sábado, 8 de agosto de 2026

Um ponto de equilíbrio no máximo de tensão

O que estimula pessoas ditas "normais" a escolher profissões eletrizantes e se tornarem viciadas em adrenalina? "Aprenda com os erros dos outros. Você não consegue viver tempo suficiente para cometer todos por si mesmo." (Eleanor Roosevelt)

Falando aos mais jovens sobre as barreiras que desafiam nosso progresso profissional, foi inevitável falar do medo de errar. Não daquele receio prudente que nos faz olhar para os dois lados antes de atravessar a rua, mas do medo que amordaça o projeto de ambição. Aquele que sussurra ao ouvido que é melhor nem tentar, porque a queda é pública e o julgamento é implacável. 

No entanto, quando olhamos para trás, percebemos que as médias e grandes conquistas que eventualmente acumulamos não representaram a ausência do medo, mas a nossa capacidade de administrá-lo.

Viver, afinal, é um exercício de observação. E claro que identificar o que significa a profilaxia do erro, a partir da experiência de quem só pretendia acertar, é um exercício de inteligência e principalmente de humildade, e há uma sabedoria serena nisso. Olhar o tombo alheio não para julgar, mas para ajustar a própria rota, é o que nos permite avançar sem pesadelos na madrugada.

Ainda assim, não importa a atividade ou a exigência de treinamento para exercê-la com competência, a nuvem negra do erro sempre nos perseguirá. Ela é a nossa sombra mais fiel e uma régua implacável na identificação de perfis humanos.

Há os que erram e, assumindo o erro, se diferenciam; os que não se dão conta que erraram e se candidatam a repetir indefinidamente; e os que anunciam que nunca erraram, e todos entendem a mensagem: eles nunca fizeram nada.

O preço assustador desta sina, evidentemente, se multiplica em atividades de risco. Submete o piloto, o motociclista e o cirurgião a níveis de concentração e estresse que o bibliotecário, o alfaiate ou o jardineiro nem imaginam. Enquanto uns buscam o silêncio das páginas ou a precisão mansa da tesoura, outros precisam domar o caos em frações de segundo. 

O que estimula pessoas ditas "normais" a escolher profissões eletrizantes e se tornarem viciados em adrenalina - o thrill seeking, como lembrou o professor Nardi - ainda carece de entendimento da psicologia e da neurobiologia. Mas a verdade é que os protagonistas desse estilo de vida preferem não polemizar. Para eles, e talvez só para eles, isso - e apenas isso - significa VIVER.

Eles buscam para chamar de felicidade, algum tempo de sossego para calibrar a gana de fazer e juram que pode existir alguma calmaria no olho do furacão. Não se incomodam com aqueles, também considerados normais, que se sentem genuinamente realizados na inércia que abomina sobressaltos. Claro que há espaço no mundo para o lago calmo e o mar revolto.

Entretanto, a grande tragédia pessoal não é escolher a segurança do lago, mas desejar o oceano e deixar-se amordaçar pelo medo de naufragar. O erro não é o oposto do sucesso: é o pedágio inevitável para quem se recusa a passar pela vida como um mero espectador e define a felicidade como um ponto de equilíbrio no máximo de tensão. 

Quem convive com a alta tensão sabe que o erro está espreitando, mas sabe também que a paralisia dói muito mais do que a queda. No final das contas, a audácia não é a falta de medo; é a certeza de que a ambição de se sentir vivo é maior do que o temor de errar, e nesse desassossego saem de casa todos os dias, cedo da manhã, cantarolando. 

J.J. CAMARGO 

 

08 de Agosto de 2026
MARTHA MEDEIROS

Gente grande

Não importa a idade que temos, há sempre um momento em que é preciso chamar um adulto. Publiquei essa frase em alguma crônica do passado, inspirada por uma conversa que tive, há muito tempo, com uma amiga. 

Ela me contou que estava no quarto do hospital onde o pai estava internado. De repente, o quadro dele piorou. Ela tinha cerca de 35 anos, na época. Virou-se para a prima que a acompanhava e disse: "precisamos chamar um adulto". O episódio havia transcorrido meses antes e, ao me descrever a cena, rimos como se fosse um esquete de comédia.

Comédia é coisa séria.

Quando é que nos tornamos um adulto? Convenções etárias determinam a idade em que se pode votar, dirigir um carro, concorrer a um cargo público, mas não há uma idade que indique que ficamos aptos a arcar com as consequências de viver em um mundo onde tudo é impermanente. Hoje você está segura em um casamento, amanhã descobre que seu marido se envolveu com outra. 

Hoje você está planejando uma viagem com as amigas, amanhã cai em um golpe que raspa as suas economias. Hoje você está em Paraty, celebrando a literatura com colegas escritores, na noite seguinte está dentro de uma ambulância acompanhando sua mãe que está sendo levada ao hospital com urgência.

Diante do desespero, dá mesmo vontade de chamar um adulto, que em nossa imaginação é alguém com sangue frio para tomar as decisões certas, aquelas que reverterão o pesadelo. O medo nos devolve a um estado infantil, em que só queremos segurar a mão de alguém que cuidará de tudo.

Etarismo contra nós mesmos: acreditar que não somos capazes de lidar sozinhos com as rasteiras que a vida nos dá. E de rasteira a vida entende.

Quando você chama alguém para dividir um problema, não está sendo fraco, e sim, adulto: não precisamos decidir tudo pela nossa cabeça ou sofrer sem um ombro por perto. Pedir ajuda revela saúde mental. Bem diferente de quando se "chama um adulto" a fim de passar adiante o impasse, declarando-se inábil para assumir a responsabilidade das próprias ações. 

Quando não há maturidade emocional, você pode ter 35, 52, 64, 88: não cresceu. A infantilidade vitalícia é um local confortável e ilusoriamente seguro, onde todos atendem suas necessidades sem que você precise arriscar seu pescoço, mas é uma existência de muletas, que nunca conhecerá o prazer de andar com as próprias pernas e evoluir através de seus erros e acertos.

Nos últimos meses, foram incontáveis as vezes em que eu gostaria de ter chamado um adulto para resolver questões de gente grande. Nas horas mais difíceis, chamei. E, para meu secreto orgulho, veio eu mesma em meu socorro. Que vitória histórica é descobrir que sempre se pode crescer um pouco mais. 

MARTHA MEDEIROS


08 de Agosto de 2026
SARA BODOWSKY

O conteúdo desta coluna reflete a opinião da autora

Nova fase - Um clássico paulistano renasceu

Estive em São Paulo na última semana com um olhar muito atento ao que pudesse interessar a vocês, meus leitores - e também a quem consome meu conteúdo em outras mídias. Vou dividir bastante com vocês aqui na coluna durante o mês de agosto.

Mas já adianto que um dos lugares que visitei foi a Galeria Metrópole (Av. São Luís, 187), no centro da cidade, junto ao icônico Copan (que merece uma página dedicada, inclusive!). Apesar de sofrer ainda com a insegurança típica dos grandes centros, especialmente com o roubo e furto de celulares, a região central de São Paulo está revivendo de maneira muito interessante.

A Galeria Metrópole é um exemplo desse renascimento. Inaugurada nos anos 1960, na Praça Dom José Gaspar, na República, ela já foi um dos endereços mais elegantes da capital paulista: tinha cinema para mais de mil pessoas, boate e bares frequentados por universitários, intelectuais e nomes como Chico Buarque.

O prédio, ícone da arquitetura modernista projetado por Gian Carlo Gasperini e Salvador Candia, abriga hoje lojinhas de design, ateliês, brechós e muito verde no paisagismo interno. Tem comida peruana de verdade no Rinconcito Peruano - provei um ceviche e um arroz chaufa incríveis - e sorvete de sabores nordestinos, na Cangote, além de uma gastronomia super diversa. Aos domingos, uma feirinha com arte, brechó e comidinhas lota os corredores, reunindo de forma democrática vários públicos paulistanos.

No @SaraBodowsky tem um vídeo com o que registrei na Galeria Metrópole. _

SARA BODOWSKY

COM A PALAVRA

Ativista cujo nome se transformou na lei mais importante de prevenção à violência contra as mulheres no Brasil

"Avançamos muito na punição, mas ainda pecamos na prevenção"

Poucas pessoas têm o próprio nome associado a uma transformação social tão profunda. Ao se completarem, nesta sexta-feira, 20 anos da sanção da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340), a farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, 81 anos, avalia os resultados da medida. Ela sobreviveu a duas tentativas de feminicídio, recorreu a instâncias internacionais para buscar justiça e ajudou a mudar a forma como o país enxerga e combate a agressão contra as mulheres. Contudo, apesar dos avanços legais, os índices de violência doméstica e de feminicídio seguem alarmantes no Brasil. Nesta entrevista, Maria da Penha faz um balanço sobre duas décadas da legislação, destaca o papel crucial das medidas protetivas de urgência e alerta para a necessidade urgente de fortalecer a prevenção, a capacitação dos agentes públicos e a rede de atendimento.

Pâmela Rubin Matge

Transcorridos 20 anos, como é ter o nome associado à mais importante legislação de proteção às mulheres do país?

Neste aniversário de 20 anos da lei batizada com meu nome, o que mais me chama a atenção é que houve uma mudança na mentalidade da sociedade brasileira. Conseguimos tirar a violência doméstica de dentro de casa e mostrar que esse não é um assunto restrito à família, mas um problema de todas as pessoas. Antes de 2006, quando um casal brigava ou havia uma agressão, o caso, muitas vezes, era resolvido no juizado com a doação de uma cesta básica, e pronto.

É que violência doméstica deixou de ser um problema privado, mas do Estado...

Sim. A Lei 11.340/2006 quebrou essa lógica, e este é o seu maior legado. A sociedade e o Estado passaram a entender que agredir uma mulher em casa é um crime tão grave quanto agredi-la na rua.

A partir do texto original da lei, outras iniciativas e atualizações legislativas foram surgindo. Como a senhora avalia essa evolução?

Não posso deixar de destacar a medida protetiva de urgência (MPU). Ela é o principal mecanismo para afastar o agressor da vítima e proibi-lo de se aproximar ou manter qualquer tipo de contato. Ao longo desses 20 anos, tem sido a ferramenta mais concreta ao alcance de uma mulher em situação de risco. E a legislação não parou no tempo, continua sendo atualizada. Tivemos avanços cruciais, como o reconhecimento formal do crime de violência psicológica e de outros tipos de abusos, a tipificação da Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015) como qualificadora do homicídio, e o uso de tornozeleiras eletrônicas para o monitoramento de agressores. Tudo isso demonstra que a Lei Maria da Penha é uma legislação viva, que vai se ajustando às novas dinâmicas da realidade.

Existe um consenso sobre a necessidade de integrar políticas públicas, investimentos e redes de proteção. O que mais pode frear a escalada da violência?

O ponto que mais me preocupa é saber que a lei é muito boa no papel, mas ainda demonstra, na prática, não ser efetiva em todos os casos. Os números ainda assustam, porque a maioria das mulheres mortas por companheiros ou ex-companheiros nem sequer conseguiu chegar à Justiça a tempo. Isso é um problema seríssimo. A lei foi estruturada para funcionar como uma teia: delegacias especializadas, assistência social, Poder Judiciário e políticas públicas de prevenção, atuando em conjunto. O Estado precisa aprender a identificar o risco precocemente e intervir antes que o pior aconteça. Precisamos interiorizar e expandir a rede de proteção.

E o que ainda precisa mudar? Onde estão as maiores falhas no atendimento às vítimas?

Avançamos muito na punição, mas ainda pecamos na prevenção. O fator racial e social também pesa de forma decisiva nesse cenário. Mulheres negras, indígenas e moradoras da periferia morrem proporcionalmente mais, o que escancara a necessidade de a lei proteger, de fato, todas as mulheres. Isso exige olhar além do gênero, considerando raça e contexto regional. Além disso, é fundamental capacitar continuamente os agentes do Estado. Ainda testemunhamos operadores do Direito - incluindo policiais, promotores e juízes - questionando o comportamento da vítima ou relativizando violências que não deixam marcas físicas, como a psicológica e a patrimonial.

Qual é o seu maior desejo para os próximos anos quanto à aplicação e evolução da lei?

A lei é um marco histórico, mas marco não é ponto de chegada. Os próximos 20 anos precisam ser focados em transformar essa legislação avançada em proteção real e diária para toda e qualquer mulher brasileira, independentemente de onde ela more ou da cor da sua pele.  

08 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Candidatos precisam reconhecer avanços na educação

Recomenda-se aos candidatos e candidatas ao governo do Rio Grande do Sul a fineza de estudar os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 antes de colocar em risco um trabalho consistente, mas ainda incompreendido. Não basta semear clichês sobre o ensino, dizer que é prioridade absoluta, como dizem todos os concorrentes a cada eleição, e não ter um projeto de longo prazo.

Foi pela continuidade das políticas públicas que o Ceará e depois outros Estados nordestinos atingiram resultados melhores do que os ricos do Sudeste.

O que se vê nos debates iniciais sobre educação é uma mistura de desinformação, preconceito, discurso fácil e generalização. É verdade que ainda estamos muito distantes do resultado necessário para chegar próximos dos países desenvolvidos. O Brasil está. As escolas públicas precisam evoluir, sem dúvida, as escolas privadas também. Não há sociedade desenvolvida sem educação pública de qualidade.

Feita essa ressalva, é preciso reconhecer que o trabalho da secretária Raquel Teixeira, muitas vezes criticado até por seus pares pela demora em apresentar resultados, aparece no Ideb de 2025 como sinal de que existe um caminho. Os resultados não são maquiados, como disse Luciano Zucco (PL) no debate da Gaúcha, nem mostram que somos os piores, como insiste Juliana Brizola (PDT), comparando os dados de hoje a um tempo em que só a elite ia para a escola e, portanto, nossos letrados brilhavam no céu do Brasil.

Há muito para ser feito no Rio Grande do Sul, mas quem for eleito não pode querer começar do zero. As medidas adotadas por Raquel e sua equipe, que podem e devem ser aperfeiçoadas, produziram um salto no ranking do Ideb, muito menos pela possibilidade de passar de ano com dependência em quatro matérias e mais pela melhora da aprendizagem mesmo. Está bom assim? Não. Bom seria uma nota acima de 8 nas três fases, mas isso nenhum Estado tem.

Precisa de profundidade

O que os candidatos precisam dizer aos eleitores é o que farão de diferente para a rede toda e não para as laranjas de amostra. Como será a prometida "valorização dos professores", em um cenário de orçamento apertado? De que forma acompanharão os resultados, escola por escola, e valorizarão aquelas que melhorarem em comparação com seus próprios resultados? Vão manter programas de retenção dos jovens no colégio por meio de recompensa financeira ou adotarão a máxima de que ninguém deve ganhar para fazer o que é obrigação? _

Juliana Brizola busca aproximação com empresariado

Disposta a dialogar com empresários, normalmente críticos aos candidatos e governantes da esquerda, Juliana Brizola (PDT) foi a Teutônia na sexta-feira para uma reunião com representantes da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) e com o prefeito Renato Airton Altmann (PSD).

Representantes dos setores apresentaram à candidata não só os desafios enfrentados pelo município e do Vale do Taquari, como também as perspectivas de crescimento da região.

Segunda maior economia do Vale do Taquari, Teutônia está entre os municípios do Estado que mais aumentaram sua população nos últimos anos. Hoje, são cerca de 32 mil habitantes, parte deles recém-chegada à cidade, que recebeu novos moradores e empresas da região principalmente após as enchentes de 2023 e 2024.

Na conversa entre Juliana e representantes empresariais, foram abordados temas ligados ao desenvolvimento regional, dentre eles infraestrutura, fortalecimento do setor produtivo, qualificação profissional e prevenção diante dos eventos climáticos extremos. _

Satisfação e futuro

Satisfeita com os resultados do Ideb, depois de cinco anos à frente da Secretaria da Educação, Raquel Teixeira atribui o salto a um conjunto de iniciativas que têm como ponto de partida o trabalho baseado em dados. Ela destaca o sistema de governança, que começa nas escolas e termina no governador, passando pelas coordenadorias regionais de Educação e pela Seduc, todos acompanhando os mesmos indicadores, a começar por frequência e desempenho:

- Hoje, nossas escolas trabalham não apenas com a base curricular comum, mas com protocolos, informações climáticas e habilidades socioemocionais.

Raquel também se orgulha do projeto de educação antirracista, focado na aprendizagem. Outro projeto ao qual ela se dedicou, mas que está mais atrasado, é o da educação indígena - as crianças serão avaliadas no seu idioma materno e na língua portuguesa. _

Com presença pela metade

Apesar das quatro cadeiras dispostas no palco do confronto organizado pela Famurs, com transmissão da TV Pampa, somente duas foram ocupadas, por Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB).

Diante de uma plateia de prefeitos e gestores municipais, os dois responderam a perguntas sobre a relação do governo estadual com os municípios e expuseram suas ideias para infraestrutura, saúde, municipalismo e desenvolvimento regional.

Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) alegaram impossibilidade de participar em razão de outras agendas. Juliana esteve em Teutônia, onde participou de reunião com a CIC, e Zucco ficou em Porto Alegre para reuniões internas da campanha. _

Um exemplo para se inspirar

Em vez de viajar para o Ceará ou para a Finlândia em busca de inspiração, prefeitos que não conseguem bons resultados na educação podem subir a Serra e conhecer um exemplo que dá certo. A cidade é Farroupilha, referência em educação pública. Lá fica a Escola de Ensino Fundamental Santa Cruz, que conquistou de novo o primeiro lugar no Ideb nas duas etapas avaliadas - anos iniciais e anos finais do Ensino Fundamental.

Atenção para as notas obtidas pela Santa Cruz: 9,2 nos anos iniciais e 8,2 nos anos finais.

A título de comparação, a média do RS, somando as redes estadual, municipal e federal e as escolas privadas, é de 6,3 nos anos iniciais e 5,4 nos anos finais. A instituição também é a primeira colocada nas séries iniciais e finais da Região Sul do país.

O que a escola de Farroupilha tem que outras não têm? Em 2024, a diretora da escola deu entrevista à Rádio Gaúcha para explicar o bom desempenho. Em 2023, a Santa Cruz também estava em primeiro lugar no ranking. Não havia nada de milagroso: professores comprometidos, pais envolvidos na educação dos filhos, disciplina e compromisso com aulas interessantes. Antes de virar lei, a escola já tinha proibido o celular em sala de aula.

Nos anos iniciais, três das 10 melhores escolas do Estado são de Farroupilha. _

POLÍTICA E PODER

sábado, 1 de agosto de 2026

01 de Agosto de 2026
MARTHA MEDEIROS

Caos calmo

Quando li o título Caos Calmo destacado na capa, logo entendi que não era apenas o nome de mais um livro brilhante de Sandro Veronesi, e sim a definição de uma era.

Até uma matéria de jornal sobre a final da Copa ganhou a manchete "Caos x Calma". Pegou. Reflexo do jogo que estamos todos jogando, desde a primeira hora da manhã até a noite, inclusive dormindo. A paz do sono tenta neutralizar a bagunça da mente, mas pergunte aos insones quem está vencendo.

Viramos administradores do caos. Tentamos não entrar em desespero diante do evidente descontrole climático, que tem potencial para nos enlouquecer. Morrer de causa natural, agora, significa morrer de ventania, de alagamento. Além disso, governos continuam a confirmar seu poder através de guerras. Afetam a economia mundial e desconsideram a perda de vidas humanas, o que influencia nossas perspectivas.

As pessoas estão escolhendo sexo em cardápios virtuais, encontros rápidos para alívio da tensão. Quase ninguém quer investir tempo na construção de uma relação. Os desejos mudaram: em vez de amor e felicidade para sempre, dinheiro para gastar hoje ainda. O futuro já não entusiasma. Das coisas mais tristes que li outro dia: depois da eficiente campanha antitabagista, jovens estão voltando a fumar. E o motivo dói na alma: a longevidade começa a deixar de ser atrativa. Olha a profundidade disso.

Se tudo será destruído - cidades, amores, sonhos, florestas - o quanto importa viver?

O próprio luto perdeu significado. Difícil honrar um sofrimento pessoal em um mundo onde a dor passou a ser uma banalidade. Nosso cotidiano está tão embrutecido e trepidante que, curiosamente, o lugar onde menos encontramos turbulência é dentro de aviões.

Seria importante conversarmos sobre essas questões durante o jantar, não estivéssemos com os olhos e ouvidos ocupados com nossos celulares. A tecnologia raptou a humanidade. Viramos dependentes do que desconhecidos ostentam, vendem e ensinam em tutoriais e podcasts. Todos têm algo definitivo a dizer, uma dica imperdível de filme, livro, padaria. Todos sabem tudo: psicanalistas, escritores, cozinheiros, deputados. Tagarelas sortidos. Lá estou eu, lá está você, nós e nossas boas intenções, dentro do mesmo caldeirão de opiniões, imagens falsas, violências verbais, tentando manter a cabeça fora d´água com medicamento, meditação ou optando por uma saída mais radical: se mudar para o mato, fugir dessa loucura para manter nossa autenticidade, nosso "eu" original. Mas está sabendo, né? Ser quem você é se tornou obsoleto.

Costumo ser mais calma do que caótica, você me conhece. Mas não sei o que me deu. Precisando viajar. De avião. Algumas horas sem turbulência, paquerando o céu. _

MARTHA MEDEIROS

01 de Agosto de 2026
DRAUZIO VARELLA - Médico, cientista e escritor

A síndrome do coração partido

Existente desde a Grécia Antiga, metáfora literária só encontrou em 1990 amparo na fisiologia humana

Conheci dona Cândida muitos anos atrás. Era a matriarca de uma família com oito filhos. O marido, coronel nordestino à moda antiga, acostumado a dar ordens ríspidas aos empregados da fazenda, ficava na miúda nas querelas com esposa.

A dedicação da mãe aos filhos era a razão de seu viver. Ai de quem os tratasse mal, chegou a ir às vias de fato com uma professora que ousou dar uma reguada na mão do mais velho. Quando todos cresceram, ela não ia para a cama nem deixava os empregados jantar enquanto o último não voltasse para casa.

Embora jurasse amar todos com a mesma intensidade, seu xodó por Francisquinho, um dos mais novos, era indisfarçável. Quando ele entrou na faculdade de Medicina, na capital, então, a dona Cândida não coube em si de tanto orgulho. Para provocá-la, uma das filhas dizia que se o irmão se afogasse no açude, a mãe gritaria: "Socorro! Meu filho que é quase médico está se afogando".

Quando o rapaz cursava o quarto ano, a mãe recebeu um telefonema, da faculdade. Em uma briga de trânsito, Francisquinho fora baleado.

O comércio da cidadezinha encerrou as portas para que todos acompanhassem o féretro. Eram tantas as flores que foi preciso uma caminhonete para acomodá-las.

Dona Cândida guardou luto em silêncio sepulcral, até a missa de sétimo dia. Sentada no banco em frente ao altar, queixou-se de tontura. Levada às pressas, faleceu no caminho do hospital. Na cidade, não houve quem não atribuísse o desfecho à perda do filho.

Histórias de alguém que caiu morto ao receber uma notícia terrível como essa povoam a literatura e o teatro desde os gregos.

O que talvez você não saiba é que somente em 1990 essa metáfora literária encontrou amparo na fisiologia humana. Aconteceu quando o médico japonês Hikaru Sato descreveu o quadro que ficaria conhecido como "síndrome do coração partido".

Trata-se de uma miocardiopatia induzida pelo estresse intenso, também chamada de síndrome de Takotsubo, nome dado pela semelhança entre o formato que o ventrículo esquerdo adquire na sístole, e um takotsubo, armadilha que os pescadores japoneses usam para capturar polvos.

Mais frequente em mulheres

A síndrome do coração partido costuma ocorrer em pessoas que, sem evidência de obstrução coronariana, quadro infeccioso ou outra agressão cardiológica que a justifique, sofrem uma perda seguida de descontrole, desespero e colapso emocional. Ela mostra que emoções intensas disparam uma cascata de mediadores que podem afetar o funcionamento do coração, a ponto de levá-lo à parada. Em oposição à morte súbita dos dramas teatrais, no entanto, o óbito ocorre dias ou semanas depois do acontecimento que o desencadeou.

Está longe de ser a condição benigna e transitória que se imaginava no passado. Ocorre com maior frequência em mulheres mais velhas que apresentam comorbidades, enlutadas pelo desaparecimento de um ente querido. O quadro evolui com insuficiência cardíaca e redução da contratilidade do ápice do ventrículo esquerdo que, muitas vezes, simula infarto do miocárdio.

Um estudo dinamarquês publicado na revista Frontiers, em 2025, avaliou 1,7 mil pessoas que viveram situações de luto. Sintomas intensos por meses persistiram em 6% delas; a demanda por visitas aos serviços de saúde cresceu; o uso de antidepressivos e de sedativos foi 5,6 vezes superior ao daqueles com sintomas leves; e o de ansiolíticos, 2,6 vezes maior. O risco de morte aumentou 88%, especialmente nas primeiras fases do luto, época em que a carga de estresse costuma ser mais elevada.

O papel do cérebro

A mortalidade a médio e longo prazo é semelhante à dos infartos do miocárdio.

A descrição da síndrome deu origem a diversos estudos sobre os mecanismos envolvidos nas conexões entre circuitos cerebrais e o funcionamento cardíaco: o eixo cérebro-coração.

Estresses emocionais intensos são capazes de ativar circuitos de neurônios envolvidos na regulação da resposta às emoções e no funcionamento do sistema nervoso simpático, com liberação de catecolaminas, entre as quais a adrenalina. Como consequência, a frequência cardíaca e a pressão arterial aumentam, acompanhadas de alterações dos marcadores inflamatórios em circulação e da resposta imunológica.

Exames de neuroimagem revelam desarranjo funcional na conectividade dos circuitos autonômicos/emocionais. A origem da síndrome não está no coração, mas no cérebro. _

DRAUZIO VARELLA

J.J. Camargo é cirurgião torácico, diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre e membro titular da Academia Nacional de Medicina

Existe alguém do lado de lá

Ao formular certa pergunta, o médico não está apenas interrogando o paciente: está auditando a própria consciência

"Quando o outro sofre, a última coisa de que ele precisa é uma explicação teórica para a sua dor. Ele precisa de uma presença que suporte o mistério do seu sofrimento."

(Viktor Frankl)

No consultório ou no hospital, sob o brilho frio do monitor e a exatidão dos exames, priorizamos com todo o rigor a técnica, porque disso dependerá o controle daquela doença que nos trouxe o paciente em busca de uma solução. Tudo o que for tecnicamente insuficiente implicará em perda para quem apostou na nossa competência. Ali, com toda precisão medimos a função pulmonar, reconstruímos imagens em 3D, calculamos volumes e nos socorremos da ajuda da tecnologia que nossos antecessores não dispuseram.

Talvez por isso tendemos a acreditar que somos os protagonistas absolutos daquele enredo. Uma pena que precisamos demorar um tempo para entender que há um outro lado, atento e angustiado, que será exposto com uma pergunta simples que desestabiliza essa pompa: "O que, dessa experiência sofrida, o senhor considerará inesquecível?".

Ao formulá-la, o médico não está apenas interrogando o paciente; está, no fundo, promovendo uma auditoria na própria consciência. E o choque que se segue, a descoberta de que o inesquecível para quem sofre habita uma sombra que a clínica não enxergou, é a prova cabal de que a medicina acontece em dois planos paralelos.

Para quem opera, o "inesquecível" é o sucesso da manobra ousada, o milagre da fisiologia restabelecida, a complexidade vencida na solidão do bloco cirúrgico. Para o paciente, o inesquecível é quase sempre algo ínfimo, invisível ao olhar puramente técnico: a mão que hesitou antes de tocar o ombro, aquela travada antes de responder uma pergunta, o tom com que uma notícia foi dada ou, dolorosamente, como ela foi omitida.

O paciente não habita o mesmo mapa que nós. Enquanto mapeamos a patologia, ele mapeia o medo, o desespero, a ameaça da morte tornada real. A autovigilância do cuidado médico é a expressão mais alta da Medicina da Pessoa: o reconhecimento de que, embora a técnica trate a doença, é a humanidade - essa coisa fugidia que só floresce no detalhe - que acolhe o espírito. O uso dessa estratégia manterá o médico alerta. Mas mesmo assim muitas vezes ele se surpreenderá ao descobrir que nem tinha percebido o que o paciente valorizou tanto a ponto de considerar inesquecível.

Impossível esquecer a lição de um paciente que, ao receber alta depois de um transplante fantástico que tinha sido contraindicado por alto risco, em outro centro, respondeu que inesquecível tinha sido o carinho da menina da portaria que, no meio da madrugada, foi capaz de perceber o seu medo e a sua solidão e que, depois de ajudá-lo com o carrinho do oxigênio até o elevador, lhe deu um beijo e prometeu rezar por ele.

Paradoxalmente, esse choque de percepção é a melhor notícia que um médico pode receber. Significa que ele não se tornou um autômato. Significa que, entre a tomografia e o bisturi, entre o protocolo e o transplante, existe um homem que entende que a competência técnica é apenas o palco; a peça real, aquela que ficará gravada na memória de quem sofre, é o encontro.

Se um dia formos esquecidos por tudo o que curamos, por todas as mortes que evitamos, seremos lembrados por aquilo que, sem notar, oferecemos sem medir: o olhar que viu, além do pulmão, a biografia de quem respira. Validar essa vivência é a maior lição de Medicina Narrativa que se pode dar a um médico jovem. É dizer ao paciente, sem palavras, que a dor dele tem o mesmo peso que a nossa ciência. 

J.J. CAMARGO 

01 de Agosto de 2026
SARA BODOWSKI

Costa Doce - Uma história de sabores em Pelotas

O Bistrô Pelotense já é tradicional em Pelotas: são 27 anos de história e sabores na Costa Doce gaúcha. O ambiente te acolhe já na chegada, com muita arte e objetos que criam uma identidade visual única. E a cozinha do chef Márcio Ávila parte da tradição gaúcha para renovar a gastronomia local, usando quase todos os insumos da região.

Se você for no almoço, se prepare para um buffet incrível. À noite, um à la carte delicioso te espera. E dois pratos, pelo menos, me conquistaram: o filé alto e o mil-folhas de matambre - que são camadas de matambre assadas de forma lenta, com carne da região. E a dica: os vinhos são todos rótulos gaúchos, escolhidos direto na estante do restaurante. Dá até pra comprar e levar pra casa. São todos de ótima qualidade.

O Bistrô Pelotense fica na Rua Rafael Pinto Bandeira, 2.120, e funciona de segunda a sábado, das 11h30min às 14h e das 19h às 23h. Contato pelo (53) 3229-2029 e no Instagram @BistroPelotense. No @RoteirodaSara tem um vídeo da minha visita há duas semanas! _

Familiar - Café rural em Estância Velha

A Sabores do Rancho é uma daquelas agroindústrias familiares que são exemplos da rica produção gaúcha de laticínios. Já visitei a propriedade, que fica em Estância Velha, e gostei muito dos queijos, dos iogurtes e dos sorvetes. Tudo é feito de forma artesanal, com o leite das vacas Jersey criadas ali mesmo. O trabalho da família já rendeu prêmios, como o bronze no Concurso de Queijos e Doces de Leite Artesanais do RS, e é presença garantida há anos na Expointer. Eles inclusive estão no vídeo fixado no meu Instagram @SaraBodowsky, onde estão três queijarias gaúchas para conhecer.

E, agora, vem a novidade: a partir do dia 8, um café rural passa a ser servido todos os sábados, das 15h às 18h. A mesa é farta, com pães, cucas, bolos, tortas, pastéis, pão de queijo, linguiça fervida, tábua de frios, além dos queijos, iogurtes e sorvetes da casa, acompanhados de café, leite, chá e suco natural. Tudo por R$ 60 por pessoa, sempre com reserva pelo WhatsApp (51) 99696-1066.

A Sabores do Rancho fica no Rincão da Saudade, em Estância Velha. Mais informações no Instagram @saboresdorancho_laticinio. _

Gastronomia - Jantar harmonizado no Catherine

O Catherine é, sem dúvida, um dos meus restaurantes preferidos em Gramado. A começar pelo fondue, um dos atrativos tradicionais da região, que é diferente, fora da curva. O à la carte é ótimo e o ambiente acolhe como uma tradicional casa de família - que era o prédio, originalmente.

E no dia 6 de agosto o restaurante recebe a Zanotto Vinhos e Espumantes, marca do Grupo Vinícola Campestre, com vinhos muito interessantes produzidos nos Campos de Cima da Serra, para uma noite especial de gastronomia e vinhos.

A partir das 18h, o chef residente Nícolas Heckel apresenta um menu harmonizado em cinco etapas (R$ 400 por pessoa), criado para valorizar ingredientes regionais. A viagem começa com um amuse bouche acompanhado de Brut Branco e passa por pratos como a polenta taragna com queijo serrano e tutano, harmonizada com Sauvignon Blanc, e a carne de sol com arroz cateto e pinhões, combinada com Malbec. Para encerrar, tartelette de pequenos frutos com Brut Rosé Champenoise. Quem preferir, também pode pedir o cardápio regular da casa na mesma noite.

O Catherine fica na Rua Emílio Sorgetz, 200, no Centro de Gramado, em frente à Praça das Rosas. Reservas pelo (54) 2136-5252 e mais informações no Instagram @catherinegramado. _

SARA BODOWSKI

01 de Agosto de 2026
OPINIÃO RBS

A eleição e o nosso jornalismo

A cobertura de eleições é um dos momentos mais desafiadores e nobres do jornalismo. Os princípios fundadores do ofício estão a cada instante colocados à prova. Como esse período está prestes a começar de forma mais intensa, o Grupo RBS reafirma ao público os compromissos do nosso jornalismo, voltado a oferecer a melhor e mais transparente informação possível aos gaúchos.

O aspecto desafiador da cobertura se deve aos cuidados redobrados dos profissionais. Os nervos estão à flor da pele e os pilares da atividade, como a imparcialidade e o equilíbrio, são ainda mais necessários e objeto de atenção do público, das candidaturas e da Justiça Eleitoral. Mas é dever da imprensa informar os acontecimentos e, não raro, os fatos desagradam um ou outro lado. Exercer o jornalismo em dias de ânimos tão exacerbados exige firmeza e reflexão constante para cumprir a missão de relatar com objetividade e independência.

O caráter nobre da cobertura passa pela relevância da decisão a ser tomada pelos eleitores. Está em jogo o destino do Estado e do país. Trata-se de uma escolha que precisa ser consciente e livre. O jornalismo presta um serviço essencial à sociedade e à democracia, por oferecer o insumo basilar para que cada leitor, ouvinte e telespectador possa decidir o voto a partir de informações apuradas e checadas com rigor. Isso inclui dedicação para desmentir inverdades e distorções com potencial de prejudicar o juízo dos eleitores. A disseminação de ferramentas de inteligência artificial (IA) realça a importância dessa tarefa.

Ciente das suas responsabilidades com os gaúchos, o Grupo RBS dá publicidade às diretrizes para a cobertura das eleições gerais de 2026. São orientações que guiam o trabalho de repórteres, editores e comunicadores, e situam o público e os atores políticos sobre o que esperar da conduta ética de profissionais e veículos. O nosso jornalismo terá como eixo contribuir para um voto lúcido, embasado em informações publicadas de maneira criteriosa.

A prioridade é abrir espaços para a apresentação e a discussão de planos de governo, propostas legislativas e o confronto de ideias. O Estado e o país têm uma série de problemas a enfrentar, das finanças públicas à educação, e o que a população espera é saber como essas questões podem ser solucionadas, de forma factível. A eleição para o Congresso exigirá ainda mais atenção do eleitor neste ano. A percepção da sociedade é a de que deputados e senadores se dedicam mais a temas de interesse próprio do que do país.

Os postulantes ao Piratini terão na quinta-feira, no debate promovido pela Rádio Gaúcha, a primeira grande oportunidade de expor seus planos de governo. Uma plateia formada por ouvintes e representantes de entidades relevantes para o Estado ajudará a sabatinar os candidatos.

A transparência é outro alicerce da nossa cobertura eleitoral. Isso inclui demonstrar como se dão os processos de apuração e de checagem de uma informação. Um exemplo é o projeto da RBS TV de levar telespectadores para acompanhar os bastidores da produção e da veiculação de notícias pela emissora, da reunião de pauta à exibição das reportagens. Rádio Gaúcha e GZH também terão iniciativas para o público conhecer a rotina dos profissionais. Mostrar como se faz reforça a confiança e a credibilidade do compromisso do nosso jornalismo de prestar um serviço de interesse público que, neste momento, tem o propósito de colaborar para o aprimoramento da democracia. _

As diretrizes que norteiam a cobertura eleitoral do Grupo RBS

1 | A cobertura do Grupo RBS prioriza propostas de governo, comparação de biografias e prestação de serviços, com foco no eleitor.

2 | A RBS tem compromisso com o combate à desinformação e acompanha de perto o uso da inteligência artificial na disseminação de notícias falsas.

3 | O Grupo RBS estimula a transparência ao explicar critérios editoriais durante a cobertura para que o público conheça ainda mais os processos do jornalismo profissional.

4 | Os veículos da RBS tratam partidos e candidatos de maneira equilibrada e independente.

5 | O espaço dedicado a cada candidato na cobertura segue critérios claros e objetivos, que consideram a representação parlamentar e o desempenho nas pesquisas eleitorais.

6 | Durante o período eleitoral, os veículos da RBS se abstêm de publicar artigos, de candidatos ou de terceiros, que possam afetar o equilíbrio entre as candidaturas.

7 | As pesquisas eleitorais são tratadas como complemento da cobertura, não como assunto principal.

8 | O Grupo RBS não realiza pesquisas eleitorais. Contrata e divulga apenas pesquisas de institutos reconhecidos.

9 | Os veículos da RBS não divulgam resultados de pesquisas contratadas por partidos, candidatos ou governos.

10 | Durante o período eleitoral, a RBS não divulga publicidade com resultados de pesquisas de intenção de voto.

11 | A RBS não cede ou comercializa material de arquivo para campanhas eleitorais e desautoriza que material produzido e divulgado por seus veículos seja usado na propaganda eleitoral.

12 | As despesas da cobertura eleitoral são pagas exclusivamente pelo Grupo RBS. Profissionais da empresa não podem aceitar cortesias de candidatos, partidos, coligações ou federações.

13 | É vedada a distribuição de propaganda política e a exposição ou o uso de material eleitoral nas dependências do Grupo RBS.

14 | Colaboradores da RBS que decidirem concorrer a cargos eletivos ou participar de propaganda eleitoral precisam se afastar de suas funções durante o período previsto.

15 | Comunicadores e jornalistas do Grupo RBS devem considerar aplicativos de mensagens e redes sociais como comunicação pública, na qual prevalece o regramento ético esperado na sua atuação profissional.

OPINIÃO RBS

01 de Agosto de 2026
POLÍTICA E PODER

PP impõe derrota a Flávio e escancara incoerência

O PP já tinha avisado Flávio Bolsonaro que ficaria neutro na eleição presidencial quando a senadora Tereza Cristina voltou atrás na sua decisão inicial de não ser candidata, foi ao encontro de Flávio e saiu dizendo que toparia o desafio. Passou a ideia de que tinha combinado com o presidente do seu partido, Ciro Nogueira. Mas não. Depois de Tereza confirmar que recebera o convite de Flávio e que estava disposta a aceitar, o PP divulgou nota oficial reafirmando a dita neutralidade.

Em se tratando de centrão, neutralidade pode ser interpretada como "acender uma vela para cada santo" e, depois, negociar com o eleito a participação no governo, oferecendo como ativo o número de representantes no Congresso. E como o presidente Lula está à frente nas pesquisas, PP e União Brasil não querem queimar cartuchos.

O que Ciro fez foi jogar Flávio aos leões e, ao mesmo tempo, tirar a escada de candidatos do PP vinculados ao bolsonarismo. Outra hipótese para explicar o afastamento de Flávio é o fato de Ciro ser um sujeito que sabe demais e ter sido definido por Vorcaro como "um amigo que a vida me deu". Desconfia-se que Ciro pode saber de fatos que comprometem Flávio e não quer ser visto como parceiro se alguma nova bomba estourar. 

PP impõe derrota a Flávio e escancara incoerência

O PP já tinha avisado Flávio Bolsonaro que ficaria neutro na eleição presidencial quando a senadora Tereza Cristina voltou atrás na sua decisão inicial de não ser candidata, foi ao encontro de Flávio e saiu dizendo que toparia o desafio. Passou a ideia de que tinha combinado com o presidente do seu partido, Ciro Nogueira. Mas não. Depois de Tereza confirmar que recebera o convite de Flávio e que estava disposta a aceitar, o PP divulgou nota oficial reafirmando a dita neutralidade.

Em se tratando de centrão, neutralidade pode ser interpretada como "acender uma vela para cada santo" e, depois, negociar com o eleito a participação no governo, oferecendo como ativo o número de representantes no Congresso. E como o presidente Lula está à frente nas pesquisas, PP e União Brasil não querem queimar cartuchos.

O que Ciro fez foi jogar Flávio aos leões e, ao mesmo tempo, tirar a escada de candidatos do PP vinculados ao bolsonarismo. Outra hipótese para explicar o afastamento de Flávio é o fato de Ciro ser um sujeito que sabe demais e ter sido definido por Vorcaro como "um amigo que a vida me deu". Desconfia-se que Ciro pode saber de fatos que comprometem Flávio e não quer ser visto como parceiro se alguma nova bomba estourar. 

Rosane de Oliveira

01 de Agosto de 2026
EM FOCO

EM FOCO

No primeiro semestre de 2026, RS teve 734 ocorrências com morte, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025. As três principais rodovias federais do Estado, BR-116, BR-386 e BR-290, lideram os registros

Número de acidentes de trânsito fatais registra queda

O trânsito do Rio Grande do Sul teve 734 acidentes fatais no primeiro semestre de 2026, que resultaram em 819 mortes, conforme dados do Detran- RS. O número de ocorrências caiu 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando ocorreram 753 acidentes. Para o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutor em Mobilidade Carlos José Antônio Kümmel Félix, a redução é positiva, mas ainda insuficiente para indicar uma mudança consistente no cenário da segurança viária no Estado.

Considerando os primeiros semestres dos últimos cinco anos, 2024 segue como o período com maior número de acidentes fatais nas rodovias gaúchas (759). Apesar da queda em 2026, o total ainda supera o de 2023 (730). As três principais rodovias federais do Rio Grande do Sul que lideram o ranking de acidentes fatais no primeiro semestre de 2026 são a BR-116, a BR-386 e a BR-290.

Segundo a professora de Mobilidade e Infraestrutura da Unisinos Danielle de Souza Clerman, o intenso fluxo de veículos de diferentes perfis torna essas rodovias mais complexas e exige soluções integradas para aumentar a segurança.

- São rodovias que têm um tráfego muito misto, com transporte pesado de cargas muito relevante, mas também de veículos de passeio, de pessoas que moram em uma cidade e trabalham em outra. Isso reforça a necessidade de ainda mais atenção, fiscalização e projetos de engenharia conectados entre si - explica.

Atenção

A especialista observa ainda que tanto a BR-116 quanto a BR-386 passam por obras de duplicação e melhorias. Para ela, a necessidade de reduzir a velocidade e redobrar a atenção nos trechos em intervenção pode ter contribuído para estabilidade ou leve redução dos índices.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também atribui o elevado número de ocorrências às características dessas rodovias. Segundo a corporação, a BR-116, que liga Vacaria a Pelotas, concentra intenso fluxo e ainda possui poucos trechos duplicados. Já a BR-386 passa por obras, e a manutenção dos índices é considerada positiva diante das intervenções.

No caso da BR-290, que liga Uruguaiana ao Litoral, a PRF destaca que a rodovia reúne trechos de pista simples e partes em obras de duplicação. Além disso, as longas retas podem contribuir para excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas. _

Perigos que exigem atenção

Principais fatores de risco

Excesso de velocidade

Uso de celular ao volante

Consumo de álcool

Falta do cinto de segurança

Cansaço

Fonte: Detran

Rodovias federais do RS que lideram ranking de acidentes fatais*

BR-116 - 30 ocorrências no primeiro semestre de 2026; 35 no mesmo período de 2025

BR-386 - 24 em 2026; 25 em 2025

BR-290 - 24 em 2026; 21 em 2025

* Primeiro semestre de 2026

Condições do tempo podem explicar pico de acidentes em maio

Na comparação mensal, maio foi o mês com o maior número de acidentes fatais no trânsito do RS em 2026. Foram 155 ocorrências, alta de 22% em relação ao mesmo mês de 2025. O tempo chuvoso pode ter contribuído para esse cenário, segundo a PRF.

- O que nos preocupa é que esses acidentes são quase sempre ao amanhecer ou anoitecer. Observamos que a pessoa está cansada e ainda enfrenta uma luminosidade desfavorável, seja pelo sol nos olhos ou pela neblina - acrescenta o chefe da Comunicação Social da PRF no Rio Grande do Sul, Alessandro Castro.

Além do clima, características de alguns trechos podem explicar o aumento das ocorrências. A BR-285 passou de 16 para 26 acidentes com morte no primeiro semestre deste ano. No trecho entre Muitos Capões e Saldanha Marinho, no norte do Estado, a combinação de baixa visibilidade e desatenção dos motoristas preocupa a polícia.

Como a iluminação pública nas rodovias está concentrada, em geral, apenas nos trechos urbanos, a recomendação é evitar viagens sob chuva intensa ou neblina e interromper o deslocamento em um local seguro sempre que as condições forem desfavoráveis. _

As rodovias estaduais que registram mais acidentes fatais

Entre as rodovias estaduais, a RS-324 e a RS-239 registraram o maior número de acidentes com morte no primeiro semestre, com 20 ocorrências cada. A primeira cruza as regiões Norte e Serra, enquanto a segunda liga o Vale do Sinos ao Litoral Norte. Na comparação com 2025, a RS-287 teve alta de 10 para 18 acidentes fatais, e a RS-453 passou de 12 para 16. Já a RS-122, que liga a Região Metropolitana e o Vale do Caí à Serra Gaúcha, apresentou uma das maiores reduções, de 23 para 13 casos.

Segundo o Comando Rodoviário da Brigada Militar, excesso de velocidade, desatenção e ultrapassagens em locais proibidos estão entre as principais causas dos acidentes.

A corporação afirma que reforça a fiscalização em trechos com aumento de acidentes, especialmente nos horários de maior ocorrência, entre 7h e 8h e entre 17h e 19h. Alguns locais também passarão a ser monitorados com drones. _

Soluções

passam por infraestrutura, fiscalização e comportamento

A forma como as rodovias são projetadas, sinalizadas e fiscalizadas é tão importante para a segurança quanto o comportamento de quem está ao volante, avaliam especialistas.

- Mais do que analisar estatísticas, precisamos compreender que a segurança viária resulta da interação entre quatro componentes fundamentais: a infraestrutura, o veículo, o comportamento humano e a gestão pública. Quando um desses elementos falha, aumenta significativamente a probabilidade de acidentes - explica o professor Carlos Félix.

Essa visão está alinhada ao conceito de Sistema Seguro (Safe System), que considera que erros humanos são inevitáveis e que o sistema deve ser preparado para reduzir suas consequências. Na prática, isso significa investir em dispositivos de segurança e soluções de engenharia que tornem as vias mais seguras. 

Erechim dá exemplo sobre resposta a desastres

Enchentes, deslizamentos de terras, estiagem, granizo, tornados... O Rio Grande do Sul, nas palavras do coronel Luciano Boeira, coordenador Estadual da Defesa Civil, gabarita a lista da Cobrade, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres, que organiza os eventos em grupos como geológicos, hidrológicos e meteorológicos.

Grosso modo, é como o CID dos médicos, o sistema de códigos criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para padronizar o diagnóstico de doenças, sintomas e problemas de saúde no mundo todo. No caso dos desastres, é como se o RS tivesse, potencialmente, riscos para todas as "doenças" possíveis.

Uma conjugação de fatores geográficos e meteorológicos, unido à ocupação humana e aos efeitos das mudanças climáticas, transformam o nosso Estado em laboratório vivo das transformações ambientais e testam nossa capacidade de adaptação. Você pode olhar para esse diagnóstico e ficar preocupado, pessimista ou até apavorado.

A outra opção é agir. Um grupo de voluntários, especialistas, pesquisadores e gestores públicos da região do Alto Uruguai escolheu a segunda opção. Entre quinta-feira e domingo, Erechim está realizando o 1º Clima Summit - Treinamento de Resposta a Desastres e Encontro de Voluntários, voltado à capacitação de gestores públicos, equipes de Defesa Civil, profissionais da área de emergência e voluntários.

Tive a honra de mediar o primeiro painel, intitulado El Niño - Ações de Prevenção e Resposta, que reuniu, além do coronel Boeira, o coronel Maurício Ferro Corrêa, comandante do 2º Comando Regional do Corpo de Bombeiros Militar, Ronaldo Manica, presidente da Força Voluntária Alto Uruguai e um dos organizadores do evento, e o meteorologista Rafael Santana.

Principais assuntos

Às vésperas de um El Niño vitaminado, conversamos sobre temas que precisam estar na boca e na mente dos gaúchos: Boeira, por exemplo, alertou que é muito baixo o número de pessoas cadastradas para receber os alertas por SMS da Defesa Civil em caso de ameaças; o coronel Maurício falou sobre a necessidade de articulação entre os diferentes atores, na hora do desastre, para que não se "bata cabeça" em meio ao caos; Manica comentou sobre a necessidade de uma mudança de cultura por parte da população, que precisa começar a compreender a necessidade de atender alertas da Defesa Civil em casos de evacuação preventiva, e Rafael salientou a importância de dados científicos confiáveis para uma previsão do tempo precisa e os riscos de erros em sensores, como denunciou a coluna na semana passada sobre os erros nas estações do Inmet. Até domingo, outros temas serão debatidos.

O principal ponto é que não se cria um ambiente de trocas como esse do nada.

Saí do encontro, na quinta-feira, satisfeito com o que vi e ouvi: primeiro, pelo espírito de comunidade que, no trabalho dos voluntários, alimenta uma sensação de maior segurança em caso de risco de tragédias, segundo, porque, em um país que se preocupa pouco com segurança e previsibilidade, os voluntários de Erechim estão dando exemplo de que é possível uma cultura de prevenção e treinamento. E terceiro por perceber que é possível sairmos melhores a partir de nossas tragédias. Não é possível mudar a realidade da emergência climática. Mas é possível mudar como reagimos a ela. _

Cães abandonados na Vila Dique

As casas do trecho 1 da Vila Dique, o mais próximo da Freeway, serão demolidas a partir de segunda-feira. A ação é uma medida da prefeitura, que retirou as 70 famílias da região que foi fortemente alagada durante a enchente de 2024. A maioria dessas pessoas foi deslocada para outras regiões ou localidades próximas, por meio de compra assistida e outros mecanismos.

Contudo, ao realizar uma vistoria nesta sexta-feira no local, o secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Porto Alegre, André Machado, deparou com uma cena que chamou sua atenção: aproximadamente 40 cães abandonados, alguns até presos em coleiras e em postes, ou trancados em cercados.

- Eu realmente espero que os donos vão até lá buscar os animais, pois é uma imagem chocante ver aqueles bichinhos abandonados. Uns até amarrados. Eu não vi, mas conversei com moradores ali da localidade que falaram que há cavalos soltos também na região - conta Machado.

Preocupado com a situação, o secretário procurou o Gabinete da Causa Animal da prefeitura, que o informou que os animais, após a enchente, foram microchipados - ou seja, é possível identificar até mesmo os seus donos.

Questionado, o Gabinete da Causa Animal explicou que realizou uma ação no local nos últimos dias. Informou ter feito vacinação e microchipagem nos animais. A coluna perguntou sobre o que será feito com esses animais que estão na área neste momento. Segundo a pasta, não foi recebida solicitação formal sobre os cães em questão, mas lembrou que, caso tenham microchip, os tutores deverão ser identificados. _

Uma faca de dois gumes para Netanyahu

Há muito ceticismo ainda em torno do anúncio do Hamas de que irá depor as armas. Estamos falando de um grupo terrorista que cometeu o maior atentado da história de Israel, em 7 de outubro de 2023, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, em uma ditadura que torna refém a própria população, e que rejeita a ideia da existência de Israel por princípio, desde a sua criação nos anos 1980.

O que temos até o fechamento desta edição é a informação, por parte de porta-vozes do Hamas à AFP, de que o grupo estaria disposto a entregar as armas a um comitê tecnocrata. Se, de fato, o acordo vingar e o Hamas entregar as armas a um comitê técnico, que é formado por palestinos, é preciso saber se o grupo conta com força suficiente para se impor sobre à organização extremista.

Ponto de atenção: o Hamas condiciona o desarmamento a Israel se retirar do território de Gaza. Ou seja, assim como fez ao anunciar a disposição em deixar o poder, o grupo joga a responsabilidade para o governo de Benjamin Netanyahu.

Israel realiza eleições em 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno no Brasil. Netanyahu é candidato na renovação da Knesset, o parlamento. Mas é um premier que se alimenta da guerra.

Minha opinião: o anúncio do Hamas é como uma faca de dois gumes para Netanyahu. Por um lado, ele pode se vangloriar de que colocou fim ao grupo terrorista. Por outro, há muita gente que pode ver a saída de Gaza como uma derrota, como uma capitulação israelense, especialmente sua base mais conservadora, que desejaria inclusive a anexação total do território de Gaza.

Ao entregar as armas, o Hamas pode estar tentando negociar no futuro algum tipo de participação política. Acho difícil de ocorrer porque estamos falando de fundamentalismo islâmico. Não é separatismo, não é resistência. O Hamas prega a dissolução de Israel. Mas aguardemos. _

Apoiadores da causa animal se reúnem no sábado, no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre. O evento "Vakinha Pet" terá uma ampla programação, que inclui a lojinha da ONG Salva Latas e brechó solidário. Toda a arrecadação obtida com as atrações será destinada à organização.

INFORME ESPECIAL