sábado, 6 de junho de 2026

Rio Grande do Sul chega a 1,7 mil eletropostos em 153 cidades

Média no RS é de um ponto de recarga para cada 27 veículos eletrificados; Gramado é a cidade do Interior com mais pontos

Média no RS é de um ponto de recarga para cada 27 veículos eletrificados; Gramado é a cidade do Interior com mais pontos

Prefeitura de Caxias do Sul/Divulgação/Cidades
Lívia Araújo
Lívia AraújoRepórterO Rio Grande do Sul registrou 1.770 eletropostos públicos e semipúblicos distribuídos em 153 municípios - 30,7% dos municípios gaúchos - até fevereiro de 2026, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Desse total, 590 unidades, equivalente a 33,3% do parque instalado, são de recarga rápida. O crescimento da infraestrutura acompanha a expansão acelerada da frota: de acordo com o Detran-RS, o estado chegou a 48.106 veículos elétricos em abril de 2026, um crescimento de 1.663,4% em relação aos 2.728 registrados em 2020.
Pedro Schaan, diretor da ABVE e CEO da Zletric - empresa com cerca de 1.400 eletropostos instalados no país, incluindo no RS -, acompanha o setor há quase sete anos e define o momento como uma virada. "O carro elétrico chegou à paridade de preço com o carro a combustão. Com 120, 130 mil reais você compra um carro de acesso, e o modelo eletrificado tem muito mais tecnologia pelo mesmo valor", salienta.
Somado à isenção de IPVA para elétricos no estado e ao custo de operação até cinco vezes menor do que o de um veículo a combustão - especialmente para quem tem geração solar em casa -, o cenário cria o que Schaan chama de "círculo positivo": mais eletropostos aumentam a confiança do consumidor para comprar carros elétricos, e mais carros geram demanda por novos pontos de recarga.
Atualmente, a relação é de um eletroposto para cada 27,1 veículos elétricos no estado. Para efeito de comparação, o padrão de referência nos Estados Unidos é de um ponto para cada 10 veículos, mas Schaan pondera que a comparação direta tem limites, já que o perfil de uso e o acesso a carregadores domésticos variam significativamente entre os países.
Porto Alegre concentra 18,9% dos eletropostos gaúchos, com 335 unidades. Em segundo lugar está Gramado, com 110 postos, seguida por Caxias do Sul, com 92. Completam o ranking das dez cidades com maior número de pontos de recarga: Santa Maria (58), Passo Fundo (57), Canoas (46), Pelotas (44), Novo Hamburgo (43), Bento Gonçalves (39) e Lajeado (31). A concentração nas cidades maiores e em polos turísticos como Gramado reflete a lógica do investimento privado, que tende a seguir o fluxo de veículos. "Cidades que ficam mais longe dos polos econômicos recebem a infraestrutura um pouco depois", reconhece Schaan.

Metade Sul concentra lacunas e oportunidades

A região da Metade Sul do estado é apontada pelo especialista como a principal área com potencial de expansão. Além da cobertura ainda limitada nas vastas rodovias da região, há um fator externo que torna o investimento especialmente estratégico: o Uruguai tem uma das maiores participações de carros elétricos nas vendas totais da América do Sul, com cerca de 20% dos emplacamentos, ante menos de 5% no Brasil. "Esses uruguaios vivem na nossa Metade Sul. Quando esse pessoal quer vir para cá, a gente tem que oferecer esse tipo de solução. Tem um mercado do outro lado da fronteira gigante acontecendo", aponta Schaan.
Uruguai tem uma das maiores participações de carros elétricos nas vendas totais da América do Sul | freepik/divulgação/jc
Uruguai tem uma das maiores participações de carros elétricos nas vendas totais da América do Sulfreepik/divulgação/jc
A questão da confiabilidade dos postos instalados também é um ponto de atenção. Plataformas colaborativas como a Carregados listam 940 postos no estado, dos quais 111 estão sinalizados como em manutenção. Schaan alerta para o risco de eletropostos instalados sem a devida manutenção. "Chegar lá com a família e o eletroposto estar quebrado é muito desconfortante. Férias frustradas", alerta.
Para o diretor da ABVE, o maior gargalo para a expansão acelerada da infraestrutura é financeiro. A instalação de um único eletroposto rápido pode chegar a R$ 1 milhão, envolvendo infraestrutura elétrica, transformadores, obra civil e o equipamento em si. O investimento tem sido majoritariamente privado, sem linhas de financiamento específicas. "O investimento privado com algum tipo de suporte governamental ou incentivo faria esse negócio crescer muito mais rápido do que já está crescendo", avaliou. A médio prazo, Schaan aponta outro desafio estrutural: a capacidade da rede de distribuição de energia, que pode se tornar um limitante quando a frota elétrica alcançar participações mais expressivas no total de veículos.

Projetos buscam expansão de rede de recarga para mais regiões

Rota Elétrica Mercosul, da CEEE Equatorial, tem projeto para 10 eletropostos

Rota Elétrica Mercosul, da CEEE Equatorial, tem projeto para 10 eletropostos

CEEE Equatorial/Divulgação/Cidades
Duas iniciativas em andamento no Rio Grande do Sul buscam tornar as viagens totalmente elétricas uma realidade acessível: uma rota de recarga gratuita que atravessa o Estado de sul a norte e um projeto municipal que leva eletropostos a espaços públicos de Caxias do Sul sem custo aos cofres da prefeitura.
A Rota Elétrica Mercosul, da CEEE Equatorial, está em operação com estações de recarga rápida — com capacidade de abastecimento em até uma hora — nos municípios de Barra do Ribeiro, Cristal, Pelotas, Rio Grande, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar e Chuí. A iniciativa foi concebida como um corredor de recarga ao longo do estado, conectando o Rio Grande do Sul a rotas já existentes em países vizinhos e em outros estados da região Sul.
Inaugurada em 2023, a rota originalmente incluía também pontos em Eldorado do Sul, Osório e Torres, propondo um caminho de cerca de 1.000 quilômetros do Chuí ao Litoral Norte, com 10 eletropostos de recarga gratuita. O projeto foi aprovado por chamada da Aneel com recursos de R$ 13,8 milhões da CEEE Grupo Equatorial e execução da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). As estações incorporam geração solar, contribuindo para a redução de emissões na operação.
Em Caxias do Sul, terceiro município do RS em número de eletropostos, a prefeitura realizou, no fim de maio, um leilão para permissão de uso de espaços públicos destinados à instalação de cinco estações de recarga. Serão disponibilizadas 10 vagas com recarga simultânea e potência mínima de 40 kW por unidade. O modelo prevê repasse mínimo de 8% do faturamento à prefeitura, além de possibilidade de exploração de publicidade nos equipamentos — sem qualquer custo ao município. A implantação deve ocorrer em até 60 dias após a autorização municipal.
Pedro Schaan, diretor da ABVE, avalia que o RS já oferece condições para viagens intermunicipais com carros elétricos. "Já é possível fazer o trânsito como a gente fazia com o carro a combustão dentro do Rio Grande do Sul", afirmou. Para trajetos mais longos, como até Uruguaiana, ele reconhece que ainda pode haver a necessidade de uma parada extra para recarga — um "perrengue chique", como define .

Indústria do RS fornecedora de hidrelétricas projeta crescer 90% até 2030

Instalada no Norte do RS, Hidroenergia fabrica componentes para hidrelétricas em uma área de 14 mil metros quadrados

Instalada no Norte do RS, Hidroenergia fabrica componentes para hidrelétricas em uma área de 14 mil metros quadrados

Hidroenergia/Divulgação/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterFabricante de componentes para hidrelétricas, a Hidroenergia, indústria de Ijuí, na Região Noroeste Colonial do RS, aposta na transição energética para expandir suas operações. A projeção é chegar a 2030 com um aumento de 90% no faturamento, tomando o ano de 2024 como base. A expectativa é de que o valor cresça dois dígitos ao ano, em uma média projetada em 11,1% a cada exercício. 
"A principal fonte de geração de energia do País é a hidrelétrica, tanto usinas grandes quanto pequenas centrais hidrelétricas (PCH), que é a nossa área. Em 2025, tivemos um leilão de venda de energia, com entregas previstas para 2030, em que 65 PCHs venderam energia. Então, só nos próximos quatro anos, são 65 novas usinas elétricas sendo construídas. Temos que estar preparados para essa demanda que vem", avalia o diretor executivo da Hidroenergia, Rafael Klein.
Para o executivo, os números indicam um crescimento claro do setor de geração de energia hidrelétrica no Brasil, que, na sua avaliação, tem um potencial forte a ser explorado no segmento. No caso do Rio Grande do Sul, o destaque está tanto nas PCHs quanto nas cooperativas de geração de energia. 
"A Certel (com sede em Teutônia, no Vale do Taquari) foi uma das cooperativas que vendeu energia no leilão em agosto passado. Estamos fabricando aqui os equipamentos da PCH Vale do Leite (no Rio Forqueta, entre os municípios de Pouso Novo e Coqueiro Baixo), que é uma das indústrias da Certel que será construída neste ano, com conclusão prevista para o ano que vem. E, como fornecedores, esperamos que o setor invista cada vez mais aqui no Estado, porque vemos que tem uma demanda. Hoje, o Rio Grande do Sul é insuficiente em geração de energia e as hidrelétricas, principalmente as pequenas, vêm para contribuir e mostrar a força do potencial hídrico do Estado", acrescenta Klein. 
Há, ainda, um potencial de mercado na modernização das hidrelétricas já existentes. "O que potencializa o crescimento, além das PCHs, são investimentos em outras fontes de geração, em transmissão, novas subestações e modernização das usinas hidrelétricas. No Brasil, tem algumas muito antigas. Na América Latina, também tem uma força nesse sentido. Estamos modernizando três usinas hidrelétricas na Argentina, atualmente", relata o gestor. 
A internacionalização é justamente estratégica nesse sentido. O processo foi iniciado nos anos 2000 de maneira mais incipiente, com ações pontuais, como o fornecimento de componentes ao Japão. Mas, a partir de 2015, a exportação se mostrou promissora e, hoje, atinge mercados especialmente na América Latina, em países como Argentina, Equador, Colômbia, Peru, Chile e República Dominicana.

Expansão conta com investimentos acima de R$ 13 milhões

A Hidroenergia já está com uma expansão em curso. Neste primeiro momento, entre valores já desembolsados ou em execução, o montante soma R$ 8,36 milhões, utilizados na verticalização da produção e na modernização das plantas fabris. O valor foi obtido via agência de fomento Badesul.
Entretanto, é esperado, também, um aporte de R$ 5 milhões para ampliação da planta atual, em Ijuí, com foco na fabricação de turbinas e geradores, que, hoje, ocupa uma área de 15 mil metros quadrados. Ainda está sendo buscada a viabilização do projeto. 

Empresa atua em parceria com a Unijuí 

A Hidroenergia conta com 239 profissionais, sendo que 40% representa a mão de obra técnica, com engenheiros, projetistas, trabalhadores industriais e de obra. Boa parte desses servidores especializados, foi formada localmente, pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí)
Mas a parceria entre as instituições vai além: há um projeto financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em desenvolvimento. A partir da união, foi criado um sistema com sensores inteligentes, comunicação com banco de dados na nuvem e visualização em dashboard em aplicação web.
O projeto atende a escala TRL — que mede a maturidade de uma tecnologia — em grau 9, o mais elevado, e já foi validado em laboratório e em campo. A iniciativa busca sanar a demanda por sistemas de automação e supervisão para usinas hidrelétricas.

Os produtos fabricados pela Hidroenergia para hidrelétricas

  • Turbinas Hidráulicas
  • Geradores Síncronos e Assíncronos
  • Hidromecânicos, condutos e equipamentos de levantamento
  • Sistemas auxiliares mecânicos e elétricos
  • Reguladores de Velocidade
  • Reguladores de Tensão
  • Painéis de proteção, comando e automação