sábado, 18 de julho de 2026

Depois de quase 50 dias sem jogos oficiais, time de Luís Castro foi derrotado por 2 a 1 pelo Mirassol na retomada do Brasileirão. Equipe repetiu atuações ruins de antes da paralisação para o Mundial e fica em situação delicada na tabela antes de voltar a atenção para o playoff da Sul-Americana

Depois das férias, treinos e amistosos, a decepção. Na noite de sexta-feira, pela 19ª rodada do Brasileirão, o Grêmio perdeu por 2 a 1 para o Mirassol. Bruno Santos e Edson marcaram para os donos da casa. Carlos Vinícius descontou. A derrota no Maião manteve a equipe na beira do Z-4.

O Tricolor ficou em 16º lugar, com 21 pontos, apenas um à frente do Vasco. E para tornar ainda pior o resultado, construído com outra péssima atuação, a equipe paulista ficou apenas dois pontos atrás do Tricolor na tabela. Com um jogo ainda a recuperar.

Depois de quase 50 dias de preparação, o resultado em campo lembrou os piores momentos do primeiro semestre.

Na frente

Os paulistas assustaram aos 10 minutos. Edson recebeu na área e finalizou. A bola cruzou a pequena área, mas o centroavante Bruno Santos não chegou a tempo para empurrar para o fundo do gol. Na segunda chance, o centroavante do Mirassol alcançou. O Grêmio perdeu a bola com Caio Paulista. Igor Formiga avançou e acertou o cruzamento para Bruno Santos completar de carrinho. Villasanti não acompanhou o adversário, que teve tempo para chutar caído depois de errar na primeira tentativa.

Aos 35 minutos, o Tricolor ficou em vantagem numérica por alguns segundos. Gabriel Mec driblou Denilson e o último recurso do marcador foi o puxão. O árbitro Bruno Arleu marcou falta e expulsou o jogador, mas trocou a cor do cartão após revisão no VAR.

Após péssima cobrança de falta de Amuzu, o Mirassol ampliou. Kannemann desarmou na área. Pavon tentou tirar a bola de calcanhar e devolveu a posse para os paulistas. Villasanti não conseguiu recuperar, Caio Paulista demorou para fechar o espaço e Edson tocou na saída de Weverton: 2 a 0.

Quatro trocas

O Grêmio voltou com quatro mudanças para o segundo tempo. Amuzu, pelo protocolo de concussão, saiu e liberou uma substituição extra. Pedro Gabriel, Braithwaite, Willian e Leonel Pérez entraram. Caio Paulista, Gabriel Mec, Amuzu e Villasanti saíram.

A pressão tricolor para descontar deu resposta aos 31 minutos. Tetê deu início ao ataque pelo lado direito após lançamento de Braithwaite. O atacante acionou Pavon, que achou Carlos Vinícius. O chute de pé direito não deu chances para Walter. Pouco para um time que se preparou durante quase 50 dias para voltar ao Brasileirão. Uma derrota para assustar, antes da viagem a La Paz para enfrentar o Bolívar pela Copa Sul-Americana.

Após a partida, Amuzu saiu de ambulância do estádio por conta de choque sofrido na cabeça. _

Brasileirão

19ª rodada - 17/7/2026

Mirassol

2

grêmio

1

Mirassol: Walter, Igor Formiga, João Vitor, Gabriel Knesowitsch e Reinaldo; Aldo Filho, Denilson (Chico Kim, 37?/2ºT) e Japa (Shaylon, 30?/2ºT); Alesson (Fernandino, 37?/2ºT), Edson (Carlos Eduardo, 26?/2ºT) e Bruno Santos (André Luis, 30?/2ºT)

Técnico: Rafael Guanaes

Grêmio: Weverton; Pavon, Gustavo Martins, Kannemann e Caio Paulista (Pedro Gabriel, INT); Villasanti (Leonel Pérez, INT), Nardoni (Riquelme, 34?/2ºT), Tetê (Marcos Rocha, 40?/2ºT), Gabriel Mec (Braithwaite, INT) e Amuzu (Willian, INT); Carlos Vinícius

Técnico: Luís Castro

GOLS: Bruno Santos (M), aos 15min, e Edson (M), aos 38min do 1º tempo; Carlos Vinícius (G), aos 31min do 2º tempo

CARTÕES AMARELOS: Denilson (M); Kannemann, Gustavo Martins, Leonel Pérez (G)

ARBITRAGEM: Bruno Arleu, auxiliado por Carlos Henrique Alves e Thayse Fonseca

VAR: Paulo Renato Coelho (quarteto do RJ)

PÚBLICO E RENDA: 4.593 pessoas (R$ 128.000)

LOCAL: Estádio Maião, em Mirassol (SP)

Cotação

GRÊMIO

Weverton: não teve culpa nos dois gols sofridos. 6

Pavon: a assistência para Carlos Vinícius não apaga o péssimo passe de calcanhar que deu origem ao lance do segundo gol do Mirassol. 5

Gustavo Martins: não conseguiu evitar o primeiro gol e foi discreto nas disputas mais físicas. 5

Kannemann: exposto pelos atacantes do Mirassol. Faltou velocidade e agilidade nos combates longe da área. 5

Caio Paulista: uma avenida aberta para o Mirassol explorar no lado esquerdo da defesa. Errou o bote em Edson no segundo gol. 4

Villasanti: claramente longe da melhor condição física. Sempre um pouco atrasado nas disputas. 4,5

Nardoni: novamente perdido entre a função de defender e depois ser parte da criação do time. 5

Tetê: dois chutes perigosos. Boa participação na jogada do gol gremista. 6

Gabriel Mec: sofreu uma falta perigosa. Muito preso na marcação do Mirassol. 5

Amuzu: pouca participação, até sair no intervalo devido ao protocolo de concussão. 5

Carlos Vinícius: uma chance e um gol. 6,5

Pedro Gabriel: algumas subidas perigosas ao ataque. 6

Leonel Pérez: deu mais vitalidade para a marcação no meio-campo. 5,5

Willian: deveria melhorar a produção do time. Baixou a rotação da equipe. 4,5

Braithwaite: tentou algumas combinações com Carlos Vinícius. 6

Riquelme: foi meia, atacante e ponta nos amistosos de intertemporada. Apareceu como volante no primeiro jogo após a parada. 5,5

Marcos Rocha: entrou no final. SEM NOTA

MIRASSOL

Edson Carioca teve espaço para jogar como quis. A marcação de Caio Paulista permitiu que ele fosse o principal destaque da vitória do Mirassol.

Próximo jogo

Quinta-feira, 23/7 - 19h

Bolívar x Grêmio

Estádio Hernando Siles - Copa Sul-Americana (playoffs, ida)

Bahia vence a Chapecoense em jogo da 4ª rodada

Em jogo atrasado da 4ª rodada do Brasileirão, o Bahia venceu, na noite de sexta-feira, a Chapecoense por 2 a 0. Rodrigo Nestor e Román Gómez marcaram os gols na Arena Fonte Nova.

Com o resultado, o time de Rogério Ceni chega aos 29 pontos e volta a encostar no G-5. O time catarinense se afundou ainda mais na lanterna.

Em Salvador, os donos da casa abriram o placar aos 12 minutos do primeiro tempo, com Rodrigo Nestor em cobrança de pênalti. Ainda na etapa inicial, o argentino Román Gómez ampliou, aos 33 minutos, de cabeça.

Também na sexta-feira, mas pela 19ª rodada, Fluminense e Bragantino empataram em 1 a 1. Eduardo Sasha abriu o placar e Ignácio marcou no fim do jogo. Sant?Anna e Fabinho, do lado paulista, e John Kennedy, do lado carioca, foram expulsos. 

Botafogo 2x1 Santos

Vitória 1x0 Vasco

Fluminense 1x1 Bragantino

Mirassol 2x1 Grêmio

Terça-feira

19h30min Atlético-MG x Bahia

Quarta-feira

19h30min Coritiba x Palmeiras

21h30min São Paulo x Athletico-PR

21h30min Inter x Cruzeiro

21h30min Chapecoense x Flamengo

Quinta-feira

19h30min Corinthians x Remo 

O prazer de ser um alienado

A Copa acaba neste fim de semana e já me sinto órfão da única coisa que parecia sustentar minha sanidade mental: a mais pura, cristalina e redentora alienação. Como é bom ser um idiota completo de vez em quando. Como é maravilhoso olhar para o abismo do mundo e responder com um sonoro "e eu com isso?".

Não que eu tenha abandonado minhas obrigações, que fique claro, mas meu projeto de vida, nas últimas semanas, foi basicamente derreter no sofá sob um cobertor marrom, engordando à base de pudim morno enquanto elaborava teses profundas sobre as tranças do Raphinha e a linha de cinco do Paraguai. Sempre que pude, ignorei o que importava. E foi a glória.

Alguém dirá que "enquanto você grita gol, o país desmorona", mas, em resposta, mencionarei um edificante meme que vi no TikTok, porque hoje não citarei Freud nem Hobbes nem qualquer outro sabichão, vou apenas celebrar a alienação e a cultura inútil, então falarei desse belo meme que dizia, com admirável sensatez, que "o país também desmorona enquanto você assiste àquela folha caindo da árvore no seu filme iraniano". Não é verdade?

Precisávamos desse coma induzido. A Copa serviu de oxigênio antes de sermos atirados no moedor de carne que nos aguarda ali na esquina: a eleição de outubro. Aliás, o futebol é maravilhoso porque nos permite terceirizar a angústia. Se a Seleção perde, a culpa é de onze milionários correndo de shortinho na TV. Mas, a partir de segunda-feira, a culpa de tudo volta a ser nossa. E o voto é o lembrete incômodo de que o destino desse hospício, vejam que perigo, está em nossas mãos.

Natural que bata um desânimo. O problema de passar 40 dias dopado de irrelevância é que a nossa imunidade contra a realidade despenca. Discutir as façanhas do goleiro Vozinha - que ganhou esse apelido, você sabe, porque foi criado pelos avós e vivia reclamando para sua vozinha - era o nosso recreio mental. Agora o mundo retorna às asperezas do arcabouço fiscal, do superávit primário e do trânsito da Bento Gonçalves.

Resta assinar o termo de gratidão a esse delírio de seis semanas. Obrigado por me fazer acreditar que a física quântica operava nos três centímetros que anularam aquele gol impedido. Valeu a pena gastar neurônios projetando o futuro da humanidade no contra-ataque da Argélia. A partir de segunda-feira, a realidade me confisca o crachá de idiota e exige que eu volte a ter opiniões adultas sobre o destino da nação.

Mas, até lá, por favor, não me interrompam: ainda tenho um domingo inteiro para tratar o supérfluo como caso de vida ou morte. 

PAULO GERMANO 

18 de Julho de 2026
MARCELO RECH - Marcelo Rech

O que une esquerda e direita

Uma das formas de se identificar a praga do populismo é quando políticos e governantes ignoram os ditames básicos da responsabilidade fiscal para, às custas do dinheiro público, agradar o eleitorado às vésperas de eleições. Aprovam-se benesses seletivas e distribuem-se recursos a rodo como se o Tesouro fosse um butim infinito e sem dono.

A última do populismo desenfreado é a aprovação pelo Congresso de benefícios, sem origem ou sustentação prévia, a 360 mil agentes de saúde. A bolada vai custar R$ 27 bilhões em 10 anos. Não por acaso, é chamada de pauta-bomba. Ela não explode só o orçamento. A benesse, que antecipa aposentadorias com vencimentos integrais, suga recursos que poderiam ir para hospitais, estradas, investimentos em segurança ou serem usados em momentos de emergência, como enchentes.

Há aspectos assustadores sobre como as pautas-bomba avançam no Brasil. O mais vistoso é a placidez com que políticos de todos os matizes se juntam no festim populista. Com a honrosa exceção do senador gaúcho Hamilton Mourão, que votou contra, e quatro ausências, a prebenda aos agentes foi alegremente endossada por todos os demais senadores, não importa se de esquerda, centro ou direita. Se há algo capaz de unir todo o arco político brasileiro, esse é o uso de dinheiro do contribuinte para comprar simpatias eleitorais e implodir a responsabilidade fiscal.

A noção de que o Estado deve servir primeiro a ele próprio, a seus cupinchas e aos que nele trabalham, e não à maioria silenciosa de seus cidadãos, é particularmente fértil no Brasil por culpa coletiva. Em alguns países, vota-se em candidatos que se esmeram em fiscalizar o uso dos impostos, de modo que ele seja aplicado da forma mais responsável, apropriada e com melhor retorno possível para toda a coletividade. Quem se vale de recursos públicos para espalhar bondades eleitorais é execrado.

Aqui, fazemos o contrário. Os poucos que resistem à farra são tachados de inimigos do povo, como se o povo entendesse e soubesse como seu suado dinheiro é torrado nos plenários e palácios. Reside aí, na cândida ignorância sobre como recursos públicos são manuseados ao bel-prazer de quem os controla, a origem dos penduricalhos, das emendas secretas ou não, dos desperdícios, dos privilégios e da manutenção de currais políticos mediante bolsas disso e daquilo.

Só uma república que inibisse o extrativismo do Estado por ambições políticas faria com que um dia a chaga do populismo tirasse votos, em vez de despejá-los nos seus arautos. Até lá, seguiremos com a festa de arromba nas contas públicas, com todas as suas consequências nefastas - dos juros nas alturas à sufocante carga tributária. E o eleitor? Este agradece quando a esmola cai da mesa e vota, feliz, no populista. 

MARCELO RECH

18 de Julho de 2026
EDITORIAL

Fôlego para o campo

A medida provisória 1.376/2026, que trata da renegociação das dívidas rurais, publicada pelo governo federal na quarta-feira, é o resultado da mobilização incansável de produtores, entidades do setor e parlamentares ligados ao agronegócio, que desde o início do ano passado demonstravam a necessidade de uma repactuação ampla e em condições excepcionais. Foi uma conquista sobretudo dos agricultores gaúchos, que deflagraram o movimento.

Os termos anunciados não são os considerados ideais pelo campo, que preferia o Projeto de Lei 5.122. Também não são tão limitados quanto os apresentados anteriormente pelo Ministério da Fazenda, preocupado com o impacto fiscal. Mas, como em toda negociação, em que cada parte cede um pouco enquanto tenta manter pontos centrais, são fruto do acordo possível. O desfecho atende a grande maioria dos produtores em dificuldades. Assim, podem recuperar o acesso ao crédito para tratar de preparar a safra de verão que se aproxima e se planejar para quitar os compromissos ao longo dos próximos anos sem a pressão de uma dívida que inviabilizava milhares de propriedades.

O pedido pela renegociação, no caso dos produtores do Rio Grande do Sul, era amplamente justificado. Nos últimos anos, os agricultores gaúchos foram afetados por quatro estiagens de diferentes magnitudes e por dois anos com grandes enchentes. Nenhum negócio, de nenhum ramo, suporta tamanha sequência de receitas frustradas em um período tão curto. Além do clima hostil, vieram as quedas dos preços dos grãos, o aumento dos custos de produção, como combustíveis e fertilizantes, e o garrote do juro.

A crise já era dramática, atingindo produtores de todos os portes. A possibilidade de repactuação, com prazos maiores de pagamento e juro menor, é um fôlego justo para quem produz alimentos, ajuda a sustentar a balança comercial brasileira, movimenta uma grande cadeia de negócios antes e depois da porteira e, no RS, também influencia o PIB pelos reflexos no desempenho da indústria, dos serviços e do comércio nos centros urbanos.

A MP beneficia produtores e cooperativas que tiveram prejuízos entre 2019 e 2025 por problemas climáticos ou de mercado em ao menos duas safras, desde que comprovem os prejuízos com laudos. O Ministério da Fazenda calcula que cerca de R$ 100 bilhões em dívidas serão repactuados, com juro que vai de 5% a 12% ao ano, conforme a extensão das perdas e o porte da propriedade. O custo para o Tesouro Nacional é estimado em R$ 3,6 bilhões por ano. Os prazos de pagamento serão de oito a 10 anos, incluídos dois de carência. Foram solucionadas pendências relativas às garantias e incluídas as chamadas Cédulas de Produtor Rural (CPRs), títulos de crédito utilizados no financiamento agropecuário. Não estão contempladas dívidas contratadas fora do sistema bancário.

Convém, agora, aguardar a regulamentação da medida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e acompanhar a operacionalização da renegociação pelos bancos. Mas os riscos climáticos continuam. A renegociação conquistada não deve levar à procrastinação da busca por medidas estruturantes, como políticas que impulsionem a irrigação e a viabilização do fundo garantidor para o setor, também previsto na MP. É preciso evitar que um quadro semelhante de endividamento e inadimplência em larga escala se repita nos próximos anos. 


18 de Julho de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Caiado aposta na desidratação de Flávio Bolsonaro

Com o fim da Copa do Mundo, as convenções e o início da campanha eleitoral, com os primeiros debates, o candidato do PSD a presidente, Ronaldo Caiado, está confiante de que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) vai derreter. Em conversa com a coluna, no final da tarde de sexta-feira, depois de almoçar com o prefeito Sebastião Melo e com os candidatos da aliança MDB-PSD, Caiado detalhou sua visão da campanha e de onde vem o otimismo com a perspectiva de quebrar a polarização entre Flávio e o presidente Lula.

Caiado está convencido de que a candidatura de Flávio se desidratará sem que os adversários precisem atacá-lo, como consequência de uma combinação entre a fragilidade natural do candidato, a briga familiar com Michelle Bolsonaro, o tarifaço e os erros cometidos por ele, pelo irmão Eduardo e pelo influenciador Paulo Figueiredo, com as declarações ofensivas às mulheres.

Entre as fragilidades de Flávio que Caiado considera fatais para a candidatura, estão o crescimento inexplicável do patrimônio, incluindo a mansão financiada pelo Banco Regional de Brasília, o envolvimento com Daniel Vorcaro, a dificuldade de articulação no PL, a rejeição no eleitorado feminino, a falta de experiência administrativa, o despreparo para debater os grandes temas do Brasil e, agora, a foto do Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, para a qual o senador apresentou diferentes versões desde que foi divulgada.

Caiado segue direcionando suas críticas mais pesadas a Lula, mas sabe que no primeiro turno o adversário a ser combatido é Flávio, com quem disputa os votos dos eleitores de direita. E tentará convencer os antipetistas de que votar em Flávio significará dar mais quatro anos de mandato ao PT. Para conquistar os eleitores indecisos e os que hoje estão com Flávio, a campanha de Caiado vai explorar seu currículo de gestor público, médico, ex-deputado e ex-senador e mostrar os avanços ocorridos em Goiás nos seus mandatos, como o primeiro lugar no Ideb, a liderança no uso da inteligência artificial e no desenvolvimento de plataformas, a exploração de terras raras e minerais críticos e o investimento em ciência e tecnologia. _

aliás

Nas visitas ao interior do Rio Grande do Sul, Ronaldo Caiado constatou que, mesmo o Estado sendo um dos mais bolsonaristas do Brasil, o apoio a Flávio é tímido. Por isso, acredita que, se conseguir quebrar a polarização na eleição presidencial, o candidato da aliança MDB-PSD ao Piratini, Gabriel Souza, subirá junto nas pesquisas.

Mais um tropeço na campanha

No contexto da campanha eleitoral, a imagem da semana que se encerra não é nova. É de 2022 e mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) sem camisa, aparentemente na área da piscina do Hotel Fasano, um dos mais luxuosos do Rio de Janeiro, na companhia de Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, espécie de jagunço de Daniel Vorcaro, que atentou contra a própria vida logo depois de ser preso.

Flávio já apresentou diferentes versões para a foto, sempre garantindo que não conheceu Sicário.

No primeiro momento, disse que, como pessoa pública, tira fotos com desconhecidos.

Depois, seguindo a trilha do irmão Eduardo Bolsonaro, questionou a autenticidade da foto, insinuando que a imagem pode ter sido produzida por inteligência artificial. Na sexta-feira, a plataforma brasileira de autenticidade digital Signaip analisou a fotografia e não encontrou indícios de uso de inteligência artificial na imagem. 

Jairo Jorge abandona a política

Depois de enfrentar uma série de percalços em seu último mandato como prefeito de Canoas, com sucessivos afastamentos do cargo pela Justiça, e de perder a eleição de 2024, o jornalista Jairo Jorge decidiu "pendurar as chuteiras". Na segunda-feira, ele assume a nova Superintendência de Relações Governamentais e Cidades na Ulbra, voltada ao desenvolvimento dos municípios.

- Estou encerrando meu ciclo na política. Na Ulbra, vou usar minha experiência de três mandatos de prefeito para ajudar uma nova geração de prefeitos a qualificar e inovar na gestão. Estou muito motivado - disse Jairo à coluna.

A nova estrutura é estratégica para a universidade. Por meio do projeto Ulbra Cidades, a instituição busca se consolidar como o principal polo de inteligência aplicada à modernização urbana no sul do Brasil. 

Mudança descartada

Depois de Eduardo Leite vetar o fim da taxa de licenciamento veicular, o governo do Estado estuda a possibilidade de enviar um projeto alternativo à Assembleia Legislativa, prevendo apenas redução do valor, em vez da extinção da cobrança.

Parlamentares da oposição à direita foram sondados nos últimos dias pela base do governo na Assembleia, que sugeriu a ideia para testar a aceitação de uma proposta que concilie os dois lados. O veto de Leite foi criticado por deputados de PL, PP e Novo, que seguem irredutíveis e mantêm a defesa pelo fim da taxa. A esquerda também já declarou ser favorável a acabar com a cobrança e não deve mudar o posicionamento. 

A viúva do ex-governador Alceu Collares (PDT), Neuza Canabarro, engajou-se na campanha de Luciano Zucco (PL) para o Piratini. Em 2022, também declarou apoio ao PL de Onyx Lorenzoni e Jair Bolsonaro.

POLÍTICA E PODER

18 de Julho de 2026
NFORME ESPECIAL -´Rodrigo Lopes

A TV pública e o exemplo húngaro

Passou quase despercebido por aqui, mas o dia 7 de julho deveria virar um case de análise para todos aqueles que defendem o papel social da imprensa profissional. Naquela terça-feira, às 16h em Budapeste, o canal de notícias M1 exibiu uma tela preta com a seguinte mensagem: "A mídia pública não deve mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tanto tempo. A mídia pública será reformada para se tornar independente e confiável. Nosso serviço de notícias está temporariamente suspenso. Fique ligado!".

Todos os telejornais e programas de política transmitidos pelos canais públicos de televisão e rádio da Hungria, reunidos no conglomerado MTVA, exibiram essa mesma mensagem por quase quatro horas. Durante os 16 anos em que Viktor Orbán esteve no poder, a emissora divulgou notícias estapafúrdias, propagou desinformação e, por vezes, veiculou versões tão absurdas quanto perversas: de que migrantes árabes e africanos eram criminosos que estupravam meninas húngaras indefesas; de que o Estado ucraniano, supostamente dominado por uma máfia, desejava sacrificar sua geração mais jovem na guerra e roubar milhões de aposentados húngaros; e por aí vai.

Diferenças

TV pública é diferente de TV estatal. A primeira pertence à sociedade, é financiada pelo Estado ou por recursos públicos, deve prestar contas ao cidadão e fiscalizar o próprio governo. Já uma TV estatal funciona como instrumento de comunicação do governo, prioriza a agenda oficial e, por isso, possui menor autonomia editorial. Melhor exemplo do mundo, a BBC é financiada por recursos públicos, mas sua obrigação é informar, fiscalizar e incomodar Westminster e Downing Street. A Televisión Española (TVE), por sua vez, viveu altos e baixos. Abraçou o franquismo durante a ditadura, mas, desde a redemocratização, trava uma disputa permanente para fortalecer sua autonomia editorial.

A MTVA, ao contrário, aproximou-se de modelos hoje observados na Venezuela chavista-madurista e na Rússia de Vladimir Putin.

No Brasil, o debate sempre foi como impedir que uma TV pública se transforme em TV de governo. A própria lei que criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 2007, estabeleceu o conceito de comunicação pública, voltada ao interesse da sociedade, e não apenas à divulgação dos atos do Poder Executivo. A missão institucional da TV Brasil é justamente ser uma televisão pública, independente e democrática, complementar ao sistema privado. Mas isso está longe de ser simples.

Uma comunicação pública verdadeiramente independente depende de mecanismos permanentes de participação social, governança e proteção institucional. Que, ao menos, as instituições brasileiras, quando discutirem formas de fortalecer essa independência para que ela não dependa da boa vontade do governo de plantão, se lembrem da lição deixada pelo caso húngaro. _

Novas escolas na Capital

Estão definidos os locais onde serão construídas as 10 novas escolas de Educação Infantil como parte da parceria público-privada (PPP) da prefeitura de Porto Alegre.

Os prédios devem ficar prontos até 2028. Com isso, cerca de 1,8 mil vagas seriam criadas em até dois anos.

A coluna obteve imagens de projetos referenciais usados para a modelagem. Agora, a concessionária irá trabalhar para um modelo similar para as unidades da cidade. _

Bloco Norte - Uma no Rubem Berta, uma no Santa Rosa de Lima e duas no Mario Quintana.

Bloco Centro - Uma no bairro Santo Antônio e uma no Jardim do Salso.

Bloco Sul - Uma na Aberta dos Morros, duas na Hípica e uma na Restinga.

Delegação chinesa visita Grupo RBS

Visitaram o Grupo RBS o ministro conselheiro da Embaixada da China no Brasil, Ji Wei, a terceira secretária da embaixada, Sun Jing, e a terceira secretária do Consulado Geral em São Paulo, Ding Jiahui. Acompanharam o grupo o professor Diego Pautasso, especialista em China, e o pró- reitor de Desenvolvimento Institucional do IFRS, Lucas Coradini.

A delegação foi recebida pelo editor Leandro Fontoura e por este colunista. _

Quem é o futuro primeiro-ministro do Reino Unido

O ex-prefeito da Grande Manchester Andy Burnham foi confirmado na sexta-feira como o novo líder do Partido Trabalhista britânico. Com isso, Burnham está a um passo de se tornar o primeiro-ministro do Reino Unido, o que deve se confirmar na segunda-feira, quando ele se tornará o sétimo chefe de governo britânico em uma década. Único candidato na disputa, ele sucederá o atual premiê Keir Starmer, que renunciou ao cargo há quase um mês após enfrentar intensa instabilidade política e pressão interna.

Trajetória

A consolidação de Burnham como nome de consenso ocorreu após seu retorno ao Parlamento em junho de 2026, quando renunciou à prefeitura para vencer uma eleição especial (by-election) pelo distrito de Makerfield.

Essa, porém, está longe de ser a sua primeira passagem pelo centro do poder em Londres. Entre 2001 e 2017, Burnham foi parlamentar e integrou os gabinetes de Tony Blair e Gordon Brown, ocupando os ministérios da Saúde e da Cultura. Na época, chegou a disputar - e perder - a liderança do Partido Trabalhista por duas vezes. Ele retornou à sua região natal para disputar o recém-criado cargo de prefeito da Grande Manchester, em 2017.

Foi justamente a gestão local que o projetou nacionalmente. Ao se posicionar como um contraponto firme às decisões de Westminster e evidenciar a profunda divisão socioeconômica entre o norte e o sul do país, Burnham ganhou o apelido de "Rei do Norte".

Vale lembrar que o Reino Unido não elege o seu primeiro-ministro diretamente. O chefe de governo é escolhido pelos parlamentares do partido majoritário na Câmara dos Comuns - posto ocupado hoje pelos trabalhistas - e o cargo, por convenção, cabe ao líder da sigla. _

Ajuda humanitária aos deslocados

O Médicos Sem Fronteiras (MSF) abre, na próxima segunda-feira, a exposição interativa O Que Se Leva no BarraShoppingSul, em Porto Alegre. A mostra apresenta histórias reais de pessoas que tiveram de deixar suas casas e enfrentar os desafios da migração, do refúgio e do deslocamento forçado.

Na exposição, o público tem acesso a mais de 20 fotografias e testemunhos de migrantes e refugiados que deixaram tudo para trás, exceto alguns poucos objetos carregados de memórias de familiares e amigos. Ao caminhar pelo espaço, painéis fotográficos mostram as principais causas do deslocamento forçado - como a crise climática e os conflitos armados - e a resposta humanitária do MSF para salvar vidas, com destaque especial para a atuação nas Américas e no Mar Mediterrâneo. O evento tem entrada franca. _

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 16 de julho de 2026

16 de Julho de 2026
CARPINEJAR

Diante do Alzheimer

Cuidar de alguém com Alzheimer é um desafio ensandecido. Os familiares perdem também a sua identidade, sendo confrontados com o apagão do seu ente querido. É comum se perceber desvalorizado, humilhado, rejeitado. Afinal, você não ganha nenhuma recompensa, agradecimento, reconhecimento. O elogio, quando feito, não dura para a manhã seguinte. É um trabalho de Sísifo, de transportar a pedra para o topo da montanha e vê-la deslizar de volta para a sua origem. Não há permanência dos dados, registro, livrinho dos diálogos, mesmo os mais marcantes e sublimes.

É um monólogo, uma doação unilateral, como amar presencialmente uma ausência. A autora argentina Julieta Correa costuma dizer que é quando as palavras viram as costas. Estima-se que 8,5% da população brasileira com 60 anos ou mais enfrente o drama. A taxa aumenta drasticamente com a idade, indo de cerca de 2% (na faixa de 65 a 69 anos) para 36% (acima de 90 anos).

Os números, já alarmantes, são mascarados pela subnotificação. Aproximadamente 80% dos idosos com demência não possuem diagnóstico formal, devido à normalização cultural da amnésia.

Aqueles que fornecem apoio descrevem um tipo de luto que começa antes da morte. A pessoa conserva a aparência intacta, mas a sua mente distorce os fatos, salteia cronologicamente os acontecimentos, confunde os interlocutores e se distancia de quem era. É uma despedida sem data, sem cerimônia e sem intervalos.

Não existe mais a reciprocidade tradicional. O cuidador continua oferecendo amor, mas deixa de receber retorno. Vigora o estresse de uma vigilância vitalícia. É preciso conferir se tomou os remédios, se fechou a porta, se saiu de casa, se caiu, se acordou de madrugada. O sono é entrecortado de sobressaltos, e o enfermeiro familiar adoece junto, com dores lombares, hipertensão, queda da imunidade.

Mergulha-se num looping de agulha arranhada no vinil, numa adaptação desfalcada de futuro, mobilizando-se a responder a uma pergunta 20, 30, 50 vezes num só turno, repetindo dilemas de pesar e constrangimento ao explicar onde está um indivíduo que morreu décadas atrás.

É inútil apresentar documentos e fotografias, na busca desesperada de remontar o quebra-cabeça e salvar fragmentos da personalidade.

Surge a culpa por não se considerar suficiente, por não conseguir manter a calma, por sentir vontade de fugir, por pensar em uma instituição, por desejar, com todas as forças restantes, um par de horas sozinho.

Convites rareiam, romances se tornam inviáveis, viagens são quase impossíveis no plantão emocional, no esgotamento silencioso. Amigos se afastam, frequentemente por não saberem como colaborar. A vida encolhe até parar por completo.

O filho passa a ser pai dos pais, encarregando-se da higiene, trocando as roupas, levando a comida à boca, improvisando colo.

A parte mais difícil, no meio de tantas adversidades monstruosas, é ser repositório da agressividade. Alguns com a moléstia são paranoicos. Acusam os mais íntimos de roubo, perseguição, abandono. Recusam banho, alimentação, medicação. É um trauma ouvir insultos de um perfil anteriormente carinhoso.

Uma leitora me contou o que vem experimentando ao lado de seu pai. Ele não entende que ela é sua filha, não recorda nada. E ela me falou algo tão bonito dentro das limitações brutais da convivência: se não pode dar para o pai a alegria de ser filha, pode ainda dar para ele a alegria de ser uma visita. Se ele esquece que ela é sua filha, ela jamais esquecerá que ele é seu pai.

Uma visita muda a cor do dia. Você não tem como devolver a memória, mas tem como melhorar o presente, o instante, o agora.

O afeto talvez fique na pele, e não esmoreça com a doença nem com o tempo. 

CARPINEJAR

sábado, 11 de julho de 2026

11 de Julho de 2026
CARPINEJAR

O primeiro celular, o princípio do vício

Minha casa é um museu. Guardo grande parte dos celulares que usei. Foram tão cúmplices de meus segredos que não me desapeguei deles.

Formam uma fila indiana que vai diminuindo de tamanho, até caberem na palma da mão.

Meu primeiro celular, no final dos anos 1990, era semelhante a um radinho de pilha, com antena. Um trabuco, um tijolão, que não entrava no bolso e precisava ser carregado na cintura. Pesava quase meio quilo.

Quem me via de longe achava que eu estava armado. A bateria não durava nem um dia. O visor monocromático cinza não apresentava nenhum atrativo, como um computador antigo, como um aquário de água suja, sem fotos, sem animações. Exibia apenas números, nomes e menus extremamente simples.

Os botões altos, de borracha, afundavam com um toque mais firme e repetiam as operações.

Mandar mensagens envolvia um trabalho incomensurável de catar milho. Na ausência de WhatsApp, recorríamos ao SMS. Poucos contavam com celular, então o recurso não adiantava. A comunicação se mostrava restrita, basicamente limitada a ligações.

Na época, foi um deslumbramento poder telefonar de um dispositivo móvel, não mais me prendendo à extensão de um fio na parede. Eu me sentia importante, livre, com uma privacidade inédita. Pena que as chamadas caíam com frequência ou sequer se efetuavam. Eu tentava discar várias vezes.

Meu modelo de estreia foi um Motorola, que fechava o teclado com uma tampinha.

Quando ele tocava no restaurante - com um bipe eletrônico desprovido de melodia, um "Briiip? Briiip? Briiip?" agudo, metálico, e uma pequena pausa -, os olhares se voltavam para mim. Virava o alvo da atenção. Desfrutava de um luxo, agora capaz de ser encontrado em qualquer lugar. Experimentava a sensação de estar recebendo uma visita. Jamais recuperarei a mesma alegria com as novidades poderosas da atualidade. Testemunhava a transição do mundo analógico para o digital. Vivia um Big Bang de comportamento, uma revolução anárquica dos hábitos.

O que me incomodava é que tinha me tornado um orelhão. Os amigos me confundiam com um telefone público e pediam emprestado meu xodó para transmitir recados à família. Eu gastava mais pelos outros do que por mim na fatura do mês.

Aos poucos, o celular migrou para versões compactas e com mais tecnologia. No fim da década seguinte, adotei o BlackBerry, fingindo ser um executivo do mercado financeiro. Os e-mails chegavam instantaneamente. Mudei a minha maneira de digitar, num teclado QWERTY completo, mais largo do que o de um celular comum. O desenho abaulado fazia com que o polegar deslizasse rapidamente. Eu não mais olhava para teclar, numa velocidade surpreendente. Mantinha a impressão de que levava o escritório comigo.

Havia uma bolinha central, o trackball, uma minúscula esfera, algo como um mouse invertido, que me permitia controlar a tela e rolar em todas as direções. Se antes eu nadava, passei a navegar. A imersão irreversível, a hipnose da telinha, a compulsão de permanecer on-line começaram exatamente com aquele aparelhinho prateado.

Ele piscava sobre a cabeceira da cama. Piscava durante uma reunião. Piscava no cinema. Piscava enquanto eu realizava as refeições.

O ponto luminoso insaciável inaugurou em mim uma ansiedade esquisita: sempre existia alguém esperando uma resposta. Não conseguia mais me distrair para a vida. Não conseguia mais ficar desconectado.

Fui abduzido, como todos, pelas luzes da virtualidade. Pagamos o preço da conquista com a dependência. 

CARPINEJAR

11 de Julho de 2026
ÁCIDO E CONTESTADOR - William Mansque

ÁCIDO E CONTESTADOR

40 anos do álbum que marcou fim da ditadura

Ácido e contestador

Lançado em 1986, o disco que mescla influências do punk rock, pós-punk, funk e reggae ganha uma turnê comemorativa. A obra se destaca por suas composições mais agressivas, que transformam angústias e inconformismos em críticas diretas ao Estado, à religião e ao capital

Os Titãs chutaram a porta com Cabeça Dinossauro. Ao lançar o disco, em 1986, a banda parecia soltar algum grito entalado.

Para celebrar as quatro décadas, a banda está promovendo a turnê Titãs - Cabeça Dinossauro 40 Anos, que passará por Porto Alegre. O grupo vai se apresentar no Auditório Araújo Vianna no dia 17 de julho.

A atual formação dos Titãs conta com Branco Mello (vocal e baixo), Sérgio Britto (vocal, teclado e piano) e Tony Bellotto (guitarra). Nas apresentações da turnê, o grupo tem tocado todas as 13 faixas do álbum, o que inclui AA UU, Bichos Escrotos, Homem Primata, Polícia e Família.

Contudo, há espaço no repertório para faixas de outros trabalhos, com canções como Diversão, Flores e Eu Não Aguento.

Todas as músicas do show têm esse viés mais ácido e contestador, como observa Britto.

- É muito fiel (à época) e talvez soe até melhor, porque as condições técnicas hoje em dia são muito melhores do que as que a gente tinha nos anos 1980 - atesta.

Britto destaca que há um vultuoso aparato cenográfico. A parte instrumental também recebeu a devida atenção, como ressalta Britto, lembrando que algumas músicas de Cabeça Dinossauro contêm três partes de guitarra. Por isso, foi adicionado mais um guitarrista para a turnê. O próprio Britto comprou o mesmo teclado que costumava usar na época da gravação do disco.

- O que mudou mais talvez seja não termos todos os vocalistas daquele período (Paulo Miklos, Nando Reis e Arnaldo Antunes) - pontua Britto.

Fruto da redemocratização

Cabeça Dinossauro foi o terceiro disco de estúdio dos Titãs. O contexto da banda era turbulento: o álbum anterior, Televisão (1985), havia recebido uma recepção morna. Bellotto e Arnaldo Antunes, então integrante do grupo, haviam sido presos no final do ano anterior por porte de drogas.

Então, o grupo catalisou todas as angústias em composições mais agressivas, transpondo suas revoltas contra o Estado (Polícia), a religião (Igreja) e, entre outras questões, o capital (Homem Primata).

Ao mesmo tempo, a sonoridade apresentava influências do punk rock e pós-punk, caracterizando-se como o registro mais cru e pesado da banda até então. Também havia elementos de funk (Bichos Escrotos) e reggae (Família).

Bellotto observa que a efervescência política e social da redemocratização entrou em Cabeça Dinossauro. Para o músico, é um disco fruto do fim da ditadura.

- Quando as pessoas estavam cantando todas aquelas músicas também estavam entoando slogans de liberdade. Era o disco certo na hora certa. 

Titãs - "Cabeça Dinossauro 40 anos"

Quando: sexta, 17 de julho

Onde: Auditório Araújo Vianna (Av. Osvaldo Aranha, 685), em Porto Alegre

Ingressos: a partir de R$ 252 (mediante doação de 1kg de alimento não perecível)

Ponto de venda online: pela plataforma Eventim

Bilheteria oficial: loja Planeta Surf no Shopping Total (Av. Cristóvão Colombo, 545), de segunda a sábado, das 10h às 22h; e domingos e feriados, das 14h às 20h

11 de Julho de 2026
EUGÊNIO ESBER

Um cadáver insepulto

Na última quinta-feira, 9 de julho, completaram-se sete meses, sete longos meses em que o Brasil fala de tudo - Carnaval, trivialidades diversas, futebol, eleição -, mas desvia o olhar, e as narinas, de um cadáver moral que se decompõe à vista de todos na Praça dos Três Poderes e empesta o ar da República.

A primeira informação que veio a público, em 9 de dezembro do ano passado, já era grave o bastante para levar ao imediato afastamento de Alexandre de Moraes como ministro do Supremo Tribunal Federal e à sua inscrição no rol de investigados pelo maior golpe já praticado contra o sistema financeiro do país. Pelos códigos morais que devem reger a mais alta Corte de Justiça em qualquer nação séria, Moraes não deveria voltar a vestir a toga que já pertenceu a ministros probos, como seu antecessor, Teory Zavascky, até que explicasse que diabo de negócio foi aquele firmado entre o escritório jurídico de sua família e Daniel Vorcaro, o banqueiro que fora preso três semanas antes.

Moraes nada fez ou disse que, diante da opinião pública, pudesse conferir algum sentido moralmente aceitável ao contrato em que o suposto dono do Banco Master se comprometia a pagar a exorbitância de R$ 129 milhões à então desconhecida banca de advogados liderada pela esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Diga-se que o ministro Dias Toffoli também apostou na estratégia de silêncio ante as revelações sobre sua sociedade com a família Vorcaro em um resort no Paraná. Mas o emudecimento de Alexandre de Moraes se tornou um escândalo à parte quando a Polícia Federal encontrou, em um dos vários telefones de Daniel Vorcaro, a mensagem "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

Era 17 de novembro, o dia em que Vorcaro, com base em sua bem-paga rede de informantes, temia ser preso - como de fato foi, momentos antes de embarcar em seu jatinho para fora do Brasil. O telefone para o qual ele dirigiu seu desesperado pedido de informações é do STF, mas a Corte se demora em responder com quem o celular estava naquele final de tarde. No aparelho de Vorcaro, o contato estava salvo como sendo de Alexandre de Moraes.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, não viu razão para investigar Moraes, escrevendo a mais infamante página de submissão da história do Ministério Público brasileiro, instituição que emergiu da Constituição de 1988 para, supostamente, atuar como fiscal da aplicação da lei. Edson Fachin, presidente do STF, adotou uma postura errática, fazendo por merecer o apelido de "Frachin" dentro da Corte que deveria liderar. É um homem bem-intencionado neste caso, mas amedrontado pelas investidas da bancada de Gilmar Mendes, o capo.

E aqui estamos. Sete meses de um cadáver insepulto. Sete insuportáveis meses de pestilência institucional. 

Eugênio Esber

11 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Promessa ousada, entrega tímida

Há quase dois anos, em agosto de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista à Rádio Gaúcha e, de maneira categórica, assegurou que, até o final de 2026, entregaria a duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. A realidade à época já demonstrava que a promessa era da boca para fora. Sequer havia perspectiva concreta de início das obras nos lotes 1 e 2, mais próximos da Região Metropolitana. Vinte e três meses depois, esses mesmos trechos permanecem sem trabalhos, como mostra reportagem de Guilherme Milman publicada na sexta-feira em GZH, que averiguou a situação da rodovia em 630 quilômetros, de Porto Alegre a Uruguaiana.

A verdade é que qualquer projeção sobre prazo para finalizar a duplicação do trajeto em questão é mero chute. Depende da disponibilidade de orçamento, problema que ressurge de forma recorrente, e da superação de burocracias de toda ordem, costumeiramente razão para travar obras públicas. A realidade mostra que apenas 28 quilômetros receberam a segunda pista até agora, em dois pontos dos lotes 3 e 4, de Butiá a Pantano Grande. 

Restam mais 87 quilômetros para duplicar, extensão três vezes maior do que a que teve os trabalhos concluídos. Quem circula pela rodovia nas partes ampliadas, separadas por um canteiro central, tem alguns minutos de alívio de uma estrada saturada e perigosa, para em seguida retornar ao quadro predominante de um tráfego pesado, intenso e com maior risco de acidentes.

A promessa foi ousada, mas a entrega até aqui foi tímida. Não se trata de uma estrada qualquer, mas de uma das rodovias mais importantes do Estado, que corta o mapa gaúcho de leste a oeste e é o principal corredor de cargas entre Brasil e Argentina. É vexatório que, na mais importante ligação terrestre entre São Paulo e Buenos Aires, somente na BR-290, entre Eldorado do Sul e Uruguaiana, ainda exista pista simples.

Essa constatação exige reforço na reivindicação por obras em ritmo mais acelerado, para que o fim da duplicação chegue em um prazo não tão dilatado. Convém recordar que os primeiros serviços do projeto ocorreram em 2015 e, originalmente, a inauguração dos 115 quilômetros duplicados seria em 2017. Mas, até 2023, o que se viu foi quase nenhuma evolução. A retomada três anos atrás foi bem-vinda, mas em velocidade muito aquém do necessário e do que foi propagandeado.

Agora, duas etapas previstas para começar ainda no primeiro semestre, nos lotes 2, 3 e 4, seguem à espera dos homens e das máquinas na pista. Falta dinheiro. Sabe-se que o quadro orçamentário do governo federal é apertado e, em 2027, será preciso um ajuste duro nas contas do país. A disputa por verbas tende a ficar mais acirrada. Cabe à sociedade gaúcha, às forças políticas do Estado e às entidades empresariais ampliar a pressão pela garantia dos recursos necessários - assim como para a duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas, outra saga, que avança com lentidão semelhante desde 2012.

Para crescer de forma mais robusta, o RS precisa qualificar a sua infraestrutura rodoviária - sem esquecer os demais modais. Duplicar estradas é basilar. Deve-se cobrar maior celeridade nas obras públicas, mas também ficar atento aos prazos estipulados para as vias concedidas. 

11 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

Inflação perde força pelo quarto mês consecutivo

Preços

Alta do IPCA em junho ficou em 0,16%, a menor desde outubro de 2025. Alimentos e combustíveis ajudaram a conter a pressão da energia elétrica

A inflação oficial no país desacelerou na passagem de maio para junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou junho em 0,16%, o menor resultado desde outubro do ano passado, informou na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador ficou 0,42 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,58% registrada em maio. Com isso, a inflação perdeu força pelo quarto mês seguido.

No ano, o IPCA acumula alta de 3,36% e, nos últimos 12 meses, ficou em 4,64%, abaixo dos 4,72% dos 12 meses imediatamente anteriores, mas ainda acima da meta estabelecida para o Banco Central, de 4,50%.

Em junho, o maior aumento (0,63%) e impacto (0,10 p.p.) vieram do grupo habitação. O grupo de alimentos e bebidas, com queda de 0,24%, registrou a maior variação e impacto negativos (-0,05 p.p.).

A queda dos preços de alimentos e de combustíveis em junho, itens de peso importante no índice, ajudou a conter a pressão da energia elétrica sobre o índice, explicou o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves.

- A queda de alimentação e bebidas pode refletir uma combinação de fatores, com o alívio vindo dos combustíveis, que já vêm em trajetória de redução e ajudam a diminuir custos ao consumidor final, uma possível devolução de altas anteriores e, sobretudo, maior oferta de alguns itens, como café, por exemplo, com expectativa de safra melhor pressionando preços para baixo - comentou Gonçalves.

O gerente destacou ainda que o resultado de alimentação foi o menor para meses de junho desde 2023, mas destacou que alguns produtos seguiram em alta em junho, como batata, alho e feijão carioca, o que mostra um comportamento heterogêneo dentro do grupo.

Difusão

No caso do comportamento da energia elétrica residencial, saiu de 3,67% para 1,53%, ainda figurando como o principal impacto individual no resultado do mês (0,06 p.p.). Individualmente, o Rio de Janeiro registrou a maior variação, de 5,61%, com o retorno da vigência do reajuste de 15,10% sobre as tarifas em uma das concessionárias.

A difusão do índice também arrefeceu. A proporção de subitens com aumento de preços caiu de 65% em maio (245 subitens) para 54% em junho (202 subitens), com redução tanto entre itens alimentícios quanto não alimentícios, reforçando o quadro de desaceleração da inflação no mês.

Nos índices regionais, Brasília apresentou a maior variação no mês (0,52%), com influência de itens como passagem aérea e gasolina. No outro extremo, Recife registrou queda de 0,20%, pressionada, entre outros fatores, pelo recuo de itens como tomate e gasolina. Em Porto Alegre, a alta em junho foi de 0,36% - no ano alcança 3,18%, e em 12 meses acumula 4,80%. _

Trump aceita negociar com Irã, mas reitera que o cessar-fogo acabou

Oriente Médio

O presidente Donald Trump disse, na sexta-feira, que os Estados Unidos aceitaram continuar as negociações com o Irã, mas reiterou que o cessar-fogo entre os dois países chegou ao fim. O cessar-fogo de 8 de abril pôs fim a semanas de guerra que se seguiram ao ataque israelense-americano ao Irã, que desencadeou o conflito em 28 de fevereiro, mas foi marcado por repetidos confrontos de menor intensidade.

"O Irã nos pediu que continuássemos as ?conversas?. Nós aceitamos fazer isso, mas os Estados Unidos informaram, sem margem para dúvidas, que o cessar-fogo TERMINOU", afirmou Trump em rede social.

Durante a semana, o presidente americano disse que conversaria com seu enviado especial, o empresário Steve Witkoff, e com seu genro, Jared Kushner, que têm negociado com os iranianos, mas insistiu que cabe a Teerã retornar à mesa de negociações.

Ambos os lados se agrediram em diversas ocasiões nesta semana: Teerã alvejou navios mercantes e Washington realizou ataques aéreos, enquanto o Irã mirou alvos americanos em países do Oriente Médio com drones e mísseis.

Os ministros das Relações Exteriores do Egito e do Catar pediram, na sexta-feira, que EUA e Irã retomem as negociações. Em conversa telefônica, Badr Abdelatty, do Egito, e o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, "instaram todas as partes a priorizar a linguagem da diplomacia e do diálogo e a voltar à mesa de negociações", informou o ministério egípcio em nota. Uma delegação do Catar chegou ao Irã na sexta-feira para manter conversas, informaram meios de comunicação locais. _

Ataque ucraniano incendeia instalações no sul da Rússia

Leste da Europa

Drones ucranianos atingiram, na sexta-feira, infraestruturas petrolíferas e o porto em Taganrog, no sul da Rússia, de onde as autoridades retiraram moradores devido a um incêndio. O governador da região de Rostov, Yuri Sliusar, indicou que, além do porto em Taganrog, duas instalações de armazenamento de hidrocarbonetos pegaram fogo em Azov, às margens do mar de mesmo nome. Dezenas de moradores foram levados para um abrigo temporário e não poderão retornar às suas casas por "vários dias", disse Sliusar, acrescentando que "não será possível extinguir esse tipo de incêndio rapidamente".

A Ucrânia intensificou os ataques, visando infraestruturas de hidrocarbonetos, em tentativa de reduzir a capacidade de Moscou de financiar seu esforço de guerra. Esses ataques causam escassez de combustível e dificuldades de abastecimento na península da Crimeia, anexada pela Rússia. 


11 de Julho de 2026
NOTÍCIAS

PF afirma que Valdemar indicou emendas mesmo sem mandato

Recursos públicos

Presidente nacional do PL teria interferido na destinação de R$ 119,2 milhões, mas ele nega. Investigação teve início a partir de conversas extraídas de celular apreendido de uma servidora da Câmara dos Deputados. Flávio Dino determinou bloqueio de bens do político

O que mais foi descoberto

Segundo a PF, as indicações de Valdemar eram organizadas em planilhas e as emendas eram registradas em nome de deputados federais. Para os investigadores, esse procedimento dava aparência de legalidade às indicações.

Em diálogos obtidos pela PF, servidores envolvidos no esquema fazem referências recorrentes a indicações qualificadas como sendo "do Valdemar" ou "do VCN", em alusão ao presidente do PL.

As emendas investigadas foram para áreas como saúde, turismo e esporte, principalmente para municípios de São Paulo.

Em uma troca de mensagens, um servidor afirma: "Marquei com o Valdemar amanhã 10:30. Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?".

Em outra conversa, uma servidora avisa que está "terminando de cadastrar" as emendas "do Valdemar".

Vorcaro encomendou dossiê sobre André Esteves, sócio do BTG Pactual

Conexão Brasília - Matheus Schuch

Por que a medida do STF parece exagerada

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, mesmo sem apresentar indícios de desvio de recursos. O que a Polícia Federal (PF) aponta, em caráter preliminar, é que o dirigente foi o verdadeiro responsável pela indicação de emendas que totalizam o valor em questão.

Valdemar não possui mandato parlamentar e não pode comandar as indicações que são de direito dos deputados e senadores. O caso pode configurar peculato por desvio de finalidade.

Mas há um abismo entre o uso de influência política para definir investimentos e a ideia de que o montante foi desviado e deve ser devolvido aos cofres públicos. A própria decisão de Dino admite a falta de qualquer elemento que ateste corrupção.

Poder de influência

Dino tem tomado decisões corretas para exigir transparência na alocação de emendas parlamentares e já conduziu inquéritos que culminaram na condenação de parlamentares e outras autoridades envolvidos em vultuosos desvios de verba pública.

No caso em questão, contudo, apenas foi demonstrado o poder de influência do presidente de um dos maiores partidos do país. Não se trata de relativizar o histórico de Valdemar, que tem conhecida ficha criminal e inclusive foi preso por envolvimento no Mensalão.

Mas, se o ministro do STF decidir punir de forma antecipada todos os dirigentes partidários que influenciam nas decisões de alocação de emendas por deputados e senadores, será difícil deixar alguém de fora.