva. Sua presença causa estranheza na comunidade. Aconteceu algo no passado? Por que o protagonista não vai embora? Outro enigma a desvendar é sobre o próprio gênero do filme: é um policial? É sobre um romance proibido? É um drama sobre segredos de família? É uma comédia absurda? É uma reflexão sobre culpa e castigo? (Filmicca)

6º) "Pecadores" (2025)

De Ryan Coogler. Pelo menos uma cena desta mistura de drama histórico, musical blues e terror com vampiros já entrou para a história do cinema. É um plano-sequência na noite de abertura do clube dos gêmeos Fumaça e Fuligem (vividos por Michael B. Jordan), uma grande, contagiante e comovente celebração da música como meio de expressão das dores e das alegrias da comunidade negra, a música como veículo de acesso as suas origens e de prospecção por dias melhores, a música como um território de identidade, comunhão e liberdade. (HBO Max)

5º) "A Semente do Fruto Sagrado" (2024)

De Mohammad Rasoulof. O filme se desenrola no contexto dos protestos no Irã nascidos a partir das mortes de jovens que não usaram - ou usaram de forma considerada incorreta - o véu que cobre a cabeça e o pescoço das muçulmanas. O protagonista, Iman, acaba de ser promovido no Tribunal Revolucionário de Teerã. Mas o novo cargo obriga a romper com seus códigos morais e sua ética profissional: ele é orientado a assinar sentenças de morte sem sequer ler os relatórios dos casos. A agitação política nas ruas de Teerã inevitavelmente se reflete no lar de Iman, onde ele mora com a esposa devota, a filha universitária e a caçula, ainda adolescente. (Telecine)

4º) "Faça Ela Voltar" (2025)

De Danny Philippou e Michael Philippou. Após a morte do pai, o adolescente Andy e sua irmã caçula, Piper, são enviados para um lar adotivo, o da excêntrica Laura (Sally Hawkins, em atuação merecedora de indicação ao Oscar), que já acolhe um menino mudo. Logo começam a acontecer coisas estranhas neste filme australiano de terror que tem atmosfera sinistra e despudor para a violência gráfica (para a qual a sonoplastia é fundamental). O ritual macabro na sequência de abertura não é gratuito: deriva de uma dor emocional, é como uma súplica. Prepare-se para ficar perturbado. (HBO Max)

3º) "O Agente Secreto" (2025)

De Kleber Mendonça Filho.

2º) "Foi Apenas um Acidente" (2025) - De Jafar Panahi.

O filme brasileiro e o filme iraniano correm na mesma raia. Os dois podem ser definidos como thriller político; retratam a vida sob um governo autoritário, sempre impregnada pelo medo; mostram como a memória e a verdade podem ser turvas ou até manipuladas; abordam a dificuldade de lidar com um trauma que é tanto pessoal quanto coletivo; têm personagens estranhos uns aos outros que se reúnem por uma causa comum; pontuam a tensão e a violência com momentos cômicos; começam na estrada, seguindo a viagem de um carro; e terminam com uma cena que convida a refletir sobre seu significado. Com um epílogo mais poderoso, Foi Apenas um Acidente fica um degrau acima de O Agente Secreto. (Ambos estão em cartaz nos cinemas)

1º) "Sorry, Baby" (2025)

De Eva Victor. Este filmaço sobre trauma não revela logo de cara que aborda um tema muito sensível, embora equilibrando a contundência com delicadeza, otimismo e até humor. Autora do roteiro, Victor interpreta Agnes, quase 30 anos, professora de Literatura em universidade da zona rural da Nova Inglaterra, nos EUA. Quando o filme começa, ela está recebendo visita da melhor amiga, Lydie (Naomi Ackie), que está grávida. As duas jantam com ex-colegas da faculdade. Esse reencontro denuncia: há coisas do passado não resolvidas. Então, Sorry, Baby recua no tempo no segundo capítulo, O Ano da Coisa Ruim. É o ano em que Agnes, ainda uma brilhante aluna universitária, foi estuprada pelo professor que mais admirava.

A diretora evita a pornografia do trauma: seu foco está como as vítimas processam a violência sofrida e seu impacto emocional contínuo; e como a amizade e a empatia podem salvar vidas. Há um contraste constante no filme: situações de drama, angústia e depressão coexistem com cenas dignas de comédia. "Quem passou por algo parecido sabe que o sarcasmo entra em jogo", justificou Victor.

Vale destacar a estrutura não linear. Ao ir e voltar no tempo, o filme reflete como se sente uma pessoa traumatizada: o passado está sempre à espreita, pronto para reabrir cicatrizes, e a vítima pode girar em círculos, sem conseguir andar para frente. (Em cartaz na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana, às 18h45min).

PARA VER 


27 de Dezembro de 2025
NOTÍCIAS

NOTÍCIAS

Grupo Conceição mostra resultados do atendimento em três turnos

Impacto positivo

Em seis meses, foram realizadas 7 mil cirurgias eletivas e 750 mil exames à noite. Presidente da instituição diz que medida reduziu o tempo de espera

Kathlyn Moreira

O terceiro turno implementado em junho deste ano em quatro hospitais do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, aumentou a oferta de cirurgias, consultas e exames e reduziu o tempo de espera para procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em entrevista ao Gaúcha Atualidade, na manhã de sexta-feira, o presidente do GHC, Gilberto Barichello, confirmou que, em seis meses, foram realizadas 7 mil cirurgias eletivas, metade da meta de 14 mil em um ano - portanto, válida até junho de 2026.

Os procedimentos são executados nos hospitais Conceição (HNSC), Hospital da Criança Conceição (HCC), Cristo Redentor (HCR) e Fêmina. Os centros cirúrgicos funcionam das 19h à 1h, de segunda a sexta-feira, e aos sábados, das 7h às 19h.

- Isso fez impactar, obviamente, o tempo de espera. Diminuiu 82% o tempo de espera de uma cirurgia geral; neurocirurgia, 76%. Urologia diminuiu 36,4%. Otorrino, que são as maiores filas, 57%. Uma cirurgia cardíaca diminuiu 60% - enfatizou.

Barichello atribuiu os resultados promissores aos investimentos do programa Agora Tem Especialistas, do governo federal, que tem como objetivo a redução de filas para consultas, exames e procedimentos cirúrgicos. Segundo ele, com o horário estendido, foram feitos 750 mil exames à noite e mais de 3,5 mil consultas, com um aumento de 69% no formato de telemedicina:

- Uma biópsia intervencionista, um exame que demorava oito meses para a pessoa que veio consultar e precisava do exame, hoje demora 15 dias o seu resultado. Uma ecografia geral de quatro meses (de espera) diminuiu para 20 dias. Uma tomografia de três meses, para dois dias. Um cateterismo cardíaco, de 45 para 10 dias. Ecocardiografia, de 30 para 15 dias. E uma biópsia de mama, de 15 dias passou para quatro dias.

Acolhimento nos postos

A maior oferta para procedimentos eletivos diminuiu em 39% as cirurgias de urgência e emergência no Hospital Conceição, de acordo com Barichello. Ele avalia que isso ocorre porque os pacientes não chegam a cenários graves se conseguem ser atendidos antes.

O horário noturno também teve reflexos na procura pelos postos de saúde que são gerenciados pelo GHC. Conforme Barichello, em seis meses, foram atendidos 17 mil pacientes a mais na Capital. _

Incêndio de grandes proporções atinge prédio de escola em Santa Maria

Região Central

Um incêndio de grandes proporções atingiu o prédio do Colégio Marista Santa Maria na noite de ontem. A escola fica na Rua Floriano Peixoto, no centro do município da região central do Estado. O Corpo de Bombeiros recebeu o chamado às 19h36min.

Em apuração no local, a RBS TV confirmou que não houve feridos. A Brigada Militar isolou o entorno do prédio para garantir a segurança e auxiliar nos trabalhos.

Prefeito de Santa Maria, Rodrigo Décimo disse que a suspeita preliminar é de que uma "pane elétrica" tenha causado o incêndio. Sandro Nunes, secretário adjunto de Segurança de Santa Maria, explicou também à Rádio Gaúcha que, devido à dimensão do incêndio, as autoridades locais receberam apoio de equipes de bombeiros de Júlio de Castilhos, São Sepé, São Pedro, Caçapava e Cachoeira do Sul.

Imagens mostram o fogo atingindo os andares superiores do prédio. Com a força do vento, fumaça e fuligem se espalharam.

Em nota, os bombeiros detalharam que o combate às chamas ocorria com três guarnições e três caminhões autobomba-tanque, sem o uso da escada Magirus. O Estado possui apenas dois exemplares do equipamento, na Capital e em Caxias do Sul.

A direção da escola informou que a unidade passa por obras de manutenção, mas sem relação com a rede elétrica. 


26 de Dezembro de 2025
DIRETO DA REDAÇÃO - Paulo Germano

É disso que a educação precisa

Chega: alguém precisa falar sobre os nomes dos animais marinhos nos desenhos animados. Pelo bem das nossas crianças e da própria ideia de educação, já passou da hora de enfrentar esse descalabro.

Aquele personagem do Pica-Pau, por exemplo, o Leôncio. Com esse nome, qualquer um diria que se trata de um leão-marinho, certo? Errado! O nome original do Leôncio é Wally Walrus, e walrus é morsa, portanto o Leôncio é uma morsa. Só que morsas só existem no polo norte, então imagine a frustração de uma criança ao procurar o bigodão do Leôncio num leão-marinho em Cidreira: ela vê aquela boca mole bocejando e sofre um trauma irreversível.

Um caso semelhante é o da Lula Lelé, que, pelo amor de Deus, não tem nada de lula. Já falei com mais de 10 biólogos, mostrei fotos dos mais variados ângulos da Lula Lelé, e todos me garantiram que se trata de um polvo. Porque o polvo é que tem a cabeça arredondada, enquanto a lula tem formato de tubo. Aliás, o Lula Molusco, do Bob Esponja, é polvo também. Como podem batizar um bicho usando o nome de outro bicho? Ora, francamente.

Ainda tem aquele amigo da Pequena Sereia, o Linguado. Mas da onde que aquilo é um linguado? Vocês já viram um linguado? É um peixe meio sem sorte, pobrezinho: vive se arrastando no fundo do mar, tem o corpo achatado, os dois olhos no mesmo lado da cabeça, uma cor de esgoto, e aí vem a Pequena Sereia chamar de Linguado aquele rococó colorido? Ah, me poupem! E poupem nossas crianças de tanta desinformação! É preciso dar um basta, reagir a essa indecência: estamos criando gerações inteiras sob um regime permanente de confusão zoológica!

Mas preciso reconhecer que já avançamos. Depois de um ano inteiro aprovando projetos que 1) proíbem músicas malcriadas em escolas, 2) mandam gravar tudo o que o professor diz, 3) submetem aos pais qualquer discussão sobre gênero e 4) proíbem a horripilante e pecaminosa linguagem neutra nos colégios, o próximo passo parece evidente: em 2026, nossos políticos hão de combater os nomes dos animais marinhos nos desenhos animados. É disso que a nossa educação precisa! _

DIRETO DA REDAÇÃO

26 de Dezembro de 2025
ARTIGOS

O varejo: aprendizados de 2025 e caminhos para 2026

Otelmo Drebes - Presidente do Grupo Lebes

O ano de 2025 mostrou, mais uma vez, que o varejo está entre os setores mais sensíveis às mudanças do país. Foi um período que colocou à prova nossa capacidade de adaptação, exigindo agilidade para acompanhar avanços tecnológicos e um consumidor cada vez mais exigente, informado e conectado. Some-se a isso desafios já conhecidos, como a pressão tributária e a competição crescente em todos os canais exigindo atuação estratégica e constante reinvenção.

Nesse cenário, a inteligência artificial ganhou protagonismo ao ampliar nosso entendimento dos hábitos de consumo e trazer eficiência a processos antes complexos. Diferentemente do que muitos imaginam, essa evolução não diminuiu o papel das pessoas; ao contrário, reforçou sua importância. Ficou evidente que a tecnologia ganha mais sentido quando aproxima, simplifica e fortalece as relações humanas que sustentam a confiança no setor.

Segundo a Pesquisa Anual de Comércio (PAC 2023) do IBGE, o varejo segue como um dos maiores empregadores do país, reunindo 7,7 milhões de trabalhadores. Essa representatividade evidencia nossa responsabilidade na geração de oportunidades, no desenvolvimento regional e no estímulo à economia local, especialmente em momentos de instabilidade.

Em 2026, o cenário aponta para um varejo mais integrado e ainda mais orientado pela experiência do cliente. Acredito que estarão à frente as empresas capazes de unir inovação com acolhimento, dados com sensibilidade e tecnologia com propósito.

Se 2025 nos ensinou a evoluir sem perder a essência, 2026 chega como um convite para consolidar esse equilíbrio. Será um ano para aprofundar conexões, qualificar entregas e transformar cada ponto de contato em oportunidade de gerar valor real. O Grupo Lebes seguirá atento, próximo das comunidades onde atua e preparado para construir um varejo mais forte, humano e alinhado às expectativas de um Brasil com grandes desafios pela frente. 

Canoas avança e volta a ter rumo, projeto e futuro

Airton Souza - Prefeito de Canoas

Há um ano, Canoas se uniu em torno da organização, do trabalho e da responsabilidade. A enchente histórica que atingiu a cidade nos lançou uma das maiores provas já enfrentadas. Não havia espaço para hesitação. Redesenhamos prioridades e dedicamos cada hora a proteger nossas famílias e reconstruir o que havia sido perdido.

Mesmo nesse cenário, Canoas avançou. Na saúde, zeramos as filas de espera para mamografia e procedimentos de cardiologia. Estamos preparando um HPS à altura de Canoas, com as obras em ritmo acelerado. Entregamos a nova UBS João de Barro, no Niterói. Renovamos a frota do Samu para ampliar a capacidade de resposta. E com os projetos aprovados pelo Novo PAC Saúde, vamos fortalecer a atenção básica com unidades e equipamentos novos.

A proteção da cidade também ganhou centralidade. Com seis frentes de obras nos diques e o Muro da Cassol, reforçamos pontos estratégicos da cidade. Intensificamos a limpeza de bueiros e redes de drenagem, o que já se reflete no dia a dia. Pavimentamos ruas em vários bairros, melhorando a mobilidade, a segurança e a qualidade de vida.

Esse movimento de reconstrução se soma a um ambiente de crescimento econômico. Canoas voltou a atrair empreendimentos, com a chegada da InBetta e o lançamento do Plano Municipal de Atração de Investimentos, o que demonstra a confiança do setor produtivo no potencial da cidade. Isso gera emprego, renda e novas oportunidades.

Também alcançamos um resultado histórico na habitação. Canoas tornou-se a cidade com o maior número de entregas do Minha Casa, Minha Vida no país. Na mobilidade, a prorrogação da tarifa zero do transporte público ampliou o acesso a trabalho, educação, saúde e serviços, garantindo mais autonomia e dignidade aos usuários.

Acreditamos numa Canoas mais forte, segura e feliz. Cada entrega, cada obra só faz sentido quando transforma a vida de moradores. Temos consciência de que há muito a fazer, mas continuamos propondo soluções para seguirmos avançando. 

sábado, 20 de dezembro de 2025


20 de Dezembro de 2025
MARTHA MEDEIROS

O poder dos homens

Depois de as mulheres terem levado um século para redefinir seu papel na sociedade, parecia óbvio que os homens teriam que redefinir o seu também. De passivas a atuantes, de dependentes a empreendedoras, de devotas ao casamento a sexualmente ativas: não tinha como essa revolução acontecer sem adaptações no terreno oposto. Só que no outro lado continuou tudo igual: meninos sendo criados para prover, brigar e tratarem as mulheres como apêndices ou troféus. Deu no que deu: hoje as mulheres têm seu próprio dinheiro, autoestima em dia e só levam uma relação adiante se ela for saudável e equilibrada. Se for para conviver com um brucutu, um homem que não a trata com respeito, melhor ficar solteira, livre. Mas os neandertais não aceitam.

O crescente número de feminicídios é consequência do que se considera uma afronta: as mulheres ousaram dividir o protagonismo com os homens e os inseguros ficaram cegos de ódio. Nem todos os homens enxergam que, hoje, eles têm a bênção de serem protagonistas do que nunca foram: da responsabilidade afetiva pelos filhos e da expressão dos próprios sentimentos, por exemplo. Mas sem capacidade emocional e intelectual para se atualizar, estão resolvendo a questão como se ainda vivessem no tempo das cavernas. Um vexame.

Sou uma mulher repetindo aqui outras mulheres, o que não muda muita coisa. Falar, escrever, discursar para nós mesmas reforça a consciência de que não devemos tolerar nenhum tipo de violência, mas quem pode de fato ajudar a reduzir os crimes são os homens que dizem estar do nosso lado, mas que ainda não têm coragem de serem aliados efetivos.

São homens que riem ao escutar pais e tios contarem, na mesa do almoço, piadinhas que há muito deixaram de ser engraçadas. Homens que escutam quietos os amigos sem noção se referirem a mulheres como se elas fossem coisas, objetos. Homens que ficam inibidos de defender uma perspectiva renovada das relações conjugais, temendo ser excluídos do grupo. Homens que passam pano para discursos de trogloditas patéticos, em vez de tomar posição. Homens que acham que tudo não passa de mimimi e que se a mulher foi arrastada por um carro, soqueada dentro de um elevador ou assassinada durante uma discussão, foi porque alguma ela aprontou. São homens sempre dispostos a julgar as mulheres, permanecendo anacrônicos e coniventes com a brutalidade, quando poderiam, agora sim, agigantar seu papel.

Poderoso é quem se põe em movimento e se engaja onde está sendo necessário. Os homens ainda têm um grande poder. Imenso. Transformador. O poder de interromper a cultura da misoginia. O poder de influenciar outros homens. Que o usem. Ser macho, agora, é nada mais que isso. _

MARTHA MEDEIROS

20 de Dezembro de 2025
SARA BODOWSKY

Espetáculo - Gaitas de Natal no Cais Embarcadero

O Natal terá som de festa e alegria neste sábado, dia 20, com o show gratuito do Renato Borghetti Trio, acompanhado pelos alunos da Fábrica de Gaiteiros, no Cais Embarcadero, na Avenida Mauá, 1050, no Centro Histórico de Porto Alegre. Um espetáculo que promete emoção, com uma pegada familiar e acolhedora.

Borghetti divide o palco com Neuro Junior, no violão de sete cordas, e Pedro Borghetti, no bombo leguero, além das crianças e jovens da Fábrica de Gaiteiros, projeto social e cultural fundado por ele na Barra do Ribeiro.

A iniciativa ensina gratuitamente o acordeão "gaita de oito baixos" para alunos de sete a 15 anos, com instrumentos confeccionados, em sua maioria, no próprio espaço do projeto.

A apresentação começa às 19h30 e integra a programação da Vila de Natal do Cais, que também conta com uma árvore iluminada de 10 metros. Para quem vai com crianças, vale chegar mais cedo: no mesmo dia, às 18h30, acontece a Chegada do Papai Noel e o Desfile de Natal. _

Artesanal - Festival do Barro na Vila Flores

Neste sábado, dia 20, acontece a 8ª edição do Festival do Barro, evento que reúne ceramistas e público interessado na produção contemporânea em cerâmica. A programação inclui atividades abertas, como modelagem coletiva e demonstração de torno, além de uma feira com 37 artistas ceramistas. É também uma boa oportunidade para garantir lembranças de Natal.

Vale para conhecer trabalhos autorais, conversar com quem produz e entender de perto os processos da cerâmica hoje. O festival valoriza técnica, dedicação e o visual único do trabalho feito à mão, em um dos ambientes mais democráticos e acolhedores de Porto Alegre: o Vila Flores.

O Festival do Barro acontece das 13h às 19h, no centro cultural Vila Flores, na Rua São Carlos, 759. A entrada é gratuita. 

Festas - Celebração e alta gastronomia no Hotel Hilton

O hotel Hilton Porto Alegre preparou uma programação especial para celebrar o Natal e a chegada do Ano-Novo. São ceias e almoço de Natal que combinam pratos autorais, estações gastronômicas e sobremesas artesanais, além de opções pensadas para veganos e crianças. Na noite de Natal, o hotel ainda recebe o Papai Noel, das 20h às 21h.

A ceia de Natal acontece no dia 24 de dezembro, das 20h à meia-noite, no salão de festas do hotel. No dia 25, o Hilton também oferece um almoço especial, servido das 12h às 15h, no restaurante Clos Du Moulin, com buffet que valoriza receitas tradicionais da data.

Já o Réveillon promete uma noite de alta gastronomia e celebração. A ceia do dia 31 de dezembro começa às 20h e segue até as 3h, com open bar, menu sofisticado e música ao vivo, com DJ e show da banda Love Cats.

Todas as experiências acontecem no Hilton Porto Alegre, na Rua Olavo Barreto Viana, 18. As vagas são limitadas e as reservas podem ser feitas pelo telefone (51) 98164-1038. _

Pausa - Intervalo para recarregar e preparar tudo para 2026

A coluna entra em uma breve pausa pelas próximas duas semanas, por conta do Natal e do Ano-Novo. Um intervalo para recarregar, organizar ideias e me preparar para tudo de muito legal que vem pela frente.Retorno na edição do dia 10 de janeiro, com novos roteiros e projetos, além de histórias fresquinhas para dividir por aqui.

Enquanto isso, sigo ativa nas redes sociais, no @sarabodowsky, compartilhando viagens e experiências gostosas do jeito que vocês já conhecem. Nos vemos já, já. Feliz 2026! 

SARA BODOWSKY

20 de Dezembro de 2025
OPINIÃO RBS

O dever da moralidade

O mais retumbante episódio de corrupção na administração pública federal neste ano que está terminando - o roubo milionário de aposentados por meio de descontos associativos ilegais - continua escandalizando o país e já se candidata a protagonista da disputa eleitoral de 2026. Com a nova fase da Operação Sem Desconto deflagrada pela Polícia Federal, que atinge um senador com credenciais de liderança do Planalto, derruba o número 2 da Previdência e põe sob suspeita pessoas ligadas à administração do presidente Lula, inclusive um de seus filhos, fica evidente que o governo - por incompetência ou negligência - não adotou as medidas saneadoras necessárias para reestruturar e moralizar o INSS logo que a fraude foi descoberta.

O fato de a roubalheira provir de administrações anteriores não atenua a responsabilidade da atual, ainda que esta tenha assumido o compromisso de ressarcir os aposentados e pensionistas lesados. Trata-se de um paliativo enganoso e insuficiente, pois é o dinheiro público dos atuais contribuintes que está sendo utilizado para cobrir o rombo deixado pelos fraudadores. Mais importante - e mais necessário - era proceder uma escrupulosa depuração administrativa no Instituto Nacional de Seguridade Social, afastando de seus quadros todos os gestores e servidores que de alguma forma tivessem compactuado com o esquema criminoso. Isso o governo não fez.

Agora terá que pagar o preço do desgaste político de uma investigação policial que já detectou a participação de operadores muito próximos do Planalto. O senador Weverton Rocha (PDT-MA), apontado pela Polícia Federal como sustentáculo político do esquema delituoso, é vice-líder do governo Lula no Senado e desfruta de tal forma da confiança do presidente que foi escolhido para relatar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. 

O secretário- executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, suspeito de ter recebido propina do esquema, foi demitido apenas agora, depois que a PF pediu sua prisão. Há mais ligações difíceis de explicar, entre as quais a transferência de recursos volumosos do principal indiciado na fraude - o personagem conhecido como Careca do INSS - para a empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Lula. A proximidade provocou, nesta semana, uma manifestação do próprio presidente, declarando publicamente que todas as pessoas suspeitas devem ser investigadas, inclusive seu próprio filho se a Polícia Federal assim o entender.

Louve-se a transparência, mas os brasileiros esperam mais do governo no gerenciamento de autarquias e empresas públicas como o INSS e os Correios (ECT), que passam por crises de má administração e de déficits financeiros frequentes. E o primeiro passo para a eficiência deve ser, obrigatoriamente, a integridade administrativa. Independentemente dos compromissos dos governantes com aliados políticos, a administração pública e suas ramificações têm o dever irrenunciável da moralidade e da impessoalidade, como recomenda o artigo 37 da Constituição Federal. 

OPINIÃO RBS


20 de Dezembro de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Sequestro com resgate pago por contribuinte

A operação da Polícia Federal (PF) que envolve busca e apreensão em dois gabinetes estrelados da Câmara dos Deputados investiga desvio de verba de cotas parlamentares.

São pagamentos que vão além dos salários, em tese para compensar despesas necessárias para o exercício do mandato, como passagens aéreas, hospedagens, alimentação e aluguel de carros - foco da investigação atual. Saem, como toda verba pública, do bolso dos pagadores de impostos - quase todos os brasileiros.

Desvio de cotas parlamentares é uma manobra antiga, mas parece ter sido aperfeiçoada, já que em um endereço ligado a Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) foram encontrados R$ 430 mil em dinheiro vivo. Quando quantias como essa são mantidas fora do sistema financeiro, indicam intenção de escondê-la do controle, portanto reforçam suspeita de origem ilícita.

Fraude impede melhoria no serviço público

O que a PF apura é a hipótese de que aluguéis de carros que foram cobrados nunca ocorreram na prática: seriam forjados para que os titulares do mandato ficassem com essa parte da cota. É mais uma forma de sequestro do orçamento público, além das emendas parlamentares, que já tiveram previsão de R$ 81,4 bilhões neste ano, valor com escala semelhante à da defesa (R$ 96,1 bilhões).

Depois de tentativas de conter esse valor, o governo Lula concedeu um presente de Natal em retribuição à aprovação de regras que ajudam a fechar o rombo no orçamento de 2026: ressuscitou repasses de 2023 que estavam cancelados e liberou cerca de R$ 3 bilhões.

Nesse jogo, o Congresso sequestra o orçamento e o Executivo paga, com os recursos que deveriam ser usados para melhorar os serviços públicos aos cidadãos. Não deve haver melhor negócio.

Mas se as emendas ainda embutem ao menos a chance de algum benefício público - mesmo que muitas vezes representem gasto ineficiente e pouco transparente -, a apropriação de cotas, caso seja comprovada, vai direto para o bolso de quem comete a ilegalidade. _

A semana em que o mercado desanimou com o "trade Tarcísio" (aposta no governador de SP na disputa à Presidência) terminou em clima blasé: o dólar variou 0,12% para cima, para R$ 5,529, e a bolsa subiu 0,35%, para 158,4 mil pontos.

Imóveis 1x0 juro alto

Juro alto e incertezas na economia não impediram que o mercado imobiliário de Porto Alegre encerrasse 2025 com alta de 11,2% nas vendas de imóveis residenciais em comparação com o ano passado. O preço médio teve queda de 1,8%, chegando a R$ 529,2 mil.

Cidade Baixa é o bairro com o maior crescimento entre os com maior número de transações, com alta de 55,8% em relação a 2024. Em números absolutos, Petrópolis teve o maior volume, com 1.248 vendas. O preço médio no bairro, no entanto, teve queda de 6% no ano. No Partenon, o recuo chega a 2,5%.

Os dados são da Loft, com base nas transações registradas na prefeitura de Porto Alegre e projeções para novembro e dezembro. A capital gaúcha deve fechar o ano com 20.454 imóveis vendidos, maior nível desde 2022, quando começa a série histórica. _

Alta e baixa na venda

Bairro variação em %

Cidade Baixa 55,8

Sarandi 35,2

Rio Branco 34,2

Petrópolis 19,7

Vila Ipiranga 16,7

Santana 13,7

Centro Histórico 9

Passo d?Areia 4,2

Menino Deus -1,6

Pedido de quebra de contrato da Enel é alerta à Equatorial

O apagão que deixou paulistanos sem luz por quase uma semana formou uma aliança improvável: o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da Capital, Ricardo Nunes, pediram a quebra de contrato de distribuição de energia com a Enel. Acionaram a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que aproveitou o processo aberto em 2024 - como registrado na coluna à época - para acelerar o processo.

O debate começou na Amazonas, que depois foi vendida aos irmãos Batista, da J&F; passou pela Enel em outro episódio e pelo RS, com situação semelhante na área da CEEE Equatorial.

Embora o processo de perda da concessão - chamado de "caducidade" no setor elétrico - seja demorado, tem um sentido pedagógico: demonstra que esse tipo de gestão de consequências pode ser raro, mas não é impossível, como sempre sustentou a coluna.

É um alerta para a CEEE Equatorial, que há pouco deixou outra vez clientes sem luz por mais de 48 horas depois de uma tempestade severa, mas curta.

No mês passado, quatro anos e meio depois de ter assumido a CEEE, a Equatorial comunicou ter enfim alcançado o limite máximo de horas sem luz previsto em seu contrato de concessão. A companhia que atende Região Metropolitana, sul e litoral do Estado foi privatizada em março de 2021. _

Por que tanto medo do Mercosul

Mais uma vez adiada, a assinatura do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) corre risco de se tornar uma novela com 26 anos de duração e final aberto. Ao se unir a França, Polônia e Hungria na oposição, a Itália alegou defesa dos produtores rurais.

E isso ocorreu mesmo depois de o Parlamento Europeu ter aprovado novos mecanismos de proteção para produtos agrícolas do bloco. Mas afinal, do que os produtores rurais europeus têm tanto medo? Não é só medo da concorrência. Outra ameaça vem de novas reduções nos subsídios para plantar e criar animais, no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), mais antiga do que a própria União Europeia, que só existe com esse nome a partir de 1993.

A PAC foi criada em 1962, para garantir o abastecimento de alimentos a preços acessíveis e dar rendimento justo. Foi depois da Segunda Guerra Mundial, quando a produção havia escasseado a ponto de agravar a fome dos afetados pelo conflito. Toda uma geração só conhece essa forma de atuar, nunca "operou a descoberto", como agricultores no Brasil.

Funciona com pagamentos diretos ao produtor. Isso gerou a ironia de que uma vaca europeia tem "renda" superior a muitos humanos: cerca de US$ 3 ao dia ou US$ 1 mil ao ano. A proposta é de corte ao redor de 20% de 2028 a 2034.

A redução é resultado da necessidade de reforçar o orçamento de defesa europeu, decorrente da renúncia do presidente dos EUA, Donald Trump, de frear os avanços expansionistas do presidente da Rússia, Vladimir Putin. 

GPS DA ECONOMIA


20 de Dezembro de 2025
ACERTO DAS TUAS CONTAS - Giane Guerra

Investir na aposentadoria reduz mordida do Leão

Termina no dia 31 o prazo para reduzir o Imposto de Renda em 2026. Pode ser menos tributo a pagar ou até mais restituição a receber. Uma das formas é com as deduções de previdência privada, ou seja, aportes realizados ainda em 2025 podem ser abatidos na declaração do ano que vem. Mas não deixe para a última hora, pois é preciso tempo para processar a solicitação.

A medida vale para quem tem plano do tipo PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) e faz a declaração completa do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), além de ser contribuinte, pensionista ou aposentado do INSS ou do regime próprio. As deduções com previdência privada podem chegar a 12% da renda bruta tributável do contribuinte, o que reduz a base de cálculo do tributo.

- Por exemplo, se uma pessoa está na alíquota de 27,5% do Imposto de Renda e realiza um aporte de R$ 10 mil no PGBL com essas condições, economiza R$ 2.750 de imposto na declaração - diz a planejadora financeira Leticia Camargo.

O que é renda tributável? É aquela recebida de salário, aluguel, pensão ou aposentadoria, por exemplo. A soma considera a renda bruta (não a líquida!), mas não entram na conta o 13º salário nem a participação em lucros e resultados (PLR).

Na declaração, o valor entra com outras despesas dedutíveis mais conhecidas pelo contribuinte, como gastos com educação, saúde, dependentes e pensão judicial paga. Fazendo isso, a pessoa pagará imposto apenas no resgate do valor do plano de previdência. Mas, então, por que é vantajoso? Até lá, o dinheiro rende para você ou paga contas que, de outra forma, poderiam gerar custos extras.

Sem "come-cotas"

Além disso, o plano de previdência não tem o chamado "come-cotas", quando se paga obrigatoriamente o tributo em fundos de investimento, retirando da base sobre a qual também é calculada a rentabilidade. Outro benefício é reduzir alíquota. Quem escolhe o regime de tributação definitiva, que adota tabela regressiva, deixará de pagar 27,5% e, se os recursos forem mantidos no plano por 10 anos, pagará 10% de imposto no resgate.

Em alguns casos, é possível solicitar a informação sobre o rendimento tributável e até de quanto deve ser o aporte adicional ao departamento de RH da empresa ou mesmo ao plano de previdência. Ou então, você pode pedir a um profissional, como planejador financeiro ou contador. _

Opção do VGBL

Para quem o investimento na previdência já atingiu os 12% da renda bruta e quer aplicar quantia maior, o mais recomendado é que esse valor seja investido em VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres). Ele também é um plano de previdência privada, porém mais indicado para as pessoas que fazem a declaração de Imposto de Renda pelo modelo simplificado. Não permite dedução fiscal no aporte, mas, em compensação, o imposto final incide apenas sobre a rentabilidade.

Caso não haja vencedores hoje na Mega-Sena acumulada em R$ 62 milhões e com as mudanças de regras, a Mega da Virada pode chegar a R$ 1 bilhão. Por enquanto, o prêmio está previsto em R$ 850 milhões.

Empréstimo disfarçado de Pix

A demora na publicação pelo Banco Central das regras para o Pix Parcelado deixa o consumidor vulnerável a empréstimo com juro oferecido de jeito pouco transparente. É preocupante em momento no qual o endividamento da população está alto.

Sem regulamentação, cada banco oferece como quer, sem padrão. Usam nomes como "Pix no cartão" ou "Pix no crédito", o que pode dá ideia de parcelamento no cartão de crédito sem juro.

Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), o juro está em cerca de 5% ao mês e o custo efetivo total (CET), que inclui outras taxas, sobe a 8%. Ou seja, é uma taxa bem alta, inclusive para o padrão de empréstimos. A entidade também reclama que não estão claros os encargos cobrados em caso de atraso.

Observe que o Pix Parcelado é um empréstimo, mas que surfa na popularidade gigantesca conquistada pelo Pix, que não cobra taxas do consumidor. Em um país carente de educação financeira, o potencial do estrago é grande. _

Iogurte daqui - Consumidor verde

Quer comprar um iogurte delicioso, saudável, feito no RS, de uma empresa familiar e que foi atingida na enchente? A coluna sugere o Sans Souci, com base de ingredientes naturais e sem conservantes. Tem em potes pequenos e garrafas. Há alguns anos, a marca passou a ter inclusive kefir, alimento probiótico com vários benefícios comprovados à saúde, inclusive ajudando na imunidade. Os produtos podem ser comprados em supermercados ou pela loja virtual no site da indústria, que é de Eldorado do Sul. A sócia Sigrid Pesenatto gosta de enfatizar que "sans souci" é a expressão em francês para "sem preocupação", no sentido de tranquilidade. 

ACERTO DAS TUAS CONTAS

sábado, 13 de dezembro de 2025


13 de Dezembro de 2025
COM A PALAVRA

Vanessa Soares Maurente - Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional da UFRGS

"A maioria das IAs que se usa hoje não tem reconhecimento científico"

A inteligência artificial (IA) está em diversas áreas e não é diferente na saúde mental. Isso pode trazer muitos riscos, conforme alerta a professora Vanessa Soares Maurente. Em entrevista a Zero Hora, ela explica como ferramentas de IA vêm sendo incorporadas na rotina de profissionais da psicologia e quais os potenciais impactos dessa prática.

Sofia Lungui - Como a tecnologia vem transformando os cuidados com a saúde mental?

A tecnologia vem produzindo subjetividade, formas de viver e pensar e políticas cognitivas. Elas não são só ferramentas que a gente usa no nosso cotidiano, são ferramentas que modificam a nossa forma de ser sujeito. E, nesse sentido, elas modificam a nossa forma de se relacionar com o mundo. Estamos vendo o surgimento de inúmeros aplicativos de saúde mental, assim como IAs terapeutas e de diagnóstico, por exemplo. 

A gente teve, após a pandemia, aumento de 400% nas consultas psicológicas online. A partir disso, o Conselho Federal de Psicologia precisou repensar as relações com as tecnologias. Na minha pesquisa, estudo as relações entre sujeitos e tecnologia, e como as tecnologias produzem subjetividade. A gente estuda como a tecnologia produz padrões e reproduz discursos hegemônicos, e como isso produz modos de viver e de sofrimento.

Como você estuda esses processos?

A gente tem trabalhado em dois projetos dentro do Núcleo de Ecologias e Políticas Cognitivas, Tecnopolíticas dos Afetos e Digitalização das Práticas Psis, que é justamente para entender esse uso de plataformas digitais, tanto pra consultas online com terapeutas humanos, quanto a multiplicação de aplicativos de saúde mental.

De que modo a IA vem sendo usada no que tange a saúde mental?

Podemos citar cinco tipos de IAs que se propõem a atuar no campo da saúde mental. Temos a IA de apoio no diagnóstico, por exemplo. Através de APIs (interfaces de programação de aplicações) associadas a aplicativos no celular, essas ferramentas fazem o rastreio de tom de voz, mudanças em padrões de mensagens, mudanças em publicações de redes sociais. 

Ela analisa se você diminui a frequência de ligações, se tem feito compras demais, se você tem ficado mais isolado, por exemplo, tudo pelo celular do paciente. E, a partir disso, pode identificar padrões e auxiliar no diagnóstico. E tem as IAs terapeutas, que é o uso mais frequente, por meio de chatbots que costumam ter como justificativa atender pacientes crônicos, que estão há muito tempo internados em um hospital e não têm acesso à psicoterapia. A principal delas era a Woebot, é a única que teve validação científica, mas foi descontinuada. Uma terceira forma seria o acompanhamento do paciente entre as sessões. 

Além de ser terapeuta, a IA pode acompanhar um paciente com alguma fobia, por exemplo. Tem também a questão da realidade virtual associada à IA. Nesse caso, a IA é usada para expor o paciente a situações e cenários controlados, como uma fobia específica, como pacientes com estresse pós-traumático, sempre acompanhado por um humano. E, por último, a IA pode ser usada em contextos corporativos como um benefício. Assim como tem plano odontológico, plano de saúde, algumas empresas dão acesso a IAs terapeutas para os colaboradores.

Como você enxerga esses usos das ferramentas de IA na saúde mental?

A maioria das pesquisas sobre isso demonstram que, em situações controladas, as IAs voltadas para a saúde mental têm resultados satisfatórios, mas em situações reais esse resultado não é tão satisfatório. Alguns artigos também falam na necessidade de validação desses instrumentos, porque são modelos que são feitos fora do nosso contexto, por pessoas brancas, privilegiadas, do norte global.

Por que fora de contexto?

Elas não são treinadas a partir do nosso contexto, e isso torna as ferramentas muito limitadas. Tem outro estudo que analisou 54 plataformas de IA focadas em saúde mental que mostra que 89% delas vendiam os dados de saúde mental dos usuários para outras empresas por até US$ 15. Outra pesquisa mostrou que apenas 23% das IAs usadas em saúde mental passaram por ensaio clínico randomizado. Então, a maioria das IAs que se usa hoje não tem reconhecimento científico. 

E oferecer isso como um benefício no ambiente corporativo demonstra que, no nosso tempo, a saúde mental virou um luxo, virou uma meta. É o ápice do individualismo e imediatismo. O sujeito pode comprar a saúde mental se quiser, e não custa caro. Os modelos de IA correspondem muito às expectativas do nosso tempo, de ter alguém disponível a qualquer momento, de poder levar o terapeuta no bolso, de não precisar entrar nessa relação terapêutica, que é muito mais difícil de se constituir do que conversar com um chatbot.

Quais riscos e impactos isso pode trazer à saúde mental das pessoas?

Existem muitos riscos em relação a isso. O primeiro deles é a simplificação e automatização da relação terapêutica. A relação do paciente com o terapeuta é uma relação de vínculo, de responsabilidades compartilhadas. O paciente precisa imaginar quem é esse terapeuta, ele precisa imaginar a vida do terapeuta, precisa decidir se vai ou não na terapia naquele dia. E o terapeuta precisa poder silenciar, que é algo que a IA não faz. O segundo risco é em relação ao uso de dados privados, dados sensíveis. Além disso, as IAs correm o risco de produzir uma sociedade individualista, com sujeitos que compreendam que a causa do sofrimento deles é individual.

Pode dar um exemplo?

Podemos pegar o exemplo do racismo. Muitas vezes, as IAs deixam de detectar depressão em homens negros, por exemplo, porque elas são treinadas com base em uma população branca privilegiada e colocam a causa da depressão em situações pessoais do sujeito, e não compreendem as razões do sofrimento psíquico de pessoas negras. A IA não identifica o sofrimento produzido por uma sociedade racista. Tivemos outras questões graves já conhecidas, como chatbots que contribuíram em casos de suicídio.

A tecnologia pode ser uma aliada? Como seria um uso responsável da IA nessa área?

Eu acredito que a tecnologia tem muito potencial, mas não da forma como está sendo produzida. O que eu acho complicado é a gente pensar que esses modelos estão preocupados com a nossa saúde mental. Eles estão preocupados com lucro, com extração de dados. Não podemos achar que a IA vai substituir um psicólogo, ou um psiquiatra, a IA não pode substituir as relações humanas. Podemos pensar em uma IA que seja treinada com diferentes saberes, como ferramentas que possam ajudar a contar outras histórias. Mas, para isso, teríamos que criar IAs com software livre, de código aberto, abordando conhecimentos locais. Teria que ter toda uma construção responsável, de modo a produzir relações menos violentas na nossa sociedade. 



13 de Dezembro de 2025AN
ANRESSA XAVIER

Quatro por dia

Você pode me achar repetitiva, e serei mesmo. Os casos de feminicídio têm me tirado a paz. Ver as imagens da covardia de homens batendo e matando mulheres é como levar um soco junto com a vítima. É como estar no elevador em que Alex Santos espancou a namorada, no Morumbi, em São Paulo e a levou até o décimo andar. De lá ele atirou a jovem de 25 anos. Ele também chorou agarrado ao caixão. Levou flores ao túmulo antes de ser descoberto e preso. Também em um elevador, dessa vez de um prédio na zona sul do Rio, um turista americano deu socos na namorada. Assim como naquele caso emblemático de meses atrás, no Rio Grande do Norte, em que um troglodita deu 60 murros na namorada.

As câmeras já não inibem. Eles já perderam o medo da punição. Apenas enxergam um pedaço de carne do qual pensam que são proprietários. Depois lamentam, choram, dizem que não queriam ter feito o que de pior fizeram. O Congresso, a cada caso rumoroso, discute mais medidas. A sociedade quer vê-los presos. Tudo isso é legítimo. Avançaremos, no entanto, quando conseguirmos evitar as mortes e não apenas chorar por elas.

Antes do tapa, vem uma série de sinais. O soco é o ato que vem após as ameaças e palavras de desdém. O aperto no braço é um passo além do xingamento e da humilhação. Envolvida, a mulher deixa de notar o que olhando de fora é óbvio. Não percebe que a amiga que ele disse que é invejosa na verdade já entendeu o jogo dele e tentou alertar. Deixa de ver que a família poderia ajudá-la, e que não deveria se afastar de quem ama nem de quem era antes dele aparecer. Acha que o ciúme dos amigos e da roupa é sinal de amor. Acredita quando ele diz que vai mudar. Isso tudo não é culpa dela, embora ele faça parecer que é.

Mudar esse ciclo exige atitudes e não hashtags. Dar oportunidades e salários iguais para as mesmas funções é um começo, mas trago mais sugestões aos homens. Não se calar quando receber comentários machistas no grupo de WhatsApp. Não rir da piada que deprecia mulheres. Fazer sua parte nas tarefas domésticas. Criar meninos que saibam que precisam respeitar as meninas. Dar um basta em amizades de homens que se gabam de enganar suas companheiras. Sei que não será fácil. Muitos dirão que o amigão só tem um jeito de ogro, mas na verdade é inofensivo. Que era só uma brincadeira. Que já são homens evoluídos. Que a mulher andar na rua no escuro e com roupa curta é que tem culpa. Ou que elas provocam a fúria do homem. Essas desculpas todas a gente já conhece.

Os feminicídios são a última e mais horrorosa etapa de um sofrimento que se estende por meses, anos, uma vida inteira. Pela vida dos filhos e dos pais das vítimas. Pela sociedade, que deveria gritar por socorro e não deixar que gritemos sozinhas. Não tem solução fácil e que não demande mudanças culturais. Uma mulher morre a cada seis horas no Brasil pelas mãos de alguém em quem ela confiou. _

ANDRESSA XAVIER


13 de Dezembro de 2025 
MARCELO RECH

Eu te blindo, tu me blindas

Pois é, então se rasgou a fantasia. Sem maiores escrúpulos ou pudores, o verbo da hora é blindar, mas conjugado com os pronomes de uma gramática bem brasileira: eu te blindo, tu me blindas, eles nos blindam, nós nos blindamos e por aí vai.

Primeiro, a blindagem do Executivo. A Lava-Jato e o interminável inquérito das fake news ensinaram aos presidentes que seus percalços se alojam no Supremo Tribunal Federal (STF), porque o baixo clero do Congresso se contenta em ser domesticado com emendas. Então, às favas com a nomeação de juristas renomados, como no passado, e com o critério da diversidade, como Joaquim Barbosa, algoz de Lula e do PT no Mensalão. O primeiro atributo do indicado é lealdade. Nada contra o ministro Cristiano Zanin, um dos que preservam a liturgia do cargo, por sinal, mas alguém imagina blindagem mais explícita do que nomear o próprio advogado para a Suprema Corte?

Em seguida, os parlamentos. Só a centelha de povo na rua impediu que fosse à frente a PEC da Blindagem, também conhecida como da Bandidagem, que exigia autorização prévia dos congressistas (em votação secreta!) para o STF processar um deputado.

Com o pântano das emendas começando a borbulhar, o centrão foi à luta. O PL bolsonarista era um entusiasta da ideia, relembre-se. Por quê? Não se sabe, como também não se sabe por que, com apoio de 14 dos 18 partidos, a Assembleia Legislativa do Rio revogou a prisão de seu presidente, Rodrigo Bacellar, aquele que instruiu um deputado ligado ao Comando Vermelho a deixar a picanha para trás e dar no pé antes de a Polícia Federal chegar. É uma blindagem validada pelo STF para deputados em todo o território nacional, com apoio de partidos de Norte a Sul.

Por fim, o próprio STF. A Corte vem metendo os pés pelas mãos desde que se embriagou com o título de última linha de defesa da democracia. Coube a Gilmar Mendes, adepto do matar a crítica no peito, decidir que apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderia pedir o impeachment de ministros do STF. Dias depois, recuou e fechou-se um acordão com o Senado.

Mas o que é tudo isso diante do contrato de R$ 3,6 milhões mensais do Banco Master com a banca da esposa e filhos de Alexandre de Moraes e do passeio de Dias Toffoli no jatinho com o advogado de um dos diretores do banco para ver seu Palmeiras no Peru? Em mais um dia normal na Blindolândia, Toffoli transferiu todo o caso - uma bomba que estava por explodir - para seus escaninhos no STF e decretou sigilo absoluto. Na prática, uma operação abafa para alívio geral ao centro, à esquerda e à direita.

E ninguém fica ruborizado. 

MARCELO RECH


13 de Dezembro de 2025
OPINIÃO RBS

A epidemia dos golpes

Foi em especial a partir de 2020, ano da eclosão da covid-19, que o Brasil viu a irrupção de outro mal: a epidemia dos golpes, em boa medida praticados de forma virtual. O perfil dos crimes contra o patrimônio mudou. Roubos e furtos passaram a cair, enquanto os estelionatos dispararam, trazendo novos desafios para a população e órgãos de segurança pública. Para quem é vítima, além do prejuízo financeiro, o abalo emocional também é profundo, como mostrou reportagem de Letícia Mendes publicada na sexta-feira em Zero Hora, com relatos dolorosos de quem foi iludido das mais diversas formas, com desfechos trágicos como a perda das economias de uma vida toda.

É verdade que as estatísticas mais recentes apontam para um recuo da quantidade de golpes no Rio Grande do Sul e no país, mas os números ainda são assustadores e acredita-se em alta subnotificação. A Secretaria de Segurança Pública do Estado registrou, em 2017, cerca de 20 mil casos de estelionatos. Em 2020, subiram para 67 mil, chegando ao pico, em 2022, com 95 mil. No ano passado, foram 80 mil.

As polícias passaram a dar mais atenção a esses crimes. Não há semana sem notícia de várias operações contra quadrilhas de estelionatários. Dotar as equipes de investigação de meios tecnológicos capazes de rastrear e chegar a esses bandidos é basilar. Mas não raro os envolvidos estão atrás das grades. Graças à facilidade que têm de acesso a celulares, seguem delinquindo. Passa da hora de os presídios do país terem sistemas eficientes de bloqueio de sinal de telefone e internet.

Ainda assim, o volume de tentativas de estelionatos é tão grande que talvez a maneira mais efetiva de evitá-los seja apostar na conscientização dos cidadãos. É preciso desconfiar sempre de ofertas tentadoras, dos contatos que pedem dados pessoais ou bancários, dos anúncios de prêmios ou de mensagens de alerta com solicitação para ligar para algum número ou clicar em links. Além de conhecimentos tecnológicos, os bandidos são cada vez mais persuasivos, o que é conhecido como engenharia social.

Apesar da queda recente nos boletins de ocorrência, as investidas insidiosas não param de crescer, indica um dado divulgado pela Serasa Experian em setembro. O Brasil registrou 6,9 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre, alta de 29,5% ante o mesmo período do ano passado. A média foi uma ocorrência a cada 2,3 segundos. A maior parte envolveu ataques a contas bancárias e cartões.

Para os criminosos, há uma série de vantagens. Não envolve risco de confronto com a polícia, é possível disparar uma quantidade enorme de tentativas em pouco tempo, os alvos podem estar a milhares de quilômetros e as penas são baixas, apesar da existência de propostas legislativas para elevar as punições.

Há ainda a leniência das plataformas digitais. Em novembro, a agência de notícias Reuters, com base em documentos internos da Meta, revelou que, em 2024, a dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp lucrou cerca de US$ 16 bilhões com anúncios de golpes e produtos proibidos, que veicula sem os devidos cuidados. Resta aos cidadãos aprenderem a se precaver. _

OPINIÃO RBS 



13 de Dezembro de 2025
ACERTO DAS TUAS CONTAS - Isadora Terra - Mariana Ribeiro

Analista de pesquisa do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec

"Se faz mal para a saúde, tem de ser regulamentado"

Consumidor verde

Mariana Ribeiro, analista de pesquisa do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) falou sobre o cenário da regulamentação de alimentos com alto teor de gordura saturada, sódio e açúcar no Brasil.

? Quais são os regramentos para propagandas de alimentos prejudiciais à saúde no Brasil?

Não temos nada específico sobre restrição da publicidade de ultraprocessados, por exemplo. Há regras para bebidas alcoólicas ou tabaco, mas, quando entramos no mundo da alimentação, não temos essa especificidade. Apesar do Guia Alimentar para a População Brasileira recomendar que sejam evitados e uma grande quantidade de evidências científicas associando a prejuízo à saúde, não há nada que proteja o consumidor deste tipo de propaganda.

E sobre promoções que incentivam a comprar alimentos de baixa qualidade nutricional em grandes quantidades?

Também não tem. O que a gente tem em específico é a questão da venda casada. Brindes, colecionáveis. Isso já não é mais permitido. Mas a propaganda, desconto de ultraprocessados, não tem nenhuma norma específica.

O que precisa ser feito?

Precisamos de uma lei que proíba a publicidade de ultraprocessados. Hoje, a maior parte das propagandas são desse tipo de alimento, uma vez que são produtos que precisam vender muito. Utilizam de diversas estratégias, como excesso de cores, vídeos chamativos, direcionamento para o público infantil com a utilização de linguagem e personagens que estão no universo infantil. Mesmo que isso seja proibido pela resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, ainda acontece muito.

Ainda há pouca discussão sobre isso no Brasil.

Sim, e foi por isso que criamos o Observatório de Publicidade de Alimentos, uma plataforma com informações sobre publicidade abusiva e enganosa onde também é possível fazer denúncias. Em alguns casos, o Idec encaminha para os órgãos competentes. O que sempre falamos é "se faz mal para a saúde, deve ser regulamentado". Seria muito importante ter normas mais robustas e mais fortes no nosso país quando se trata de produtos que fazem mal à saúde. _

Alívio no preço do tomate

Depois de ultrapassar os R$ 10 e rondar os R$ 8 nos últimos três meses, o preço médio do quilo do tomate atingiu, em novembro, o menor patamar desde fevereiro deste ano em Porto Alegre. A marca foi de R$ 6,39. É uma redução de 27,39% em relação ao mês anterior.

Foi a maior queda entre todos os alimentos da cesta básica na Capital, segundo o monitoramento mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Leite integral (-7,27%), arroz agulhinha (-6,50%) e manteiga (-3,51%) também registraram redução no preço médio na comparação com outubro. Por outro lado, óleo de soja (1,51%), pão francês (0,73%) e batata (0,72%) tiveram aumento.

Já no acumulado dos últimos 12 meses, café em pó (65,91%) e carne bovina de primeira (12,35%) atingiram as maiores altas. Batata (-41,59%) e a dupla arroz e feijão-preto (-29,76% e -38,77%, respectivamente) foram os que mais caíram nesse período. _

Ouça neste domingo, às 7h da manhã, a entrevista do programa "Acerto de Contas" com o professor de Economia da PUCRS Ely José de Mattos sobre o avanço do projeto que acaba com a escala 6x1 no Congresso Nacional. A votação foi simbólica, e a PEC seguirá para análise do plenário da Casa.

ACERTO DAS TUAS CONTAS