domingo, 8 de fevereiro de 2026

Confira os investimentos bilionários atraídos pelo Rio Grande do Sul em 2025

Investimento da Petrobras para transformar a Refinaria Rio Grande em biorrefinaria é um dos destaques, com aporte de R$ 6 bilhões

Investimento da Petrobras para transformar a Refinaria Rio Grande em biorrefinaria é um dos destaques, com aporte de R$ 6 bilhões

João Paulo Ceglinski/Divulgação/JC
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Anuário de Investimentos do Rio Grande do Sul 2025 mapeou os principais aportes anunciados ou realizados no Estado durante o ano passado. Ao todo, eles somaram R$ 91,4 bilhões. O caderno especial, publicado nesta quarta-feira (28), identificou mais de 400 empreendimentos em 141 municípios gaúchos.
Desses, 18 são investimentos bilionários. Além disso, 15 municípios conseguiram atrair empreendimentos que, somados, garantem uma cifra de mais de nove dígitos. Porto Alegre, por exemplo, apenas em projetos imobiliários diversos, recebeu um aporte total de R$ 8,3 bilhões. 
Confira a lista dos maiores investimentos anunciados ou realizados no Rio Grande do Sul em 2025:
  1. Petrobras: R$ 6,685 bilhões
  2. CPFL: R$ 4,9 bilhões
  3. Governo do Estado: R$ 4,122 bilhões
  4. CMPC: R$ 3,593 bilhões
  5. Ecovix: R$ 3,075 bilhões
  6. EnergyPro: R$ 2,6 bilhões
  7. Governo Federal: R$ 2,6 bilhões
  8. RGE: R$ 1,7 bilhão
  9. Rio Grande Mineração: R$ 1,7 bilhão
  10. Prefeitura de Porto Alegre: R$ 1,475 bilhão
  11. Corsan/Aegea: R$ 1,4 bilhão
  12. Braspell Bioenergia: R$ 1,4 bilhão
  13. Soli3: R$ 1,25 bilhão
  14. Sirena Gramado: R$ 1,2 bilhão
  15. CEEE Equatorial: R$ 1,1 bilhão
  16. CCR Viasul: R$ 1 bilhão
  17. Tellescom: R$ 1 bilhão
  18. A2B Industrial: R$ 1 bilhão 

1. Petrobras

A Petrobras anunciou em fevereiro a confirmação do plano de conversão, até 2029, da Refinaria Riograndense, em Rio Grande, em biorrefinaria. O investimento total de R$ 6 bilhões foi confirmado pela presidente da estatal. Será a primeira refinaria do País a produzir combustíveis 100% renováveis. Outro destaque é a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, que recebeu aportes na ordem de R$ 685 milhões em 2025. Boa parte do montante destinado à refinaria foi utilizado nos trabalhos da parada de manutenção de unidades do complexo. 

2. CPFL

A CPFL Transmissão anunciou um investimento no Rio Grande do Sul para o ciclo de 2025 a 2029 de R$ 3,9 bilhões, entre modernização de subestações de energia, frota de veículos, expansão de capacidade e substituição de equipamentos como, por exemplo, linhas que já estão depreciadas. O aporte representa mais do que o dobro do aplicado pela empresa até agora pela empresa que assumiu em 2021 os ativos da CEEE-T. Somente em 2025, foram desembolsados R$ 638 milhões. A empresa venceu, ainda, em novembro, o leilão da Aneel para assumir o avanço de 99 quilômetros de linhas de transmissão entre o Norte, Noroeste, Vale do Caí, Vale do Sinos e Serra e subestações que devem absorver R$ 1 bilhão em investimentos em quatro anos a partir da assinatura do contrato. 

3. Governo do Estado

O governo do Rio Grande do Sul investiu R$ 4,122 bilhões em 2025. Os aportes foram turbinados pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). No ano passado, com recursos do Tesouro do Estado, foram empenhados R$ 1,747 bilhão em obras e outras iniciativas. E a maior parte dos aportes em 2025 veio do Funrigs, que permitiu R$ 2,375 bilhões desembolsados entre janeiro e dezembro, com parte dos recursos repassados a municípios. Os dados são da Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão e foram repassados no final do ano passado. Os números são os mais atualizados até o momento, mas ainda parciais, pois terão a atualização final no primeiro trimestre de 2026. Ao todo, o Funrigs conta com R$ 6,1 bilhões em recursos disponíveis entre verbas da suspensão da dívida do Estado com a União e outras transferências. Em 2024, já haviam sido pagos R$ 1,522 bilhão pelo Fundo.

4. CMPC

Com previsão de início das obras da sua nova planta industrial em Barra do Ribeiro, a CMPC desembolsou neste ano, na etapa de licenciamentos do projeto, R$ 200 milhões. Ainda não houve obras físicas diretamente ligadas ao projeto, embora tenham sido acrescidos R$ 3 bilhões ao valor total de R$ 24 bilhões anunciado em 2024. Em Guaíba, onde a multinacional da celulose opera duas plantas, foram desembolsados R$ 370 milhões em 2025, entre custos de manutenção e uma parada programada. A companhia mantém ainda investimentos em projetos sem relação direta com a sua produção. Houve, por exemplo, o lançamento de uma parceria com o Governo do Estado para o Projeto Reflora, que vai plantar seis mil mudas de 30 espécies nativas em regiões severamente atingidas pelas cheias de 2024, com aporte de R$ 7,5 milhões. Há ainda o Instituto CMPC, que teve a pedra fundamental lançada em 2025, no bairro Alegria, em Guaíba. O espaço é voltado à educação e cultura de 300 crianças, com aporte de R$ 16 milhões.

5. Ecovix

No final do ano, foi confirmada pela Transpetro a contratação junto ao Estaleiro Rio Grande para a construção de cinco novas embarcações gaseiras, com investimento previsto de R$ 1,4 bilhão (US$ 270,03 milhões) a serem executados a partir de 2026. A empresa ainda está em fase inicial do projeto de construção de outras quatro embarcações Hady Max, com previsão para a movimentação no estaleiro a partir de 2026. O Grupo Ecovix, por meio da Nova Participações, avança também no seu projeto de gerar energia elétrica a partir de cascas de arroz em Uruguaiana. Serão investidos no total de R$ 65 milhões no projeto, com perspectiva de iniciar a geração no segundo trimestre de 2026. Já em Rio Grande, o mesmo grupo, por meio da Infravix Engenharia, tem projeto para produção de fertilizantes com o uso de hidrogênio verde. O investimento chegará a R$ 810 milhões, com previsão de início das obras em 2026 e produção no ano seguinte.

6. EnergyPro

A empresa EnergyPro anunciou um projeto que pode chegar a R$ 2,6 bilhões em Rio Grande, com parque eólico, usina para geração de energia a partir de casca de arroz e até um data center. A empresa comprou um projeto para o Complexo Gerador Eólico Ventos do Rio Grande, já elaborado e em fase de licenciamento. O complexo terá capacidade de 248 MW, outros 200 MW poderão ser gerados por biomassa. O cronograma da empresa prevê início das obras em julho de 2026, e início das operações comerciais em maio de 2028.

7. Governo Federal

O Governo Federal anunciou, em novembro, um amplo pacote de investimentos para o Rio Grande do Sul, com destaque para o repasse de R$ 590,8 milhões destinados à construção de 2.912 unidades habitacionais em sete municípios, além de R$ 145,18 milhões para a edificação de outras 1.037 moradias por meio de termos de compromisso com prefeituras. As ações incluem ainda R$ 455 milhões para prevenção de desastres e reconstrução de infraestruturas, com aportes específicos de R$ 502 milhões para melhorias no sistema de proteção contra cheias em Porto Alegre e R$ 69,3 milhões em São Leopoldo. No apoio à recuperação pós-enchente de 2024, o Ministério da Agricultura e Pecuária investiu R$ 44,17 milhões na entrega de 153 máquinas a 120 municípios, com previsão de mais R$ 150 milhões em 2025, totalizando R$ 194,17 milhões para a aquisição de equipamentos que auxiliarão as prefeituras na reconstrução do Estado.

8. RGE

Ao todo, a RGE anunciou R$ 1,7 bilhão em investimentos no Estado em 2025. Até 2029, são previstos R$ 8,6 bilhões. Está construindo uma nova subestação em Gravataí, com investimento de R$ 50,2 milhões para beneficiar de forma direta 19,7 mil moradores, além de atender o Complexo da GM, que hoje é abastecido por subestação própria. Será a Subestação Gravataí 4, na avenida Ely Corrêa, às margens da ERS-030. A companhia constrói ainda mais uma subestação em Bento Gonçalves, na Serra, com aportes de R$ 73 milhões e a Subestação Erechim 4, que recebeu R$ 50 milhões em investimentos dentro do plano de expansão da rede elétrica regional, no Norte. Há ainda duas novas subestações em construção em Cruzeiro do Sul e Imigrante, totalizando outros R$ 110 milhões em investimentos.

9. Rio Grande Mineração

A Rio Grande Mineração (RGM) obteve licença de instalação pelo Ibama para levar adiante o seu projeto de extração de minérios de titânio em São José do Norte, no Projeto Retiro. O projeto deve receber até R$ 1,7 bilhão em investimentos, com potencial de geração de 300 empregos. A perspectiva é de que a mina possa estar operando em 2027 em uma área de 1,8 mil hectares para ser explorada por 11 anos.

10. Prefeitura de Porto Alegre

A prefeitura de Porto Alegre investiu R$ 175,6 milhões em 2025 em recursos próprios — desconsiderando fundos ou repasses. Do valor, cerca de 70% foi desembolsado pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), o restante ficou concentrado, principalmente, nas pastas de Educação e de Obras e Infraestrutura. No caso do Dmae, autarquia que será parcialmente concedida à iniciativa privada, foram investidos R$ 124,44 milhões. O Executivo também anunciou em dezembro o chamado POA Futura, um pacote de R$ 7 bilhões em investimentos que virão de nove instituições bancárias e financeiras nacionais e internacionais, sendo R$ 1 bilhão sob gestão do Dmae, com a projeção de transformar a cidade até 2029, em 300 obras e ações. Dentro deste plano, já estão efetivamente em execução a partir de 2025 sete grupos de obras ou ações, representando R$ 1,3 bilhão até 2029.

11. Corsan/Aegea

Corsan/Aegea fechou os primeiros nove meses do ano com investimento total de R$ 1,4 bilhão. Foram em torno de 250 quilômetros avançados em redes coletoras de esgoto, beneficiando quase 20 mil residências. Entre as obras destacadas no ano, estão as conclusões das ETEs Carazinho, Não Me Toque, Cidreira e Santa Maria, as inaugurações das ETAs Santa Cruz do Sul, Panambi e Canela II, em conjunto com uma nova adutora. Seguem ainda obras nas ETEs Viamão, Panambi, Imbé, Estância Velha, além de estações de bombeamento em Tramandaí. A companhia avança ainda, com aporte de R$ 44 milhões em obras na rede e R$ 24 milhões em adaptações na ETE Mampituba, para que Torres, até o final de 2026, se torne o primeiro município do Litoral Norte com acesso universal ao tratamento de esgoto.

12. Braspell Bioenergia

O projeto de uma fábrica de pellets da Braspell Bioenergia, antiga Pellco Brasil, está finalizando seu processo licitatório para poder ser executado no município de Pinheiro Machado, na Região Sul do Estado. Em maio, a iniciativa já tinha as licenças ambientais e aguardava a de instalação. Com um investimento projetado de R$ 1,4 bilhão, a fábrica planeja utilizar cilindros de madeira compactada, chamados pellets, para geração de energia a partir da queima de biomassa. O projeto prevê o plantio de 45 mil hectares de florestas para o fornecimento de matéria-prima, além de uma usina termelétrica.

13. Soli3

As cooperativas Cotrijal, de Não-Me-Toque, Cotrisal, de Sarandi, e Cotripal, de Panambi, definiram o município de Cruz Alta como local onde irão instalar uma usina para extração conjunta de óleo de soja.  A previsão inicial é de que a usina, com investimento de RS$ 1,25 bilhão, entre em operação no final de 2027, beneficiando 1,1 milhão de toneladas anuais. 

14. Sirena Gramado

Com o investimento superior a R$ 1,2 bilhão, o complexo turístico Sirena Gramado ocupará uma área de 205 hectares entre Gramado e o Parque do Caracol. As obras da parte ambiental (supressão vegetal, terraplenagem e implantação de canteiros) iniciaram no mês de outubro de 2025, já as de fundação inicial neste mês de janeiro de 2026. Entre as atrações previstas, estão um hotel all inclusive, a maior pista de esqui outdoor da América Latina, parque de arborismo, jardim botânico, orquidário, trilhas e espaços de contemplação. São esperados, ainda, um local para casamentos, centro de convenções e um conjunto gastronômico, que incluirá restaurantes temáticos, chocolateria artesanal, fábrica de sorvetes e adega com vinhos locais. 

15. CEEE Equatorial

CEEE Equatorial desembolsou R$ 1,1 bilhão em 2025, como parte do pacote de R$ 3,4 bilhões anunciado até 2029. Em janeiro, a concessionária obteve licenciamento ambiental para levar adiante a ampliação da Subestação Rio Grande 2, com aporte de R$ 31,5 milhões e para ampliação da linha de transmissão que ligará as subestações Camaquã 3 e Cerro Grande do Sul. A concessionária investiu ainda R$ 100 milhões em medidas de resiliência climática no ano. Na Capital, a Subestação Porto Alegre 17 absorveu R$ 36 milhões. No final do ano, a empresa anunciou ainda outros R$ 70 milhões de aportes para dar mais segurança ao fornecimento de energia no Litoral para suportar a demanda do verão.

16. CCR Viasul

A concessionária CCR Viasul projetava investir, até o final de 2025, mais de 90% do total de R$ 1 bilhão previsto em aportes nas rodovias que administra no Rio Grande do Sul entre as três frentes de duplicação e outras de recuperação da BR-386, que liga o Norte do Estado, cruzando o Vale do Taquari, até a Região Metropolitana. O valor a ser desembolsado pela concessionária no conjunto de rodovias federais gaúchas, que inclui ainda a BR-290 (Freeway), a BR-448 e o trecho gaúcho da BR-101, representa quase 30% a mais do que os R$ 780 milhões desembolsados ao longo de 2024 e 78% a mais do que o investimento feito há dois anos.

17. Tellescom

A Tellescom assinou em junho de 2025 um protocolo de intenções para instalar em Cachoeirinha uma nova fábrica de semicondutores, com investimentos que devem chegar a R$ 1 bilhão. A estrutura será construída na área onde funcionou a Cientec, junto ao Distrito Industrial do município. A previsão é de que as obras iniciem no segundo semestre de 2026. Um escritório já foi instalado no Tecnopuc para acomodar o primeiro time que iniciará a preparação para implantação da operação, o chamado business setup.

18. A2B Industrial

A antiga Altec Industrial, que passa a se chamar A2B Industrial, passará a alugar robôs para automação industrial no Rio Grande do Sul, a partir da sua sede, em Porto Alegre. Serão investidos R$ 1 bilhão no plano, com recursos provenientes de um fundo privado de investimentos. Trata-se de um projeto para robotizar fábricas na região.