12 DE AGOSTO DE 2026
OPINIÃO RBS
A desconfiança como alerta
A mais recente pesquisa Genial/Quaest sobre a confiança dos brasileiros nas instituições públicas e privadas do país, divulgada no último domingo pelo jornal O Globo, traz subsídios valiosos para os candidatos a cargos públicos na próxima eleição, mas também para os atuais integrantes da administração do país e até para lideranças de organizações privadas.
Consideradas naturais limitações técnicas de um levantamento por amostragem (2.004 pessoas ouvidas), o resultado indica claramente que as principais instâncias dos três poderes - a Presidência da República, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional - continuam sendo vistas com preocupante descrédito por parcela expressiva da população brasileira. É um sinal de alerta que precisa ser considerado: a desconfiança persistente nas instituições públicas corrói a democracia e abre espaço para o autoritarismo.
Um aspecto extremamente significativo da sondagem é a aparição do Pix como instituição mais confiável dos brasileiros, com 80% de indicações. O sistema de pagamentos instantâneos instituído pelo Banco Central - e questionado pelo atual governo norte-americano como concorrência desleal às empresas de cartões de crédito - tem o apoio majoritário da população.
Por quê? Por sua praticidade e eficiência e também por oferecer uma utilidade essencial para os usuários, como deveriam ser todos os serviços públicos. No detalhamento, a pesquisa demonstra também que o Pix detém a confiança de pessoas de todos os segmentos do espectro ideológico.
Depois dele, com alto índice de confiança na visão dos brasileiros entrevistados, aparecem a Igreja Católica (76%), a Polícia Militar (75%), os militares/Forças Armadas (70%) e os bancos (63%). Só então surgem instituições da estrutura administrativa: Presidência da República (57%), STF (50%) e Congresso Nacional (49%).
A imprensa também é colocada nesta faixa pelos brasileiros consultados, com 50% de aprovação, indicativo de que precisa continuar investindo em precisão, transparência e credibilidade. Nas últimas posições do novo ranking aparecem os partidos políticos (44%) e as redes sociais (41%).
Cabe considerar que as instituições políticas, embora mal cotadas, apresentaram leve melhora em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, realizado em 2023. Mas o sistema político brasileiro carece de reformas estruturais aprofundadas para que os cidadãos passem a confiar mais nos seus representantes, com ações efetivas de aumento da transparência orçamentária, respeito às regras democráticas, combate à corrupção e prestação de serviços essenciais.
Aferições sistemáticas como o recente levantamento comprovam que todas as instituições nacionais - públicas e privadas - têm margem para aperfeiçoamento. Indicam, ainda, que os brasileiros precisam exercer melhor os seus direitos de cidadania, não apenas cobrando honestidade e eficiência dos entes políticos, mas também participando ativamente da vida do país - informando-se adequadamente, votando com consciência e acompanhando atentamente o trabalho dos seus representantes na administração pública.

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