sábado, 6 de julho de 2024



06 DE JULHO DE 2024
MARTHA

Vergonha de contar

Quando jovem, escutava relatos de mulheres vítimas de abusos sexuais, e elas me pareciam exagerar ao denominá- los como tal. Enquanto eu as escutava, me vinham à cabeça apenas expressões como "foi uma inconveniência" ou "que insensibilidade". Me solidarizava com as dores delas, mas tinha dificuldade de classificar a intenção maliciosa de um parente, por exemplo, como uma agressão passível de um trauma.

É assim que a cultura machista domina nossas mentes. Se não haviam imobilizado a mulher e feito algo à força com ela, então não era violência. Era qualquer outra coisa desagradável, e a melhor saída era calar. Como se um beijo roubado por um tio fosse apenas desagradável. Como se o marido de uma amiga que roçasse as mãos nos seus seios fosse apenas desagradável. Como se um médico que se prolongasse desnecessariamente em um procedimento íntimo fosse apenas desagradável.

O mundo é desagradável para muita gente, quase o tempo todo. As coisas não saem como desejamos, pessoas nos magoam, planos fracassam, há um desconforto emocional que não cessa, e nada disso é realmente um abuso, e sim uma contingência da existência humana. O que caracteriza o abuso é a intenção deliberada de te constranger, o descuido obsessivo com teus sentimentos, a sedução opressiva que te apavora, a culpa transferida justo para a inocente da história. Há muitas maneiras de se infernizar a alma de uma adolescente e de destruir a confiança de uma mulher sem enfiar nada dentro de seu corpo, a não ser o medo.

A perversidade tem ótimos advogados de defesa. "Você está imaginando coisas" é uma frase que já absolveu milhares de cafajestes. "Você dava sinais de que queria" já aliviou a pena de muitos ordinários. "Você era um pingo de gente, não teria como lembrar" já tentou fazer com que as vítimas parecessem loucas.

Por fim, o argumento que passa o pano definitivo: "Era comum. Agora é que a mulherada deu para encher o saco". Nossas filhas e netas fazem parte desta mulherada que não leva mais o abuso para o escuro do quarto nem chora sozinha sobre o travesseiro. As palavras ganharam novo sentido - e consequências. Hoje, para que nada disso se repita, a gente conta, sim, para todo mundo. _

MARTHA

06 DE JULHO DE 2024
J.J. CAMARGO

Curiosamente, essa universalização da catástrofe não diminui o dano emocional de cada um dos envolvidos. Por isso, passado o tempo mais agudo da hecatombe, ainda persiste uma condição anímica de desânimo crônico. No entanto, como não podemos seguir lamentando indefinidamente o que perdemos, e foi muito, começam a ecoar as vozes de conclamação para um esforço conjunto de reconstrução.

Nestas circunstâncias, vêm à tona as nossas diferenças em relação a virtudes essenciais como coragem, resistência, empatia e insubordinação. Alguns sucumbem à dor da perda e vacilam no rumo da ressurreição, passam a desacreditar de si e dos outros, necessitam evidentemente de ajuda psicológica.

Entre esses, estão os que foram além das perdas materiais e tiveram subtraídas suas memórias afetivas, como um senhor de meia idade que foi arrancado de casa no meio da noite, com água já entrando pela janela. Quando se animou a voltar lá, 10 dias depois, para avaliar a extensão do prejuízo, encontrou uma parte da sua coleção de DVDs e dezenas de discos de vinil boiando na sala de estar. 

Quando vasculhou nos escombros, percebeu que a enchente tinha bom gosto musical, afinal, os álbuns de Miles Davis, Norah Jones, Ella Fitzgerald, Nina Simone, Frank Sinatra, Elis Regina e Cartola tinham sido levados pela correnteza. Ainda que a chance de recuperar integralmente essas perdas fosse remota, nada se comparava, no sentimento dele, ao desaparecimento da escrivaninha com o pacote de cartas que recebeu dos pais durante o longo tempo em que esteve fora do país. Algumas dessas cartas foram relidas menos vezes do que mereciam. Antes as tivesse decorado.

Mas nada nos demoverá do afã de recomeçar. Verdade que seguimos olhando o rio (ou o lago) de soslaio, com um misto de medo e desconfiança, ainda mais agora que, com qualquer ventinho, ele se derrama em prantos na avenida. Alguns consideram que ele faz isso por birra, outros, mais perspicazes, já entenderam: o nosso lindo Guaíba só voltará à alegria de cartão-postal quando tiver seu leito dragado de toda a sujeira que a enxurrada asquerosa acumulou. _

J.J. CAMARGO


SÍMBOLO DA RETOMADA

O aguardado reencontro da torcida do Inter com o time no Gigante será neste domingo, às 18h, em jogo contra o Vasco, pela 15ª rodada do Brasileirão. Força-tarefa que envolveu 600 pessoas acelerou a recuperação de estruturas do estádio danificadas pela enchente de maio no RS

Talvez não seja correto, por definição, dizer que o Beira-Rio passará por uma terceira inauguração. Mas o sentimento é esse. Depois da abertura, em 1969, e da reforma para a Copa do Mundo em 2014, a reabertura de 2024 tem um significado especial para o clube. Recuperar o estádio é recuperar também a autoestima do colorado. E, de certa forma, do gaúcho.

Toda a história da enchente do Beira-Rio é um tipo de resumo do que viveu o RS. A água começou a causar problemas no Estado nos últimos dias de abril. No feriado de 1º de maio, chegou em Porto Alegre. O estádio, até 4 de maio, era um dos principais pontos de coleta de donativos da Capital. Milhares de carros se dirigiam ao Gigantinho, onde o Inter havia montado uma espécie de drive-thru para doações. A partir daquele sábado, a casa colorada deixou de ser um foco de solidariedade para virar mais uma vítima da enchente. De 6 a 12 de maio, o gramado ficou submerso.

Quando a água regrediu, entrou em cena outra faceta gaúcha, a da resistência. Assim que foi possível, começou a limpeza. O clube montou um planejamento e uma força-tarefa para recolocar a casa em ordem. Conforme a situação permitia, aumentava o número de funcionários. E, assim, o Inter chegou a 600 pessoas trabalhando ao mesmo tempo, em três turnos (com eventuais horas extras na madrugada).

- Foi chocante. Estávamos lá ajudando a arrecadar doações, organizando e distribuindo. Então tivemos de parar às pressas e nós que passamos a sofrer com a enchente. Foi muito triste ver nossa casa daquele jeito - conta o vice-presidente de Administração do Inter, André Dalto, que também participou ativamente dos resgates em Porto Alegre.

Desafio

- Depois que a água baixou, vimos que ainda existia grama. Então lavamos, removemos a lama, desinfetamos e tratamos por 10 dias. A equipe trabalhou de domingo a domingo, das 7h às 19h, no mínimo. Ressemeamos a grama de inverno no início de junho. Os últimos dias de chuva, agora, prejudicaram. É uma área de 9 mil metros quadrados dentro de um espaço urbano em uma arquitetura fechada. Ainda vai melhorar, mas está apto. Foi o maior desafio que enfrentamos - diz, profissionalmente, até admitir:

- Tratamos tudo com amor e carinho. É o que dá misturar a nossa profissão ao nosso time.

Por esse trabalho todo, o Inter planeja uma série de atividades para essa reabertura. Antes da entrada dos times em campo, os funcionários que participaram na reconstrução receberão uma homenagem no gramado. Para isso, a direção pede que a torcida entre cedo no estádio, para aplaudir os trabalhadores. As camisas que os atletas usarão serão leiloadas. E os objetos do jogo (copos, camisetas e canecas), que terão uma marca especial, alusiva à construção do estádio, em 1969, também poderão ser comprados pelos mais de 40 mil colorados esperados para domingo.

Essa memória de 1969, é claro, estará presente. O sonho de José Pinheiro Borda, o português que chegou a Porto Alegre e se apaixonou pelo Inter, ganhará mais um capítulo. Logo ele, que fez o projeto e não viu o estádio pronto.

- Meu pai sempre contou que Borda morreu no colo dele, no hospital. Meu pai foi uma espécie de filho que ele não teve, ficou com ele até o final - conta João Patricio Hermann, filho de Eraldo Hermann, um dos integrantes da comissão de obras do Beira-Rio. Eraldo morreu em 2018.

A comissão que planejou e construiu o Beira-Rio serviu de inspiração para Giovanni Luigi tomar decisões na hora de reformar o estádio, por exigência da Fifa. O ex-presidente montou um grupo de trabalho com especialistas em diversas áreas, especialmente construção civil e jurídica.

- Convidei colorados que talvez nem tivessem votado em mim, mas precisava me cercar dos melhores para não errar na reforma - conta o ex-presidente.

Cicatrizes

- Contratamos uma empresa de Curitiba cuja missão era fiscalizar a obra. Não poderia entrar qualquer item no Beira-Rio sem que passasse pela anuência deles. Tenho uma cadeira, na minha casa, que estava fora do padrão. Até isso foi vistoriado. Por isso, sabia da qualidade da construção, dos materiais - explica.

Giovanni Luigi resume, também, o sentimento de cidadão que terá no domingo:

- O aeroporto, a rodoviária, o trensurb, o Mercado Público e os estádios são ícones de Porto Alegre. É uma tristeza ver o que passamos. Ao mesmo tempo, a retomada do Beira-Rio realimenta a esperança.

O ex-dirigente lembra também da força esportiva, algo que foi falado pela geração atual. Jogar em casa faz diferença, e foram cinco partidas (três do Brasileirão e duas da Copa Sul-Americana) sem o Beira-Rio.

- Precisamos da torcida. Insisto nisso. Só assim poderemos seguir adiante - pediu Coudet.

Quem for ao Beira-Rio verá um estádio ainda em reconstrução. O gramado não estará naquele padrão colorado, algumas catracas não serão usadas, o som ficará prejudicado e o telão não terá a resolução de sempre. André Dalto ilustra:

- Ainda temos cicatrizes.

Para curá-las, o Inter terá seu povo. O maior aliado do clube. O responsável por colocar em prática o plano de Borda. Quando tudo era água mesmo. _

O Inter deixou de mandar cinco jogos em seu estádio desde a enchente

RAFAEL DIVERIO

COM A PALAVRA
Com a Palavra - Véra Lucia Maciel Barroso

Coordenadora do Arquivo Histórico da Santa Casa desde 1986, é historiadora, socióloga e pesquisadora sobre memória e patrimônio

"Quando se escolhe o local de um museu, é preciso olhar a topografia"

Referência em pesquisas sobre a história do RS, Véra Lucia Maciel Barroso entende que a tragédia climática de maio, que afetou acervos importantes do Estado, provou que é necessário mais investimento na preservação de patrimônios

Sofia Lungui

Qual o impacto dessa tragédia, quando pensamos em patrimônio?

Nós não somos alguém neste mundo se não reconhecermos aqueles que nos fizeram ser o que somos. Então, quer o patrimônio edificado, manifesto através de prédios, ou através de papéis ou outros suportes de memória, podemos, através deles, fazer uma leitura e uma compreensão de como foi esse passado. A memória coletiva tem muito valor. Um bom administrador, que projeta um futuro correto, sadio, e inclusive os cidadãos, precisam conhecer a trajetória do seu município, com os seus erros e acertos. E onde acessamos essas informações? Nos acervos. Por isso que a rubrica da cultura tem que aumentar, e muito.

Que mudanças precisam ser pensadas nas práticas de preservação?

Os patrimônios são bens, são legados de antepassados. É um testemunho do tempo, das pessoas que viveram antes de nós. E como tal, são bens que temos que cuidar, temos que preservar. Nessa direção, os bens edificados, os prédios, que testemunham o tempo, os bens de arquivos e de museus, precisam ser conservados em lugares que não sejam baixos, principalmente para nós que moramos e estamos à beira d?água. Exatamente os locais que ficavam em áreas baixas foram atacados pela água. Quando se vai escolher um local para colocar uma biblioteca, um museu, um arquivo, é preciso olhar a topografia do terreno do município e colocar em áreas mais altas. Não tem outra forma de preservar e impedir que os acervos sejam perdidos.

Como fica o patrimônio em um contexto em que muitos lares foram devastados?

Com a enchente, o primeiro patrimônio que se perde é o humano. Muitas pessoas ficaram à beira da pobreza. Um segundo problema patrimonial diz respeito aos documentos pessoais. Esses documentos são testemunhas de quem as pessoas são. Todas as fotografias, os objetos guardados da infância, os pertences, tudo é testemunho. E tudo se perdeu, o patrimônio pessoal, familiar. Isso faz com que as pessoas e instituições atingidas percam a sua identidade. Assim como o que aconteceu com o Centro Histórico de Porto Alegre, nossos museus, nossos memoriais. ? Qual a diferença entre patrimônio material, imaterial e social? E qual a relação com a memória?

O patrimônio material engloba os prédios, as edificações, ou até uma fonte, uma bica, por exemplo. Tem o acervo museológico, que são os objetos, que podem ser em qualquer suporte material, como madeira, metal ou vidro. O patrimônio arquivístico diz respeito aos documentos em seus diferentes formatos, como papel, fotografia, VHS, fita cassete e digital. Já o patrimônio social é produzido coletivamente. Diz respeito à coletividade, a instituições formadas por uma mesma comunidade, por exemplo. Tem também o patrimônio imaterial, que não é palpável. Festas e celebrações, costumes, tradições, o modo de vestir, as canções de roda, brincadeiras infantis, são patrimônios imateriais.

O que é o projeto Raízes e quais foram os resultados desse trabalho?

Criamos esse projeto para estudar a história e origem dos municípios que surgiram a partir de Santo Antônio da Patrulha. O primeiro encontro aconteceu em 1990. Nós chamamos os professores municipais e a comunidade para o clube recreativo Cidade Alta, e convidamos um historiador de cada município filho de Santo Antônio para trocar conhecimentos. O segundo encontro foi em São Francisco de Paula, no ano seguinte, e foi aí que surgiu o nome Raízes. A partir disso, começamos a realizar encontros todos os anos, e essa iniciativa já rendeu 34 livros, um para cada uma das cidades.

? Também veio à tona com a tragédia a riqueza das nossas bacias hidrográficas. Qual a importância desses rios e lagos para nossa história e por que precisamos aprender sobre isso?

As pessoas não se deram conta da riqueza hidrográfica que nós temos. Nós somos abraçados por vários rios. Fora a grande Amazônia, o Rio Grande do Sul tem uma das maiores bacias do país. Quem deu nome a esses rios foram os indígenas. Nós temos o Rio Itapuí, conhecido hoje como Rio dos Sinos, tem o Rio Gravataí, chamado assim por causa das bromélias, dos gravatás. Tem o Rio Caí, que faz referência a queda. Temos o Rio Taquari, das taquaras. 

Os indígenas davam o nome da topografia à natureza. Mas essas águas estão descuidadas, não só por conta da poluição, mas também pela devastação das florestas em áreas ribeirinhas, a depredação da mata. O ambiente também é um patrimônio que precisa ser preservado. Então, precisamos trabalhar nas escolas não só a educação ambiental, mas também a educação patrimonial, para que nossos patrimônios sejam respeitados e valorizados.

Um de seus principais objetos de estudo é a colonização açoriana. Que traços dessa cultura ainda carregamos?

Eu sou da Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul, em Gravataí, que serve para auxiliar na preservação e resgate da cultura açoriana. Produzi algumas obras justamente para mostrar a relevância dos açorianos. Mesmo em âmbito acadêmico, se estuda muito pouco sobre a influência desses povos. Muito se fala sobre a colonização alemã e italiana, mas eles já chegaram aqui com a casa arrumada. 

Os açorianos também têm grande protagonismo na nossa história, mas é uma história que tem pouca visibilidade. Claro que eles não eram heróis, não existe história heroica. Mas eles contribuíram muito com a formação do Estado. As tradicionais danças gauchescas, como a dança do pezinho, chimarrita, balaio, tudo isso é herança dos Açores. Celebrações religiosas e festas, como a festa do Divino Espírito Santo, a festa junina, o tapete de Corpus Christi, o Dia do Terno de Reis, também. _


06 DE JULHO DE 2024
EDITORIAL

A despeito da existência de pontos controversos, cada avanço no processo de mudança do sistema de impostos sobre o consumo merece ser saudado. É o caso da apresentação do relatório final da regulamentação da reforma tributária, conhecido na quinta-feira, elaborado por um grupo de trabalho (GT) criado para este fim na Câmara dos Deputados. A previsão é de o texto ser votado nos próximos dias no plenário, antes do recesso de meio do ano do Congresso. Ainda há possibilidade de algumas alterações.

Um ponto relevante do relatório foi a manutenção da alíquota básica do futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em 26,5%, apesar das mudanças em relação à proposta de regulamentação enviada pelo Executivo. Ainda será uma das mais altas do mundo, mas também fica distante das piores hipóteses que chegaram a ser estimadas, acima de 27%. O grande ganho da reforma é a simplificação, dando fim ao emaranhado tributário que onera a economia, cria contenciosos judiciais, eleva custos de produtos e mina a competitividade do país. Basta lembrar que estudo do Banco Mundial sobre facilidade para apurar e pagar impostos, com 190 nações, colocou o Brasil na 184ª posição.

O relatório ainda traz questões polêmicas, como as que tratam dos segmentos que terão carga maior. São os itens que estão listados no grupo do "imposto do pecado", a exemplo de cigarros, bebidas alcoólicas e produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Não deixa ser curiosa, se não estranha, a inclusão de veículos elétricos nesta lista e a exclusão das armas e de alimentos ultraprocessados.

O texto que saiu do relatório, entretanto, ainda não é o definitivo. Pode ser alterado antes da votação em plenário e, na fase seguinte, quando passar pelo Senado. É possível, portanto, dialogar e corrigir eventuais distorções. Deve-se evitar qualquer possibilidade de elevação da alíquota básica, um risco existente devido a pressões de setores por vantagens específicas. Mas ainda existe a chance de aperfeiçoar a reforma. Notadamente buscando eliminar alguns benefícios localizados e tratamentos especiais, o que poderia deixar a alíquota-padrão menor. Se há esta oportunidade, fariam bem os parlamentares se não a desperdiçassem.

A Câmara criou dois GTs para discutir a regulamentação da reforma tributária. O primeiro, que apresentou o relatório na quinta-feira, tratou do texto principal. Abordou aspectos do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a ser cobrado por Estados e municípios, da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), responsabilidade da União, e do Imposto Seletivo (IS). Este é o que ficou conhecido como "imposto do pecado". O outro GT analisa o comitê gestor do IBS e a distribuição dos recursos recolhidos entre os entes.

As reformas aprovadas no Brasil nunca são as ideais, mas as politicamente viáveis, frutos de negociações intensas. É próprio da democracia e da pluralidade de visões representadas no Congresso. O país discute a reforma tributária há 40 anos e, neste período, interesses regionais e setoriais antagônicos sempre impediram a formação de consensos. Não deve ser perdido de vista, portanto, que desta vez foi possível superar as diferenças. É um feito histórico. _ Um ponto relevante do relatório foi a manutenção da alíquota básica do futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em 26,5%

EDITORIAL

06 DE JULHO DE 2024
ACERTO DAS TUAS CONTAS- Giane Guerra

Alvo de críticas, o mercado financeiro é o vilão?

Criticado por muitos, especialmente pelos últimos presidentes do Brasil, o mercado financeiro não é vilão. Ao contrário, um país com essa área forte e bem fiscalizada sinaliza maturidade econômica da população e tem um bom ambiente para negócios de empresas. Mas por que a coluna traz essa discussão agora? Porque, nesta briga do presidente Lula com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e com a disparada do dólar, os investidores voltaram a estar no alvo das metralhadoras de críticas. O ex-presidente Jair Bolsonaro também desdenhava deles quando suas declarações contra a Petrobras repercutiam na bolsa de valores e no câmbio.

Uma sociedade com pessoas que economizam e investem tem uma saúde financeira melhor. Isso porque as famílias têm mais tranquilidade, finanças controladas e um bom colchão de dinheiro para imprevistos. Sim, temos pobreza alta e abismo social no Brasil, mas também temos muito descontrole financeiro que resulta em alto endividamento e inadimplência, com parte da renda jogada pela janela para pagar juros estratosféricos. Com uma parcela maior da população economizando para o longo prazo, não precisaríamos de uma previdência pública tão pesada.

Pessoas que guardam dinheiro

Há especuladores que ganham na perda do outro? Claro, como há desvirtuamentos em qualquer área ou profissão. Mas estamos aqui falando daqueles que vivem com um padrão de vida menor do que poderiam (meu mantra de vida, aliás) para guardar dinheiro para a faculdade do filho, o intercâmbio da família, a compra da casa sem se abraçar em um financiamento de décadas ou mesmo para aposentadoria.

Essas pessoas ou quem cuida do dinheiro delas, como um assessor financeiro, investem nas mais diversas aplicações. Uma delas pode ser o Tesouro Direto, ou seja, o dinheiro economizado pelo João é emprestado ao governo federal para financiar medidas do poder público. Já a Maria pode deixar sua economia na poupança, cujo recurso financia moradias. O Pedro, por exemplo, é um pouco mais ousado e prefere comprar ações na bolsa de valores. Com isso, ele ajuda a financiar empresas, que buscam no mercado de capitais dinheiro para expandir seus negócios, construindo mais fábricas, lojas e abrindo empregos.

Se houver estabilidade e fiscalização adequada, um mercado financeiro saudável é "um jogo de ganha, ganha", bom para quem investe, quem recebe o aporte, para a economia e para políticas públicas. _

O famoso resort de Florianópolis (SC) Costão do Santinho busca gaúchos atingidos pela enchente para preencher 45 vagas de emprego. O salário chega a R$ 5,5 mil e tem alojamento. Currículos pelo e-mail rhu@costao.com.br.

Quem são os rentistas

Mas, afinal, quem são esses "rentistas" que tanto são criticados? No geral, o termo é usado de forma errada, referindo-se a quem vive de renda e que, em tese, aprecia um país com juro alto, que remunera bem aplicações financeiras, mas corrói o ambiente de negócios. Digo em tese, porque, em geral, investidores também não querem uma economia ruim. Mas o analista de investimentos André Massaro explica a diferença entre o significado popular e o técnico do rentismo:

- No entendimento popular, a palavra rentista vem de renda, como alguém que vive de aluguéis. Na forma depreciativa, quer indicar pessoas que não trabalham. No sentido econômico, rentista é uma pessoa que tem uma vantagem dada pelo governo, resultando com que ela esteja em uma situação privilegiada em relação aos concorrentes. _

Glamour do importado - Consumidor verde

Houve um tempo em que algo ser importado, ter muitos componentes importados ou um comércio ter uma grande quantidade de produtos importados me atraía como consumidora. Hoje, não mais. Aliás, usar isso como marketing até me gera uma certa rejeição. Mas por que falar disso neste espaço que a coluna dedica aos finais de semana para um consumo "verde"? Porque, em geral, importar não é sustentável.

Trazer produtos do Exterior exige uma logística que gasta mais combustível, ambientalmente ruim. Além disso, vai contra o pilar da sustentabilidade que propõe o estímulo à economia local.

Neste momento de reconstrução após a tragédia, quem produz e trabalha no Rio Grande do Sul precisa ainda mais desta dedicação. Tenho visto empresas preferindo fornecedores gaúchos mesmo quando são mais caros. Aliás, há indústrias gaúchas treinando empresas locais para tornarem-se seus fornecedores e substituir a compra de insumos do Exterior. Incrível, não? _

REFLEXÃO

E, sim, prefiro comprar um queijo feito aqui na colônia do que um francês, que também é delicioso. Dou prioridade para um calçado de uma marca autoral daqui do que um tênis importado, que eu provavelmente já tive ou até tenho ainda. Não é demonização do importado, mas é um questionamento sobre a sua glamourização. Este espaço é para dividir descobertas de uma consumidora em transição e um convite à reflexão.

ACERTO DAS TUAS CONTAS

06 DE JULHO DE 2024
GPS DA ECONOMIA

Quanto vai pesar o "imposto do pecado"

Há muita gritaria contra o "imposto do pecado", mas ainda não se sabe qual será a alíquota, só que será maior do que a básica, estimada em 26,5%. A coluna apurou que a previsão é de um teto alto, de até 300%. Esse extremo, porém, só valeria para o cigarro, que pesa no orçamento com despesas com saúde pública para tratamento dos tabagistas.

A regulamentação da reforma tributária será por lei complementar, que exige aprovação por maioria absoluta (metade mais um de todos os votos de cada Casa). A definição das alíquotas será em lei ordinária, que exige apenas metade mais um dos votos dos presentes (maioria simples).

Na proposta original, não estava prevista a inclusão dos carros elétricos, apenas "veículos poluentes" - os que usam motores a combustão, responsáveis por emissões de dióxido de carbono, principal vilão da mudança climática. A palavra que restringia o alcance sumiu no substitutivo da Câmara dos Deputados.

Controvérsia maior que efeito líquido?

Mas há esperança de que a inclusão provoque mais controvérsia do que efeito líquido. Em ensaios sobre o "imposto do pecado", a alíquota baixaria para o patamar de 60% para bebidas alcoólicas e de 30% para refrigerantes. O substitutivo prevê que a definição da cobrança sobre veículos deve considerar uma dezena de itens, como pegada de carbono e emissão de dióxido de carbono. Quase todos jogam a favor dos elétricos e/ou eletrificados, o que poderia reduzir a taxação. Então, não se pode descartar que, na hora de definir o percentual, fique ainda mais perto. Oremos. E cobremos. _

 Veículos

Embarcações e aeronaves

Produtos fumígenos

Bebidas alcoólicas

Bebidas açucaradas

Bens minerais

Concursos de prognósticos e fantasy game

A campanha para tirar os carros elétricos do Imposto Seletivo ganhou um aliado de peso: o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Mas os lobbies para retirar as bebidas açucaradas ganharam força antes da votação

R$ 9,4 milhões a fundo perdido para reconstruir

Um convênio de cooperação técnica e financeira foi firmado entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Senai e a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), com valor total de R$ 9,4 milhões.

Com R$ 8,5 milhões aportados pela ABDI e R$ 945 mil em contrapartida do Senai-RS, a ação é parte do programa Recupera RS, destinado à recuperação de máquinas e equipamentos de pequenas e médias empresas atingidas pela enchente.

Detalhe importante: não é uma linha de crédito, são recursos a fundo perdido, ou seja, não precisam ser devolvidos. Esse tipo de necessidade não tinha, até agora, uma frente de apoio específica.

As três instituições estarão juntas no dia 11, em São Leopoldo, formalizando o projeto, que terá cinco etapas: cadastro e autoavaliação, seleção, diagnóstico, execução e validação dos resultados.

O presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, explica que o objetivo é atender de cem a 200 empresas, com média de R$ 85 mil cada. Segundo ele, o impacto nas cadeias produtivas do Sul é um problema de todo o país:

- A preocupação foi ter resposta rápida para o setor industrial, principalmente dos pequenos, depois da tragédia que abalou o Brasil. Esse foi o nosso foco. _

a nossa parte

Uma iniciativa para reerguer 50 empresas de Porto Alegre e Canoas foi criada pela startup gaúcha O2 Inc. A ação solidária oferece suporte em limpeza. Também auxilia na recuperação econômica com orientação financeira. Interessados podem se cadastrar em gzh.digital/renascer-rs.

A marca holandesa de cuidados capilares Keune Haircosmetics ajuda profissionais de beleza afetados pela enchente no Rio Grande do Sul com doação de equipamentos como secadores, escovas de cabelo e tesouras. A empresa também arrecada recursos em plataforma online.

R$ 15 bi do BNDES estreiam no dia 10

Demorou, foi preciso cobrar, mas saiu: a partir da próxima quarta-feira, as instituições financeiras parceiras do BNDES farão as primeiras contratações de crédito da linha de R$ 15 bilhões para a reconstrução do RS.

O início de operação havia sido previsto para 10 de junho, mas sofreu atraso por uso indevido por empresários gaúchos.

Poderão ter acesso à linha de crédito, reforça agora o BNDES, os candidatos com negócios localizados em áreas efetivamente atingidas pelos eventos climáticos extremos e que tenham sofrido perdas materiais. _

Dólar ensaia alta, e fecha em queda

O dólar abriu e passou boa parte da sexta-feira em alta. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a falar em responsabilidade fiscal e a cotação... virou. Fechou em baixa de 0,46%, para R$ 5,462. A alta se deveu à geração de empregos nos Estados Unidos em junho, que ficou abaixo de maio, mas acima da expectativa, o que não acelera o corte de juro por lá. A semana teve lições tanto para quem critica a atribuição de oscilação cambial a declarações presidenciais quanto para quem só vê esse fator como determinante para o dólar. Quase nunca é só um fator. _

GPS DA ECONOMIA


06 DE JULHO DE 2024
POLÍTICA E PODER

Cadeia de incertezas na eleição da Capital

Até agora, a única chapa consolidada é a da frente de esquerda, com Maria do Rosário (PT) e Tamyres Filgueira (PSOL). O bloco também reúne PV, PCdoB e Rede e tenta atrair o PSB.

Pré-candidato à reeleição, o prefeito Sebastião Melo (MDB) ainda não tem vice definido e aguarda o nome apontado pelo PL. Dono da indicação, o deputado federal Luciano Zucco (PL) diz apenas que a escolhida será uma mulher.

Enquanto isso, o grupo que tenta emplacar uma terceira via corre risco de se fragmentar, visto que Juliana Brizola (PDT) e Thiago Duarte (União Brasil) almejam concorrer e resistem em ceder a cabeça de chapa. O bloco ainda conta com o Avante e o PSB, sendo que este último também avalia apoiar Maria do Rosário.

Apelos por Marchezan

Felipe Camozzato (Novo) e Fabiana Sanguiné (PSTU) completam o rol de pré-candidatos, mas ambos estão solitários até agora. Camozzato tentou o apoio do PP, mas o partido deve seguir na aliança de Sebastião Melo.

Os próximos dias também serão decisivos para a definição do Republicanos, que não apresentou concorrente a prefeito, mas cujo apoio é disputado pelo tempo de propaganda eleitoral e pelo suporte dos candidatos a vereador. _

PAULO EGÍDIO

sábado, 29 de junho de 2024



29 DE JUNHO DE 2024
EXPEDIENTE

A verdadeira fortuna

As lendas gastronômicas estão aí para a gente se divertir e incluir no nosso dia a dia alguns rituais. A que a gente traz na edição de hoje veio direto do século 4. Bom, ao menos, isso é o que as histórias contam.

Na Itália, mais precisamente em um dia 29 de dezembro, São Pantaleão, um santo católico, andava perdido por um vilarejo. Sentindo muita fome, ele bateu à porta da casa de uma família, que era grande e tinha pouca comida à mesa. Mesmo assim, foi convidado para compartilhar o jantar, que tinha como prato o nosso clássico nhoque.

Para dividir a pouca quantidade que havia, eles tiveram que se contentar com apenas sete pedacinhos de massa cada um. Após comer, São Pantaleão agradeceu e foi embora. Na hora de tirar a mesa, a família descobriu que havia um monte de dinheiro embaixo dos pratos.

Essa história toda fez com que o dia 29 fosse o Dia do Nhoque da Fortuna. Atualmente, o ritual manda colocar o dinheiro embaixo do prato, comer os primeiros sete pedacinhos em pé, fazendo pedidos de sorte para cada um deles, e só depois, sentado à mesa, saborear a massa à vontade. Se é verdade? Não sabemos. Se traz sorte? Muito menos. Mas não há dúvida de que reunir quem amamos para uma refeição quentinha e saborosa é o verdadeiro sinal de fortuna, e das boas.

Foi pensando nisso que Lela Zaniol preparou e compartilhou receitas de molhos fáceis e deliciosos para você preparar junto do nhoque do dia de hoje. Eu provei todos e posso dizer que ficaram incríveis, não deixe de testar por aí.

Boa leitura!


29 DE JUNHO DE 2024
CARTA DA EDITORA

CARTA DA EDITORA

Em ritmo de arraial

Na onda do evento, que este ano terá como adicional o charme das ruas parisienses, conversamos com a surfista Tatiana Weston-Webb, que nasceu em Porto Alegre, nas bandas do Menino Deus, mas cresceu e ganhou o mundo a partir das ondas gigantes do Havaí. São 28 anos de praia, somando passagens pelo nosso Litoral e uma paixão especial pela Silveira, em Santa Catarina. A competição de surfe será realizada no Taiti e será por lá que a guria com sotaque de gringa vai colorir a praia de verde e amarelo. Se Tati vai escrever seu nome entre os medalhistas nesta edição olímpica ainda não sabemos. 

Mas nas páginas de Donna, já conquistou o pódio com uma entrevista tranquila e good vibes com a repórter Letícia Paludo, na véspera de embarcar para a competição. Falou da preparação, de cuidados com pele e cabelo (o sol e o sal, amores e vilões na mesma medida) e a relação com o país natal, adicionando aquele toque de nostalgia gostosa. Como as melhores férias de infância de grande parte de nós que, mesmo passando bem longe das 10 primeiras do ranking mundial, também nos aconchegamos com o barulho das ondas do mar. _

Economia criativa

Diversas feiras gaúchas se uniram e criaram a Associação das Feiras Unidas (AFU) na intenção de fortalecer o segmento e ganhar mais visibilidade e apoio em Porto Alegre. O grupo defende que os eventos fomentam a cultura e o turismo, gerando emprego e renda para artesãos, designers, produtores e criadoras independentes. Entre as feiras participantes estão Brick de Desapegos, Feira Mosaico, Coletivo de rua, Open Design, e muito mais. O lançamento do projeto será realizado no dia 11 de agosto. Saiba mais em @afupoa.

Nova data

Por conta do momento de reconstrução no RS, a edição que ocorreria de 9 a 11 de julho será realizada entre 30 de junho e 2 de julho de 2025, no Pavilhão do Centro de Eventos Fiergs, reunindo palestras, desfiles e workshops. O evento promove moda independente, criativa e autoral com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva do setor e estimular novos negócios. Acompanhe o perfil no Instagram @rsmoda_.

Segue até o dia 1º de julho, às 12h, o leilão beneficente do Atelier Carlos Bacchi para apoiar a recuperação do RS. Serão leiloados vestidos exclusivos doados pelas clientes da grife. O lucro arrecadado será destinado para iniciativas voltadas a ajudar comunidades afetadas pela enchente. Interessados em participar e dar seus lances nas peças podem acessar o site gringa.com.br.


29 DE JUNHO DE 2024
DRAUZIO VARELLA

Embora ignorante em assuntos da economia, sei que equilibrar as contas do governo é muito importante. O problema é que reduzir o orçamento do Ministério da Saúde sem definir as áreas que vão sofrer cortes é irresponsabilidade.

Os sanitaristas e todos os que se interessam por saúde pública são unânimes em reconhecer que o SUS padece de subfinanciamento crônico. Investimos em saúde 9,8% do PIB, número compatível com aqueles dos países da OCDE. No caso deles, no entanto, o sistema público recebe 70% a 80% do investimento total, enquanto aqui a parcela é de apenas 40%. Os 60% restantes ficam por conta das famílias: pagamento de convênio, consultas particulares e medicamentos, entre outros. Quer dizer, os 150 milhões de brasileiros mais pobres que dependem exclusivamente do SUS têm acesso a menos da metade dos recursos. Nesse quesito, perdemos também para o Chile e a Colômbia.

Para cada U$ 1 investido pelo governo, as famílias brasileiras desembolsam U$ 1,13. Em Portugal a relação é de 1 para 0,58, no Reino Unido, 1 para 0,20.

Embora haja espaço para melhorar a gestão, combater o desperdício e a corrupção, é claro que o SUS não conseguirá lidar com novas perdas orçamentárias sem interromper serviços que presta aos mais desfavorecidos. Por essa razão, os digníssimos representantes do povo na Câmara e no Senado que propõem reduzir o orçamento do Ministério da Saúde têm o dever moral de assumir a responsabilidade de declarar quais serviços o SUS será obrigado a cortar. Suponho que os senhores conheçam os principais programas do nosso sistema de saúde.

Temos o maior programa público de imunizações do mundo, o PNI. Qual das vacinas devemos suspender: sarampo, difteria, tétano, covid, poliomielite?

A incorporação ao PNI das vacinas contra o vírus sincicial respiratório que tantas internações e mortes provoca em crianças e adultos, a vacina trivalente contra influenza, contra o vírus Chikungunya e o meningococo tipo B vai nos custar cerca de R$ 3 bilhões.

Podemos economizar esse dinheiro, claro, mas quanto gastaremos com as internações hospitalares para tratamento das complicações pulmonares do sarampo, da gripe, do vírus sincicial e com as afecções reumatológicas provocadas pelo vírus Chikungunya? Quanto sofrerão os que caírem doentes por falta de vacina? Esquecemos das mortes que ocorreram antes da vacinação contra a covid?

Vamos reduzir o número de médicos, enfermeiras e de agentes comunitários que batem de porta em porta para levar cuidados de saúde a cerca de 160 milhões de brasileiros? Reconhecido pela OMS, como um dos maiores programas de saúde pública do mundo, o Estratégia de Saúde da Família nos custa R$ 20,6 bilhões por ano. Economizar essa quantia não será um tiro no pé? Quanto custarão as internações por problemas que poderiam ser resolvidos pela atenção primária, a baixo custo?

Onde mais poderíamos economizar? No programa de distribuição de medicamentos contra o HIV, que revolucionou o combate à epidemia no Brasil? Nas equipes do Resgate, que prestam atendimento às emergências nas cidades brasileiras? Suspender o Programa Brasil Sorridente, que acaba de ser retomado a um custo anual de R$ 10,7 bilhões? 

Vamos preservar dentes íntegros só na boca dos que têm dinheiro para ir ao dentista? Dar fim ao Farmácia Popular e deixar pessoas com diabetes e pressão alta correr risco de ataque cardíaco, AVC, insuficiência renal e cegueira? Acabar com o Mais Médicos e abandonar à própria sorte milhões de brasileiros dos rincões mais distantes?

Por acaso, os senhores que pretendem cortar recursos do Ministério da Saúde lembram que o SUS é o maior programa de distribuição de renda do país, diante do qual o Bolsa Família não passa de uma pequena ajuda?

Diminuir os recursos do sistema único significa aumentar a concentração de renda que envergonha todos nós. Como disse Eugenio Vilaça Mendes, um dos sanitaristas que mais conhece o SUS: "A sociedade ainda não fez a opção definitiva sobre o nosso modelo de assistência à saúde. Dessa opção depende estabelecer o quanto estamos dispostos a pagar por ele". _

DRAUZIO VARELLA

29 DE JUNHO DE 2024
60 MAIS

60 MAIS

Ultraprocessados são cheios de sal, açúcar e gordura. Além dos que foram citados acima, inclua nessa relação produtos como barrinha de cereal, refrigerante, suco de caixinha e sopa pronta em pó. Eles podem iludir dando a praticidade que você deseja ter na aposentadoria, mas são nutricionalmente pobres em componentes como fibras, vitaminas e minerais, alerta a nutricionista Flávia Porto Wieck, mestre em Gerontologia Biomédica e professora da Unisinos.

- Nosso organismo não foi preparado para metabolizar tantos aditivos químicos. "Então quer dizer que nunca mais posso comer um ultraprocessado?" Pode, mas não pode comer só ultraprocessados - orienta Flávia.

Características do envelhecimento, como a perda do paladar, facilitam que o idoso recorra a essas más opções. Como os ultraprocessados têm o sabor realçado, tornam-se atrativos.

- As papilas gustativas dos idosos já estão mais desgastadas. Se você tomar suco de caixinha todo dia, quando tomar o natural não vai sentir o sabor - compara a nutricionista Vanille Pessoa Cardoso, diretora da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) e professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba.

Também é típica do avançar da idade a digestão mais lenta, que pode, a exemplo da perda da dentição ou de próteses mal ajustadas, dificultar a mastigação de carnes. A redução da autonomia para ir às compras e preparar os alimentos é outro ponto que realça a praticidade de produtos congelados ou embalados.

Idosos também costumam ter doenças crônicas como diabetes ou hipertensão, e a ingestão de ultraprocessados pode piorar esses quadros, além de serem prejudiciais no controle da fome e da saciedade e induzir ao consumo excessivo.

Variedade necessária

- Quem sabe jantar café com leite e pão cinco vezes na semana, não sete, e tomar uma sopa nas outras duas vezes? Pedir para alguém preparar a sopa, congelar. Mudar o pão. Colocar alguma proteína ou vegetal, fazer um sanduíche quente com alguma carne ali dentro. Já é uma melhora.

Em muitos casos, a solução é contar com alguém que venha em casa periodicamente para cozinhar e congelar a comida em porções é a solução de muitos casos.

- Temos que cuidar melhor dos nossos idosos, dar suporte, falar sobre cuidado, entender que essa população é a gente daqui a pouco. É uma faixa etária vulnerável - destaca Vanille. _

60 MAIS

29 DE JUNHO DE 2024
J.J. CAMARGO

Quando a crise foi sanitária, a distribuição do sofrimento, ainda que mais equânime na origem, logo adiante restabeleceu o desequilíbrio, quando a boa condição econômica dos privilegiados permitiu socorro hospitalar em unidades de terapia intensiva mais sofisticadas, onde as mortes evitáveis puderam ser evitadas.

Mas como o tema da desigualdade se presta para todo tipo de discurso, seja ele solidário, assertivo, hipócrita ou demagógico, vamos tratar de depurá-lo, eliminando o viés político, com o objetivo primordial de isenção.

No intuito de entender um pouco mais as razões do acontecido, surpreende a abundância do inexplicável, pois quase nada se encaixa quando se evocam as causas da catástrofe climática. E que foram, segundo os entendidos, terrivelmente negligenciadas, apesar de facilmente identificados pelos profetas do acontecido como fatores predisponentes. 

Claro que ninguém se deu ao trabalho de explicar por que um fenômeno idêntico ocorreu em 1941, quando nenhum dos tais agentes causais estava presente e a natureza ainda não tinha os ranços atuais de vingança. Naquele tempo em que a gente, com a inocência desprotegida, até considerava o ruído da chuva como um doce entorpecente dos céus.

A esperança fantasiada

Treinado a cuidar de pessoas que sofrem, me limito a tentar entender de onde elas tiram tanta submissão. Persistem batalhando pela sobrevivência, mesmo depois de ter perdido a casa em setembro do ano passado, buscado força para reconstruir e mobiliar, e neste maio que não precisava ter existido ver outra vez tudo ser arrastado pela correnteza, levando de roldão tudo o que tinha comprado em prestações que terão que ser pagas duas vezes para continuar não tendo um cantinho para onde voltar. 

E ainda encontram motivação para acordar pela manhã na casa emprestada do familiar e sair para o trabalho, com a esperança, fantasiada de certeza, de que as coisas finalmente irão melhorar. _

J.J. CAMARGO

29 DE JUNHO DE 2024
CARPINEJAR

Os tímidos se ferram

Os tímidos sempre se ferram: são os primeiros a se apaixonar e os últimos a confessar suas intenções; os dublês nas cenas de perigo, jamais protagonistas dos beijos ardentes. Nenhuma escolha é precipitada. Nenhuma decisão é superficial. Ficam estudando o terreno até alguém comprar antes deles.

Só declaram os seus sentimentos quando têm certeza de que a outra pessoa lhes corresponde - ou seja, tarde demais. Não vislumbram a sincronia das juras românticas.

Na escola, eu aprendi a triste arte de sobrar. Não saí da sala de aula com orelhas de burro, mas com alguns chifres de amor platônico. Existe uma fatalidade na amizade escolar. Não deve ser coincidência, pois várias de minhas parcerias passaram pelo crivo triste dessa experiência.

É a narrativa básica de desengano das comédias românticas sobre o colegial. Com a diferença de que não vivíamos um final feliz na realidade, muito menos uma reviravolta na festa de formatura. Eu calhava de gostar da colega de que meu melhor amigo também gostava. De todas as meninas da turma, de 15 candidatas, convergíamos em desejar namorar a mesma.

Nem sempre era a mais bela, mas era sempre a mais carismática, a mais sociável, a mais despachada. Eu me apaixonava por uma guria, não falava para a guria, apenas para o meu melhor amigo, que guardava segredo. Só que meu amigo não me revelava sua paixão pela guria. A sacanagem é que ele sabia o que eu sentia, mas eu desconhecia o que ele sentia por ela.

Vivia em desvantagem de informação. Acabava sendo traído pelo meu confidente. Ele se aproximava da colega sob o pretexto de ser meu cupido, porém estava agindo a seu favor, criando cumplicidade e ganhando espaço com minha anuência simpática ao longe. Não lutava por mim, como eu supunha, e sim para o regozijo do seu coração.

Fazia trabalhos em grupo com ela, frequentava a sua casa para ensaiar apresentação, e o tonto aqui jurando que ele advogava pela minha causa retraída. Não poderia supor ou fantasiar que já se encontravam para beijinhos.

Tem essa agravante no trauma. Na deslealdade tradicional de nosso período de formação, o melhor amigo costuma ser o expansivo, e você, o tímido. E os tímidos se ferram, já que não tomam a iniciativa.

É a síndrome de Cyrano de Bergerac, o narigudo que escrevia cartas de amor para quem amava em nome de um outro mais bonito. Ela vivia olhando para mim, porém ela olhava porque eu andava ao lado do meu melhor amigo. Não era para mim. Eu não era o seu alvo. Não era o seu destino.

Entendia seus gestos como reciprocidade, retribuindo piscadelas e risadas no recreio (que vergonha!), e não me atinha ao fato de que representava um mero figurante de romance alheio. Assim como jamais entregava o meu anseio por ela, tampouco brigava com o meu amigo. Tanto o amor por ela quanto o ódio por ele permaneciam platônicos até o fim do ano.

Restava-me suportar conviver com os pombinhos como se eu fosse padrinho de namoro, como se eu tivesse dado a bênção. Eu me queimava na própria vela que segurava. E como doía a chama sufocada do peito. São queimaduras incuráveis por dentro da pele. _ É a síndrome de Cyrano de Bergerac, o narigudo que escrevia cartas de amor para quem amava em nome de um outro mais bonito

CARPINEJAR

29 DE JUNHO DE 2024
COM A PALAVRA

COM A PALAVRA

O senhor foi rápido ao descartar adiamento das eleições no RS. Por quê?

Quais foram as perdas da Justiça Eleitoral?

Algumas seções vão ser realocadas, principalmente na região do Vale do Taquari. Ali tínhamos, por exemplo, quatro seções num mesmo colégio e o colégio foi dizimado. Ainda não sabemos quantas seções serão transferidas.

O senhor acredita que existe risco de evasão de mesários?

E quanto ao risco de abstenção alta no pleito?

Dia 1º de julho darei posse ao comitê, constituído por sete servidores e presidido por um magistrado. Vai funcionar como um grande guarda-chuva de proteção, um observatório das decisões de todos os tribunais do país sobre fraude à cota do gênero. Terá o papel de passar subsídios para os magistrados e de orientar partidos e candidatos de que não basta cumprir a cota de 30% e não dar condições de participar ativamente. Já tivemos caso, nesse tribunal, de cassação por inobservância à cota do gênero.

Acho que vai envolver um todo, mas principalmente como vamos nos comportar, daqui para diante, em termos preventivos. Temos de desenvolver uma atividade educacional para mostrar a importância do voto. O voto muda os destinos de um país. Um gestor pode modificar uma cidade. Para o bem ou para o mal. A gente sempre espera que seja para o bem.

O senhor é a favor do financiamento público de campanhas (as doações de empresas foram proibidas pelo Supremo Tribunal Federal em 2015)? Ficou mais fácil fiscalizar os gastos eleitorais com o financiamento público?

Temos aqui no tribunal um comitê de combate à desinformação, presidido por um ex-presidente, o desembargador Jorge Luiz Dallagnol. Toda vez que chega alguma coisa, as providências são encaminhadas para o promotor eleitoral, lá na ponta, submeter ao juiz eleitoral. Há também um debate muito grande que estamos fazendo, reunindo partidos, candidatos, temos seminários de orientação para que ninguém possa dizer que não sabia.

O senhor teme uma escalada de sofisticação da IA que facilite a disseminação de mentiras na eleição nacional?

A liberdade de expressão tem limites na medida em que visa agredir alguém. Isso é bom para todos e já foi, inclusive, decidido pelo Supremo Tribunal Federal. Se isso acontecer, não há a menor dúvida de que as medidas vão ser adotadas. Todo o sistema eleitoral está muito preparado para isso e muito treinado para coibir fake news.


29 DE JUNHO DE 2024
EDITORIAL

Sem prejuízo ao reconhecimento do papel recente do Supremo Tribunal Federal (STF) na guarda da democracia, é dever voltar a apontar a reiteração de distorções como a invasão de competências e iniciativas inadequadas de membros da Corte. Mais autocontenção e recato fariam bem à própria instituição.

O mais recente episódio de usurpação de funções se deu com o julgamento no STF sobre a descriminalização do porte de maconha e a fixação de 40 gramas como o limite para diferenciar usuários de traficantes. Reacende-se um atrito desnecessário com o Congresso, poder que detém a legitimidade de legislar, concorde-se ou não com o caminho percorrido por deputados e senadores acerca do tema.

O Senado aprovou em abril a chamada PEC das Drogas e, na quarta-feira, em reação ao movimento do Supremo, a Câmara instalou comissão especial para analisar o texto. A PEC considera crime o porte de quaisquer substâncias ilícitas, inclusive a maconha, mas prevê que usuário não será penalizado com o encarceramento. Repete a Lei Antidrogas, de 2006. Pode-se argumentar, com razão, que a emenda à Constituição em análise deixa a desejar na falta de uma diferenciação objetiva entre usuários e traficantes. Isso leva a uma discricionariedade que, ao longo do tempo, tem causado mais prisões de jovens negros e de periferias. Mas preencher esta lacuna é papel do Congresso, eleito pelo povo. Cabe à sociedade pressionar pelo aperfeiçoamento.

Em meio ao voluntarismo do STF, surgiu um clarão de sensatez emanado do ministro Luiz Fux. Ele lembrou que, em regra, é o parlamento que trata do assunto em outros países. Referiu "vozes mais ou menos nítidas e intensas de que o Poder Judiciário estaria se ocupando de atribuições próprias dos canais de legítima expressão da vontade popular, reservadas apenas aos poderes integrados por mandatários eleitos". E completou: "Nós não somos juízes eleitos. O Brasil não tem governo de juízes". No mesmo dia, o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, admitiu que a última palavra sobre a matéria deve ficar com o Congresso.

Também depõe contra a imagem da Corte o evento anual realizado em Portugal, chamado Fórum Jurídico de Lisboa. O encontro é organizado pelo IDP, faculdade de propriedade do ministro Gilmar Mendes. Altas autoridades do Executivo, do Congresso, do Judiciário e grandes empresários atravessam o Atlântico para discutir problemas do Brasil. Neste ano, apenas de órgãos públicos é uma caravana estimada em 160 pessoas. Parte tem a viagem custeada pelos contribuintes, mostram portais de transparência. Mas ainda hoje não há clareza sobre quem paga passagens e estadia de alguns convidados.

A edição de 2024 começou na quarta-feira e se encerrou ontem. Participaram como palestrantes representantes de 12 grandes companhias com ações no STF. Alguns desses processos são relatados por Gilmar Mendes. Abre-se grande espaço para se perguntar se não há conflito de interesses. Os maiores interessados em não abrir brechas para a imparcialidade de suas decisões ser questionada deveriam ser o próprio STF e seus membros. _ O mais recente episódio de usurpação de funções foi o julgamento no STF sobre descriminalização do porte de maconha

EDITORIAL

29 DE JUNHO DE 2024
CAMPO E LAVOURA

Safra maior, área menor para o trigo no RS

Conforme o diretor técnico da Emater, Claudinei Baldissera, antes mesmo do evento, havia uma redução de área estimada, envolvendo outros fatores como preço, risco de produção e disponibilidade de sementes. A enxurrada, no entanto, acentuou o recuo.

Canola avança com força

As condições climáticas para o ciclo atual devem favorecer o desenvolvimento de todas as culturas de inverno que podem superar 5,2 milhões de toneladas. A previsão é de um inverno dentro da normalidade. A produção de trigo está projetada em 4,07 milhões de toneladas, alta de 55,2%.

- Embora o risco climático tende a ser menor, há a questão do mercado, com preço baixo, e do seguro. E um fator de disponibilidade de boas sementes, o que traz um custo maior - pondera Baldissera.

Prognósticos apontam ainda ocorrência de La Niña, e a transição para o fenômeno tende a ser brusca, alerta o meteorologista da Secretaria da Agricultura e coordenador do Simagro, Flávio Varone. Condição que pode trazer geada tardia, exigindo cuidados dos agricultores. Também se espera redução no volume de chuva a partir de agosto e setembro.

Com avanço ano a ano, a canola deve praticamente dobrar a produção, e a área, crescer 75%. Segundo o diretor técnico da Emater, trata-se de produto promissor em rentabilidade e que pode estar entrando em áreas dedicadas ao trigo. _

*Colaborou Bruna Oliveira - GISELE LOEBLEIN

 29 DE JUNHO DE 2024

ACERTO DAS (TUAS) CONTAS - Giane Guerra

Os impactos da enchente nos seguros

Por incrível que pareça, considerando o tamanho do estrago que a enchente fez no patrimônio dos gaúchos, a coluna tem recebido menos reclamações sobre indenização de seguros agora do que na cheia do Vale do Taquari em 2023. Ao que tudo indica, há sensibilização das seguradoras para facilitar o pagamento aos clientes, que já enfrentam tantas mazelas da tragédia. O dinheiro da perda total de carros, por exemplo, está garantindo a venda do mês das redes de concessionárias.

Cleverson Veroneze, diretor do Sindicato das Seguradoras do Rio Grande do Sul (Sindseg RS), esclarece que veículos não precisam ter cláusula específica de alagamento para terem direito à indenização. Já residências e empresas precisam. Muitas, porém, não tinham a previsão para este sinistro. Veroneze sugere até uma revisão do contrato para prever alagamentos futuros, o que, porém, eleva o preço.

Jorge Kath, professor da Escola Nacional de Seguros, pondera que muitas seguradoras não oferecem cobertura de alagamento para ninguém ou bloqueiam CEPs de áreas de risco. Quando cobrem, o custo sobe. Kath cita um cliente que a cláusula quadruplicou o seguro para sua residência em Eldorado do Sul, a cidade mais atingida da Região Metropolitana.

Risco de quebra

Com o valor altíssimo de indenizações pleiteadas, surge a dúvida se há risco de as seguradoras quebrarem. O diretor Cleverson Veroneze rechaça esta possibilidade, dizendo que elas têm reserva técnica e que o setor é supervisionado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), uma autarquia federal.

Alta generalizada

Os preços de alguns seguros já subiram, conforme relatos à coluna. Veroneze, porém, diz que não será disseminado para todos os gaúchos, pois o valor é diluído por todo o país. O seguro nada mais é do que a divisão da conta de um risco que todos têm. Quando um cliente tem problema, o custo para resolvê-lo é bancado pelo pagamento feito pelos demais segurados. Outro movimento é mais pessoas optarem por ter seguro, elevando o faturamento das seguradoras para cobrir mais sinistros e evitando reajuste individual forte. _

Seguros funcionam de forma colaborativa. A gente não paga o pato sozinho.

Cleverson Veroneze - Diretor do Sindseg, sobre o risco de os preços de seguros dispararem após a tragédia no Rio Grande do Sul.

Consumidor verde

Ainda levo as mercadorias nas tradicionais sacolas de plástico, que depois são usadas nas lixeiras de casa. Porém, estou avaliando outras opções e aceito sugestões! _

Entrevista Luiz Rabi - Economista da Serasa Experian

"Birôs não negativaram consumidores"

Queda artificial

Existe também o esforço do consumidor para limpar o nome e ter acesso a crédito novo para compras. As pessoas querem repor o que perderam, de eletrodomésticos a móveis e material de construção.

Aos leitores com abstinência das compras na gigante do comércio eletrônico, a Amazon informa que retomou as entregas a 100% dos CEPs do Rio Grande do Sul. Todos os produtos enviados pela empresa, inclusive, estão com frete grátis. O tempo de recebimento das compras, porém, segue bem acima do normal. O centro de distribuição de Nova Santa Rita ficou fora de operação e outras unidades logísticas estão "quebrando o galho" para atender o consumidor gaúcho.

compras na amazon

Notificação dos dois salários

A partir de quarta-feira, trabalhadores serão notificados pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital sobre o pagamento dos dois salários mínimos por funcionário de empresas atingidas pela enchente e habilitadas no programa do governo federal para manutenção dos empregos.

Os trabalhadores receberão o valor em conta da Caixa Econômica Federal nos dias 8 de julho e 5 de agosto, enquanto os empregadores complementarão o salário na folha normal. O prazo para empresas aderirem foi ampliado pelo Ministério do Trabalho até 12 de julho, mas, no caso das que se atrasaram, a primeira parcela será paga ao empregado em 22 de julho.

A contrapartida é manter os empregos por quatro meses. _

guilherme.jacques@rdgaucha.com.br | guilherme.goncalves@zerohora.com.br

com Guilherme Jacques e Guilherme Gonçalves

ACERTO DAS (TUAS) CONTAS