sábado, 3 de outubro de 2026

03 de Outubro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Campanha presidencial termina de forma melancólica

Chegou ao fim uma das campanhas presidenciais mais dramáticas da história recente do Brasil. Os dois candidatos com possibilidade de chegar ao segundo turno ou até de vencer no primeiro são rejeitados por metade dos eleitores, de acordo com todas as pesquisas de intenção de voto. Quem ganhar terá de creditar a vitória à parcela do eleitorado que, por medo de um, votou no outro.

Esse país partido ao meio não foi capaz de produzir uma alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo, duas correntes nascidas da adoração a uma personalidade e não aos princípios de um partido político.

As legendas, de um modo geral, vivem um processo de degeneração, com seus dirigentes mais preocupados em eleger bancadas numerosas para ganhar mais dinheiro dos fundos partidário e eleitoral, sem apresentar um projeto de país.

Faltou profundidade

O que mais se discutiu na campanha presidencial foram os escândalos nos quais os candidatos se envolveram e as intervenções indevidas do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral no processo. Isso explica a apatia do eleitor médio, aquele que não morre de paixão por Lula ou pela família Bolsonaro e que votará sem entusiasmo no que considera o menos pior.

Como as eleições de presidente, governador e senador catalisam as atenções, milhões de eleitores chegam a 4 de outubro sem saber em quem votar para deputado estadual e federal. São eleições relegadas a segundo plano, mas que deveriam merecer mais atenção, pela importância de eleger uma bancada ativa, comprometida com as questões que dizem respeito ao presente e ao futuro do Estado e do país.

Com pouco espaço no rádio e na TV, as campanhas de deputado estadual e federal se limitaram às redes sociais, aos wind banners espalhados por quem tem dinheiro (em geral os que disputam a reeleição). No rádio e na TV, a lembrança que fica é de um desfile de rostos dizendo seu nome, número e palavras vazias. E são esses que farão as leis, fiscalizarão o Executivo, discutirão orçamentos - e distribuirão emendas, porque acabar com essa aberração não está nos planos de ninguém. _

Postulantes ao governo do RS miram indecisos a poucas horas do primeiro turno

Candidatos que mais arrecadaram

A despeito do resultado das pesquisas, que mostram Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) à frente, é com cautela que os candidatos ao governo do RS chegam para o primeiro turno. Cientes de que um quarto do eleitorado gaúcho ainda está indeciso, segundo a última pesquisa Quaest, Zucco e Juliana usarão as últimas horas antes da votação para campanha nas ruas da Região Metropolitana - onde fica a maior concentração de eleitores do Estado.

A mesma estratégia será adotada por Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB), ainda esperançosos com a possibilidade de uma surpresa de última hora.

Leite foi escalado e percorrerá ruas de Porto Alegre neste sábado em um caminhão de som ao lado de Gabriel, assim como o prefeito Sebastião Melo.

Juliana e Edegar Pretto (PT), seu vice, fizeram ato na Esquina Democrática na sexta, e no sábado se dividem em duas carreatas pela Região Metropolitana. As duas mobilizações se encontram no Largo Zumbi dos Palmares, no fim do dia, para o encerramento da campanha.

A Capital também será palco para a campanha de Zucco, que ainda dará um pulo em Viamão no sábado. No fim da tarde, o candidato do PL comanda ato de encerramento da campanha no Parcão.

Maranata concentra apoiadores em carreatas que vão percorrer Porto Alegre e Guaíba neste sábado, mesmo roteiro escolhido para a sexta. _

Além das pesquisas, Luciano Zucco e Juliana Brizola lideram também o ranking dos candidatos ao governo do RS que mais receberam recursos para a campanha.

Zucco recebeu R$ 11,57 milhões do PL, do PP e do Podemos, além de pessoas físicas. Juliana captou R$ 11,51 milhões, quase tudo do PDT.

Confira a lista de quanto entrou nas contas dos candidatos ao governo e ao Senado. _

Luciano Zucco (PL) R$ 11.570.005,00

Juliana Brizola (PDT) R$ 11.512.400,00

Gabriel Souza (MDB) R$ 8.167.550,00

Marcelo Maranata (PSDB) R$ 2.255.000,00

Senado

Ubiratan Sanderson (PL) R$ 4.718.497,00

Paulo Pimenta (PT) R$ 4.709.770,77

Manuela d?Ávila (PSOL) R$ 4.580.199,16

Marcel van Hattem (Novo) R$ 4.381.069,35

Germano Rigotto (MDB) R$ 3.873.000,00

Frederico Antunes (PSD) R$ 2.994.271,60

Renato Jaguarão (Cidadania) R$ 102.000,00

Milton Cardoso (PSDB) R$ 24.914,09

POLÍTICA E PODER

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