GM lança novo carro fabricado em Gravataí e reacende expectativa no setor automotivo gaúcho

Gabriel Margonar
O Chevrolet Sonic, carro produzido exclusivamente no Rio Grande do Sul, finalmente saiu do papel e começou a chegar às concessionárias brasileiras neste mês, marcando um novo capítulo para a fábrica da General Motors (GM) em Gravataí. Depois de um 2025 marcado por períodos de layoff, paralisações e incertezas sobre o ritmo da produção, o novo SUV cupê passa a simbolizar, agora, uma retomada da expectativa dentro da indústria automotiva gaúcha.
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O modelo começou a ser entregue às revendas no último dia 7 de maio e ganhou exposição nacional nesta semana. Na próxima quarta-feira (20), a marca promove o chamado “Sonic Day”, ação simultânea em praticamente todas as concessionárias Chevrolet do País para apresentar oficialmente o veículo ao público. A estratégia reforça a aposta da montadora em um segmento que hoje concentra uma das maiores disputas do mercado automotivo brasileiro, com a expansão de SUVs compactos e médios.
Produzido em Gravataí em dois turnos diários desde o final do ano passado, o Sonic nasce cercado por um peso simbólico importante para trabalhadores, fornecedores e para o próprio município. O veículo é visto como a principal aposta recente da GM para recuperar competitividade em um mercado cada vez mais pressionado pela entrada de montadoras chinesas e pela transformação tecnológica do setor.
“Para nós, trabalhadores, a esperança é muito grande. Tem muita gente entrando na fábrica e todo mundo quer que esse carro venda”, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Sinmgra), Valcir Ascari.
Segundo ele, o ambiente hoje é completamente diferente do registrado há poucos meses, quando a planta atravessava sucessivos períodos de suspensão de contratos. “O otimismo no chão de fábrica é muito grande”, resume.
Atualmente, o complexo automotivo reúne cerca de 5 mil trabalhadores entre GM e empresas sistemistas. A expectativa do sindicato é de que, caso o Sonic tenha boa aceitação comercial, exista possibilidade futura de ampliação da operação. “Hoje estamos em dois turnos e existe expectativa de buscar um terceiro”, diz Ascari. Embora ainda não haja confirmação oficial sobre novas contratações, a avaliação interna é de que uma expansão desse porte poderia representar centenas de novos empregos diretos e indiretos.
Mas a importância do lançamento vai além da linha de montagem. Em Gravataí, a GM representa praticamente metade da arrecadação vinculada à atividade industrial do município. Por isso, a chegada do novo modelo é acompanhada de perto também pelo poder público.
Segundo o secretário municipal da Fazenda, Planejamento e Orçamento da cidade, Laone Pinedo, o Sonic surge como tentativa de recolocar a montadora em posição de maior protagonismo dentro do mercado brasileiro. “O Onix foi durante muitos anos o carro mais vendido do País, mas perdeu espaço recentemente. A expectativa é que o Sonic ajude a recuperar parte desse mercado”, afirma.
O novo SUV ocupa uma faixa intermediária entre o Onix e o Tracker e chega com valor agregado mais elevado. A expectativa é de preços entre R$ 120 mil e R$ 140 mil, quase o dobro das versões de entrada do hatch compacto produzido na mesma planta gaúcha.
Para a prefeitura, isso pode representar impactos importantes sobre a economia local. A projeção inicial do município é de um incremento mensal entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões apenas em ISSQN ligado às sistemistas que prestam serviços para a montadora. Já os efeitos sobre o ICMS devem aparecer mais adiante, refletindo o faturamento da produção atual.
“Existe uma expectativa muito forte porque o Sonic entra justamente em um segmento que hoje é um dos mais aquecidos do mercado. Além disso, é um veículo de maior valor agregado, o que também movimenta a economia da cidade”, afirma Pinedo.
Com design inspirado em modelos maiores da montadora, como o Equinox EV, o Sonic aposta em linhas mais esportivas, perfil urbano e forte carga tecnológica para disputar "consumidores mais jovens e conectados". O modelo estreia ainda uma nova geração do sistema Chevrolet Intelligent Driving, pacote de assistências de condução que inclui frenagem automática de emergência, manutenção em faixa, alerta de ponto cego e conectividade ampliada via OnStar.
A GM afirma ter investido cerca de R$ 1 bilhão no desenvolvimento do projeto, incluindo engenharia, modernização da fábrica e capacitação de equipes. O veículo foi concebido inteiramente na fábrica de Gravataí em parceria com centros globais de design e tecnologia da companhia.

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