sábado, 11 de julho de 2026

11 de Julho de 2026
CARPINEJAR

O primeiro celular, o princípio do vício

Minha casa é um museu. Guardo grande parte dos celulares que usei. Foram tão cúmplices de meus segredos que não me desapeguei deles.

Formam uma fila indiana que vai diminuindo de tamanho, até caberem na palma da mão.

Meu primeiro celular, no final dos anos 1990, era semelhante a um radinho de pilha, com antena. Um trabuco, um tijolão, que não entrava no bolso e precisava ser carregado na cintura. Pesava quase meio quilo.

Quem me via de longe achava que eu estava armado. A bateria não durava nem um dia. O visor monocromático cinza não apresentava nenhum atrativo, como um computador antigo, como um aquário de água suja, sem fotos, sem animações. Exibia apenas números, nomes e menus extremamente simples.

Os botões altos, de borracha, afundavam com um toque mais firme e repetiam as operações.

Mandar mensagens envolvia um trabalho incomensurável de catar milho. Na ausência de WhatsApp, recorríamos ao SMS. Poucos contavam com celular, então o recurso não adiantava. A comunicação se mostrava restrita, basicamente limitada a ligações.

Na época, foi um deslumbramento poder telefonar de um dispositivo móvel, não mais me prendendo à extensão de um fio na parede. Eu me sentia importante, livre, com uma privacidade inédita. Pena que as chamadas caíam com frequência ou sequer se efetuavam. Eu tentava discar várias vezes.

Meu modelo de estreia foi um Motorola, que fechava o teclado com uma tampinha.

Quando ele tocava no restaurante - com um bipe eletrônico desprovido de melodia, um "Briiip? Briiip? Briiip?" agudo, metálico, e uma pequena pausa -, os olhares se voltavam para mim. Virava o alvo da atenção. Desfrutava de um luxo, agora capaz de ser encontrado em qualquer lugar. Experimentava a sensação de estar recebendo uma visita. Jamais recuperarei a mesma alegria com as novidades poderosas da atualidade. Testemunhava a transição do mundo analógico para o digital. Vivia um Big Bang de comportamento, uma revolução anárquica dos hábitos.

O que me incomodava é que tinha me tornado um orelhão. Os amigos me confundiam com um telefone público e pediam emprestado meu xodó para transmitir recados à família. Eu gastava mais pelos outros do que por mim na fatura do mês.

Aos poucos, o celular migrou para versões compactas e com mais tecnologia. No fim da década seguinte, adotei o BlackBerry, fingindo ser um executivo do mercado financeiro. Os e-mails chegavam instantaneamente. Mudei a minha maneira de digitar, num teclado QWERTY completo, mais largo do que o de um celular comum. O desenho abaulado fazia com que o polegar deslizasse rapidamente. Eu não mais olhava para teclar, numa velocidade surpreendente. Mantinha a impressão de que levava o escritório comigo.

Havia uma bolinha central, o trackball, uma minúscula esfera, algo como um mouse invertido, que me permitia controlar a tela e rolar em todas as direções. Se antes eu nadava, passei a navegar. A imersão irreversível, a hipnose da telinha, a compulsão de permanecer on-line começaram exatamente com aquele aparelhinho prateado.

Ele piscava sobre a cabeceira da cama. Piscava durante uma reunião. Piscava no cinema. Piscava enquanto eu realizava as refeições.

O ponto luminoso insaciável inaugurou em mim uma ansiedade esquisita: sempre existia alguém esperando uma resposta. Não conseguia mais me distrair para a vida. Não conseguia mais ficar desconectado.

Fui abduzido, como todos, pelas luzes da virtualidade. Pagamos o preço da conquista com a dependência. 

CARPINEJAR

11 de Julho de 2026
ÁCIDO E CONTESTADOR - William Mansque

ÁCIDO E CONTESTADOR

40 anos do álbum que marcou fim da ditadura

Ácido e contestador

Lançado em 1986, o disco que mescla influências do punk rock, pós-punk, funk e reggae ganha uma turnê comemorativa. A obra se destaca por suas composições mais agressivas, que transformam angústias e inconformismos em críticas diretas ao Estado, à religião e ao capital

Os Titãs chutaram a porta com Cabeça Dinossauro. Ao lançar o disco, em 1986, a banda parecia soltar algum grito entalado.

Para celebrar as quatro décadas, a banda está promovendo a turnê Titãs - Cabeça Dinossauro 40 Anos, que passará por Porto Alegre. O grupo vai se apresentar no Auditório Araújo Vianna no dia 17 de julho.

A atual formação dos Titãs conta com Branco Mello (vocal e baixo), Sérgio Britto (vocal, teclado e piano) e Tony Bellotto (guitarra). Nas apresentações da turnê, o grupo tem tocado todas as 13 faixas do álbum, o que inclui AA UU, Bichos Escrotos, Homem Primata, Polícia e Família.

Contudo, há espaço no repertório para faixas de outros trabalhos, com canções como Diversão, Flores e Eu Não Aguento.

Todas as músicas do show têm esse viés mais ácido e contestador, como observa Britto.

- É muito fiel (à época) e talvez soe até melhor, porque as condições técnicas hoje em dia são muito melhores do que as que a gente tinha nos anos 1980 - atesta.

Britto destaca que há um vultuoso aparato cenográfico. A parte instrumental também recebeu a devida atenção, como ressalta Britto, lembrando que algumas músicas de Cabeça Dinossauro contêm três partes de guitarra. Por isso, foi adicionado mais um guitarrista para a turnê. O próprio Britto comprou o mesmo teclado que costumava usar na época da gravação do disco.

- O que mudou mais talvez seja não termos todos os vocalistas daquele período (Paulo Miklos, Nando Reis e Arnaldo Antunes) - pontua Britto.

Fruto da redemocratização

Cabeça Dinossauro foi o terceiro disco de estúdio dos Titãs. O contexto da banda era turbulento: o álbum anterior, Televisão (1985), havia recebido uma recepção morna. Bellotto e Arnaldo Antunes, então integrante do grupo, haviam sido presos no final do ano anterior por porte de drogas.

Então, o grupo catalisou todas as angústias em composições mais agressivas, transpondo suas revoltas contra o Estado (Polícia), a religião (Igreja) e, entre outras questões, o capital (Homem Primata).

Ao mesmo tempo, a sonoridade apresentava influências do punk rock e pós-punk, caracterizando-se como o registro mais cru e pesado da banda até então. Também havia elementos de funk (Bichos Escrotos) e reggae (Família).

Bellotto observa que a efervescência política e social da redemocratização entrou em Cabeça Dinossauro. Para o músico, é um disco fruto do fim da ditadura.

- Quando as pessoas estavam cantando todas aquelas músicas também estavam entoando slogans de liberdade. Era o disco certo na hora certa. 

Titãs - "Cabeça Dinossauro 40 anos"

Quando: sexta, 17 de julho

Onde: Auditório Araújo Vianna (Av. Osvaldo Aranha, 685), em Porto Alegre

Ingressos: a partir de R$ 252 (mediante doação de 1kg de alimento não perecível)

Ponto de venda online: pela plataforma Eventim

Bilheteria oficial: loja Planeta Surf no Shopping Total (Av. Cristóvão Colombo, 545), de segunda a sábado, das 10h às 22h; e domingos e feriados, das 14h às 20h

11 de Julho de 2026
EUGÊNIO ESBER

Um cadáver insepulto

Na última quinta-feira, 9 de julho, completaram-se sete meses, sete longos meses em que o Brasil fala de tudo - Carnaval, trivialidades diversas, futebol, eleição -, mas desvia o olhar, e as narinas, de um cadáver moral que se decompõe à vista de todos na Praça dos Três Poderes e empesta o ar da República.

A primeira informação que veio a público, em 9 de dezembro do ano passado, já era grave o bastante para levar ao imediato afastamento de Alexandre de Moraes como ministro do Supremo Tribunal Federal e à sua inscrição no rol de investigados pelo maior golpe já praticado contra o sistema financeiro do país. Pelos códigos morais que devem reger a mais alta Corte de Justiça em qualquer nação séria, Moraes não deveria voltar a vestir a toga que já pertenceu a ministros probos, como seu antecessor, Teory Zavascky, até que explicasse que diabo de negócio foi aquele firmado entre o escritório jurídico de sua família e Daniel Vorcaro, o banqueiro que fora preso três semanas antes.

Moraes nada fez ou disse que, diante da opinião pública, pudesse conferir algum sentido moralmente aceitável ao contrato em que o suposto dono do Banco Master se comprometia a pagar a exorbitância de R$ 129 milhões à então desconhecida banca de advogados liderada pela esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Diga-se que o ministro Dias Toffoli também apostou na estratégia de silêncio ante as revelações sobre sua sociedade com a família Vorcaro em um resort no Paraná. Mas o emudecimento de Alexandre de Moraes se tornou um escândalo à parte quando a Polícia Federal encontrou, em um dos vários telefones de Daniel Vorcaro, a mensagem "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

Era 17 de novembro, o dia em que Vorcaro, com base em sua bem-paga rede de informantes, temia ser preso - como de fato foi, momentos antes de embarcar em seu jatinho para fora do Brasil. O telefone para o qual ele dirigiu seu desesperado pedido de informações é do STF, mas a Corte se demora em responder com quem o celular estava naquele final de tarde. No aparelho de Vorcaro, o contato estava salvo como sendo de Alexandre de Moraes.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, não viu razão para investigar Moraes, escrevendo a mais infamante página de submissão da história do Ministério Público brasileiro, instituição que emergiu da Constituição de 1988 para, supostamente, atuar como fiscal da aplicação da lei. Edson Fachin, presidente do STF, adotou uma postura errática, fazendo por merecer o apelido de "Frachin" dentro da Corte que deveria liderar. É um homem bem-intencionado neste caso, mas amedrontado pelas investidas da bancada de Gilmar Mendes, o capo.

E aqui estamos. Sete meses de um cadáver insepulto. Sete insuportáveis meses de pestilência institucional. 

Eugênio Esber

11 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Promessa ousada, entrega tímida

Há quase dois anos, em agosto de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista à Rádio Gaúcha e, de maneira categórica, assegurou que, até o final de 2026, entregaria a duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. A realidade à época já demonstrava que a promessa era da boca para fora. Sequer havia perspectiva concreta de início das obras nos lotes 1 e 2, mais próximos da Região Metropolitana. Vinte e três meses depois, esses mesmos trechos permanecem sem trabalhos, como mostra reportagem de Guilherme Milman publicada na sexta-feira em GZH, que averiguou a situação da rodovia em 630 quilômetros, de Porto Alegre a Uruguaiana.

A verdade é que qualquer projeção sobre prazo para finalizar a duplicação do trajeto em questão é mero chute. Depende da disponibilidade de orçamento, problema que ressurge de forma recorrente, e da superação de burocracias de toda ordem, costumeiramente razão para travar obras públicas. A realidade mostra que apenas 28 quilômetros receberam a segunda pista até agora, em dois pontos dos lotes 3 e 4, de Butiá a Pantano Grande. 

Restam mais 87 quilômetros para duplicar, extensão três vezes maior do que a que teve os trabalhos concluídos. Quem circula pela rodovia nas partes ampliadas, separadas por um canteiro central, tem alguns minutos de alívio de uma estrada saturada e perigosa, para em seguida retornar ao quadro predominante de um tráfego pesado, intenso e com maior risco de acidentes.

A promessa foi ousada, mas a entrega até aqui foi tímida. Não se trata de uma estrada qualquer, mas de uma das rodovias mais importantes do Estado, que corta o mapa gaúcho de leste a oeste e é o principal corredor de cargas entre Brasil e Argentina. É vexatório que, na mais importante ligação terrestre entre São Paulo e Buenos Aires, somente na BR-290, entre Eldorado do Sul e Uruguaiana, ainda exista pista simples.

Essa constatação exige reforço na reivindicação por obras em ritmo mais acelerado, para que o fim da duplicação chegue em um prazo não tão dilatado. Convém recordar que os primeiros serviços do projeto ocorreram em 2015 e, originalmente, a inauguração dos 115 quilômetros duplicados seria em 2017. Mas, até 2023, o que se viu foi quase nenhuma evolução. A retomada três anos atrás foi bem-vinda, mas em velocidade muito aquém do necessário e do que foi propagandeado.

Agora, duas etapas previstas para começar ainda no primeiro semestre, nos lotes 2, 3 e 4, seguem à espera dos homens e das máquinas na pista. Falta dinheiro. Sabe-se que o quadro orçamentário do governo federal é apertado e, em 2027, será preciso um ajuste duro nas contas do país. A disputa por verbas tende a ficar mais acirrada. Cabe à sociedade gaúcha, às forças políticas do Estado e às entidades empresariais ampliar a pressão pela garantia dos recursos necessários - assim como para a duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas, outra saga, que avança com lentidão semelhante desde 2012.

Para crescer de forma mais robusta, o RS precisa qualificar a sua infraestrutura rodoviária - sem esquecer os demais modais. Duplicar estradas é basilar. Deve-se cobrar maior celeridade nas obras públicas, mas também ficar atento aos prazos estipulados para as vias concedidas. 

11 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

Inflação perde força pelo quarto mês consecutivo

Preços

Alta do IPCA em junho ficou em 0,16%, a menor desde outubro de 2025. Alimentos e combustíveis ajudaram a conter a pressão da energia elétrica

A inflação oficial no país desacelerou na passagem de maio para junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou junho em 0,16%, o menor resultado desde outubro do ano passado, informou na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador ficou 0,42 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,58% registrada em maio. Com isso, a inflação perdeu força pelo quarto mês seguido.

No ano, o IPCA acumula alta de 3,36% e, nos últimos 12 meses, ficou em 4,64%, abaixo dos 4,72% dos 12 meses imediatamente anteriores, mas ainda acima da meta estabelecida para o Banco Central, de 4,50%.

Em junho, o maior aumento (0,63%) e impacto (0,10 p.p.) vieram do grupo habitação. O grupo de alimentos e bebidas, com queda de 0,24%, registrou a maior variação e impacto negativos (-0,05 p.p.).

A queda dos preços de alimentos e de combustíveis em junho, itens de peso importante no índice, ajudou a conter a pressão da energia elétrica sobre o índice, explicou o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves.

- A queda de alimentação e bebidas pode refletir uma combinação de fatores, com o alívio vindo dos combustíveis, que já vêm em trajetória de redução e ajudam a diminuir custos ao consumidor final, uma possível devolução de altas anteriores e, sobretudo, maior oferta de alguns itens, como café, por exemplo, com expectativa de safra melhor pressionando preços para baixo - comentou Gonçalves.

O gerente destacou ainda que o resultado de alimentação foi o menor para meses de junho desde 2023, mas destacou que alguns produtos seguiram em alta em junho, como batata, alho e feijão carioca, o que mostra um comportamento heterogêneo dentro do grupo.

Difusão

No caso do comportamento da energia elétrica residencial, saiu de 3,67% para 1,53%, ainda figurando como o principal impacto individual no resultado do mês (0,06 p.p.). Individualmente, o Rio de Janeiro registrou a maior variação, de 5,61%, com o retorno da vigência do reajuste de 15,10% sobre as tarifas em uma das concessionárias.

A difusão do índice também arrefeceu. A proporção de subitens com aumento de preços caiu de 65% em maio (245 subitens) para 54% em junho (202 subitens), com redução tanto entre itens alimentícios quanto não alimentícios, reforçando o quadro de desaceleração da inflação no mês.

Nos índices regionais, Brasília apresentou a maior variação no mês (0,52%), com influência de itens como passagem aérea e gasolina. No outro extremo, Recife registrou queda de 0,20%, pressionada, entre outros fatores, pelo recuo de itens como tomate e gasolina. Em Porto Alegre, a alta em junho foi de 0,36% - no ano alcança 3,18%, e em 12 meses acumula 4,80%. _

Trump aceita negociar com Irã, mas reitera que o cessar-fogo acabou

Oriente Médio

O presidente Donald Trump disse, na sexta-feira, que os Estados Unidos aceitaram continuar as negociações com o Irã, mas reiterou que o cessar-fogo entre os dois países chegou ao fim. O cessar-fogo de 8 de abril pôs fim a semanas de guerra que se seguiram ao ataque israelense-americano ao Irã, que desencadeou o conflito em 28 de fevereiro, mas foi marcado por repetidos confrontos de menor intensidade.

"O Irã nos pediu que continuássemos as ?conversas?. Nós aceitamos fazer isso, mas os Estados Unidos informaram, sem margem para dúvidas, que o cessar-fogo TERMINOU", afirmou Trump em rede social.

Durante a semana, o presidente americano disse que conversaria com seu enviado especial, o empresário Steve Witkoff, e com seu genro, Jared Kushner, que têm negociado com os iranianos, mas insistiu que cabe a Teerã retornar à mesa de negociações.

Ambos os lados se agrediram em diversas ocasiões nesta semana: Teerã alvejou navios mercantes e Washington realizou ataques aéreos, enquanto o Irã mirou alvos americanos em países do Oriente Médio com drones e mísseis.

Os ministros das Relações Exteriores do Egito e do Catar pediram, na sexta-feira, que EUA e Irã retomem as negociações. Em conversa telefônica, Badr Abdelatty, do Egito, e o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, "instaram todas as partes a priorizar a linguagem da diplomacia e do diálogo e a voltar à mesa de negociações", informou o ministério egípcio em nota. Uma delegação do Catar chegou ao Irã na sexta-feira para manter conversas, informaram meios de comunicação locais. _

Ataque ucraniano incendeia instalações no sul da Rússia

Leste da Europa

Drones ucranianos atingiram, na sexta-feira, infraestruturas petrolíferas e o porto em Taganrog, no sul da Rússia, de onde as autoridades retiraram moradores devido a um incêndio. O governador da região de Rostov, Yuri Sliusar, indicou que, além do porto em Taganrog, duas instalações de armazenamento de hidrocarbonetos pegaram fogo em Azov, às margens do mar de mesmo nome. Dezenas de moradores foram levados para um abrigo temporário e não poderão retornar às suas casas por "vários dias", disse Sliusar, acrescentando que "não será possível extinguir esse tipo de incêndio rapidamente".

A Ucrânia intensificou os ataques, visando infraestruturas de hidrocarbonetos, em tentativa de reduzir a capacidade de Moscou de financiar seu esforço de guerra. Esses ataques causam escassez de combustível e dificuldades de abastecimento na península da Crimeia, anexada pela Rússia. 


11 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

PF afirma que Valdemar indicou emendas mesmo sem mandato

Recursos públicos

Presidente nacional do PL teria interferido na destinação de R$ 119,2 milhões, mas ele nega. Investigação teve início a partir de conversas extraídas de celular apreendido de uma servidora da Câmara dos Deputados. Flávio Dino determinou bloqueio de bens do político

O que mais foi descoberto

Segundo a PF, as indicações de Valdemar eram organizadas em planilhas e as emendas eram registradas em nome de deputados federais. Para os investigadores, esse procedimento dava aparência de legalidade às indicações.

Em diálogos obtidos pela PF, servidores envolvidos no esquema fazem referências recorrentes a indicações qualificadas como sendo "do Valdemar" ou "do VCN", em alusão ao presidente do PL.

As emendas investigadas foram para áreas como saúde, turismo e esporte, principalmente para municípios de São Paulo.

Em uma troca de mensagens, um servidor afirma: "Marquei com o Valdemar amanhã 10:30. Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?".

Em outra conversa, uma servidora avisa que está "terminando de cadastrar" as emendas "do Valdemar".

Vorcaro encomendou dossiê sobre André Esteves, sócio do BTG Pactual

Conexão Brasília - Matheus Schuch

Por que a medida do STF parece exagerada

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, mesmo sem apresentar indícios de desvio de recursos. O que a Polícia Federal (PF) aponta, em caráter preliminar, é que o dirigente foi o verdadeiro responsável pela indicação de emendas que totalizam o valor em questão.

Valdemar não possui mandato parlamentar e não pode comandar as indicações que são de direito dos deputados e senadores. O caso pode configurar peculato por desvio de finalidade.

Mas há um abismo entre o uso de influência política para definir investimentos e a ideia de que o montante foi desviado e deve ser devolvido aos cofres públicos. A própria decisão de Dino admite a falta de qualquer elemento que ateste corrupção.

Poder de influência

Dino tem tomado decisões corretas para exigir transparência na alocação de emendas parlamentares e já conduziu inquéritos que culminaram na condenação de parlamentares e outras autoridades envolvidos em vultuosos desvios de verba pública.

No caso em questão, contudo, apenas foi demonstrado o poder de influência do presidente de um dos maiores partidos do país. Não se trata de relativizar o histórico de Valdemar, que tem conhecida ficha criminal e inclusive foi preso por envolvimento no Mensalão.

Mas, se o ministro do STF decidir punir de forma antecipada todos os dirigentes partidários que influenciam nas decisões de alocação de emendas por deputados e senadores, será difícil deixar alguém de fora. 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Copa manchada

A Copa do Mundo de 2026 ficou manchada com a retirada da suspensão de Folarin Balogun, pelo Comitê Disciplinar da Fifa, permitindo que o atacante dos Estados Unidos que recebeu cartão vermelho no jogo com a Bósnia participasse das oitavas de final contra a Bélgica. O regulamento foi para a lata de lixo, abrindo perigosos precedentes.

Ainda mais com os rumores da interferência externa do presidente americano Donald Trump, que fez a solicitação e depois agradeceu a entidade por ter corrigido o que chamou de "grande injustiça". Criou-se um constrangimento para o brasileiro Raphael Claus, que puniu o jogador ao rever a jogada no VAR. A decisão extracampo o desautorizou e violou regra tácita e consensual.

Embora a Fifa tenha alegado que a revogação seguia o artigo 27 do seu Código Disciplinar, que determina que o "órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar", soa como uma exceção arbitrária a serviço de interesses espúrios, uma vez que Balogun se sobressaía como artilheiro da Seleção dos EUA, com três gols no Mundial.

O futebol se mostrou acima da politicagem. A Bélgica goleou os Estados Unidos por 4 a 1, derrubando a anfitriã com requintes de humilhação e calando 80 mil torcedores em Seattle, na segunda-feira. Sequer o desfalque reagrupado indevidamente conseguiu conter o vexame. Após o triunfo que garantiu o confronto com a Espanha, a Bélgica postou nas redes sociais uma foto da comemoração de Lukaku, com a mão no ouvido, provocando o mandatário intruso: "Reverte isso".

Nem tudo é um mar de rosas no desenrolar da competição. Testemunhamos situações estranhas e atípicas de pressões de regimes no maior evento esportivo do mundo, que insinuam manipulações de resultados. Na Copa de 1978, atuando em casa, a Argentina precisava tirar uma diferença de saldo de gols com o Brasil para se classificar - uma vitória por no mínimo quatro gols no Peru. Sob a coerção da ditadura sangrenta do general Jorge Rafael Videla, contrariando o histórico das duas seleções no torneio, a Argentina varreu os peruanos por 6 a 0. O goleiro do Peru era Ramón Quiroga, argentino naturalizado peruano, duramente criticado por suas falhas imprevisíveis no duelo.

A atitude intervencionista de Trump deve ser colocada no mesmo patamar da adulteração de placar do fascismo de Benito Mussolini, que queria porque queria provar a sua supremacia ideológica no certame de 1934, na Itália.

O primeiro-ministro, com poderes incondicionais no período, transformou a arena numa vitrine de propaganda do Partido Nacional Fascista. Para alcançar o título, houve fortes indícios de cooptação da arbitragem, coação de atletas e censura na imprensa. O árbitro sueco Ivan Eklind, por exemplo, que apitou a semifinal e a final, reuniu-se com Mussolini antes das partidas e validou gols e lances controversos a favor da Itália.

Para se ter ideia de como a armação se evidenciou descarada, nas quartas de final, o goleiro espanhol Zamora saiu de cena fraturado e sete titulares de sua equipe acabaram lesionados. Tratou-se de um massacre sem precedentes. Parecia obra dos Camisas Negras (Camicie Nere), braço paramilitar do Duce. Na disputa de desempate, o juiz René Mercet acatou um gol polêmico de Giuseppe Meazza e anulou dois gols legítimos da Espanha.

Já na semifinal, com a Áustria, o juiz Ivan Eklind, egresso de um banquete com Mussolini na véspera, deu o gol da vantagem italiana (1 a 0) a partir de um empurrão do centroavante Enrique Guaita no goleiro austríaco para dentro da rede com a bola. Não tem como não compreender como uma falta abusiva em qualquer época.

A democracia futebolística, se existe, corre sérios riscos com o retrocesso. Fraudes nascem de despretensiosos lobbies e vão acuando a arte das chuteiras para a extinção da igualdade. _

CARPINEJAR 

 

08 de Julho de 2026
MÁRIO CORSO

Qual o pior vício?

Meu avô gostava de repetir uma pergunta que ele mesmo respondia. Qual seria o pior vício, o cigarro, a bebida ou o jogo? Era o jogo, pois, segundo ele, quem joga, também fuma e bebe.

Lembrei da advertência do meu avô ao ler sobre mais um suicídio vinculado a dívidas com bets. Desde que os jogos on-line chegaram ao Brasil, estão ligados a um variado cardápio de desgraças.

Os jogos a que meu avô se referia eram jogos de carta dentro de clubes, ou no fundo de algum bar. Não era difícil encontrar o jogo, mas não era tão fácil como agora. Basta abrir o celular, a qualquer hora do dia, e começar a falir.

Por que o jogo vicia? Do ponto de vista neurológico é simples, a tensão entre ganhar ou perder libera dopamina. Erroneamente ligada apenas ao prazer, a dopamina traz a sensação de que está ocorrendo algo muito importante, decisivo, é preciso estar alerta. É um neurotransmissor que sublinha, que dá intensidade ao que está sendo vivido. Essa explicação pouco ajuda, todos temos esse modo de funcionamento. Por que uns viciam e outros não é a grande pergunta.

Qualquer vício é indício de uma vida vazia e sem propósito. Quem tem lastro afetivo, vínculos fortes não se deixa destruir por ele. O vício leva quem busca um atalho para se sentir atado à vida.

Existe outra pergunta: deveríamos proteger as pessoas delas mesmas? É o que fazemos quando proibimos as drogas e a publicidade de produtos viciantes. A propaganda de cigarros foi abolida em 2011. A propaganda de bebidas é proibida acima de 13% de teor alcoólico. Fica liberada a de cerveja mas com restrições: não pode estar associada a êxitos esportivos, profissionais e sexuais.

Sabemos que o jogo vicia tanto quanto o cigarro e o álcool. Então, por que permitimos que anúncios de bets patrocinem campeonatos, estampem uniformes e invadam as redes sociais com a promessa de dinheiro fácil?

Meu avô não conheceu os algoritmos, mas intuiu a armadilha: o jogo é o vício que abre a porta para outras compulsões. Hoje, com um cassino no bolso e a solidão como plateia, a aposta não é mais só financeira, é existencial. E quando a vida perde o valor, o próximo lance pode ser o último. _

MÁRIO CORSO

08 de Julho de 2026
OPINIÃO DA RBS

A responsabilidade dos vencidos

A saúde das democracias depende em grande medida da postura dos derrotados nos processos eleitorais. Quando vencidos se negam a reconhecer resultados amplamente chancelados também por observadores internacionais, estimula-se a desconfiança de parte da sociedade nas suas instituições. As divisões sociais se aprofundam e a disputa política se radicaliza.

Não faltam exemplos recentes no continente americano a demonstrar os efeitos nocivos da irresignação com o veredito soberano das urnas, que agora atingem a Colômbia e o Peru. Em 2020, alegando fraudes inexistentes, Donald Trump não aceitou a derrota para Joe Biden. A recalcitrância do republicano em reconhecer que perdeu e as insistentes afirmações sem evidência plausível de irregularidades na eleição tiveram como corolário a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpriu roteiro parecido. O desfecho, semelhante ao dos EUA, foi a intentona de 8 de janeiro de 2023. A diferença é que Bolsonaro acabou condenado por tentativa de golpe de Estado.

Após a insurgência contra a vontade dos eleitores surgir à direita, agora é a vez da esquerda abraçar uma postura antidemocrática na Colômbia e no Peru. O presidente colombiano, Gustavo Petro, se recusa a reconhecer a vitória do candidato da ultradireita, Abelardo de la Espriella. Permanece afirmando que apresentará provas de fraudes e vem convocando manifestações contra o resultado. 

O governista derrotado, o senador de esquerda Iván Cepeda, prega "desobediência civil". A transição de poder foi paralisada. Isso enquanto observadores internacionais, como os da União Europeia, atestam que o segundo turno, no dia 21 de junho, transcorreu "transparente e bem organizado". O Centro Carter, organização independente reconhecida no acompanhamento de votações ao redor do mundo, da mesma forma certificou a regularidade do pleito vencido por Espriella com margem inferior a 1 ponto percentual.

No Peru, onde a diferença foi ainda menor, o deputado de esquerda Roberto Sánchez convocou e liderou protestos contra o resultado. De forma dúbia, disse na segunda-feira aceitar o anúncio do Júri Nacional de Eleições (JNE) que confirmou a vitória da direitista Keiko Fujimori, mas manteve as acusações de irregularidades, sem apresentar evidências. Novamente, observadores internacionais, como os da Organização dos Estados Americanos (OEA), chancelaram a lisura do processo. É prenúncio de mais instabilidade no Peru, que teve nove presidentes nos últimos 10 anos.

Cumpre ressaltar que eleições de fachada e sem o escrutínio internacional, que ocorrem em autocracias, onde o líder ou o grupo no poder esmaga a oposição, não se enquadram nesses casos em que a contestação é um sintoma ruim. Um exemplo é o último pleito na Venezuela, em 2024, quando a autoproclamada vitória de Nicolás Maduro não foi reconhecida sequer pelo governo Lula, que agora parabenizou os opostos ideológicos Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori.

Em democracias hígidas, os derrotados aceitam o resultado, lambem as feridas, se reorganizam, fazem oposição firme, mas responsável, e esperam a eleição seguinte. Negar a legitimidade da vitória do oponente é trilhar o caminho perigoso da relativização das regras do jogo no qual a vontade popular é soberana. 

08 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Henrique Ternus

Oposição se articula para derrubar veto de Leite

Pegou mal entre deputados da oposição à direita o veto do governador Eduardo Leite ao projeto que acaba com a taxa de licenciamento de veículos no Estado. Como foi aprovada por unanimidade, os parlamentares esperavam que Leite sancionasse a medida ou pelo menos silenciasse a respeito, deixando a decisão para o presidente da Assembleia, Sergio Peres (Republicanos).

Leite anunciou o veto em vídeo divulgado na noite de segunda-feira, justificando a decisão com o equilíbrio das contas do Estado. Segundo o governador, a taxa garante arrecadação de R$ 750 milhões, da qual Leite disse que o Estado "não pode abrir mão", pois representa um terço da receita do Detran:

- Ninguém quer pagar o preço político de ir contra isso. O impacto fiscal da perda dessa arrecadação é para os futuros governos do Estado, não é para mim. Seria muito conveniente dizer "olha, já que a Assembleia aprovou por unanimidade, então tá, sanciono e toca, e o Estado que se resolva depois".

Quando o projeto foi aprovado, deputados de MDB e PSD, que integram a base governista, foram favoráveis ao fim da taxa. Agora, em minoria e às vésperas da eleição, Leite buscará convencê-los a mudar de ideia.

Entre os opositores, tanto deputados de direita quanto de esquerda já se manifestaram favoráveis à derrubada do veto. Autor do projeto, Rodrigo Lorenzoni (PP) criticou a decisão de Leite, argumentando que o fim da taxa de licenciamento não oferece nenhum prejuízo aos cofres do Estado.

- O Detran é uma autarquia superavitária em R$ 1,1 bilhão por ano. A taxa de licenciamento arrecada R$ 750 milhões por ano. Com o fim da taxa, o Detran segue sendo superavitário em R$ 400 milhões. Mesmo que ele repasse para o Fundo Especial de Segurança Pública R$ 200 milhões, o Detran seguiria com superávit de R$ 200 milhões - calculou.

PT apoiará derrubada

Líder da bancada do PT, o deputado Miguel Rossetto já antecipou que é a favor de extinguir a taxa de licenciamento no Estado. O petista ressalta que, caso Leite entenda necessário fazer recomposição de receitas, ele pode encaminhar uma proposta para ser avaliada pelos deputados.

- Não é razoável manter a cobrança de uma taxa pela emissão do documento físico que deixou de ser impresso e foi substituído por meio digital - concordou. _

Para rebater a crítica de que o projeto é "irresponsável", Lorenzoni resgatou texto protocolado pela bancada do MDB em 2020 que diz ser "exatamente igual" ao seu - assinado, inclusive, pelo atual vice-governador, Gabriel Souza.

Direita boicota reunião e adia o início da discussão da LDO

Insatisfeitos com o veto de Eduardo Leite ao projeto que acaba com a taxa de licenciamento de veículos no Estado, integrantes do bloco de oposição à direita boicotaram a reu­nião de líderes ontem, e não houve quórum para definir a pauta de votação da sessão ordinária. Os líderes das bancadas de PP (Marcus Vinícius), Novo (Felipe Camozzato), Republicanos (Gustavo Victorino) e PL (Adriana Lara) não compareceram ao encontro.

Para que consigam fechar acordos para alterar a ordem do dia, é preciso que os líderes presentes respondam por, no mínimo, dois terços do plenário - ou seja, 37 parlamentares. Sem os quatro partidos da direita, 36 deputados estavam representados.

Com isso, não foi possível incluir na pauta a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que já estava articulada para ser discutida ontem.

Alvo de críticas

A proposta enviada por Leite à Assembleia, que prevê déficit de R$ 4,8 bilhões do governo do Estado no final de 2027, também é alvo de críticas da direita. Além da previsão de alta nas despesas, uma emenda popular conhecida como Descongela é um dos pontos nevrálgicos para as bancadas do bloco político.

A proposta feita por sindicatos que representam servidores do Judiciário, da antiga Caixa Econômica Estadual e da Polícia Civil prevê o pagamento retroativo de vantagens funcionais vinculadas ao tempo, como anuênios, triênios, quinquênios ou licenças-prêmio, que ficaram congeladas durante a pandemia.

Os valores são referentes ao período de 28 de maio de 2020 a 31 de dezembro de 2021, e os sindicatos têm acordo com o governo e com as bancadas de esquerda para que a medida seja aprovada. _

Como não havia quórum na reunião da CCJ de ontem, o debate sobre a PEC que estabelece data-base para reajuste salarial dos servidores de acordo com a inflação só será retomado pelos deputados em agosto, após o recesso.

"Salvação do Rio Grande"

A Fiergs apresentou ontem 10 demandas prioritárias aos candidatos a governador e outras 10 que serão levadas aos presidenciáveis. O único item que se repete, no topo das duas listas, é a criação do Fundo Constitucional das Regiões Sul e Sudeste.

- Esse fundo constitucional é a grande salvação do Rio Grande e dos outros Estados - afirmou Claudio Bier, presidente da Fiergs.

Dentre as demandas relacionadas às eleições nacionais, o terceiro item dos industriais é a contrariedade ao projeto que acaba com a escala 6x1. _

Plano de irrigação

Na pauta levada aos candidatos a governador, também está a cobrança por um plano estadual de irrigação que reduza os impactos das estiagens para o setor industrial.

As demandas foram entregues aos três candidatos mais bem colocados na maior parte das pesquisas: Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL). _

POLÍTICA E PODER

08 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Cada um por si

Não se engane: não há interesse público. Cada um tem o seu interesse pessoal, eleitoreiro. O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro esteve ontem na audiência pública do USTR (Escritório de Comércio dos EUA), em Washington, que investiga o Brasil por supostas práticas desleais com base na Seção 301. Disse que a imposição de tarifas ajudaria Lula e que agora seria o "pior momento" para adotá-las. Lula, também candidato à reeleição, por sua vez, tem reforçado o discurso de defesa da soberania para questionar as tarifas que podem ser impostas ao Brasil.

Em ano eleitoral, integrantes da oposição e do governo transformam o USTR em picadeiro externo. Mas a decisão do governo Donald Trump não passa pelo que disserem Flávio ou Lula. Como já se viu, caberá à Casa Branca trumpiana, e essa decisão é ideológica.

Flávio tenta limpar a barra do irmão, Eduardo Bolsonaro, que fizera lobby, no primeiro round, a favor do tarifaço, mas que hoje adota uma lógica próxima. Move-se quase sozinho. Audiências públicas, nesse caso, são inócuas.

Quem irá decidir um eventual recuo de Donald Trump não serão atores políticos, como os pré-candidatos, nem, infelizmente, a diplomacia profissional do Itamaraty, a quem caberia exclusivamente negociar em alto nível. Será o mercado. Aliás, o único recuo do governo americano até agora ocorreu por conta da pressão das empresas, sob o risco de os produtos brasileiros ficarem mais caros e, por tabela, a inflação subir. Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens estão na lista de empresas que pediram que os Estados Unidos não implementem a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

É possível, já que Trump só ouve seus pares do mercado. Mas é pouco provável. Se o cálculo da Casa Branca for evitar a inflação, a quatro meses da eleição em que tentará salvar a maioria republicana no Capitólio - e, por consequência, o mandato -, o presidente recua. A esta altura, acho difícil. É jogo jogado. O novo tarifaço virá. A salvação, inclusive para o Rio Grande do Sul, está nas exceções. _

Primeira mulher na presidência da ARI

Em mais de 90 anos, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), finalmente, terá uma mulher como presidente. Hoje, a jornalista Cláudia Coutinho assume o comando da diretoria executiva da entidade para o mandato de 2026 a 2029. A cerimônia de posse será às 10h, no Salão Nobre da ARI, na Avenida Borges de Medeiros, 915, 8º andar, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Cláudia sucede o jornalista José Nunes, que esteve à frente da entidade por dois mandatos, 2021-2023 e 2023-2026. A eleição ocorreu no dia 2 de julho, sendo escolhida em chapa única em votação.

A jornalista terá como primeiro vice-presidente o jornalista Leandro Olegário, e como segundo vice Fabio Berti. A nominata completa da nova Executiva é composta por 24 profissionais distribuídos em 12 departamentos, além da superintendente executiva Thamara da Costa Pereira e dos quatro assessores da presidência: Alexandra Zanela, Cristiane Finger, Flávio Dutra e Nilson Souza.

Cláudia é jornalista formada pela PUCRS, tem especialização em Marketing, pela PUCRS; e MBA em Gestão, Marketing e Direito no Esporte, pela Fundação Getulio Vargas e pela Fifa. Trabalhou no jornal Zero Hora e na Revista Amanhã. Atuou na Comunicação e Marketing Esportivo, na Comunicação Pública e na Comunicação Corporativa. Desde 2018, é sócia-diretora da Capítulo 1 - Conteúdo e Design Editoriais. Há seis anos integra o conselho e a diretoria executiva da ARI. _

Maduro e Macron entre os mais "estilosos"

O jornal americano The New York Times divulgou a sua tradicional lista das pessoas mais estilosas de 2026 até o momento. O grupo, formado por 39 nomes, chama a atenção por reunir políticos, como Nicolás Maduro e Emmanuel Macron; estrelas do mundo da música, como Bad Bunny, Rosalía e Blue Ivy Carter; e ícones do cinema, como Meryl Streep.

O jornal explica que a seleção "não é apenas uma apreciação de roupas realmente incríveis. É também um retrato da cultura pop, de momentos virais e de figuras que atraíram a atenção do público (e se vestiram à altura)". O periódico cita que o grupo inclui desde personalidades que inflaram discussões e discórdias até indivíduos que usaram a moda para manifestar sua identidade.

O artista mais ouvido nas plataformas em 2025, Bad Bunny, apareceu na lista por sua apresentação no Super Bowl. Segundo o jornal, "o visual todo creme de Bad Bunny sugeria uma postura altiva, uma imagem orquestrada para rebater as críticas".

No cenário político, o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro aparece pelo conjunto da Nike que utilizou no momento de sua captura. Segundo o jornal, o fato de ter se tornado "instantaneamente um meme demonstra a rapidez com que a internet transforma momentos históricos em efemeridades culturais irônicas".

Outro político lembrado é o presidente francês, Emmanuel Macron. Ele integra o grupo por um detalhe singular: os óculos de sol estilo aviador espelhado que utilizou durante um discurso no Fórum Econômico Mundial, em janeiro deste ano. O objetivo do acessório era cobrir uma inflamação ocular.

A premiada atriz Meryl Streep aparece na lista principalmente por fundir sua imagem à de sua icônica personagem Miranda Priestly durante a turnê de O Diabo Veste Prada 2. _

Candidata com tornozeleira eletrônica

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, confirmou ontem que concorrerá às eleições presidenciais da França em 2027. O anúncio ocorreu após um tribunal de apelação manter sua condenação, mas reduzir o período de inelegibilidade, abrindo caminho para a disputa. Um detalhe na sentença, contudo, chama a atenção: ela terá de cumprir parte da pena sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Le Pen é acusada de desvio de recursos públicos por utilizar fundos do Parlamento Europeu para pagar funcionários de seu partido. A política foi condenada a três anos de prisão, dos quais dois anos foram suspensos; o ano restante de prisão efetiva deverá ser cumprido em regime domiciliar com vigilância eletrônica. Ela também recebeu uma pena de 45 meses de inelegibilidade, mas com 30 meses suspensos. Na prática, restam 15 meses de restrição, o que viabiliza sua candidatura em 2027.

Sobre o uso do dispositivo de segurança, a líder francesa declarou a intenção de recorrer ao Tribunal de Cassação (equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil), recurso que, segundo ela, suspenderia a execução imediata da sanção. _

Até sábado, arrecadação de agasalhos na Capital

Até o próximo sábado, os porto- alegrenses poderão contribuir para a campanha da comunidade judaica, doando roupas, cobertores, calçados e alimentos. Os caminhões passam pelos pontos cadastrados no domingo.

Iom Mitzvah 2026 está com novo formato, com pontos de coleta espalhados pela cidade e a participação de embaixadores, que mobilizam seus condomínios, amigos, familiares e comunidades para ampliar a arrecadação. 

INFORME ESPECIAL

segunda-feira, 6 de julho de 2026

06 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Não aguento mais a palavra hexa

Brasil foi passivo. Brasil foi a passeio. Brasil foi preguiçoso. Brasil foi pachorrento. Não teve combatividade, garra, intensidade. Não se mostrou objetivo com a profusão de chances. Desperdiçou o que o destino ofereceu.

Completaremos mais um ciclo sem Copa do Mundo. Serão 28 anos, a maior abstinência de nossa história. Não aguento mais ouvir a palavra "hexa". É a pior campanha desde 1990, e tecnicamente muito similar ao time mediano de Sebastião Lazaroni, que caiu diante da Argentina de Maradona naquela vez.

Tornou-se a aposentadoria melancólica de Neymar, deixando um gol de honra nos acréscimos, que mais pareceu de comiseração. Ele se reduziu a um coadjuvante em quatro edições do torneio. Encarna uma geração consumida pelas sombras. Erramos um pênalti como na desclassificação de 1986. Erramos tudo como nas últimas duas décadas.

Quem nasceu depois de julho de 2002 nunca viu o Brasil levantar a taça. Não sabe como é isso. Desaprendemos a ganhar. A Noruega nem precisou de muito esforço para vencer por 2 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, na tarde de ontem. A Seleção Brasileira terminou com 34% de posse de bola, seu menor índice de todos os tempos (medição desde 1966).

O plantel desacreditado antes da Copa superou as expectativas mais pessimistas. O italiano Carlo Ancelotti, com a bagagem de cinco Ligas dos Campeões, perdeu a mão. Apressou o epitáfio com substituições ofensivas. Bastava Endrick; não precisava de Danilo e Neymar no ápice do confronto.

Tampouco quebramos o tabu de jamais ter superado o oponente da Escandinávia. Somos fregueses. Em cinco jogos disputados entre as equipes, são três derrotas, duas em Copas do Mundo.

O fiorde nos apequenou. Enfrentamos gigantes: Nyland, goleiro, em grande atuação; Ajer e Heggem, zagueiros; Berge, volante; Sorloth e Haaland, atacantes, todos com mais de 1,90m, dominando o céu e a terra. Haaland assumiu a artilharia da competição, com sete gols. Quando tocou na bola, fez. Não existe um matador tão sangue-frio quanto ele. São 62 gols pela Noruega em 54 partidas, o que é inacreditável.

Ele cabeceou como se fosse fácil. Arrematou de fora da área como se fosse simples. Alisson se esticou ao máximo enquanto ele realizava o seu básico.

Não havia nenhuma expressão de cansaço, nenhum suor escorrendo de seu rosto, nenhum esgar de explosão. Era um semideus de rabo de cavalo no meio de meros mortais, um Thor com o martelo da testa e do chute.

Ele se vingou dos memes do filme As Branquelas, nos quais se curvava a Vinícius Júnior. No final, Vini é que desapareceu na decisão, com a sua gula vazia, com a sua tentativa desesperada e atrapalhada de resolver sozinho.

Logo após o triunfo, Erling Haaland postou uma foto no vestiário em seu perfil oficial, encerrando a paródia nas redes sociais: "Ora, ora, ora?". A remada agora será feita para as quartas de final, ecoando em intermináveis coreografias nas arquibancadas.

Os noruegueses mereceram. Exemplificaram em campo as cores da sua bandeira: o vermelho pelo sangue derramado; o branco pela postura gélida como a neve; e o azul por buscar, mais do que nós, a imensidão dos mares.

Existe uma lenda da tradição nórdica, a Saga dos Volsungos, preservada na Islândia medieval e oriunda do imaginário dos antigos povos escandinavos da Era Viking, em que o herói Sigurd mata o dragão Fafnir. Ao provar acidentalmente o sangue do dragão, passa a compreender a linguagem dos pássaros. O triunfo o transforma. O vencedor leva consigo parte da força e do destino do vencido.

Que a Noruega absorva em seu DNA a esperança do torcedor brasileiro, e siga encantando como uma improvável campeã. Pois praticou a imortalidade (Orðstírr) da reputação. Não lutou de qualquer jeito, mas sempre bravamente, com o queixo erguido, enxergando-nos do alto, esparramados e letárgicos no chão. 

CARPINEJAR

 

06 de Julho de 2026
CLÁUDIA LAITANO

Cría cuervos

Uma mulher que defende a submissão feminina pode ocupar uma posição de liderança sem perder a coerência? A conversa surgiu na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, dias atrás, durante uma discussão sobre o projeto de criminalização da misoginia. A deputada Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina, invocou a Bíblia para defender a hierarquia dentro e fora de casa: marido manda, mulher obedece, Deus fiscaliza. Sâmia Bomfim, do PSOL de São Paulo, aproveitou a deixa para cutucar o antifeminismo performático das colegas da bancada conservadora: "Se realmente pensassem assim, não seriam deputadas, seriam mulheres submissas a seus maridos dentro das suas casas".

Quem assistiu Mrs. America (Disney) talvez lembre que a incoerência não é o único problema de quem escolhe militar contra os próprios interesses. A série retrata o embate travado entre mulheres de diferentes perfis ideológicos durante a campanha para a aprovação da Emenda dos Direitos Iguais, no início dos anos 1970. 

De um lado, o movimento feminista, liderado por Gloria Steinem (Rose Byrne) e Betty Friedan (Tracey Ullman), defendendo a lei que dificultaria a discriminação baseada no sexo. Do outro, a ativista conservadora Phyllis Schlafly (Cate Blanchett) e sua turma colocando-se contra a possível perda de "privilégios" femininos, como o direito à pensão e a isenção do alistamento militar obrigatório. Spoiler: o movimento conservador ganhou a parada, muito graças à tenacidade de Phyllis Schlafly. Na cena final da série, a ativista recebe o telefonema que esperou a vida inteira. 

Do outro lado da linha está Ronald Reagan, o presidente que ela ajudou a eleger liderando um exército de donas de casa indignadas. Phyllis espera um cargo como prêmio pelos bons serviços prestados, mas ganha apenas um tapinha nas costas. Em termos políticos, o recado era claro: valeu, amiga, agora volte para a cozinha. (Anos mais tarde, Schlafly serviria de inspiração para Margaret Atwood criar outra campeã na modalidade tiro no próprio pé: Serena Joy, a mulher que acaba sendo vítima da teocracia misógina que ajudou a implantar, no livro O Conto da Aia.)

Mulheres de direita são uma população em expansão e se fazem ouvir nas redes sociais, nas igrejas, nos palanques políticos. Todas usufruem do bem-bom da autonomia conquistada a duras penas pelo feminismo para defenderem qualquer ideia que lhes pareça conveniente - inclusive a de que esposas devem obediência aos seus maridos. Quando seus supostos aliados masculinos decidem atacá-las ou diminuí-las, por excesso de iniciativa ou de protagonismo, ninguém deveria se surpreender, muito menos elas mesmas. Cría cuervos y te sacarán los ojos. 

CLÁUDIA LAITANO

06 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Conscientização e proteção aos filhos

Intensificou-se nos últimos anos, de forma bem-vinda, o debate sobre os riscos do uso excessivo de telas e do acesso a redes sociais por crianças e adolescentes. As discussões buscam em especial alertar pais e responsáveis acerca dos perigos desse descontrole, mas também incentivar iniciativas legislativas que ajudem a prevenir danos, como a queda do desempenho escolar, e a proteger contra crimes cometidos no submundo virtual.

Os primeiros resultados dessa maior conscientização parecem começar a aparecer. Na quinta-feira, o IBGE divulgou a edição de 2025 da pesquisa sobre acesso à internet e posse de celular por pessoas com 10 anos ou mais, contida na PNAD Contínua. Entre os oito recortes etários, o grupo de 10 a 13 anos foi o único a registrar queda na utilização de smartphone em relação ao levantamento anterior, de 2024. O percentual caiu de 56,7% para 55,2%. 

O uso da internet também apresentou um leve recuo, de 84,9% para 84,4%. Igualmente, foi o único estrato de idade com queda. A preocupação com a segurança e a privacidade é um dos principais motivos. Mesmo que pareça ser uma redução pequena, pode indicar um momento de inflexão da curva de uso. É dever registrar que na faixa etária imediatamente seguinte, de 14 a 19 anos, os números seguem aumentando.

Os resultados coincidem com o início da vigência, no começo do ano passado, da legislação que restringe celulares no ambiente escolar. Foi ainda em 2025 que o youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, divulgou um vídeo impactante sobre a adultização de crianças e adolescentes na internet. Mostrou os riscos de exploração sexual e como pedófilos agem nas redes sociais. A denúncia deu impulso para a aprovação no Congresso do chamado ECA Digital, um marco para a proteção de menores de idade no ambiente virtual, que passou a vigorar em março deste ano.

Mas toda essa discussão, em primeiro lugar, fez pais e responsáveis ficarem mais atentos. Levou a decisões como retardar a idade em que os filhos ganham o primeiro celular, limitar o tempo de tela e aumentar o controle parental sobre o uso de redes sociais. Os malefícios do uso desmedido e sem orientação da tecnologia são conhecidos. Refletem-se em notas mais baixas, impactos na saúde mental e no desenvolvimento cognitivo, dificuldades para socializar e exposição a crimes virtuais, como os de cunho sexual. Como reação, a Austrália e países europeus vêm impondo limite de idade para o uso de redes sociais.

Na semana passada, o Ministério da Educação divulgou os resultados de uma pesquisa que mostra, pela ótica dos gestores escolares, os benefícios da lei que limita o celular nos colégios. Dos entrevistados, 97% avaliaram que a participação dos estudantes nas atividades educativas melhorou, 95% atestaram que a socialização e a concentração cresceram, 88% observaram redução de ciberbullying e 56% notaram maior engajamento nas tarefas pedagógicas fora da sala de aula.

O uso da tecnologia traz benefícios e é aliado da aprendizagem quando devidamente acompanhado por adultos responsáveis e orientado por professores em afazeres didáticos. O perigo é a combinação entre imaturidade e exposição precoce e excessiva a telas e redes sociais. É um debate que ainda pode evoluir no país. 

06 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Carlos Rollsing

Novo embate na família Bolsonaro

Depois de ter publicado um vídeo dizendo ter sido apunhalada e maltratada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se envolveu em nova polêmica com potencial de desgaste. Na sexta-feira, ela elogiou nas redes sociais uma iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Michelle comentou o lançamento da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, do Ministério da Educação. "É um sonho realizado", postou a ex-primeira-dama, provocando irritação em Flávio e despertando críticas no bolsonarismo. A reação nas redes sociais foi dura, com montagens associando a ex-primeira-dama ao PT e contendo acusações de traição.

No sábado, Michelle publicou uma nova mensagem nas redes sociais para tentar conter a repercussão negativa causada por seu elogio à iniciativa do governo Lula. No novo post, ela afirma que a defesa das pessoas com deficiência é uma pauta que está "acima de qualquer ideologia ou partido". A ex-primeira-dama também alegou que a política de educação bilíngue para surdos foi elaborada ainda durante o governo Bolsonaro, mas teve a tramitação atrasada por uma ação judicial, o que teria impedido sua entrega antes do fim do mandato. Ela concluiu afirmando que o mais relevante não é a autoria da política, mas seus beneficiários, e parabenizou a comunidade surda.

O episódio do vídeo em que Michelle disse ter sido apunhalada por Flávio já causou a saída dela do comando do PL Mulher. O caso dos elogios à política do governo Lula aprofunda as rusgas dentro da família Bolsonaro e coloca mais dúvidas na manutenção da candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal.

As brigas entre Michelle e os filhos de Bolsonaro, sobretudo Flávio, Eduardo e Carlos, não são novidade. O fato novo é que as rusgas se ampliam no momento em que Jair Bolsonaro, maior líder da direita brasileira, está em prisão domiciliar, inelegível e com a saúde fragilizada.

O que está acontecendo é uma luta pelo espólio de Bolsonaro, nome que simboliza o domínio de uma considerável fatia do eleitorado brasileiro. A querela e os rumores de que Michelle pode fazer novas revelações sobre o enteado têm potencial para causar danos na candidatura presidencial de Flávio, que já está chamuscada pela descoberta de que pediu R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme Dark Horse, sobre a vida de Bolsonaro.

As avaliações de que a candidatura de Flávio pode sofrer mais abalos teriam, inclusive, motivado a indicação de Gilberto Kassab como candidato a vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). Enquanto isso, Lula aposta nos programas populares a três meses da eleição em primeiro turno. _

Sem partido, Ricardo Gomes decide apoiar Zucco

Desfiliado do PL desde 2024, Ricardo Gomes, ex-vice-prefeito de Porto Alegre, levou sugestões para a área econômica do plano de governo do deputado federal Luciano Zucco (PL), candidato ao Palácio Piratini. O encontro aconteceu no sábado. Ricardo cogitou apoiar Gabriel Souza (MDB), mas optou por estar ao lado de Zucco pela identificação com a direita.

- O RS precisa mudar. Estamos avançando, mas em ritmo lento. O Estado precisa de um choque de liberdade econômica - afirmou Ricardo. _

Oposição vai ao MPC questionar licitação do governo Leite

A deputada estadual Laura Sito (PT) ingressa hoje no Ministério Público de Contas (MPC) e no Tribunal de Contas do Estado (TCE) com ofícios requerendo análise da licitação do Estado para a contratação de serviços de comunicação vencida pelas empresas Escala Comunicação e Marketing e House of Creativity (HOC). O caso está chamando atenção porque a HOC tem como CEO o publicitário Fábio Bernardi, marqueteiro da campanha do governador Eduardo Leite em 2022.

Experiente em comunicação política, Bernardi também está no núcleo de comunicação da candidatura do vice-governador Gabriel Souza ao Palácio Piratini em 2026. _

Indenização concedida

A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidiu, por unanimidade, conceder indenização à filha menor de idade de uma médica que atuava em hospital de Passo Fundo à época da pandemia de coronavírus.

A profissional tinha controlado um câncer, mas, durante a emergência sanitária, contraiu o vírus em novembro de 2020. Depois, registrou retorno da doença e faleceu em setembro de 2021. O pedido de indenização foi negado no INSS e na primeira instância da Justiça Federal, que alegou não ter ficado comprovada a relação causal entre a covid e o óbito.

A decisão foi reformada no TRF-4. O desembargador-relator Rogério Favreto destacou que a lei 14.128/21, onde consta o direito à indenização aos profissionais de saúde incapacitados e herdeiros diretos em caso de morte, não exige relação exclusiva entre o vírus e o óbito. A norma menciona presunção legal de que a covid resultou no falecimento, mesmo que não tenha sido a causa única ou imediata, desde que preenchidas condições como diagnóstico do vírus, nexo temporal e laudo médico. A indenização ficou em R$ 180 mil, conforme valores previstos na lei. _

Atuação marcante

Foi inaugurada a fase de denúncias do Ministério Público à Justiça em razão dos supostos crimes em compras da Secretaria da Educação de Porto Alegre (Smed). Se a apuração chegou a tal ponto, papel fundamental foi desempenhado pela ex-vereadora Mari Pimentel, que denunciou irregularidades e não se intimidou com a base governista ao presidir a CPI da Educação na Câmara.

Mari não foi reeleita em 2024, mas segue filiada ao Republicanos, para onde foi depois de colher antipatia no Novo pela condução da CPI. Ela tomou a decisão de não concorrer na eleição de 2026, mas não fecha a porta para voltar no futuro. _

Perda de mandato

Está marcado para hoje, às 14h, na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), o depoimento do secretário-geral de Governo do Palácio Piratini, Artur Lemos, na condição de testemunha do PSD na ação de perda de mandato por infidelidade partidária movida  pelo PSDB contra o deputado estadual Valdir Bonatto (PSD).

O parlamentar trocou o tucanato pelo PSD em janeiro de 2026, antes da abertura da janela em que a mudança de sigla é autorizada. Após o depoimento de Lemos, vice-presidente do PSD-RS, a ação deve avançar à fase de alegações finais, parecer do Ministério Público e julgamento. _

POLÍTICA E PODER