16 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira
Supremo escreve página infeliz da sua história
Quem assistiu à sessão histórica do Supremo Tribunal Federal neste 15 de setembro saiu com a sensação de que a instituição encolheu durante as oito horas da sessão que deveria decidir se autorizaria ou não a investigação do ministro Alexandre de Moraes. Parafraseando Chico Buarque e Francis Hime, na icônica Vai passar, os ministros escreveram uma "página infeliz" da história da Suprema Corte.
A imagem do STF está sendo queimada na fogueira das vaidades acesa por homens que ignoram a voz das ruas e, do alto da sua arrogância, não percebem que estão abrindo uma cratera.
Os ministros aliados de Alexandre de Moraes foram para a sessão pintados para a guerra com André Mendonça. Gilmar Mendes e Flávio Dino deram o tom da ópera bufa, valendo-se da fragilidade e da falta de pulso do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Desde o início, deixaram claro que a estratégia era "melar a investigação".
O dia todo foi gasto nas chamadas preliminares, uma questão de ordem sobre a conveniência de tratar o caso Moraes na sessão desta terça-feira e a suspeição de Mendonça na próxima semana.
O decano Gilmar Mendes foi grosseiro com André Mendonça, acusou o ministro de direcionar a investigação do caso Master para favorecer um grupo político - o de Flávio Bolsonaro (PL), no caso. Moraes, em vez de se defender das acusações, ateve-se a questões formais, e votou como se não fosse parte interessada. Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques se declararam impedidos, usando subterfúgios para não dizer dos verdadeiros motivos da suspeição.
No momento em que o caldo entornou, com gritaria entre os ministros, Dino pediu vista, empurrando o caso para um tempo que pode chegar a 90 dias. E fez declarações gravíssimas sobre o Judiciário e sobre os colegas. Disse que nunca se viu tanta corrupção no Judiciário e que, com o levantamento do sigilo do telefone de Vorcaro, vão surgir acusações graves contra outros ministros, citando Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, como os próximos a integrar o grupo que já tem Moraes, Toffoli e Mendonça. _
Cármen Lúcia dá lição de decência aos colegas da Corte
Mais uma vez, veio dela, a ministra Cármen Lúcia, um dos raros momentos elevados na sessão do Supremo Tribunal Federal em que predominou a baixaria. Última a votar na sessão em que se discutia a abertura da investigação do ministro Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia deu uma lição de civilidade aos colegas que em alguns momentos se comportaram como colegiais mal-educados.
A ministra teve a dignidade de pedir desculpas ao povo brasileiro por não ter conseguido evitar que o Supremo provocasse o que ela chamou de "mal-estar cívico". Com voz calma, disse que estava vivendo um momento de profunda consternação.
- Sinto-me envergonhada. A menos de 20 dias da eleição estão todos voltados para o STF. É disso que se fala nas farmácias, nas padarias, nos telejornais. Não é um quadro bonito. Se eu, como juíza desta Casa, fui omissa para ter ajudado mais, estou pedindo desculpas aos colegas e ao povo brasileiro. Houve uma espetacularização desses casos, desta sessão mesmo, que faz mal ao país. O país espera de nós uma tranquilidade que não conseguimos dar.
Compromisso com a Justiça
Em outro ponto de sua fala, Cármen Lúcia se definiu como "uma velha avulsa", que não está em um grupo ou outro. Disse que não sofreu pressões internas nem externas. E disse que ministros não podem votar com base no clamor público.
- Eu cumprirei meu dever como juíza - disse Cármen Lúcia, antecipando seu voto pela apreciação em separado das petições contra Alexandre de Moraes e André Mendonça. _
Alta nas receitas não evita previsão de déficit em 2027
Com previsão de alta nas receitas e mais de R$ 6 bilhões para investimentos e inversões financeiras no ano de 2027, o projeto da lei orçamentária anual (LOA) foi enviado pelo governo do Estado na tarde de ontem. Pela última vez, o governador Eduardo Leite foi à Assembleia Legislativa para entregar uma cópia do documento, dessa vez ao deputado Cláudio Tatsch (PL), que representou o presidente Sergio Peres (Republicanos) no ato.
Os deputados devem votar a lei até o final de novembro. A LOA passa pela Comissão de Finanças antes de ser analisada em plenário.
Apesar do aumento na arrecadação em relação a este ano, o orçamento do governo do Estado tem previsão de encerrar 2027 com um déficit primário de R$ 4,8 bilhões. Leite minimizou a estimativa, lembrando que os cálculos para 2024 e 2025 também previam as contas no vermelho, mas o governo encerrou os dois anos com superávit. O cálculo pessimista, que leva em conta possíveis gastos extraordinários, vem sendo adotado nos últimos anos pela Fazenda.
- Não há passivos escondidos, mas um desafio conhecido - enfatizou Leite.
O orçamento prevê R$ 15 bilhões para a educação, R$ 9,36 bilhões para a saúde e R$ 12,29 bilhões para a segurança pública. Para ações relacionadas a eventos climáticos extremos, R$ 1,98 bilhão. _
Com críticas ao STF, Gabriel Souza e Rigotto fazem ato no "dia do 15"
Caminhadas, carreatas, bandeiraços e adesivaços do MDB ao redor do Estado marcaram o "dia do 15", ontem, em alusão ao número do partido. Em Porto Alegre, no Largo dos Açorianos, o candidato a governador Gabriel Souza conduziu um ato ao lado de Germano Rigotto, que concorre ao Senado, e aliados do PSD, como seu vice, Ernani Polo, Frederico Antunes, que também disputa o Senado, e o governador Eduardo Leite.
Gabriel enalteceu a presença das centenas de militantes e o trabalho corpo a corpo que vêm realizando na campanha. O vice-governador falou sobre os investimentos do governo estadual e, ao pedir votos para os candidatos da chapa a senador, criticou o STF.
- Aqui estamos trabalhando, mas lá em Brasília está uma vergonha - disparou.
Rigotto convocou os militantes para uma vaia coletiva, direcionada ao Supremo, e classificou como uma "vergonha" a crise envolvendo os ministros da Corte.

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