segunda-feira, 8 de junho de 2026

Dirigente da Iata disse que Brasil precisa adotar planos mais robustos para se tornar um produtor relevante de SAF no cenário global

Dirigente da Iata disse que Brasil precisa adotar planos mais robustos para se tornar um produtor relevante de SAF no cenário global

Natalia Mroz/IATA/Divulgação/JC

Nícolas Pasinato
Nícolas PasinatoDo Rio de Janeiro
Dados apresentados pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) durante a Assembleia Geral Anual da Iata (AGM, na sigla em inglês), realizada no Rio de Janeiro (RJ), estimam que o Brasil tem potencial para produzir em torno de 12 milhões de toneladas de combustível sustentável de aviação, o SAF, até 2030 - volume superior à própria demanda nacional - e cerca de 60 milhões até 2050
Em entrevista ao Jornal do Comércio, a líder da área de Pesquisa e Programas de Descarbonização (Net Zero) da Iata, Preeti Jain, destacou o potencial do Brasil para se tornar um dos principais produtores mundiais desse tipo de combustível. Segundo ela, as projeções indicam que o País poderá disponibilizar cerca de 120 milhões de toneladas de biomassa para a produção de SAF até 2030, volume que pode alcançar 150 milhões de toneladas até 2050. 
“Para impulsionar o ecossistema de SAF, vemos que o País pode aproveitar tecnologias já consolidadas, além da cadeia de suprimentos de matérias-primas que já existem atualmente, composta principalmente por lipídios e açúcares”, contextualiza. 
De acordo com Preeti, o Brasil tem condições de aproveitar quase 18 milhões de toneladas de matéria-prima disponíveis em seu território, capazes de gerar aproximadamente 12 milhões de toneladas de SAF. Apesar desse potencial, os projetos atualmente em desenvolvimento no País somam apenas 2,2 milhões de toneladas em iniciativas consideradas confiáveis e com elevada probabilidade de execução.
"Isso significa que cerca de 9 milhões de toneladas de potencial permanecem inexploradas, representando uma oportunidade que poderá ser perdida caso o País não avance com políticas inclusivas e baseadas em incentivos", enfatizou Preeti. 
Na avaliação da responsável pela área de Pesquisa e Programas de Descarbonização (Net Zero) da Iata, o Brasil já conta com uma combinação adequada de instrumentos de política pública. Contudo seria importante que os governos vigentes desenvolvessem planos de implementação mais robustos e adotassem uma abordagem sistêmica a fim de que “todos esses projetos possam efetivamente avançar e transformar o Brasil em um produtor relevante de SAF no cenário global”. 

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