sábado, 10 de junho de 2023


10 DE JUNHO DE 2023
CLAUDIA TAJES

Saber sofrer

Se eu tivesse a menor vocação para coach, faria minhas palestras motivacionais em cima dessa expressão muito usada no futebol, mas que serve para tudo. Saber sofrer.

Se possível, bem que eu gostaria de não ter aprendido a matéria, mas viver sem sofrer é para os fracos. Só mesmo a pessoa sendo transportada para uma bolha assim que chega ao mundo para não sofrer.

Não que o isolamento não seja uma pena, como sabemos. Dizem que o rei Charles, aka príncipe Charles, foi poupado de todos os dissabores pela entourage que o cercou desde criancinha. Resultado: dorme até hoje com seu ursinho de pelúcia da infância. Não sei o que isso significa, mas que é estranho, é.

Sofrer faz parte, infelizmente. São os sofrimentos superados que fazem da gente essa fortaleza que balança, mas não cai. Ou que cai, mas se levanta.

E nem me refiro aqui ao mais trágico dos sofrimentos, a perda de alguém, que vai doer para sempre, por mais que o tempo passe. Perdas, quais sejam, são sofrimentos que não se aprende, nem se esquece. Proust: "Só se cura um sofrimento depois de suportá-lo até o fim". Espera-se que até o fim do sofrimento, não do sofredor.

O sofrimento também acaba sendo essencial para a arte, quase uma estética. Sem ele, as maiores obras-primas não existiriam. Literatura, pintura, teatro, música, cinema, até mesmo uma linha escrita na porta do banheiro mais imundo do bar mais mequetrefe. O sofrimento não só ajuda a criar, como a purgar.

Pessoalmente, quando passo por dificuldades, gosto de ler frases sobre o sofrimento para me consolar. Penso: se o meu sofrimento não rendeu pelo menos uma frase boa, então estou sofrendo de barriga cheia.

Dante: "Não há dor maior do que nos recordarmos dos dias felizes quando estamos na miséria". Chico: "Quando chegar o momento/ esse meu sofrimento/ vou cobrar com juros". Bandeira: "Eu faço versos como quem morre". Imagine o que tem de dor nesse verso de um poema que se chama Desencanto. Batatinha: "Meu desespero ninguém vê/ Sou diplomado em matéria de sofrer".

Saber sofrer, no futebol, é aguentar a pressão, o calor, o bafo na nuca. É não desistir se tomar um gol e continuar indo para cima, mesmo que isso signifique levar outro gol. É correr atrás e não desistir. Se eu tivesse a menor vocação para coach, trataria de fazer minha palestra motivacional em cima desse conceito, e ilustraria o power point com a imagem da maratonista Gabriela Andersen cruzando a linha de chegada toda estropiada, mas sem desistir, nas Olimpíadas de 1984, e preencheria as outras lâminas com flores se abrindo, pássaros voando e o sol se pondo no Guaíba.

Mas que nada. Sigo aqui, lendo minhas pílulas de sofrimento, como em Convite Triste, do Drummond:

"Meu amigo, vamos sofrer, vamos beber, vamos ler jornal, vamos dizer que a vida é ruim, meu amigo, vamos sofrer". Mas vamos fazer tudo isso com sabedoria, para tirar 10 com estrelinha em sofrimento. E depois recomeçar. Ah, se eu tivesse vocação para coach.

CLAUDIA TAJES

10 DE JUNHO DE 2023
NO ATAQUE

O ÚLTIMO DOS MOICANOS

novak djokovic é o remanescente de uma geração genial, que contou com roger federer e rafael nadal, já aposentados

No final do ano passado, Roger Federer se despediu do tênis, e a cena dele de mãos dadas com Rafael Nadal, os dois chorando juntos de saudade dos confrontos lendários que não voltam mais comoveu até o mais frio dos psicopatas. Meses depois, o touro miura anunciou aposentadoria. Será no ano que vem, se o corpo castigado pelo esforço físico descomunal que sempre o marcou não antecipar planos. No futebol, a Copa do Catar nos mostrou um CR7 reserva. Messi optou pelo esquálido Inter Miami, lanterna da MLS, pensando no futuro empresarial pós-carreira após a consagração do título mundial com a Argentina. Na NBA, LeBron James. O judoca francês Teddy Rinner, gigante invencível dos pesados, cogita deixar os tatames.

Isso sem falar em Tom Brady, que parte conhece como ex- marido da Gisele Bündchen. Ele se aposentou, voltou e agora largou a NFL de vez na condição de Pelé do futebol americano. Ah, e tem Lewis Hamilton, extraterrestre das pistas de corrida. O que esses atletas têm em comum, além de serem trintões, alguns quase quarentões? Tom tem 45; LeBron e Lewis, 38. São todos geniais. Não muitos bons, excelentes, craques ou extraclasses. Falo daquele nível técnico, físico e mental que várias vezes nos fez duvidar da condição humana, liberando conjecturas sobrenaturais em meio a tantas façanhas improváveis e contínuas. Uma página única na história do esporte está perto de terminar. Nunca se viu tantos gênios em ação juntos como na última década.

Só no tênis foram três esquartejando 90% dos torneios. Federer, Nadal e ele, Novak Djokovic, o último dos moicanos desta geração em várias modalidades. Ainda na ativa, Djoko fará a final de Roland Garros neste domingo contra o norueguês Casper Ruud. O sérvio despachou na semifinal o fenômeno espanhol Carlos Alcaraz, 20, que deve ocupar sozinho a prateleira mítica ocupada pelo trio no próximo ciclo. Se for campeão, Djoko terá conquistado o seu 23º Grand Slam, superando os 22 de Nadal, recorde que ele já poderia ter superado. Ao cometer o erro grave de não se vacinar contra covid, viu-se obrigado a abrir mão de alguns torneios, incluindo os mais importantes. Aqui, uma explicação que, aposto, você está se perguntando. Por que ele não quis se vacinar?

Rótulo

Djoko nunca esmiuçou a respeito, mas o motivo para ser contra a imunização não seria político. Vegano, ele é filosófica e radicalmente contra aceitar o ingresso de algo externo industrializado e químico no próprio corpo. Por isso rejeita o rótulo de antivacina. Há pessoas de esquerda que comungam dessa lógica. Incompreensível. Com ou sem ideologia, o fato é que se trata de um gênio. Aos 36 anos, esticou o auge físico com alimentação e sistemática de treinos espartanas. Djokovic é o último dos moicanos de uma geração de gênios da qual sentiremos saudade. No basquete, há um novo LeBron ou Steph Curry? Jamel "Ja" Morant, talvez? Não sei. No futebol, certo que não há alguém da estirpe extraterrestre de Messi ou CR7 no momento.

Vai ser duro ver gente normal em ação, até porque só lá na frente um novo talento poderá ser medido com cada um desses fenômenos, tal a longevidade em altíssimo nível alcançada por eles, traduzida em títulos e recordes. Tomara que eu não vire um daqueles chatos sempre prontos a dizer "ah, é que você não viu fulano", incomodado com aquele gol que não veio, a cesta de três ausente no último milésimo, o winner de backhand na linha que saiu ou o ippon com os corpos no ar que virou vitória de wazari ou por punição.

Por enquanto, neste fim de semana na França, ainda há Djokovic, o último moicano. E depois?

DIOGO OLIVIER


10 DE JUNHO DE 2023
GRÊMIO

AGORA EM CARNE E OSSO

suárez encontra pela primeira vez com a camisa do grêmio o maracanã, estádio histórico também para os uruguaios

Por uma daquelas incredulidades do destino, quando a família Suárez mudou-se de Salto, interior do Uruguai, para a capital Montevidéu, foi morar em uma casa humilde no beco "Pasaje de la Via", onde antigamente passava uma linha de trem. Na mesma residência, no bairro La Comercial, muitas décadas antes, viveu Obdulio Varela, capitão uruguaio na conquista da Copa do Mundo de 1950 e considerado um dos maiores jogadores da história do país.

O local fica muito perto do Estádio Centenário, onde ambos têm o nome marcado na história. Varela, porém, tem algo mais. No Maracanazo, a conquista de 1950 diante da Seleção Brasileira, Schiaffino e Ghiggia marcaram os gols do 2 a 1 para a Celeste, porém foi Obdulio Varela, o Chefe, quem ergueu a Jules Rimet e representou a Banda Oriental com seu futebol caracterizado por muito combate. Luis Suárez, no Maracanã, quer seguir os passos da referência e também deixar sua marca no estádio mais famoso do mundo. Uma dessas oportunidades será no Flamengo e Grêmio, domingo, às 18h30min.

É verdade que a história poderia ser outra se o Flamengo tivesse contratado Suárez no início do século. O jogador, que na época tinha 17 anos, confirmou que o interesse do clube carioca foi real, mas que ele não teve um bom desempenho diante dos olheiros e foi descartado. Porém, como não aconteceu, ele irá apenas para o seu terceiro jogo na carreira no Rio de Janeiro. Um foi no Estádio Nilton Santos, quando o Uruguai venceu o Paraguai por 1 a 0 na Copa América de 2021, e o outro foi no Maracanã, quando a seleção uruguaia encarou o Chile, na Copa América, em 2019.

É neste dia que ocorre uma das cenas mais engraçadas da carreira de Suárez. Ao receber um passe em profundidade, ele consegue driblar o goleiro Santiago Árias. No entanto, se desequilibra antes da finalização e permite que o chileno se recupere no lance.

Mão?

Suárez chuta, Árias ergue o braço esquerdo e desvia a bola para a linha de fundo. O uruguaio, sem perceber que se tratava do goleiro, imediatamente se vira para o árbitro Raphael Claus e pede pênalti, sinalizando um toque de mão.

O jogo era dramático. Valia a liderança do Grupo E, por consequência, uma fuga do Brasil nas quartas de final. Aos 36 minutos do segundo tempo, Suárez preparou a jogada que terminou com Jonathan Rodriguez cruzando e Edinson Cavani mandando para as redes, garantindo a vitória por 1 a 0 do Uruguai. O plano de estar na decisão e conquistar um título no Maracanã, palco de uma das maiores glórias uruguaias, acabou não acontecendo, já que o Pistolero perdeu um pênalti na decisão das quartas de final contra o Peru e a Celeste voltou para casa mais cedo.

- Jogar a final no Maracanã seria incrí­vel. Um sonho para todos os uruguaios - disse Suárez antes do início daquela Copa América.

Foi também no Templo do Futebol, entretanto, que Suárez sofreu as consequências de um dos dias mais tristes de sua carreira. Na Copa do Mundo de 2014, o estádio era a sede do Comitê Disciplinar da Fifa. E foi este comitê que baniu o uruguaio da competição e lhe aplicou uma pena pesada pela mordida no zagueiro Chiellini no confronto contra a Itália, na fase de grupos, que classificou o Uruguai para disputar as oitavas de final contra a Colômbia justamente no Maracanã.

Em campo, Diego Forlán foi seu substituto. Nas arquibancadas, milhares de uruguaios lhe representaram usando máscaras com seu rosto, em forma de apoio ao centroavante. Até mesmo os brasileiros brincaram com a situação. O "Olê, olê, olê, Suárez, Suárez!" ecoava no Rio de Janeiro, mas quem brilhou naquela noite foi James Rodriguez, que colocou os colombianos nas quartas de final.

Quase quatro anos depois da vitória sobre o Chile, Luis Suárez estará de volta ao Maracanã, dessa vez representando o Grêmio. Além de balançar as redes pela primeira vez no templo do futebol mundial, ele também quer marcar seu primeiro gol fora de casa pelo Tricolor em competições nacionais. Dos 14 gols marcados na temporada, apenas dois foram marcados longe da Arena - contra Caxias e Ypiranga, pelo Gauchão. 

PEDRO PETRUCCI


10 DE JUNHO DE 2023
CENTRO HISTÓRICO

Reforma da General Câmara passa por reavaliação do Iphan

Os planos para reformar parte da Rua General Câmara, também chamada de Ladeira, no Centro Histórico de Porto Alegre, lançados em janeiro de 2022 pela prefeitura, passam por uma reavaliação por parte do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo a Secretaria Municipal de Planejamento e Assuntos Estratégicos (SMPAE), uma obra de arte homenageando o cantor e compositor Lupicínio Rodrigues foi incluída em uma segunda versão do projeto, em análise pelo órgão.

Ainda que a parede recebesse a pintura em homenagem ao compositor do hino do Grêmio e de clássicos da música brasileira, como Felicidade, a rua é parte do perímetro vizinho ao chamado Sítio Histórico da Praça da Matriz, local tombado pelo Iphan como patrimônio nacional, o que demanda supervisão da autarquia federal em qualquer intervenção arquitetônica na região.

Assim, ainda não há uma previsão de início das obras, nem uma definição sobre o projeto final que será ou não aprovado pelo Iphan após as atualizações mais recentes. O responsável pela pasta, Cézar Schirmer, está otimista quanto à aceitação dos parâmetros e execução das melhorias. O pedido mais recente de alteração no projeto é sobre a pintura de um mural colorido na parede de tijolos à vista que dobra a esquina do número 340 da General Câmara com a Andrade Neves.

- Contamos com a boa vontade do Iphan, é um projeto que está bem avançado - comenta.

Eixo

As melhorias originais incluíam pinturas de sinalização no chão, troca das vagas de estacionamento por áreas para circulação e convivência de pedestres. A ideia de Schirmer é que exista um eixo de atrações turísticas e culturais entre a Praça da Matriz e o pórtico principal de entrada do Cais Mauá.

- A ideia é qualificar todo o corredor entre o Palácio Piratini e a Catedral Metropolitana em direção ao Cais, pela Andradas, a Praça da Alfândega e a Avenida Sepúlveda. São cerca de 600 metros de estruturas qualificadas que queremos entregar à cidade - projeta o secretário.

No começo de 2022, o projeto era orçado em R$ 310 mil. Por ainda não haver a assinatura do contrato que celebra a parceria entre o executivo municipal e a empresa interessada em financiar as obras, o nome dela ainda não foi divulgado pela secretaria. ROGER SILVA


10 DE JUNHO DE 2023
DESPERDÍCIO NA EDUCAÇÃO

Vereadores travam batalha para criar CPI

Uma batalha pela instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar supostas irregularidades na Secretaria Municipal de Educação (Smed) tomou as articulações nos bastidores da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Dois requerimentos foram protocolados na última segunda- feira, um dos governistas e outro da ala independente com apoio da oposição, e a disputa passou a ser sobre qual deles irá prevalecer.

Em uma situação considerada inusitada, há dúvidas sobre a possibilidade de as duas CPIs funcionarem de forma simultânea, tendo objetos semelhantes. Na próxima segunda-feira, está prevista a chegada dos requerimentos na Procuradoria da Câmara, ambos com as 12 assinaturas necessárias, para a análise dos requisitos jurídicos e formais que precedem a instalação de uma comissão parlamentar. Os fatos ocorrem na esteira das reportagens do Grupo de Investigação da RBS (GDI) que revelaram situações de desperdício de dinheiro público após compras da Smed. Milhares de livros, kits pedagógicos e chromebooks adquiridos pelo governo do prefeito Sebastião Melo em 2022 estão em desuso, acondicionados precariamente em escolas e em um galpão da Smed.

Nos corredores da Câmara, já era de conhecimento dos vereadores que Mari Pimentel (Novo) estava colhendo assinaturas para uma investigação a respeito de supostas irregularidades. Ao perceber que a consumação era questão de tempo, o líder do governo, Idenir Cecchim (MDB), se antecipou e anunciou em plenário, no dia 5, que tinha os apoios necessários para uma CPI. Foi uma estratégia para manter o controle da apuração e os principais postos da comissão, de relator e de presidente, em mãos de governistas. O requerimento de Cecchim propunha, em dois parágrafos, "apurar supostas irregularidades na aquisição de telas interativas pelo valor de R$ 6 milhões e de materiais didáticos sem uso pelos alunos da rede municipal". Telas interativas são como lousas digitais, afixadas em sala de aula para atividades pedagógicas.

Após a manobra de Cecchim, Mari também apresentou um requerimento contendo as 12 assinaturas, sendo 10 delas de oposicionistas de esquerda. O pedido de investigação da vereadora do Novo, em seis páginas, descreve 12 itens a serem apurados, incluindo supostas "obras fantasmas em escolas" e alegados "sobrepreços" e "direcionamentos" de compras.

Embate

Com as duas CPIs protocoladas, Cecchim fez, na quarta-feira, um aditamento ao seu pedido original de apuração. Ele disse que a intenção era "alargar o escopo" e, para isso, acrescentou os 12 itens do requerimento de Mari. Foi deflagrada, na sequência, uma batalha a respeito de qual linha irá prevalecer. Na sexta-feira, após reunião ordinária da base aliada com Melo, Cecchim afirmou que somente a comissão requerida por ele pode ser instalada. A tese é de que a apuração pleiteada por Mari perdeu o objeto.

- Eles (Mari e oposição) chegaram depois. Fiz o pedido porque o governo quer trazer à luz todos os questionamentos. Na segunda, vou à tribuna dizer que não quero ser o presidente da CPI. Renuncio a esse direito. A comissão não pode ser presidida pelo líder do governo, para não ser chapa-branca. Vamos escolher outro presidente, mas é fato que não há sentido em ter duas CPIs com o mesmo assunto. O regimento é assim. A primeira é a que vale - afirma Cecchim.

O emedebista, um dos políticos mais próximos de Melo, não quis antecipar o nome de um possível presidente da comissão em caso de a sua teoria sair vitoriosa. Ele avaliou que, antes de apontar um candidato, é preciso aguardar o parecer da Procuradoria da Câmara.

"Covardia"

Mari rebate e diz que, no sistema digital de tramitação de procedimentos e projetos da Câmara, o SEI, o seu requerimento foi protocolado quatro minutos antes do de Cecchim. Destaca que, dois dias depois, o emedebista fez um aditamento para contemplar os pedidos de investigação listados por ela.

- Eles acharam que só iríamos fiscalizar as telas interativas. Quando viram que tínhamos 12 itens, ficaram apavorados. Em ato de extrema covardia, copiaram os itens da nossa CPI para fazer um adendo. O legítimo copia e cola. Não tiveram a capacidade de saber o que acontecia com a educação de Porto Alegre - diz a vereadora.

Para ela, o ofício do líder do governo não atende todos os requisitos para ser confirmado. Um dos motivos disso seria por, supostamente, ter objeto vago de apuração no protocolo original.

O procurador-geral da Câmara, Renan Sobreiro, afirma que é preciso analisar o caso juridicamente. Por isso, refuta qualquer comentário sobre o mérito.

- Apenas posso registrar que não me recordo de uma situação parecida. Provavelmente a Câmara de Porto Alegre ainda não enfrentou esse tema - comentou Sobreiro.

Somente na compra de livros de dois fornecedores, chromebooks e kits pedagógicos, incluindo os que estão em uso regular, a Smed investiu mais de R$ 100 milhões em 2022.

CARLOS ROLLSING

sábado, 3 de junho de 2023


02/06/2023 - 09h00min
Martha Medeiros

O fascinante mundo normal

O mundo gira e ando exausta de tantos fatos insólitos, então saio de fininho. Três quadradinhos de uma barra 80% cacau e um pequeno cálice de Lemoncello ou Cointreau, lá pelas 10 da noite, e a felicidade, tão metida a difícil, se senta ao meu lado e puxa conversa

Deram para surgir espinhas no meu rosto a essa altura da vida. Deve ser o chocolate amargo. Três quadradinhos de uma barra 80% cacau e um pequeno cálice de Lemoncello ou Cointreau, lá pelas 10 da noite, e a felicidade, tão metida a difícil, se senta ao meu lado e puxa conversa.  

Aciono o portão da garagem com o controle remoto e, enquanto a operação não se conclui, abro o Spotify e escolho uma música aleatória na playlist. Saio com o carro sonorizado e a sensação de que vou pegar a estrada, o que não é verdade, estou apenas indo ao mercado, mas na minha imaginação a mochila está jogada no banco de trás e em poucas horas verei o mar.

Sonolenta em frente ao computador, entra um áudio de oito minutos de uma amiga que mora fora do Brasil, e eu que, ao contrário de tanta gente, adoro um áudio longo, sem jamais acelerar a gravação, me atiro no sofá rindo sozinha das maluquices que ela apronta e me comovo com a perícia com que ela usa as palavras, e no mesmo instante respondo com um áudio mais longo ainda, e a gente fica o resto da tarde nessa visita sonora e vadia que salva nossa quinta-feira, ou quarta, ou terça.    

Em frente aos cabides que eu queria que fossem de madeira, mas são de plástico, seguro a ponta da toalha que encobre meu corpo úmido enquanto escolho com que roupa eu vou, e não estou indo para nenhuma balada, e sim a um cinema em que ficarei no escuro, mas valorizo o ritual de me vestir de acordo com meu espírito, mais do que com a temperatura lá fora, o que me faz, às vezes, colocar uma jaqueta em dias escaldantes, sempre a alma na contramão – nunca fiz selfies dentro do elevador.   

O namorado custa a visualizar minhas mensagens no WhatsApp e me irrito por essa bobagem, prendo e solto o cabelo que ainda não cortei, as canetas somem, nunca sei o volume de água que minhas orquídeas precisam, leio as projeções de uma astróloga americana e meu inglês vem melhorando, mas sobre meu futuro, só sei que daqui a três dias jantarei na casa de uma amiga que cozinha melhor do que qualquer Masterchef.

Segunda passada acordei com uma angústia que até me assustou, no dia seguinte passou. Ainda não sei que título colocar em meu novo livro, minhas unhas não crescem desde a pandemia, acho que foi pelo excesso de álcool gel, mas pode ser falta de vitamina. O mundo gira e ando exausta de tantos fatos insólitos, então saio de fininho. Chocolate amargo não é ruim como pensam. Tomara que toque agora uma música que dê vontade de viajar. Nasci privilegiada, mas tem dedo meu nesta serenidade. Não dou muito trabalho ao meu anjo da guarda, Leão e Capricórnio se complementam no meu mapa astral e, sinceramente, ando de boa com a vida banal.


27/05/2023 - 09h00min
CLAUDIA TAJES

Se milhares de pessoas gritam ofensas racistas e ninguém reage, então todos são racistas

Agora eu pergunto: quantos tiveram nomes e fotos expostos em sites? Eu respondo pra facilitar: zero

O problema é que o preto retinto que ele é continuou a fazer mal, dentro de campo, aos adversários; E isso o branco espanhol, pelo jeito, não perdoou

Vinícius Junior, que no Brasil era chamado de Vini Malvadeza pelo estrago que fazia nas defesas alheias, parou de usar esse apelido no Exterior para não ter alguma conotação negativa associada ao seu nome. O problema é que o preto retinto que ele é continuou a fazer mal – dentro de campo – aos adversários. E isso o branco espanhol, pelo jeito, não perdoou.

Vini Jr., 22 anos. Imagine o seu filho de 22 anos sendo ofendido por um estádio inteiro. Foi o que eu disse para um conhecido, que relativizou. “Ah, jogador de futebol está acostumado a ser xingado, sem falar que eles ganham milhões, o dinheiro compensa. Amanhã ele já esqueceu”. Será que o filho dele esqueceria?

Tem o ditado alemão que a gente volta e meia repete: se 10 pessoas estão numa mesa, um nazista senta e ninguém se levanta, então existem 11 nazistas na mesa. Se milhares de pessoas gritam ofensas racistas e ninguém reage, então todos são racistas.

Quem inventou que querer é poder só contribuiu para aumentar uma coisa em seu público-alvo, a frustraçãoQuem inventou que querer é poder só contribuiu para aumentar uma coisa em seu público-alvo, a frustração

O ex-árbitro Márcio Chagas, que sofreu um dos ataques mais revoltantes de racismo ao apitar um jogo na serra gaúcha, ele que foi agredido e teve o carro estragado dentro do estádio, ouviu do advogado do clube: “Chamar os negros de macacos não é ofensivo, eles nem dão bola, mas se deparar com o carro com as portas amassadas a pontapés, isso, sim, é doloroso para um homem, conforme a propaganda dos postos Ipiranga, pois brasileiro é apaixonado por carros”.

Parece stand-up daquele tal de Léo Lins, mas foi o que aconteceu no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul. Sobre a pena aplicada, essa, sim, foi risível.

Desde 2019 a FIFA lançou um código disciplinar de combate ao racismo que transfere para o árbitro a responsabilidade sobre os casos ocorridos na partida. Márcio Chagas observa que não existe sequer um árbitro negro apitando nas competições da Europa e pergunta: qual árbitro branco vai comprar essa luta?

O que apitou a partida entre Valencia e Real Madrid, com certeza, não. Tanto que nem relatou as agressões a Vini Jr. na súmula. Quando o episódio ganhou o mundo, o sujeito viu-se obrigado a rabiscar um PS. Só faltou escrever: é verdade esse “bilete”. Do VAR que expulsou o jogador também é melhor não se esperar muito.

Anielle Franco, a Ministra da Igualdade Racial, foi a público defender Vini Jr. O Itamaraty convocou a embaixadora da Espanha. Já o embaixador brasileiro em Madrid está em contato com a La Liga e com autoridades espanholas. Isso para a defesa justificadíssima de um cidadão brasileiro. Mas para os milhões que sofrem com o racismo todos os dias, há um gigantesco trabalho a fazer. Aliás, viu qual a principal característica para as polícias gaúchas abordarem alguém, segundo pesquisa que saiu nessa semana? Ser negro.

Vini Jr. publicou em suas redes um desabafo sobre o que vem passando. Se você ler e não ficar abalado, desculpe a sinceridade. Você é racista.

“A cada rodada fora de casa, uma surpresa desagradável. E foram muitas nessa temporada. Desejos de morte, boneco enforcado, muitos gritos criminosos. Tudo registrado. Mas o discurso sempre cai em “casos isolados”, “foi apenas um torcedor”.

Não, não são casos isolados. São episódios contínuos espalhados por várias cidades da Espanha (e até em um programa de televisão). (...) Agora eu pergunto: quantos desses racistas tiveram nomes e fotos expostos em sites? Eu respondo pra facilitar: zero. Nenhum pra contar uma história triste ou pedir aquelas falsas desculpas públicas. O que falta para criminalizarem essas pessoas? E punirem esportivamente os clubes? Por que os patrocinadores não cobram a La Liga? As televisões não se incomodam de transmitir essa barbárie a cada fim de semana? O problema é gravíssimo e comunicados não funcionam mais. Me culpar para justificar atos criminosos também não. No es fútbol, es inhumano”. Não é futebol. É crime.



03 DE JUNHO DE 2023
PETRÓLEO E COMBUSTÍVEIS

PETRÓLEO E COMBUSTÍVEIS

Uma refinaria gaúcha com histórico de vanguarda

Prestes a virar biorrefinaria, a Riograndense tem trajetória que ajuda a contar as transformações pelas quais passa o setor

A Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR) receberá investimentos de R$ 45 milhões para dar início à fase de testes industriais para produtos petroquímicos e combustíveis 100% renováveis. A unidade de Rio Grande - hoje gerida por Petrobras, Braskem e Ultra - será a primeira biorrefinaria brasileira.

A movimentação, avalia o ex-superintendente de Abastecimento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e economista-chefe da consultoria ES Petro, Edson Silva, demarca a sintonia "necessária" da Petrobras com a dinâmica da transição energética de uma economia fundamentada em carbono (petróleo) para outra descarbonizada (biocombustíveis).

Da mesma forma que o etanol responde por um percentual na composição da gasolina (ou seja, diminui a quantidade de combustível fóssil na fórmula), o biodiesel que deverá ser produzido pela Riograndense é adicionado ao diesel comum, que é um dos derivados do petróleo.

Silva afirma que se trata de outro episódio de pioneirismo na trajetória da Riograndense, a primeira refinaria a entrar em operação no país, na década de 1930. Também avalia que o aporte permite reposicionar a empresa no mercado.

Potencial

Segundo ele, a RPR "perdeu seu peso ao longo do tempo", mas já foi uma das mais importantes e teve o auge em 2012, quando processou 934 milhões de litros de petróleo. Atualmente, representa só 0,6% da demanda por refino no país.

- Esse investimento reposiciona a RPR. Não será uma refinaria expressiva, até pelo seu porte, mas o objetivo não é esse, e sim o de aumentar a capacidade, coisa que já ocorre, pois no primeiro trimestre o processamento avançou 169% na comparação com 2022. De modo que o que assistimos agora é curioso. Foi a primeira refinaria e vai ser a primeira biorrefinaria. É algo icônico para entender o vaivém dos investimentos, sobretudo os da Petrobras nesse segmento ao longo dos anos - diz Silva.

Diretor da consultoria Maxiquim, João Luiz Zuñeda explica que o mercado em que a Riograndense será inserida, o de biodiesel, tem muito potencial. Ele lembra que, em 2022, as distribuidoras nacionais revenderam 63 bilhões de litros de diesel.

Nesse cálculo, comenta, estão incluídos percentuais de biodiesel acrescentados à fórmula, hoje, em torno de 10%. E a tendência é que a demanda aumente com o passar dos anos, em razão de movimentações que preveem elevar a adição mínima de biodiesel em cada litro de diesel.

- É preciso olhar esse anúncio por dois aspectos. O primeiro e mais importante é a retomada dos aportes na refinaria mais antiga do país e que está ao lado de um grande porto, o que gera benefícios para Rio Grande e todo o Estado. Os biocombustíveis são o tema do momento no mercado mundial e têm evolução garantida na demanda interna - destaca.

Silva complementa que a Riograndense continuará processadora de petróleo e, simultaneamente, uma produtora de biodiesel.

Alguns números

Empregos gerados hoje

320 vagas diretas.

150 contratos terceirizados.

2 mil postos de trabalho indiretos na cadeia produtiva.

Vendas de produtos

Em 2022, as vendas de derivados atingiram o volume de 772 mil metros cúbicos, alta de 1,4% sobre 2021.

No ano, foram comercializados 73 mil metros cúbicos de diesel S10, o maior volume da história.

Em igual período, a refinaria entregou 71 mil metros cúbicos de nafta petroquímica, o maior volume desde 2009.

Produção e mercados

A participação no mercado gaúcho de derivados de petróleo foi de 7,5% em 2022.

No ano anterior, respondia por 11% dos derivados de petróleo do RS.

Mas implantou estratégia de abertura de novos mercados para captura de melhores retornos.

Foram 29 mil metros cúbicos pelo modal marítimo (cabotagem) no mercado nacional e 43 mil metros cúbicos para países do Mercosul.

O volume total de exportações, marítimas e rodoviárias, atingiu 52 mil metros cúbicos em 2022.

Com a produção de biodiesel e a localização próxima do porto de Rio Grande, a refinaria está apta a desbravar outros mercados.

Breve perfil

Inaugurada em 7 de setembro de 1937, em Rio Grande, a então denominada Refinaria Ipiranga foi a primeira a processar petróleo no país.

O início da trajetória do grupo remete a 1933, quando os empresários brasileiros João Francisco Tellechea e Eustáquio Ormazabal se associaram a empresários argentinos e fundaram a Destilaria Rio-Grandense de Petróleo SA, em Uruguaiana, na Fronteira Oeste.

No ano seguinte ao início das operações em Rio Grande, por força de um decreto assinado por Getúlio Vargas em abril de 1938, a industrialização do petróleo foi nacionalizada ao ficar definido que só poderiam ser acionistas de refinarias os brasileiros natos, o que gerava conflitos em razão da composição do Grupo Ipiranga.

Após rearranjos para recomprar a participação dos estrangeiros, em 1997 uma nova lei reconduziu as diretrizes do setor petrolífero do país para a iniciativa privada, algo que não acontecia desde 1953. Na esteira dessa lei, a 9.478, os mecanismos de preços, produção e vendas das refinarias existentes seriam desregulamentados, inclusive nas privadas. Entre elas, estava, outra vez, o então Grupo Ipiranga, hoje, Refinaria Riograndense.

Nesse momento, a empresa encerrava período de 45 anos de restrições impostas à sua produção, devido a um acordo de transição fixado no passado e que limitava a capacidade anual de processamento de petróleo. Em 1999, atingiu a marca de 12 mil barris refinados diariamente, alta de 30% sobre os níveis permitidos até então.

Com mais flexibilidade e o aproveitamento das unidades em consonância com as demandas do mercado, sobretudo de diesel, em março de 2007 o controle acionário das Empresas Petróleo Ipiranga foi vendido e adquirido por Petrobras, Ultrapar e Braskem.

Em 2009, assumiu a nova identidade e passou a se chamar Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR), mesmo ano em que alcançou 13.858 barris/dia. Hoje produz em média 15 mil barris a cada 24 horas.


03 DE JUNHO DE 2023
DIÁRIOS DO PODER

O impressionante PIB da Polônia

Segundo a consultoria Austin Rating, o Brasil foi o quarto país que mais cresceu no trimestre, se tomarmos as nações que divulgaram, até agora, o desempenho de seu Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil compartilha a posição no ranking com a Tailândia. Ficamos atrás apenas de Hong Kong, Polônia e China, e à frente de Portugal, Croácia e Colômbia, Estados Unidos, Filipinas, México e Malásia.

Há um ponto fora da curva: o desempenho polonês, que surpreende.

Vizinha da Ucrânia, a Polônia foi o primeiro país a sofrer diretamente os impactos da guerra que se estende na região há mais de um ano. Sua população aumentou exponencialmente em semanas em fevereiro e março do ano passado devido à onda de refugiados que fugiam do conflito ali do lado. Nos meses seguintes, a Polônia, integrante da Otan, ficou exposta ao risco de um ataque russo que, certamente, levaria ao transbordamento da guerra para além das fronteiras ucranianas. Mísseis de Vladimir Putin, de fato, chegaram a cair muito próximo ao seu território.

Some-se a isso a decisão do governo polonês de aumentar os gastos em defesa para 3% do PIB (antes era 2%, em observância à recomendação da Otan). O país, que guarda resquícios cada vez menos visíveis da antiga Cortina de Ferro, integra a União Europeia, mas não faz parte da zona do euro, adotando ainda a sua moeda nacional, o zloty.

Mesmo assim, a Polônia cresceu 3,8% entre janeiro e março, ficando à frente do gigante chinês (2,2%). Como?

Parte da resposta deve-se ao fato de a economia polonesa ter conseguido manter sua recuperação após o clímax da pandemia. A indústria e as exportações tiveram bom desempenho. Paralelamente, a inflação diminuiu.

Percebe-se que, na zona do euro, apenas Portugal e Croácia se destacam entre os 10 primeiros colocados. Os países da região que adotam a moeda única tiveram o menor crescimento médio no primeiro trimestre do ano (0,1%). A Alemanha recentemente confirmou que está em recessão técnica. O Reino Unido escapou até agora, mas seu PIB vem crescendo a uma taxa de apenas 0,1% nos últimos dois trimestres consecutivos.

Na América Latina, além do Brasil, Colômbia e México aparecem entre os 10 primeiros.

Um olhar político sobre esses governos diz muito pouco sobre o desempenho do PIB: Hong Kong caminha para ser anexada completamente por Pequim e, dia após dia, perde autonomia. A Polônia é governada por Andrzej Duda, apoiado pelo partido de extrema direita Lei e Justiça (PiS), conhecido pela agenda iliberal. A China comunista centraliza cada vez mais poder em torno de Xi Jinping.

No Brasil, economistas avaliam que o bom resultado ainda não é reflexo do governo Lula.

Na Tailândia, que compartilha com o Brasil o quarto lugar, partidos de centro esquerda venceram as recentes eleições, derrotando o governo apoiado pelos militares no poder desde o golpe de 2014.

Portugal, assim como o Brasil, é governado pela centro esquerda, mesmo caso da Colômbia, onde Gustavo Petro venceu no ano passado.

O desempenho dos EUA, em sétimo lugar, deixou a desejar: cresceu 1,3%. O fantasma da recessão não foi afastado.

Na economia globalizada, em uma Europa ainda em guerra e com o mundo se recuperando dos efeitos da covid-19 em diferentes velocidades, vale comemorar o PIB brasileiro, mas é importante não tirar os olhos dos demais países.

RODRIGO LOPES

03 DE JUNHO DE 2023
CAMPO E LAVOURA

Os ingredientes da queda no preço do frango em maio

Pegue um ingrediente sazonal, misture com outro conjuntural e acrescente uma pitada de especulação. Essa é a receita que embasa o recuo no preço médio do frango em maio, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)/Esalq. No frango inteiro congelado, houve redução de 1,1% no atacado da Grande São Paulo, ficando o quilo em R$ 6,98. Em Porto Alegre, a diminuição também foi registrada, mas de forma mais sutil: 0,4%, com o quilo a R$ 9,09.

A queda se intensificou na segunda quinzena, puxada pela demanda enfraquecida. Um movimento usual para esse período do mês, explica a analista de mercado do Cepea Juliana Ferraz:

- No começo de maio, tínhamos observado uma melhora nos preços dos produtos de frango em geral. Com o avanço do mês, acabaram cedendo. Tradicionalmente, o consumo cai na segunda metade do mês.

Outros fatores se somaram à composição dos valores. Juliana cita a perda da força das exportações em relação a abril e o recuo nos valores de outras proteínas animais.

- Mas esse movimento de queda em maio está relacionado principalmente a uma menor procura - reforça a analista.

Ainda que os casos de influenza aviária detectados no Brasil tenham sido, até o momento, em aves silvestres, a chegada do vírus mexeu com o mercado interno, adicionando uma pitada de especulação.

- Isso faz parte também do nosso plano de contenção. Caso se acentuar, provavelmente as indústrias, por iniciativa própria, podem revisar seu planejamento de produção, até porque é preciso fazer frente aos custos - pontua José Eduardo dos Santos, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

Como mantém o seu status sanitário internacional, porque os casos seguem longe das granjas comerciais, o Brasil, maior exportador mundial de frango, segue com as portas abertas a seu produto. Como a entrada do vírus nesse circuito pode trazer grandes perdas, com eventuais restrições de mercado, a prevenção foi reforçada para o nível máximo. Juliana acrescenta que produtores, Ministério da Agricultura e indústria "terão de continuar trabalhando com sinergia".

- Para enfrentar esse encontro de questões, o setor agirá com cautela, observando até o final de junho. Se a retração continuar, o planejamento é diminuir o ritmo. Temos de estar preparados para uma potencial redução na oferta - pondera Santos.

Equipes mantêm vigilância no Taim

Equipes da Secretaria e do Ministério da Agricultura seguem neste sábado na Lagoa da Mangueira, em Santa Vitória do Palmar, para continuar o trabalho de vigilância no local onde houve a confirmação do primeiro foco de influenza aviária no Estado.

Na sexta-feira, mais cinco cisnes-de-pescoço-preto foram encontrados mortos na Estação Ecológica do Taim, ampliando para 70 o número de mortes de aves silvestres em razão do vírus. A espécie é a mesma que teve o diagnóstico confirmado por meio de amostras coletadas.

Diretor-adjunto do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da secretaria, Francisco Paulo Nunes Lopes disse que foram vistoriadas cerca de 80 propriedades de subsistência - e nenhum animal sintomático ou morto foi encontrado.

no radar

Na próxima segunda-feira, a partir das 13h, a Estação Experimental da Embrapa no município de Capão do Leão organiza o Dia de Campo Cultivos de Inverno em Terras Baixas. A ideia é apresentar tecnologias e alternativas de produção de cereais de inverno para a região. O evento é aberto ao público, mas recomenda-se inscrição prévia no site da instituição.

Conquista celebrada

É com entusiasmo - e um prêmio na bagagem - que a gaúcha Fabiane Kuhn (foto) desembarca para sua primeira aventura em solo chinês. Ela é uma das seis brasileiras reconhecidas com o Prêmio Mulan no BRICS Women Innovation Contest, que reconhece mulheres empreendedoras de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Embora tenha sido agraciada na edição de 2021, é agora que ela vai poder celebrar a conquista, em razão das restrições impostas à época pela pandemia. Deste sábado até o dia 12, ela participa de uma imersão na China, organizada pela Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS (BRICS WBA).

E como foi parar lá?

A partir do trabalho desenvolvido à frente da Raks Tecnologia Agrícola, startup com sede no Tecnosinos, em São Leopoldo, da qual é cofundadora e CEO, e que criou um sistema de uso inteligente da irrigação.

- Hoje a Racks é uma empresa jovem, com fundadores jovens, e esses reconhecimentos vão dando credibilidade para o trabalho que estamos fazendo, sério, reconhecido - avalia Fabiane.

A tecnologia que faz da China uma referência mundial e o fato de o país asiático ser o número 1 em áreas irrigadas são dois fatores de grande expectativa na visita:

- É um mercado com potencial muito grande para nós. Espero conseguir entender um pouco como funciona a dinâmica do agronegócio e da irrigação, as possibilidades de expansão futura, de conexões, e aprender muito sobre como fazem tecnologia e as práticas de irrigação.

Sendo a mais nova do grupo que está indo para a China, ela também quer mostrar o empreendedorismo feminino jovem e colocar a tecnologia feita aqui no "mapa global". Técnica em Eletrônica e graduada em Ciência da Computação, foi no ambiente da pesquisa que Fabiane acabou se conectando ao universo do agronegócio, gerando uma sinergia que veio para ficar.

CAMPO E LAVOURA

03 DE JUNHO DE 2023
FÁBRICAS

Produção industrial registra queda de 0,6% em abril

A produção industrial brasileira recuou 0,6% em abril. O resultado ocorreu depois da alta de 1% em março. Naquele momento, o percentual interrompeu dois meses seguidos de redução.

Na comparação com igual mês do ano passado, a produção da indústria recuou 2,7%. O acumulado do ano apresenta queda de 1% e, em 12 meses, mostra variação negativa de 0,2%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou na sexta-feira os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), com esses resultados a indústria ainda se encontra 2% abaixo do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 18,5% aquém do ponto mais alto da série histórica, obtido em maio de 2011.

O gerente da PIM, André Macedo, observou que diferentemente dos últimos três meses do ano passado, quando houve saldo positivo acumulado de 1,5%, no início de 2023 há uma maior presença de resultados negativos. "Em abril, observamos uma maior disseminação de quedas na produção industrial, alcançando 16 dos 25 ramos industriais investigados. Esse maior espalhamento de resultados negativos não era visto desde outubro de 2022", ressaltou, em texto publicado pelo IBGE.

Influências

Conforme a pesquisa, produtos alimentícios (-3,2%), máquinas e equipamentos (-9,9%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,6%), foram as principais influências negativas para o desempenho do indicador em abril. Entre as três influências, o setor de produtos alimentícios foi o responsável pelo maior impacto negativo no resultado deste mês, ao ter o quarto mês seguido de recuo na produção. No período, a perda acumulada é de 7,3%.

De acordo com o gerente, anteriormente à sequência de retrações, o setor teve resultados positivos por três meses consecutivos, o que resultou em um ganho acumulado de 20,2%, o que, para ele, ainda significa um saldo positivo.


03 DE JUNHO DE 2023
DADOS DE MAIO

Vendas de motos voltam a bater as de automóveis

As vendas de motos seguem em forte crescimento e já superam as de carros de passeio no acumulado do ano. Conforme balanço divulgado na sexta-feira pela Fenabrave, associação que representa as concessionárias, 161,4 mil motocicletas foram comercializadas no mês passado, 21% acima do volume de maio de 2022. Na comparação com abril, a alta foi de 33,5%.

O número ficou acima dos 127,5 mil automóveis de passeio emplacados no mês passado. No acumulado desde o primeiro dia do ano, as 639,4 mil motocicletas vendidas (crescimento de 24%) também superam os menos de 600 mil carros comercializados de janeiro a maio.

O resultado reflete a expansão dos serviços de entrega (delivery) e a busca do consumidor por veí­culos não só mais baratos, como também mais econômicos no consumo de combustível. Segundo o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta, apesar do cenário desafiador de crédito, a demanda por motocicletas segue alta, com os consumidores absorvendo o que a indústria produz.

- Muitos têm usado as motocicletas em substituição ao automóvel, por conta da economia de combustível e pelo próprio preço de aquisição - comentou.


03 DE JUNHO DE 2023
INFORME ESPECIAL

Por cidades mais "caminháveis"

Só se conhece verdadeiramente um lugar caminhando. Estima-se que uma pessoa saudável percorra, em média, 1,2 metro por segundo a pé. A velocidade reduzida ajuda o pedestre a voltar a enxergar a cidade ao redor, em todos os detalhes, belos e sórdidos, imperceptíveis da janela do carro.

Caminhar é um ato ancestral cada vez mais raro, solapado por uma urgência sem sentido. "Time is money", reluz o letreiro em neon piscando no alto de nossas cabeças. É preciso produzir, ganhar dinheiro, ser bem-sucedido. Se você for caminhando, esqueça: não haverá a tempo. Vá de carro. E fique preso no congestionamento.

Invejo os franceses, que têm até um termo para designar o caminhante sem destino, andarilho errante. Le flâneur. Nada mal "flanar" em Paris, perambulando nos grandes bulevares. Não estou na Cidade Luz, mas faço gosto de palmilhar as ruas nem sempre alegres de Porto Alegre (fotos). Tem lá seu charme.

Mover as pernas tornou-se algo tão importante nesse mundo de ponta-cabeça que, nas pesquisas de mobilidade urbana, ganha força um conceito de nome engraçado: "caminhabilidade", tradução de "walkability", em inglês.

Um dos primeiros estudos sobre o tema é do início dos anos 1990. Foi produzido por um canadense chamado Chris Bradshaw, em Ottawa. Desde então, a ideia se espalhou. Aqui, também temos um Índice de Caminhabilidade. O iCam foi lançado em 2016 pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), em parceria com uma série de pesquisadores. Composto por 15 indicadores, o índice ajuda a medir as condições do espaço urbano pela ótica de quem anda.

Não basta querer: é preciso se sentir seguro para caminhar e, no mínimo, ter calçadas decentes, com acessibilidade - afinal, todos temos os mesmos direitos. Há cidades onde isso é prioridade. Dê um Google em Hamburgo, na Alemanha, por exemplo. A urbe decidiu, ainda em 2014, tirar os carros das ruas em 20 anos. Veja o caso de Berlim, que criou uma legislação exclusiva para pedestres.

Estamos milhares de quilômetros atrás nessa caminhada, retardatários comendo poeira e fumaça de veículos movidos a combustíveis fósseis. Mas é bom nunca esquecer: andar é de graça, é ecológico, é democrático e faz um bem danado. Mudar essa realidade depende de nós.

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 1 de junho de 2023


01 DE JUNHO DE 2023
CARPINEJAR

Marco da omissão

Nossa memória nacional dura somente seis meses. Acredito firmemente que tudo de pior que acontece no país é esquecido no período de um semestre.

A amnésia nos cobre de injustiça. Em janeiro, testemunhamos o genocídio indígena, com registros assustadores de crianças yanomami adoecidas em Roraima, deitadas na rede com todas as costelas aparecendo, consumidas pela verminose e desidratação. Cerca de 10.193 menores estavam desassistidos. Cinquenta e dois por cento dessas crianças se mostravam desnutridas, índice que em comunidades de difícil acesso chegava a 80%.

Agora, a comiseração venceu sua data de validade e é aprovado na Câmara Federal o projeto do marco temporal, o que significa na prática a ausência de defesa dos povos originários contra ataques dos garimpeiros e exploração ilegal das madeireiras.

O projeto determina que as etnias só poderão reivindicar a demarcação de terras nas quais já viviam antes da Constituição de 1988. Ignora monstruosamente a desigualdade, a penúria e a violação histórica das demarcações. Centenas de comunidades foram expulsas de suas terras, seja por disputas com latifundiários ou grileiros, seja por omissão do governo; seja por catástrofes naturais, seja por doenças como malária que proliferaram por falta de insumos.

Ou seja, neutralizaremos qualquer revisão justa diante de expropriações indevidas. Não teremos como voltar atrás para repor áreas ocupadas ilegalmente. Isso, de modo nenhum, garante a sobrevivência indígena. É o caminho da sua extinção. Impede que a política de demarcação faça a correção dos seus erros ao longo de mais de três décadas.

Não haverá mais o ressarcimento de reservas, apenas o controle das que já existiam (e que não foram dizimadas) a partir da data da Constituição. Se parte foi tomada ou roubada antes, não terá quem possa recuperá-la.

Existem 300 processos de demarcação pendentes que vão prescrever, em sua maioria, em nome da segurança jurídica nacional (com o intuito de conter uma expansão ilimitada para áreas já incorporadas ao mercado imobiliário ou que se encontram em usufruto de agricultores).

É uma anistia descarada aos agressores, já que muitas comunidades foram impedidas de permanecer em seus territórios. Repetimos 1979 em 2023, estendendo a isenção dos crimes políticos para os ambientais. Como no fim do regime militar, qualquer contravenção contra os povos originários antes de 1988 será esquecida.

Houve votos favoráveis de 283 deputados, que, inflamados pela cobiça do agronegócio, temiam que os 14% da área indígena atual protegida no Brasil dobrasse de tamanho por direito. Não enlouqueceram, não se posicionaram de costas para uma reeleição futura, sabem que seus eleitores têm memória curta. Daqui a seis meses, todo mundo esquece.

Ou é esperar o corretivo da nossa deslembrança geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com forte tendência a decidir contrariamente ao projeto aprovado pela Câmara, aumentando ainda mais a briga entre os poderes.

CARPINEJAR

terça-feira, 30 de maio de 2023


O remédio dos lençóis

Quando estou triste, uso um método eficaz: troco a muda de roupa da cama. Dificilmente a minha melancolia, o meu abatimento, a minha mágoa resistirão a lençóis perfumados. É um bem-estar indescritível esticar os pés no fundo deles. Deslizam na sensação de frescor.

Fico com a impressão de que a cama é nova com o incenso da lavanda. O edredom lavado completa o trabalho de reposição de energias. Ocorre uma fotossíntese entre os tecidos e a minha pele: aqueles lençóis limpos, que passaram por horas de sol, transmitem a sua luz para mim.

A fronha não estará mais marcada pelo suor dos cabelos, não terá o peso dos serões difíceis. Trata-se de uma reestreia, a página do calendário virada, a despedida dos problemas antigos. Se a cama estiver com o cheiro vencido, com o cheiro usado do corpo, de quem rolou por ali pela insônia das preocupações, a tristeza aumenta. Sou capaz de chorar inclusive por dores antigas. Sou capaz de reprisar feridas do ego e misturá-las no coração.

Com o quadro de abandono do meu cantinho de repouso, redobram as minhas chances de isolamento e de vitimização. As lágrimas saem fáceis e fartas quando percebo que nada mudou na minha vida. Existirá um apego a um esconderijo, a uma porta fechada, ao escuro.

Diante do enxoval reposto, organizado, esticado, é como se houvesse a transposição de lugar. Por uma noite, durmo com a alma fora de casa, durmo com a alma em hotel, durmo com a alma em viagem.

Minha esposa já conhece a minha tática de dar a volta por cima no humor, o meu feng shui amador, e nem mais reclama quando substituo os lençóis antes de eles completarem uma semana. De onde vem esse remédio caseiro, que não exige nenhuma receita médica?

Do quintal da minha infância. Da alegria de correr no pátio com os lençóis estendidos no varal, devidamente levantados por uma vara para suas bordas não tocarem no chão. Eu atravessava paredes de pano para poder brincar nos extremos do nosso terreno e alcançar a bergamoteira e o abacateiro. Serviam de biombos a meu teatro de fantoches, de obstáculos ao pega-pega com os irmãos.

Eu encostava a testa no lençol úmido, esticando-o ao máximo pelo rosto, até chegar ao outro lado. Ia e vinha sem parar.

Eu me enxergava curado com as repentinas compressas geladas pela cabeça. Para uma criança pequena, não deixava de ser uma aventura não enxergar o que tinha pela frente. Querer descobrir o futuro é estresse do adulto. Querer controlar o futuro é o que nos adoece.

Naquele tempo da minha meninice, bastavam o sol lá fora e um dia de cada vez. Os lençóis simplesmente me devolvem uma época feliz da minha existência, em que nada sabia e tudo sentia, em que eu era livre e solto pelo mundo.

CARPINEJAR 

sábado, 27 de maio de 2023



27 DE MAIO DE 2023
BRUNA LOMBARDI

BASTA UMA SÓ MULHER PARA FAZER UM PAÍS MAIS FELIZ

Assim como toda criança nasce feliz, dentro de todo adolescente que se preze tem que ter uma boa dose de rebeldia. Que vai desde? "o mundo não me compreende?" até "quero mudar tudo porque não concordo com nada!". A proposta nessa época da vida é sempre grandiosa, ousada, tem a audácia dos que sonham.

Todo jovem saudável tem uma natureza inconformista, sente que não pertence, acha tudo um absurdo. Quer ir contra o status quo, não quer repetir os erros das gerações que o antecedem.

Ele veio pra mudar todas essas convenções idiotas que não o traduzem. O que fazer e por onde começar? E como diz a canção, se os nossos ídolos ainda são os mesmos, vamos também sem perceber, acabar sendo como os nossos pais?

Mas se a gente pensar bem, a cada nova geração a coisa muda aos poucos. As ideias se ampliam, uma semente desse entusiasmo fica e nos tornamos agentes de alguma transformação. Até que de repente, numa dessas, vem Rita Lee e transforma tudo em maravilha.

A nossa Santa Protetora de todas as ovelhas negras das famílias já chegou propagando rebeldia. Mostrando aos mais comportados que era possível ter liberdade, humor e fantasia. Desfraldando convenções com a magia do lúdico. Com ela é possível criar uma realidade, inventar uma persona e o resultado é a alegria geral da nação.

A Rainha do Rock da Beleza, a Feiticeira que abriu a caixa mágica da criatividade e foi nos mostrando a Sabedoria de Todas as Coisas. A mulher que um dia resolveu mudar e fazer tudo o que queria fazer. E fez. E fez muito mais por todos nós do que seria possível sonhar. Com ela o sonho nunca acabou. O sonho foi se reinventando e seguiu mutante transformando e abrindo todas as portas da sua belíssima alma.

Tive a alegria de compartilhar momentos próximos com a Rita. Teve muita troca, conversa e risada. Tínhamos em comum um instinto de desobediência, uma certa indignação e uma vontade de abraçar o mundo.

Conversei com ela algumas vezes e numa dessas gravamos meu programa Gente de Expressão. Uma conversa de intimidade, sem máscaras, uma entrega feliz. Uma vez disseram numa matéria que nós falamos sobre o prazer da mulher, ela na música e eu na poesia, de uma forma inovadora. A gente simplesmente botou nossa verdade pra fora com vontade de dizer pro mundo: chega de repressão!

Num outro grande momento tive a delícia de estar com ela no palco, carregando a netinha dela no meu colo. Um desses presentes da vida, cantando junto "Toda mulher quer ser feliz".

Rita nos deixou e o nosso desejo continua. Todas queremos ser felizes. E podemos nos ajudar umas às outras, assim como a Rita nos ajudou a todas. Ela com certeza cantou sentimentos de todas nós, explodiu a paixão e nos libertou de papéis opressores.

A coragem da Rita deixou um lastro por várias gerações e um rastro luminoso que a gente segue pra não se perder mais no caminho. Ela teve uma linda e duradoura história de amor e nos fez amar mais e melhor.

Basta uma só mulher para fazer um país mais feliz.

BRUNA LOMBARDI