segunda-feira, 15 de julho de 2024


15 DE JULHO DE 2024
NOTÍCIAS - Rafael Vigna

NOTÍCIAS

Setor industrial gaúcho registrou a pior queda para um mês de maio, segundo dados do IBGE. Segmentos como o de máquinas influenciaram os resultados. Analistas, no entanto, projetam que a retomada deve se iniciar já a partir de junho

Indústria e serviços têm retração com tragédia no RS. A tragédia climática de maio deixou marcas na economia do Rio Grande do Sul. Dados setoriais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na semana passada, assinalam diferentes comportamentos entre os principais setores econômicos e traçam os desafios para a retomada das atividades, que já esboçaram reação em junho, seja na indústria, no comércio ou nos serviços.

A boa notícia, segundo economistas ouvidos por Zero Hora, é de que a recuperação em curto prazo já começou. Mas a permanência dos efeitos por tempo maior dependerá do sucesso do plano de recuperação, sobretudo, no que se refere à infraestrutura, além da efetividade dos programas de apoio ao setor produtivo.

Com a pior queda da história para um mês de maio, a indústria gaúcha amargou tombo de 26,2% na Pesquisa Industrial Mensal (PIM), responsável por medir a produção física. O desempenho do setor no Estado também é apontado como uma das causas para a queda de 0,9% apurada na média nacional, em igual período.

Polo petroquímico

Em maio, a performance foi negativa em 12 dos 14 segmentos industriais, conforme chama atenção o economista-chefe da Federação das Indústrias (Fiergs), Giovanni Baggio.

Os reflexos mais acentuados foram sentidos nos produtos químicos (-5,21%), em razão da paralisação no polo petroquímico de Triunfo, e nas máquinas e equipamentos agrícolas (-3,25%), que já enfrentavam um ano de baixa, fruto de restrições impostas pelo governo argentino às exportações brasileiras.

Também contou a redução da demanda nos Estados do centro do país, por causa da diminuição das estimativas de safra.

Há ainda a queda de 2,8% no processamento de alimentos, sobretudo em razão das carnes, atingido pela enchente no Vale do Taquari, e a retração de 2,28% nos veículos.

- Acredito que em junho os dados sejam mais positivos, porque muitas empresas pararam por razões diretamente ligadas à enchente ou por questão logística. Com a volta da atividade, o nível de produção melhora. Mas para o longo prazo teremos de lidar com uma série de problemas que a gente já tinha e com os que agora a gente tem - resume Baggio.

Aeroporto e rodovias

No setor de serviços, enquanto no país houve leve avanço de 0,1% em maio, no Estado houve queda de 5,4%. O segmento de serviços prestados às famílias, por exemplo, registrou recuo de 28,3% no RS.

- Uma parcela considerável, está atrelada ao turismo. E a gente sabe o quanto o turismo foi prejudicado em razão de toda essa situação da enchente, estrago nos modais de transporte, fechamento do aeroporto, danos às estradas. Tudo isso e a própria queda da renda, com a queda na parte de serviços profissionais, administrativos e complementares, contribuíram para o cenário - avalia o economista-chefe da CDL-Porto Alegre, Oscar Frank Frank. _

Busca por estoques, doações e reconstrução estimulam comércio

Em meio à enchente de maio, alguns segmentos do comércio com peso relevante ganharam impulso extra. O pânico inicial que levou grande massa de pessoas às compras por estoque de alimentos e a onda de solidariedade subsequente, em todo o país, elevaram os resultados no setor de hipermercados, por exemplo.

De acordo com Patrícia Palermo, economista-chefe da Fecomércio-RS, além dos elementos que favorecem a demanda, como o mercado de trabalho aquecido e o crescimento do crédito para pessoas físicas, os resultados do mês (no RS, houve alta de 9,9% e no Brasil, de 8,8%) foram fortemente influenciados pela tragédia:

- A estocagem de itens nas residências das famílias gaúchas acabou por representar consumo antecipado, que deve impactar as vendas futuras.

Oscar Frank, economista-chefe da CDL-Porto Alegre, lembra que, com o início do processo de reconstrução, houve o aumento na demanda por produtos para viabilizar o retorno das famílias às suas casas, o que estimulou o consumo móveis e eletrodomésticos, por exemplo. Já a venda de veículos caiu. 


13 DE JULHO DE 2024
CONSELHO EDITORIAL- Marta Gleich

Diretora-executiva de Jornalismo e Esporte e secretária do Conselho Editorial da RBS

GDI lança livro nesta segunda

Há mais de sete anos, nascia no Grupo RBS uma iniciativa inédita em empresas de comunicação brasileiras: a criação de uma equipe dedicada ao jornalismo investigativo. Giovani Grizotti, um dos integrantes do time e repórter reconhecido nacionalmente por suas reportagens no Fantástico, inventou a marca GDI - Grupo de Investigação. De lá para cá, foram centenas de reportagens. Apresentado em dezenas de palestras em congressos de jornalismo e faculdades, o GDI virou marca conhecida dos gaúchos, por sua coragem, determinação, qualidade técnica, criatividade e responsabilidade para apurar a verdade dos fatos.

Na segunda-feira, o GDI dá mais uma contribuição ao jornalismo profissional, com o lançamento do livro GDI - Bastidores e Prática do Jornalismo Investigativo. Escrito a muitas mãos, o livro documenta a criação do GDI e sua consolidação como marca reconhecida da reportagem investigativa. Não é um livro técnico: escrevemos para o público em geral as melhores histórias do grupo, casos emblemáticos de investigação e denúncias que tiveram consequências práticas para a sociedade gaúcha. 

A obra é, também, um agradecimento às inúmeras manifestações de apoio ao jornalismo investigativo, às fontes de informação das centenas de reportagens, às autoridades comprometidas com a ética, a verdade e as leis e a todas as pessoas que reconhecem o jornalismo profissional como antídoto à desinformação, como instrumento de defesa da sociedade e como pilar da democracia.

Aproveito este espaço para compartilhar uma boa notícia: a partir desta segunda-feira, voltaremos a imprimir Zero Hora, Diário Gaúcho e Pioneiro no nosso Parque Gráfico, que teve as atividades interrompidas em razão da enchente e agora retomou as operações. Agradecemos mais uma vez a parceria do Grupo Sinos, onde, desde maio, estávamos realizando a impressão de nossos jornais. _

O quê: sessão de autógrafos aberta ao público do livro GDI - Bastidores e Prática do Jornalismo Investigativo

Quando: segunda-feira, 15 de julho, às 18h30min

Onde: Foyer do Theatro São Pedro, Praça Marechal Deodoro, Centro Histórico

Autores: Nelson P. Sirotsky, publisher do Grupo RBS; Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais; Marta Gleich, diretora-executiva de Jornalismo e Esporte do Grupo RBS; coordenadores do GDI ao longo dos anos Rodrigo Lopes, Carlos Etchichury, Dione Kuhn, Jaime Silva, Rodrigo Müzell, Diego Araujo; repórteres Giovani Grizotti, Carlos Rollsing, Adriana Irion, Humberto Trezzi; advogada Débora Dalcin.

CONSELHO EDITORIAL

13 DE JULHO DE 2024
COM A PALAVRA

COM A PALAVRA

Filósofo, jornalista, escritor e analista político, é uma das maiores referências do pensamento liberal no planeta

Aos 80 anos, o pensador francês Guy Sorman credita a ascensão dos conservadores em seu país ao desgaste dos grupos tradicionais. Ele também vê Donald Trump com muita força na eleição americana e considera o argentino Javier Milei um "desastre para o liberalismo".

Mathias Boni

Como a eleição na França teve uma reviravolta da extrema direita à esquerda em apenas uma semana?

A vitória do centro e da esquerda é consequência de uma estratégia tática para deter a extrema direita. Um terço votou na extrema direita, um terço votou no centro e um terço votou na esquerda. Consequentemente, ninguém perdeu e ninguém ganhou. Temos agora o que chamamos de parlamento suspenso, onde ninguém tem maioria e ninguém está em posição de governar sozinho. Houve uma ilusão, após o primeiro turno, de que a extrema direita venceria, mas isso não aconteceu porque os partidos colocaram a resistência contra a extrema direita como prioridade.

Como você enxerga a posição do presidente Emmanuel Macron depois dessa eleição?

A grande surpresa é que ele se saiu até bem, porque, como falei, nenhuma maioria clara emergiu desta eleição. De certa forma, Macron está em uma posição de arbitragem, o que lhe agrada, e a sua ambição sempre foi governar com a esquerda moderada e a direita moderada. De certo modo, ele está exatamente onde queria estar. Também é preciso lembrar que, na França, a constituição dá enorme poder ao presidente.

Mesmo não sendo vencedora, a extrema direita recebeu muitos votos. Como você compreende esse fenômeno?

Marine Le Pen (líder do Reunião Nacional) conseguiu - porque é uma boa estrategista, sem nenhuma ideologia real - tornar o partido dela respeitável, de certa forma. Ela também foi capaz de remover, não completamente, a maioria dos elementos racistas, xenófobos e antissemitas do partido. A segunda explicação é que, quando se fala com o eleitorado de extrema direita, nem todos são fascistas ou nazistas. Alguns são, mas muito poucos. Há pessoas apenas curiosas para ver se este partido poderia entregar o que os outros partidos não entregaram. Por isso, de certa forma, o sucesso da extrema direita é um fracasso de todos os outros partidos.

Qual sua avaliação sobre o retorno dos trabalhistas ao poder na Inglaterra?

Se olharmos para a plataforma do Partido Trabalhista, é como a do (ex-primeiro-ministro) Tony Blair. Basicamente, estamos de volta ao livre mercado. Então, eles conseguiram vencer, primeiro, porque as pessoas estavam fartas dos conservadores, que estavam no poder há 14 anos. Segundo, porque foram suficientemente inteligentes para compreender que, se quisessem ser eleitos, precisariam ser muito mais moderados.

Você já declarou que um novo conceito de identidade está substituindo as ideologias. O que isso significa?

O que as pessoas querem não é o partido de esquerda ou o partido de direita. Querem um Estado eficiente, um Estado que cuide delas, que as ouça. Além disso, por todos os lados existe uma nova noção de identidade. A campanha de (Donald) Trump baseia-se adequadamente nesta noção de identidade: "tenho uma identidade de homem, heterossexual" e coisas assim. E (Jair)Bolsonaro também tinha tudo a ver com identidade. Assim, as ideologias desapareceram, mas esse conceito de identidade, que achávamos totalmente obsoleto, está voltando com muita força, e todos os partidos políticos têm agora de levar este conceito em consideração.

Como você observa a disputa nos EUA e as críticas que Joe Biden recebe em razão de suas condições físicas?

Trump está em uma posição muito forte, não necessariamente por sua causa, mas por causa do comportamento de Biden, que tem sido um ótimo presidente, mas não sabe, como todos os atores, quando é o momento certo para sair do palco.

Trump seria mais radical em um segundo mandato?

Ele fala muito, mas, se você olhar o que realmente fez, foi muito pouco. A nossa sorte, de certa forma, é a preguiça de Trump e a incapacidade de dar seguimento às suas próprias ideias. Talvez agora ele esteja rodeado de pessoas mais eficientes e com uma agenda mais extremista. Mas acho que ele ficará tão feliz por ser presidente novamente que se olhará no espelho e dirá: "Eu sou o presidente novamente", e será isso.

Os democratas deveriam ter preparado melhor a vice- presidente Kamala Harris?

Ela é desconhecida do grande público, mas este tem sido o caso de quase todos os vice- presidentes. Ela é muito boa, na verdade. É uma debatedora dinâmica e extremamente qualificada, e seria uma adversária formidável para Trump. Mas outra questão seria: estariam os EUA prontos para aceitar uma mulher negra como presidente?

Como avalia a presidência de Javier Milei na Argentina?

Ele é um desastre para o seu país e para o liberalismo. Reduzir o volume da economia em 5% em pouco tempo é impressionante. E, claro, as pessoas mais afetadas são as mais pobres. Se você pertence à elite, se tem muitos dólares, a vida está indo bem. Mas é absurdo dizer que esta política econômica é um sucesso. Em segundo lugar, não se pode aplicar este tipo de violência às pessoas da noite para o dia, e sem explicar o porquê. A base do liberalismo é a negociação, a discussão, a coalizão, e não impor como um ditador, da noite para o dia, que você não terá mais assistência social, sua escola será fechada, sua empresa será fechada e que o preço do metrô aumentará.

E quanto ao terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil?

Quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez, teve muita sorte. Agora a situação é mais complicada, porque os preços mundiais estão em baixa e ele não tem condições de redistribuir a riqueza como fazia antes. E acho que as pessoas estão um pouco decepcionadas. Além disso, não entendo por que Lula quer fazer parte deste "sul global" e ser parceiro da Rússia e outros. Lula é um democrata. Estou muito desapontado por ele se juntar a esta aliança de ditadores.


13 DE JULHO DE 2024
EDITORIAL

EDITORIAL

Editorial - Confiança no Rio Grande do Sul

Tão logo ficou clara a extensão da tragédia climática no Estado, os gaúchos foram assaltados por uma série de dúvidas e temores em relação à profundidade do baque imediato na economia e ao tamanho do esforço de recuperação e sobre como o Rio Grande do Sul continuaria competitivo na atração e na retenção de investimentos privados. Em um contexto de tantas incertezas, foi alentador o anúncio formalizado na quinta-feira pela General Motors (GM) de investir R$ 1,2 bilhão na unidade de Gravataí para fabricar um novo modelo. O plano integra um pacote de R$ 7 bilhões destinados ao país.

O novo projeto da empresa deve ser visto como um sinal de confiança na reconstrução plena do Estado. Até porque, como ressaltaram os executivos da companhia, a planta é considerada uma das cinco mais modernas e produtivas da montadora em todo o mundo. Mesmo que não seja um dos maiores aportes já feitos pela GM no Rio Grande do Sul, é sem dúvida um investimento emblemático, pelo momento atravessado pelos gaúchos.

Será um modelo a combustão, e não híbrido ou elétrico, como acredita-se que vai ser o futuro da indústria automotiva. Mesmo assim, é corrente no setor que, no Brasil, os veículos movidos por combustíveis tradicionais ainda terão bom espaço alguns anos à frente.

A modernização da GM, ademais, vai gerar demanda de autopeças e outros produtos e serviços no Estado, ajudando também a movimentar o mercado de trabalho, algo de extrema importância neste instante ainda cercado de preocupação com a recuperação da economia do Rio Grande do Sul. São injeções de ânimo como essa que consolidam a certeza da volta por cima.

Também são de grande importância, pelos mesmos motivos, outros investimentos confirmados e projetos que seguem os passos programados. É o caso do complexo logístico do grupo varejista Lebes, o maior do gênero já erguido no Rio Grande do Sul. O empreendimento, em Guaíba, um dos municípios afetados pelas inundações, foi inaugurado no mesmo dia do anúncio da General Motors. É fruto de um investimento de R$ 500 milhões, em parceria com as empresas Habitasinos e Grepol. A previsão é gerar cerca de 3 mil empregos quando estiver operando a pleno. Ou seja, vai significar mais renda e emprego na Região Metropolitana, severamente castigada pelas cheias de maio.

Em meados de junho, a chilena CMPC também reafirmou os planos de investir R$ 25 bilhões em uma nova planta industrial de celulose em Barra do Ribeiro e em um terminal portuário. Trata-se do maior aporte já realizado por uma empresa privada no Rio Grande do Sul. O projeto foi oficializado no final de abril, poucos dias antes do início das chuvas que causaram a enchente sem precedentes. A empresa reiterou ainda o cronograma para erguer o empreendimento, entre 2026 e 2028. Ao longo da implantação do projeto, a companhia calcula a criação de 13 mil empregos.

Esses e outros movimentos firmam a convicção de que a plena recuperação econômica do Estado é apenas uma questão de tempo. 



13 DE JULHO DE 2024
SUPERLOTADAS - Bianca Dilly

SUPERLOTADAS

Emergências adultas da Capital registram mais de 200% de ocupação. Perfil de doenças é variado, desde quadros respiratórios, até infecciosos e cardiovasculares. Secretaria aponta fatores que impactam o cenário

Cena recorrente no inverno gaúcho - e não mais somente na estação mais fria do ano -, emergências de Porto Alegre estão novamente superlotadas. Segundo o painel de monitoramento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), às 11h30min da sexta-feira, a ocupação nos leitos adultos de hospitais era de 225,73%.

O mesmo ocorre nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com quase 226%. Já nas emergências pediátricas, a maior parte das instituições opera dentro da capacidade, com uma média de 63%. A exceção é o Hospital da Criança Conceição, que chega a 112,50% de lotação.

Segundo as casas de saúde contatadas pela reportagem de Zero Hora, o perfil da procura é variado, abrangendo doenças respiratórias, casos infecciosos, crônicos, cardiovasculares e digestivos. Como trata-se de um problema que persiste, profissionais afirmam que há intervenções, com ampliação de mais de 250 leitos, além da contratação de quase mil profissionais, mas que ainda assim não resolvem a demanda.

Entre os fatores que levam a essa situação, o diretor de Atenção à Saúde do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), médico Luiz Antônio Benvegnú, cita o inverno rigoroso e o estado emocional da população, abalado pela enchente.

- A gente conseguiu contratar profissionais em regime emergencial para fazer frente a esse período, imaginando a repercussão da calamidade, em função de motivos como leptospirose, aumento dos acidentes (...), e as enfermidades respiratórias típicas do inverno - afirma o médico.

Apesar da antecipação, Benvegnú frisa que é necessário observar o sistema como um todo. Ele lembra que as redes de saúde devem estar organizadas e com uma resposta sistêmica dos demais órgãos. A Secretaria Estadual da Saúde (SES) fala em "realidade crônica".

O chefe da divisão de Regulação Hospitalar da Secretaria Estadual da Saúde (SES), Rogério Caruso, e a diretora do departamento de Regulação Estadual, Suelen Arduin, explicam que a superlotação afeta não apenas as emergências de Porto Alegre e região, pois, em todo o RS "essa realidade se faz presente, principalmente nas instituições que são referências regionais". Conforme eles, as doenças de inverno, este ano agravadas pela enchente, são uma preocupação permanente.

Situação crítica

A situação mais grave é do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), onde a superlotação chega a 259%. Conforme o painel, 145 pacientes estavam internados, ao passo que a disponibilidade é de 56 leitos. Na área adulta, a instituição atende só a casos com risco de morte.

- Como estamos sempre no limite, pequenas alterações de algum fator ocasionam aumento da lotação. Nos últimos dias, ocorreu um pequeno aumento de doenças respiratórias, e ainda vemos pacientes vítimas da enchente que tiveram dificuldade de procurar atendimento - detalha o chefe do Serviço de Emergência do HCPA, médico Daniel Fontana Pedrollo. 



13 DE JULHO DE 2024
INFORME ESPECIAL

Show de horrores no trânsito da Capital

Não se deve generalizar. E falta de respeito à lei não é algo restrito à categoria. Motoristas de aplicativos e condutores em geral param em fila dupla com muita frequência, têm comportamento agressivo e passam com o sinal vermelho. Mas esse é outro problema, que vou tratar mais adiante. Este texto é sobre a conduta dos motociclistas que põem em risco suas próprias vidas, a de pedestres, ciclistas e outros atores do trânsito.

Basta ficar parado em uma esquina movimentada na Capital para testemunhar as infrações: eles desrespeitam limites de velocidade, andam na contramão, sobre as calçadas, violam a preferencial, cruzam o sinal vermelho, andam entre carros a ponto de arrancarem espelhos retrovisores. Sem falar do som ensurdecedor do escapamento aberto.

A coluna se solidariza com os motoboys que respeitam a lei. Mas é um problema que precisa ser enfrentado por profissonas sérios - sob pena de serem colocados no mesmo saco dos irresponsáveis.

O presidente do SindiMoto RS, Valter Ferreira, reconhece o problema. E dá um dado estarrecedor: segundo ele, 30% dos motociclistas que atuam no setor de telentrega não têm Carteira Nacional de Habilitação. Ele fala sobre Porto Alegre, mas arrisca que o percentual seja semelhante na Região Metropolitana.

São esses que, infelizmente, sujam a roupagem de quem trabalha sério - afirma o dirigente da entidade.

Questionada sobre a aparente falta de fiscalização nas ruas, a EPTC informa que os motociclistas têm sido o foco nas ações de conscientização no trânsito mediante ações educativas e junto com as entidades do setor. Além disso, foram ampliadas as fiscalizações. Na última semana, diz o órgão, 62 motociclistas foram abordados em cinco operações. Além da habilitação, itens obrigatórios para motociclistas e situação das motos para garantir a segurança viária são avaliados. De janeiro a abril de 2024, em 56 ações da Operação Duas Rodas, 4.846 motocicletas foram abordadas, com o recolhimento de 179 delas. Além disso, 1.505 motocicletas foram autuadas por alguma irregularidade. Denúncias devem ser feitas pelo 156 ou 118. _

RODRIGO LOPES

sábado, 6 de julho de 2024


06 DE JULHO DE 2024
CARPINEJAR

O papel vegetal

O que eu mais gostava nos álbuns de fotografias da família não eram os retratos em si, mas o papel vegetal que isolava as páginas. Aquilo trazia uma solenidade, um capricho, um cuidado, mostrando que o material folheado correspondia a uma relíquia.

O caderno ilustrado do casamento dos pais tinha capa dura, nomes dos noivos em relevo dourado e imagens presas em cantoneiras. Tamanha a dedicação imortal da brochura, jamais pareceria que iriam se separar.

Acredito que a mãe tenha permanecido com o álbum durante a partilha. Quem fica com as fotos no divórcio é quem mais amou na relação? Não sei. Talvez. Só sei que sofri com o fim da união dos pais.

Lembro que não facilitei: discuti com os irmãos, esperneei em almoços e jantares festivos, não quis sair do quarto no Natal, chantageei no carro, fiz greve de fome, renunciei ao futebol, peguei recuperação, ameacei rodar de ano, chorei no mercado, arrumei brigas com colegas e passei vários recreios na direção, aguardando ser buscado pelo responsável.

Em retrospectiva, tenho pena do pai e da mãe de tanto que os incomodei. Crianças feridas machucam. Quando somos cacos, machucamos. Criei um inferno para reconciliá-los, tratei mal as madrastas, afugentei os pretendentes maternos, forcei cenas de reaproximação, menti que um não parava de mencionar o outro.

Nas visitas do pai, perguntava se ele iria dormir ali, sabendo que não, só para vê-lo constrangido e sem saída, balbuciando desculpas educadas.

Eu poderia ter sido mais tolerante e compreensivo, mas o egoísmo é irracional. Você quer manter os pais por perto, ainda que eles não estejam felizes. Não assimila o que é melhor, só quer preservar o que já conhece.

É paradoxal pensar que, não muito tempo atrás, alegávamos ter herdado traumas pelo distanciamento dos pais, gastávamos sessões de terapia para exorcizar a tristeza ancestral, envaidecíamo-nos dos problemas de convivência decorrentes do período, culpávamos os tutores pela ruína da idealização de família, e hoje banalizamos as nossas próprias separações. Não nos penalizamos pela decadência dos laços.

Criticávamos ferozmente os pais, e agora não damos a mínima para os nossos divórcios. Diante de realidades similares, apresentamos atitudes desproporcionais e incoerentes. Ideal seria tirar a trave do olho, para depois apontar os ciscos nos olhos dos pais.

É impressionante o quanto nos esforçávamos para manter os dois juntos, e não batalhamos pelo nosso casamento. Por que não canalizamos as mesmas energias? Por que não usamos semelhante fé para resolver nossas pendengas domésticas?

E se lutássemos para entender nossa esposa como defendemos a nossa mãe? Se realizássemos metade da birra feita com o pai para conservar os sonhos de casal? Se trocássemos o orgulho da cobrança pela cumplicidade emocionada do erro?

Se desejássemos falar menos e ouvir mais? Essa é a diferença entre homens e meninos. Mas, ao contrário do que se convencionou como verdade, se fôssemos meninos para sempre, nenhum amor morreria covardemente.

O papel vegetal protegeria as fotos. Ideal seria tirar a trave do olho, para depois apontar os ciscos nos olhos dos pais

CARPINEJAR

06 DE JULHO DE 2024
SEXO

SEXO

A maioria dos antidepressivos de fato interfere na libido e acaba fazendo com que a mulher tenha desde falta de desejo até dificuldade para o orgasmo. Alguns ansiolíticos também, porque vão sedar a pessoa, de forma que ela perde um pouco do interesse em sexo - afirma a psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo.

A intensidade dos efeitos varia de pessoa para pessoa: enquanto alguns indivíduos medicados sequer percebem alteração na função sexual, outros têm total prejuízo, não tendo a mínima vontade de transar, explica Carmita.

Os mecanismos envolvidos nessa baixa são variados, mas o mais comum é o fato de que alguns medicamentos inibem a recaptação de serotonina pela célula, um neurotransmissor que inibe impulsos. É o caso de fármacos como sertralina, paroxetina, fluvoxamina, fluoxetina e citalopram, por exemplo. _

O desejo é multifatorial, leva em conta fatores biopsicossociais, portanto, se a pessoa está deprimida, se o trabalho não vai bem, se a relação não tem trazido felicidade, por exemplo, pode ficar mais difícil gozar. Todas essas questões merecem a atenção de quem quer melhorar a qualidade da vida íntima.

- Se passados cerca de dois meses desde que parou de usar, ela não recupera o resultado de antes, não é por causa do remédio - salienta Sandra. Vale saber que, para a paciente cuja medicação teve efeito na diminuição da libido, provavelmente essa situação vai se manter enquanto ela seguir com o tratamento - ao fim dele o desejo tende a voltar ao normal. E se durante o processo a libido melhorar, detalha a médica, provavelmente não será porque o indivíduo se adaptou ao medicamento, e sim porque encontrou jeitos de compensar esse problema. _

Para quem está usando medicação psiquiátrica, o orgasmo tende a demorar, mas está longe de ser impossível. Uma estratégia para encontrar prazer no novo contexto é ter paciência e separar um tempo para os momentos de intimidade, aconselha a ginecologista e sexóloga Sandra Scalco.

Outro passo para contornar a situação é levar a conversa para o psiquiatra que receitou o tratamento. Em alguns casos é possível optar por uma medicação que tenha menos efeitos na sexualidade, aponta a médica:

- Ela tem que levar essa queixa de forma proativa. Meu recado para os profissionais é que perguntem efetivamente sobre isso, coloquem como pauta importante, inclusive, porque, em termos de qualidade de vida, estar com o pilar do desejo sexual funcionando bem pode ajudar a melhorar da depressão. _

Pequenas mudanças de contexto já contribuem muito: vale apostar num local diferente, num tipo de estímulo que ainda não havia tentado e, para os casais, fortalecer os pilares do relacionamento, como conversar e sair mais para se divertirem juntos.

Sandra explica que as pessoas tendem a fazer sexo e se masturbarem quase sempre do mesmo jeito, focando os estímulos nas zonas onde já estão acostumadas a terem bons resultados. Só que a partir de algum agravo, como o uso de medicação, é preciso ressignificar o jeito de fazer sexo:

- Às vezes, basta fazer pequenas mudanças. Usar a imaginação é um baita recurso porque potencializa tudo. A maioria das pessoas fica muito focada no conjunto de estímulos do momento, que são o toque e a penetração, e não utiliza a imaginação. _

LETÍCIA PALUDO


06 DE JULHO DE 2024
MARTHA

Vergonha de contar

Quando jovem, escutava relatos de mulheres vítimas de abusos sexuais, e elas me pareciam exagerar ao denominá- los como tal. Enquanto eu as escutava, me vinham à cabeça apenas expressões como "foi uma inconveniência" ou "que insensibilidade". Me solidarizava com as dores delas, mas tinha dificuldade de classificar a intenção maliciosa de um parente, por exemplo, como uma agressão passível de um trauma.

É assim que a cultura machista domina nossas mentes. Se não haviam imobilizado a mulher e feito algo à força com ela, então não era violência. Era qualquer outra coisa desagradável, e a melhor saída era calar. Como se um beijo roubado por um tio fosse apenas desagradável. Como se o marido de uma amiga que roçasse as mãos nos seus seios fosse apenas desagradável. Como se um médico que se prolongasse desnecessariamente em um procedimento íntimo fosse apenas desagradável.

O mundo é desagradável para muita gente, quase o tempo todo. As coisas não saem como desejamos, pessoas nos magoam, planos fracassam, há um desconforto emocional que não cessa, e nada disso é realmente um abuso, e sim uma contingência da existência humana. O que caracteriza o abuso é a intenção deliberada de te constranger, o descuido obsessivo com teus sentimentos, a sedução opressiva que te apavora, a culpa transferida justo para a inocente da história. Há muitas maneiras de se infernizar a alma de uma adolescente e de destruir a confiança de uma mulher sem enfiar nada dentro de seu corpo, a não ser o medo.

A perversidade tem ótimos advogados de defesa. "Você está imaginando coisas" é uma frase que já absolveu milhares de cafajestes. "Você dava sinais de que queria" já aliviou a pena de muitos ordinários. "Você era um pingo de gente, não teria como lembrar" já tentou fazer com que as vítimas parecessem loucas.

Por fim, o argumento que passa o pano definitivo: "Era comum. Agora é que a mulherada deu para encher o saco". Nossas filhas e netas fazem parte desta mulherada que não leva mais o abuso para o escuro do quarto nem chora sozinha sobre o travesseiro. As palavras ganharam novo sentido - e consequências. Hoje, para que nada disso se repita, a gente conta, sim, para todo mundo. _

MARTHA

06 DE JULHO DE 2024
J.J. CAMARGO

Curiosamente, essa universalização da catástrofe não diminui o dano emocional de cada um dos envolvidos. Por isso, passado o tempo mais agudo da hecatombe, ainda persiste uma condição anímica de desânimo crônico. No entanto, como não podemos seguir lamentando indefinidamente o que perdemos, e foi muito, começam a ecoar as vozes de conclamação para um esforço conjunto de reconstrução.

Nestas circunstâncias, vêm à tona as nossas diferenças em relação a virtudes essenciais como coragem, resistência, empatia e insubordinação. Alguns sucumbem à dor da perda e vacilam no rumo da ressurreição, passam a desacreditar de si e dos outros, necessitam evidentemente de ajuda psicológica.

Entre esses, estão os que foram além das perdas materiais e tiveram subtraídas suas memórias afetivas, como um senhor de meia idade que foi arrancado de casa no meio da noite, com água já entrando pela janela. Quando se animou a voltar lá, 10 dias depois, para avaliar a extensão do prejuízo, encontrou uma parte da sua coleção de DVDs e dezenas de discos de vinil boiando na sala de estar. 

Quando vasculhou nos escombros, percebeu que a enchente tinha bom gosto musical, afinal, os álbuns de Miles Davis, Norah Jones, Ella Fitzgerald, Nina Simone, Frank Sinatra, Elis Regina e Cartola tinham sido levados pela correnteza. Ainda que a chance de recuperar integralmente essas perdas fosse remota, nada se comparava, no sentimento dele, ao desaparecimento da escrivaninha com o pacote de cartas que recebeu dos pais durante o longo tempo em que esteve fora do país. Algumas dessas cartas foram relidas menos vezes do que mereciam. Antes as tivesse decorado.

Mas nada nos demoverá do afã de recomeçar. Verdade que seguimos olhando o rio (ou o lago) de soslaio, com um misto de medo e desconfiança, ainda mais agora que, com qualquer ventinho, ele se derrama em prantos na avenida. Alguns consideram que ele faz isso por birra, outros, mais perspicazes, já entenderam: o nosso lindo Guaíba só voltará à alegria de cartão-postal quando tiver seu leito dragado de toda a sujeira que a enxurrada asquerosa acumulou. _

J.J. CAMARGO


SÍMBOLO DA RETOMADA

O aguardado reencontro da torcida do Inter com o time no Gigante será neste domingo, às 18h, em jogo contra o Vasco, pela 15ª rodada do Brasileirão. Força-tarefa que envolveu 600 pessoas acelerou a recuperação de estruturas do estádio danificadas pela enchente de maio no RS

Talvez não seja correto, por definição, dizer que o Beira-Rio passará por uma terceira inauguração. Mas o sentimento é esse. Depois da abertura, em 1969, e da reforma para a Copa do Mundo em 2014, a reabertura de 2024 tem um significado especial para o clube. Recuperar o estádio é recuperar também a autoestima do colorado. E, de certa forma, do gaúcho.

Toda a história da enchente do Beira-Rio é um tipo de resumo do que viveu o RS. A água começou a causar problemas no Estado nos últimos dias de abril. No feriado de 1º de maio, chegou em Porto Alegre. O estádio, até 4 de maio, era um dos principais pontos de coleta de donativos da Capital. Milhares de carros se dirigiam ao Gigantinho, onde o Inter havia montado uma espécie de drive-thru para doações. A partir daquele sábado, a casa colorada deixou de ser um foco de solidariedade para virar mais uma vítima da enchente. De 6 a 12 de maio, o gramado ficou submerso.

Quando a água regrediu, entrou em cena outra faceta gaúcha, a da resistência. Assim que foi possível, começou a limpeza. O clube montou um planejamento e uma força-tarefa para recolocar a casa em ordem. Conforme a situação permitia, aumentava o número de funcionários. E, assim, o Inter chegou a 600 pessoas trabalhando ao mesmo tempo, em três turnos (com eventuais horas extras na madrugada).

- Foi chocante. Estávamos lá ajudando a arrecadar doações, organizando e distribuindo. Então tivemos de parar às pressas e nós que passamos a sofrer com a enchente. Foi muito triste ver nossa casa daquele jeito - conta o vice-presidente de Administração do Inter, André Dalto, que também participou ativamente dos resgates em Porto Alegre.

Desafio

- Depois que a água baixou, vimos que ainda existia grama. Então lavamos, removemos a lama, desinfetamos e tratamos por 10 dias. A equipe trabalhou de domingo a domingo, das 7h às 19h, no mínimo. Ressemeamos a grama de inverno no início de junho. Os últimos dias de chuva, agora, prejudicaram. É uma área de 9 mil metros quadrados dentro de um espaço urbano em uma arquitetura fechada. Ainda vai melhorar, mas está apto. Foi o maior desafio que enfrentamos - diz, profissionalmente, até admitir:

- Tratamos tudo com amor e carinho. É o que dá misturar a nossa profissão ao nosso time.

Por esse trabalho todo, o Inter planeja uma série de atividades para essa reabertura. Antes da entrada dos times em campo, os funcionários que participaram na reconstrução receberão uma homenagem no gramado. Para isso, a direção pede que a torcida entre cedo no estádio, para aplaudir os trabalhadores. As camisas que os atletas usarão serão leiloadas. E os objetos do jogo (copos, camisetas e canecas), que terão uma marca especial, alusiva à construção do estádio, em 1969, também poderão ser comprados pelos mais de 40 mil colorados esperados para domingo.

Essa memória de 1969, é claro, estará presente. O sonho de José Pinheiro Borda, o português que chegou a Porto Alegre e se apaixonou pelo Inter, ganhará mais um capítulo. Logo ele, que fez o projeto e não viu o estádio pronto.

- Meu pai sempre contou que Borda morreu no colo dele, no hospital. Meu pai foi uma espécie de filho que ele não teve, ficou com ele até o final - conta João Patricio Hermann, filho de Eraldo Hermann, um dos integrantes da comissão de obras do Beira-Rio. Eraldo morreu em 2018.

A comissão que planejou e construiu o Beira-Rio serviu de inspiração para Giovanni Luigi tomar decisões na hora de reformar o estádio, por exigência da Fifa. O ex-presidente montou um grupo de trabalho com especialistas em diversas áreas, especialmente construção civil e jurídica.

- Convidei colorados que talvez nem tivessem votado em mim, mas precisava me cercar dos melhores para não errar na reforma - conta o ex-presidente.

Cicatrizes

- Contratamos uma empresa de Curitiba cuja missão era fiscalizar a obra. Não poderia entrar qualquer item no Beira-Rio sem que passasse pela anuência deles. Tenho uma cadeira, na minha casa, que estava fora do padrão. Até isso foi vistoriado. Por isso, sabia da qualidade da construção, dos materiais - explica.

Giovanni Luigi resume, também, o sentimento de cidadão que terá no domingo:

- O aeroporto, a rodoviária, o trensurb, o Mercado Público e os estádios são ícones de Porto Alegre. É uma tristeza ver o que passamos. Ao mesmo tempo, a retomada do Beira-Rio realimenta a esperança.

O ex-dirigente lembra também da força esportiva, algo que foi falado pela geração atual. Jogar em casa faz diferença, e foram cinco partidas (três do Brasileirão e duas da Copa Sul-Americana) sem o Beira-Rio.

- Precisamos da torcida. Insisto nisso. Só assim poderemos seguir adiante - pediu Coudet.

Quem for ao Beira-Rio verá um estádio ainda em reconstrução. O gramado não estará naquele padrão colorado, algumas catracas não serão usadas, o som ficará prejudicado e o telão não terá a resolução de sempre. André Dalto ilustra:

- Ainda temos cicatrizes.

Para curá-las, o Inter terá seu povo. O maior aliado do clube. O responsável por colocar em prática o plano de Borda. Quando tudo era água mesmo. _

O Inter deixou de mandar cinco jogos em seu estádio desde a enchente

RAFAEL DIVERIO

COM A PALAVRA
Com a Palavra - Véra Lucia Maciel Barroso

Coordenadora do Arquivo Histórico da Santa Casa desde 1986, é historiadora, socióloga e pesquisadora sobre memória e patrimônio

"Quando se escolhe o local de um museu, é preciso olhar a topografia"

Referência em pesquisas sobre a história do RS, Véra Lucia Maciel Barroso entende que a tragédia climática de maio, que afetou acervos importantes do Estado, provou que é necessário mais investimento na preservação de patrimônios

Sofia Lungui

Qual o impacto dessa tragédia, quando pensamos em patrimônio?

Nós não somos alguém neste mundo se não reconhecermos aqueles que nos fizeram ser o que somos. Então, quer o patrimônio edificado, manifesto através de prédios, ou através de papéis ou outros suportes de memória, podemos, através deles, fazer uma leitura e uma compreensão de como foi esse passado. A memória coletiva tem muito valor. Um bom administrador, que projeta um futuro correto, sadio, e inclusive os cidadãos, precisam conhecer a trajetória do seu município, com os seus erros e acertos. E onde acessamos essas informações? Nos acervos. Por isso que a rubrica da cultura tem que aumentar, e muito.

Que mudanças precisam ser pensadas nas práticas de preservação?

Os patrimônios são bens, são legados de antepassados. É um testemunho do tempo, das pessoas que viveram antes de nós. E como tal, são bens que temos que cuidar, temos que preservar. Nessa direção, os bens edificados, os prédios, que testemunham o tempo, os bens de arquivos e de museus, precisam ser conservados em lugares que não sejam baixos, principalmente para nós que moramos e estamos à beira d?água. Exatamente os locais que ficavam em áreas baixas foram atacados pela água. Quando se vai escolher um local para colocar uma biblioteca, um museu, um arquivo, é preciso olhar a topografia do terreno do município e colocar em áreas mais altas. Não tem outra forma de preservar e impedir que os acervos sejam perdidos.

Como fica o patrimônio em um contexto em que muitos lares foram devastados?

Com a enchente, o primeiro patrimônio que se perde é o humano. Muitas pessoas ficaram à beira da pobreza. Um segundo problema patrimonial diz respeito aos documentos pessoais. Esses documentos são testemunhas de quem as pessoas são. Todas as fotografias, os objetos guardados da infância, os pertences, tudo é testemunho. E tudo se perdeu, o patrimônio pessoal, familiar. Isso faz com que as pessoas e instituições atingidas percam a sua identidade. Assim como o que aconteceu com o Centro Histórico de Porto Alegre, nossos museus, nossos memoriais. ? Qual a diferença entre patrimônio material, imaterial e social? E qual a relação com a memória?

O patrimônio material engloba os prédios, as edificações, ou até uma fonte, uma bica, por exemplo. Tem o acervo museológico, que são os objetos, que podem ser em qualquer suporte material, como madeira, metal ou vidro. O patrimônio arquivístico diz respeito aos documentos em seus diferentes formatos, como papel, fotografia, VHS, fita cassete e digital. Já o patrimônio social é produzido coletivamente. Diz respeito à coletividade, a instituições formadas por uma mesma comunidade, por exemplo. Tem também o patrimônio imaterial, que não é palpável. Festas e celebrações, costumes, tradições, o modo de vestir, as canções de roda, brincadeiras infantis, são patrimônios imateriais.

O que é o projeto Raízes e quais foram os resultados desse trabalho?

Criamos esse projeto para estudar a história e origem dos municípios que surgiram a partir de Santo Antônio da Patrulha. O primeiro encontro aconteceu em 1990. Nós chamamos os professores municipais e a comunidade para o clube recreativo Cidade Alta, e convidamos um historiador de cada município filho de Santo Antônio para trocar conhecimentos. O segundo encontro foi em São Francisco de Paula, no ano seguinte, e foi aí que surgiu o nome Raízes. A partir disso, começamos a realizar encontros todos os anos, e essa iniciativa já rendeu 34 livros, um para cada uma das cidades.

? Também veio à tona com a tragédia a riqueza das nossas bacias hidrográficas. Qual a importância desses rios e lagos para nossa história e por que precisamos aprender sobre isso?

As pessoas não se deram conta da riqueza hidrográfica que nós temos. Nós somos abraçados por vários rios. Fora a grande Amazônia, o Rio Grande do Sul tem uma das maiores bacias do país. Quem deu nome a esses rios foram os indígenas. Nós temos o Rio Itapuí, conhecido hoje como Rio dos Sinos, tem o Rio Gravataí, chamado assim por causa das bromélias, dos gravatás. Tem o Rio Caí, que faz referência a queda. Temos o Rio Taquari, das taquaras. 

Os indígenas davam o nome da topografia à natureza. Mas essas águas estão descuidadas, não só por conta da poluição, mas também pela devastação das florestas em áreas ribeirinhas, a depredação da mata. O ambiente também é um patrimônio que precisa ser preservado. Então, precisamos trabalhar nas escolas não só a educação ambiental, mas também a educação patrimonial, para que nossos patrimônios sejam respeitados e valorizados.

Um de seus principais objetos de estudo é a colonização açoriana. Que traços dessa cultura ainda carregamos?

Eu sou da Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul, em Gravataí, que serve para auxiliar na preservação e resgate da cultura açoriana. Produzi algumas obras justamente para mostrar a relevância dos açorianos. Mesmo em âmbito acadêmico, se estuda muito pouco sobre a influência desses povos. Muito se fala sobre a colonização alemã e italiana, mas eles já chegaram aqui com a casa arrumada. 

Os açorianos também têm grande protagonismo na nossa história, mas é uma história que tem pouca visibilidade. Claro que eles não eram heróis, não existe história heroica. Mas eles contribuíram muito com a formação do Estado. As tradicionais danças gauchescas, como a dança do pezinho, chimarrita, balaio, tudo isso é herança dos Açores. Celebrações religiosas e festas, como a festa do Divino Espírito Santo, a festa junina, o tapete de Corpus Christi, o Dia do Terno de Reis, também. _


06 DE JULHO DE 2024
EDITORIAL

A despeito da existência de pontos controversos, cada avanço no processo de mudança do sistema de impostos sobre o consumo merece ser saudado. É o caso da apresentação do relatório final da regulamentação da reforma tributária, conhecido na quinta-feira, elaborado por um grupo de trabalho (GT) criado para este fim na Câmara dos Deputados. A previsão é de o texto ser votado nos próximos dias no plenário, antes do recesso de meio do ano do Congresso. Ainda há possibilidade de algumas alterações.

Um ponto relevante do relatório foi a manutenção da alíquota básica do futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em 26,5%, apesar das mudanças em relação à proposta de regulamentação enviada pelo Executivo. Ainda será uma das mais altas do mundo, mas também fica distante das piores hipóteses que chegaram a ser estimadas, acima de 27%. O grande ganho da reforma é a simplificação, dando fim ao emaranhado tributário que onera a economia, cria contenciosos judiciais, eleva custos de produtos e mina a competitividade do país. Basta lembrar que estudo do Banco Mundial sobre facilidade para apurar e pagar impostos, com 190 nações, colocou o Brasil na 184ª posição.

O relatório ainda traz questões polêmicas, como as que tratam dos segmentos que terão carga maior. São os itens que estão listados no grupo do "imposto do pecado", a exemplo de cigarros, bebidas alcoólicas e produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Não deixa ser curiosa, se não estranha, a inclusão de veículos elétricos nesta lista e a exclusão das armas e de alimentos ultraprocessados.

O texto que saiu do relatório, entretanto, ainda não é o definitivo. Pode ser alterado antes da votação em plenário e, na fase seguinte, quando passar pelo Senado. É possível, portanto, dialogar e corrigir eventuais distorções. Deve-se evitar qualquer possibilidade de elevação da alíquota básica, um risco existente devido a pressões de setores por vantagens específicas. Mas ainda existe a chance de aperfeiçoar a reforma. Notadamente buscando eliminar alguns benefícios localizados e tratamentos especiais, o que poderia deixar a alíquota-padrão menor. Se há esta oportunidade, fariam bem os parlamentares se não a desperdiçassem.

A Câmara criou dois GTs para discutir a regulamentação da reforma tributária. O primeiro, que apresentou o relatório na quinta-feira, tratou do texto principal. Abordou aspectos do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a ser cobrado por Estados e municípios, da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), responsabilidade da União, e do Imposto Seletivo (IS). Este é o que ficou conhecido como "imposto do pecado". O outro GT analisa o comitê gestor do IBS e a distribuição dos recursos recolhidos entre os entes.

As reformas aprovadas no Brasil nunca são as ideais, mas as politicamente viáveis, frutos de negociações intensas. É próprio da democracia e da pluralidade de visões representadas no Congresso. O país discute a reforma tributária há 40 anos e, neste período, interesses regionais e setoriais antagônicos sempre impediram a formação de consensos. Não deve ser perdido de vista, portanto, que desta vez foi possível superar as diferenças. É um feito histórico. _ Um ponto relevante do relatório foi a manutenção da alíquota básica do futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em 26,5%

EDITORIAL

06 DE JULHO DE 2024
ACERTO DAS TUAS CONTAS- Giane Guerra

Alvo de críticas, o mercado financeiro é o vilão?

Criticado por muitos, especialmente pelos últimos presidentes do Brasil, o mercado financeiro não é vilão. Ao contrário, um país com essa área forte e bem fiscalizada sinaliza maturidade econômica da população e tem um bom ambiente para negócios de empresas. Mas por que a coluna traz essa discussão agora? Porque, nesta briga do presidente Lula com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e com a disparada do dólar, os investidores voltaram a estar no alvo das metralhadoras de críticas. O ex-presidente Jair Bolsonaro também desdenhava deles quando suas declarações contra a Petrobras repercutiam na bolsa de valores e no câmbio.

Uma sociedade com pessoas que economizam e investem tem uma saúde financeira melhor. Isso porque as famílias têm mais tranquilidade, finanças controladas e um bom colchão de dinheiro para imprevistos. Sim, temos pobreza alta e abismo social no Brasil, mas também temos muito descontrole financeiro que resulta em alto endividamento e inadimplência, com parte da renda jogada pela janela para pagar juros estratosféricos. Com uma parcela maior da população economizando para o longo prazo, não precisaríamos de uma previdência pública tão pesada.

Pessoas que guardam dinheiro

Há especuladores que ganham na perda do outro? Claro, como há desvirtuamentos em qualquer área ou profissão. Mas estamos aqui falando daqueles que vivem com um padrão de vida menor do que poderiam (meu mantra de vida, aliás) para guardar dinheiro para a faculdade do filho, o intercâmbio da família, a compra da casa sem se abraçar em um financiamento de décadas ou mesmo para aposentadoria.

Essas pessoas ou quem cuida do dinheiro delas, como um assessor financeiro, investem nas mais diversas aplicações. Uma delas pode ser o Tesouro Direto, ou seja, o dinheiro economizado pelo João é emprestado ao governo federal para financiar medidas do poder público. Já a Maria pode deixar sua economia na poupança, cujo recurso financia moradias. O Pedro, por exemplo, é um pouco mais ousado e prefere comprar ações na bolsa de valores. Com isso, ele ajuda a financiar empresas, que buscam no mercado de capitais dinheiro para expandir seus negócios, construindo mais fábricas, lojas e abrindo empregos.

Se houver estabilidade e fiscalização adequada, um mercado financeiro saudável é "um jogo de ganha, ganha", bom para quem investe, quem recebe o aporte, para a economia e para políticas públicas. _

O famoso resort de Florianópolis (SC) Costão do Santinho busca gaúchos atingidos pela enchente para preencher 45 vagas de emprego. O salário chega a R$ 5,5 mil e tem alojamento. Currículos pelo e-mail rhu@costao.com.br.

Quem são os rentistas

Mas, afinal, quem são esses "rentistas" que tanto são criticados? No geral, o termo é usado de forma errada, referindo-se a quem vive de renda e que, em tese, aprecia um país com juro alto, que remunera bem aplicações financeiras, mas corrói o ambiente de negócios. Digo em tese, porque, em geral, investidores também não querem uma economia ruim. Mas o analista de investimentos André Massaro explica a diferença entre o significado popular e o técnico do rentismo:

- No entendimento popular, a palavra rentista vem de renda, como alguém que vive de aluguéis. Na forma depreciativa, quer indicar pessoas que não trabalham. No sentido econômico, rentista é uma pessoa que tem uma vantagem dada pelo governo, resultando com que ela esteja em uma situação privilegiada em relação aos concorrentes. _

Glamour do importado - Consumidor verde

Houve um tempo em que algo ser importado, ter muitos componentes importados ou um comércio ter uma grande quantidade de produtos importados me atraía como consumidora. Hoje, não mais. Aliás, usar isso como marketing até me gera uma certa rejeição. Mas por que falar disso neste espaço que a coluna dedica aos finais de semana para um consumo "verde"? Porque, em geral, importar não é sustentável.

Trazer produtos do Exterior exige uma logística que gasta mais combustível, ambientalmente ruim. Além disso, vai contra o pilar da sustentabilidade que propõe o estímulo à economia local.

Neste momento de reconstrução após a tragédia, quem produz e trabalha no Rio Grande do Sul precisa ainda mais desta dedicação. Tenho visto empresas preferindo fornecedores gaúchos mesmo quando são mais caros. Aliás, há indústrias gaúchas treinando empresas locais para tornarem-se seus fornecedores e substituir a compra de insumos do Exterior. Incrível, não? _

REFLEXÃO

E, sim, prefiro comprar um queijo feito aqui na colônia do que um francês, que também é delicioso. Dou prioridade para um calçado de uma marca autoral daqui do que um tênis importado, que eu provavelmente já tive ou até tenho ainda. Não é demonização do importado, mas é um questionamento sobre a sua glamourização. Este espaço é para dividir descobertas de uma consumidora em transição e um convite à reflexão.

ACERTO DAS TUAS CONTAS

06 DE JULHO DE 2024
GPS DA ECONOMIA

Quanto vai pesar o "imposto do pecado"

Há muita gritaria contra o "imposto do pecado", mas ainda não se sabe qual será a alíquota, só que será maior do que a básica, estimada em 26,5%. A coluna apurou que a previsão é de um teto alto, de até 300%. Esse extremo, porém, só valeria para o cigarro, que pesa no orçamento com despesas com saúde pública para tratamento dos tabagistas.

A regulamentação da reforma tributária será por lei complementar, que exige aprovação por maioria absoluta (metade mais um de todos os votos de cada Casa). A definição das alíquotas será em lei ordinária, que exige apenas metade mais um dos votos dos presentes (maioria simples).

Na proposta original, não estava prevista a inclusão dos carros elétricos, apenas "veículos poluentes" - os que usam motores a combustão, responsáveis por emissões de dióxido de carbono, principal vilão da mudança climática. A palavra que restringia o alcance sumiu no substitutivo da Câmara dos Deputados.

Controvérsia maior que efeito líquido?

Mas há esperança de que a inclusão provoque mais controvérsia do que efeito líquido. Em ensaios sobre o "imposto do pecado", a alíquota baixaria para o patamar de 60% para bebidas alcoólicas e de 30% para refrigerantes. O substitutivo prevê que a definição da cobrança sobre veículos deve considerar uma dezena de itens, como pegada de carbono e emissão de dióxido de carbono. Quase todos jogam a favor dos elétricos e/ou eletrificados, o que poderia reduzir a taxação. Então, não se pode descartar que, na hora de definir o percentual, fique ainda mais perto. Oremos. E cobremos. _

 Veículos

Embarcações e aeronaves

Produtos fumígenos

Bebidas alcoólicas

Bebidas açucaradas

Bens minerais

Concursos de prognósticos e fantasy game

A campanha para tirar os carros elétricos do Imposto Seletivo ganhou um aliado de peso: o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Mas os lobbies para retirar as bebidas açucaradas ganharam força antes da votação

R$ 9,4 milhões a fundo perdido para reconstruir

Um convênio de cooperação técnica e financeira foi firmado entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Senai e a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), com valor total de R$ 9,4 milhões.

Com R$ 8,5 milhões aportados pela ABDI e R$ 945 mil em contrapartida do Senai-RS, a ação é parte do programa Recupera RS, destinado à recuperação de máquinas e equipamentos de pequenas e médias empresas atingidas pela enchente.

Detalhe importante: não é uma linha de crédito, são recursos a fundo perdido, ou seja, não precisam ser devolvidos. Esse tipo de necessidade não tinha, até agora, uma frente de apoio específica.

As três instituições estarão juntas no dia 11, em São Leopoldo, formalizando o projeto, que terá cinco etapas: cadastro e autoavaliação, seleção, diagnóstico, execução e validação dos resultados.

O presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, explica que o objetivo é atender de cem a 200 empresas, com média de R$ 85 mil cada. Segundo ele, o impacto nas cadeias produtivas do Sul é um problema de todo o país:

- A preocupação foi ter resposta rápida para o setor industrial, principalmente dos pequenos, depois da tragédia que abalou o Brasil. Esse foi o nosso foco. _

a nossa parte

Uma iniciativa para reerguer 50 empresas de Porto Alegre e Canoas foi criada pela startup gaúcha O2 Inc. A ação solidária oferece suporte em limpeza. Também auxilia na recuperação econômica com orientação financeira. Interessados podem se cadastrar em gzh.digital/renascer-rs.

A marca holandesa de cuidados capilares Keune Haircosmetics ajuda profissionais de beleza afetados pela enchente no Rio Grande do Sul com doação de equipamentos como secadores, escovas de cabelo e tesouras. A empresa também arrecada recursos em plataforma online.

R$ 15 bi do BNDES estreiam no dia 10

Demorou, foi preciso cobrar, mas saiu: a partir da próxima quarta-feira, as instituições financeiras parceiras do BNDES farão as primeiras contratações de crédito da linha de R$ 15 bilhões para a reconstrução do RS.

O início de operação havia sido previsto para 10 de junho, mas sofreu atraso por uso indevido por empresários gaúchos.

Poderão ter acesso à linha de crédito, reforça agora o BNDES, os candidatos com negócios localizados em áreas efetivamente atingidas pelos eventos climáticos extremos e que tenham sofrido perdas materiais. _

Dólar ensaia alta, e fecha em queda

O dólar abriu e passou boa parte da sexta-feira em alta. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a falar em responsabilidade fiscal e a cotação... virou. Fechou em baixa de 0,46%, para R$ 5,462. A alta se deveu à geração de empregos nos Estados Unidos em junho, que ficou abaixo de maio, mas acima da expectativa, o que não acelera o corte de juro por lá. A semana teve lições tanto para quem critica a atribuição de oscilação cambial a declarações presidenciais quanto para quem só vê esse fator como determinante para o dólar. Quase nunca é só um fator. _

GPS DA ECONOMIA


06 DE JULHO DE 2024
POLÍTICA E PODER

Cadeia de incertezas na eleição da Capital

Até agora, a única chapa consolidada é a da frente de esquerda, com Maria do Rosário (PT) e Tamyres Filgueira (PSOL). O bloco também reúne PV, PCdoB e Rede e tenta atrair o PSB.

Pré-candidato à reeleição, o prefeito Sebastião Melo (MDB) ainda não tem vice definido e aguarda o nome apontado pelo PL. Dono da indicação, o deputado federal Luciano Zucco (PL) diz apenas que a escolhida será uma mulher.

Enquanto isso, o grupo que tenta emplacar uma terceira via corre risco de se fragmentar, visto que Juliana Brizola (PDT) e Thiago Duarte (União Brasil) almejam concorrer e resistem em ceder a cabeça de chapa. O bloco ainda conta com o Avante e o PSB, sendo que este último também avalia apoiar Maria do Rosário.

Apelos por Marchezan

Felipe Camozzato (Novo) e Fabiana Sanguiné (PSTU) completam o rol de pré-candidatos, mas ambos estão solitários até agora. Camozzato tentou o apoio do PP, mas o partido deve seguir na aliança de Sebastião Melo.

Os próximos dias também serão decisivos para a definição do Republicanos, que não apresentou concorrente a prefeito, mas cujo apoio é disputado pelo tempo de propaganda eleitoral e pelo suporte dos candidatos a vereador. _

PAULO EGÍDIO