segunda-feira, 14 de outubro de 2024


14 de Outubro de 2024
EM FOCO

Democratização, evasão e disfunção

Na análise de Artur Jacobus, vice-reitor da Unisinos, o aumento de alunos em cursos de EAD pode ser visto de forma negativa. Apesar de o modelo ser uma forma de democratizar o acesso ao Ensino Superior, ele aponta que existe alto índice de evasão entre os estudantes e que o desempenho em avaliações, como o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), é inferior ao de alunos de cursos presenciais.

- É preciso entender, valorizar a possibilidade de que mais pessoas possam cursar o Ensino Superior, e a modalidade a distância permite isso, é positivo, mas, na nossa visão, tem uma certa disfunção. O EAD deveria ter papel complementar, não deveria ser a principal forma de ingresso no Ensino Superior no Brasil ou em qualquer outro país - aponta Jacobus.

O Conselho Consultivo para o Aperfeiçoamento dos Processos de Regulação e Supervisão da Educação Superior (CC-Pares) avalia a qualidade do Ensino Superior e a possibilidade de nova regulamentação que exija maior qualidade do EAD. _

Percentual de alunos matriculados em educação a distância no RS chega a 58,35%, o segundo maior entre as unidades da federação. Especialista aponta correlação entre redução de oferta de financiamento e diminuição do modo presencial

Presença de universitários em cursos EAD cresce no Estado

Os dados anuais do Censo do Ensino Superior, realizado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que o RS é o Estado em que essa parcela de estudantes mais cresceu nos últimos 10 anos. De 2014 para 2023, foi registrado aumento de 39,6 pontos percentuais entre os universitários gaúchos que estudam de forma remota.

Segundo os dados apresentados, dos 9,9 milhões de estudantes no Ensino Superior, no ano passado, o Brasil registrou 49,25% (4,9 milhões) de alunos na modalidade a distância e 50,75% (5,06 milhões) no modelo presencial. A diferença entre as duas formas em 2023 era de apenas 150.220 matrículas.

O número de alunos presenciais foi superado em 2022 no RS, quando 55% (316.462) das matrículas universitárias eram em cursos EAD. Porém, o histórico mostra que a presença de universitários em cursos a distância já vinha de uma crescente desde 2016.

- Houve aceleração ainda maior a partir de 2017, quando foi bastante desregulamentada a EAD no Brasil, com menor exigência em relação aos polos. E existe uma correlação, que já foi verificada: o fato de não haver formas de financiamento ao ensino presencial faz com que os alunos busquem o ensino a distância - explica Artur Jacobus, vice-reitor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e representante do Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung).

Em 2015, houve mudanças nas regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o que teve reflexos no número de universitários matriculados em cursos de EAD. Para Jacobus, os dados mostram clara correlação entre a diminuição da oferta do Fies e o aumento de alunos em curso de EAD:

- Claramente, tem correlação entre queda, ou diminuição, ou, praticamente, suspensão da oferta de financiamento estudantil público e o crescimento da educação a distância. Porque é uma alternativa. O aluno que não tem quantidade de recursos suficiente para pagar educação presencial, que é mais cara, acaba optando pelo ensino a distância.

O maior crescimento, em comparação com os outros Estados, de universitários em cursos de EAD no RS também tem relação com o perfil da população.

Flexibilidade

A presidente do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), Lúcia Teixeira, relaciona o aumento ao ciclo da educação básica.

- O que a gente vê em relação aos Estados e no Rio Grande do Sul, é que o número de concluintes do Ensino Médio continua caindo, ou seja, de jovens. Os jovens são aqueles que mais estão nos cursos presenciais, enquanto nos cursos a distância, a gente tem prevalência daqueles que têm mais de 30 anos. Então, como menos jovens se formam no Ensino Médio ou precisam trabalhar por causa da situação econômica, só depois eles vão estudar. E aí, muitas vezes, procuram o EAD, que é mais barato e tem flexibilidade de horários, podem estudar de qualquer lugar. 

Beatriz Coan


14 de Outubro de 2024
INFORME ESPECIAL Rodrigo Lopes

Israel erra ao atacar a ONU

Israel tem o direito à autodefesa após ter sofrido o maior atentado de sua história, em outubro de 2023. Tanto o Hamas quanto o Hezbollah, dois grupos terroristas, usam as populações de Gaza e do sul do Líbano, respectivamente, como escudos humanos, o que não justifica excessos nem dá direito a Israel de atacar as Nações Unidas, desrespeitar o direito internacional e infringir a inviolabilidade dos capacetes azuis.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu erra o cálculo ao se arvorar o condão de redesenhar as fronteiras do Oriente Médio e buscar estabelecer uma nova ordem regional. Seu governo não apenas rasga as garantias de convivência entre as nações como desqualifica o único caminho viável no dia seguinte da guerra, para o qual não há plano até agora.

A ONU falha em não garantir a paz global, é atropelada pela realpolitk, tornou-se um condomínio em que regras são facultativas para alguns, no qual António Guterrez é um síndico desprezado. Mas, quando e se um dia os canhões silenciarem no Oriente Médio, se não forem as Nações Unidas a assumir o papel de interlocutora para uma paz duradoura, veremos, rapidamente, o ressurgimento dos grupos terroristas. Não espere essa função da Autoridade Nacional Palestina ou da Liga Árabe, vozes moderadas, mas não atores independentes.

Ao violar a Unifil, a quem se socorreu em 2006, Israel caminha na direção de tantos exércitos libertadores que se transformaram em ocupantes. Em 2003, George W. Bush ordenou a invasão do Iraque como extensão da guerra iniciada após os atentados de 11 de setembro de 2001. Do Afeganistão, que abrigava Osama bin Laden, ampliou o conflito ao Iraque, à época uma ditadura sanguinária, mas que não tinha nada a ver com os aviões jogados contra os EUA.

O mundo é melhor sem Saddam Hussein, assim como seria melhor sem os aiatolás do Irã ou os terroristas do Hezbollah e do Hamas. Mas a guerra de Netanyahu, assim como a de Bush, pode se tornar um pântano. Por maior que seja a capacidade militar da única potência nuclear do Oriente Médio, sem apoio internacional Israel fica menor - e mais vulnerável. _

Os bastidores do poder gaúcho

A próxima visita especial de final de semana ao Palácio Piratini será nos próximos sábado e domingo. Na ocasião, os visitantes poderão conhecer as alas governamental e residencial da sede do governo do Estado. O agendamento prévio será aberto a partir de hoje, ao meio-dia, no site do Piratini (palaciopiratini.rs.gov.br). No sábado, a atividade será realizada em três momentos: às 9h, 10h e 11h. No domingo, o passeio ocorrerá às 10h, 11h, 14h, 15h e 16h. Em todos os horários, haverá mediação de servidores do Palácio, que contam a história da edificação e contextualizam obras do acervo e detalhes arquitetônicos. Serão disponibilizadas 35 vagas para cada grupo. O roteiro é oferecido um final de semana por mês a quem não pode visitar o palácio em dias úteis. A entrada é gratuita. _

Antissemitismo no Brasil

A Stop Hate Brasil, organização dedicada a promover a prevenção contra a radicalização online, identificou 16 mil publicações de cunho antissemita na rede social X em oito meses, desde os atentados terroristas de 7 de outubro de 2023 em Israel.

- Estudos indicam que o antissemitismo é a porta de entrada para a radicalização das pessoas. Preocupados com o risco, iniciamos a pesquisa - explica a coordenadora do estudo, Michele Prado.

Foram buscadas expressões como apologia ao nazismo, a Hitler, a terrorismo e antissemitismo, entre outras. _

Diferenciação necessária

Michele Prado, coordenadora da pesquisa, ressalta que, durante o estudo, foram verificadas quais publicações realmente se tratavam de antissemitismo e quais eram críticas consideradas legítimas ao governo de Israel. Após arquivado, o material está sendo encaminhado à Polícia Federal. 

O perfume do 4º Distrito

Está perto de o 4º Distrito, uma das regiões mais atingidas pela enchente em Porto Alegre, ter um perfume para chamar de seu. Na próxima quarta-feira, a partir das 18h, no Fuga Bar, a associação dos empresários da região escolherá, entre três opções, a fragrância exclusiva que irá marcar esse momento de superação da área. _

Diálogos sustentáveis

Gestão sustentável das empresas e impactos positivos nos negócios serão o tema de debate organizado pelo Instituto Latino Americano de Desenvolvimento Econômico Sustentável (Ilades) em 31 de outubro. O presidente da entidade, Marcino Fernandes Rodrigues Jr., receberá a diretora de Negócios Sustentáveis do banco Santander, Esther Unzueta Dominguez, e o diretor-geral da CMPC Brasil, Antonio Lacerda, a partir das 8h30min na Associação Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre. Inscrições pelo email dialogosilades@gmail.com. 

INFORME ESPECIAL

sábado, 12 de outubro de 2024



12 de Outubro de 2024
MARTHA

Era uma vez, duas, três

Agradeci, dei uma trelinha para compensar o tempo que ele havia perdido escrevendo aquela mensagem que mais parecia um currículo, mas não me aventurei, jantei em casa.

Lembrei desta história quando, semana passada, recebi um e-mail de outro desconhecido. Vou trocar seu nome, mas a mensagem era a seguinte: Meu nome é Giba, há muito tempo desejo conhecerla pessoalmente ou algumas palabras no celular.

Escreveu apenas isso - no cabeçalho, não no corpo do e-mail, que veio vazio. O retrato da penúria, a síntese desses tempos. Ele preferiu matar o assunto rapidinho. Se apresentar para quê? Revelou apenas o apelido e não se preocupou em explicar se o uso do estrangeirismo era erro de digitação ou resquício do idioma natal. Eu que lutasse.

É comum as pessoas reclamarem que tudo dá errado para elas, culpando as conspirações cósmicas, que nunca alinham com seus planos. O Giba ficou sem uma resposta privada, mas inspirou essa crônica de utilidade pública: não se passa no vestibular chutando as questões, não se vai bem numa entrevista de emprego sendo monossilábico. Tem que se puxar. Fazer valer o investimento.

Quem teve um poema publicado em uma revista, enviou uns 25. O turista que conseguiu uma passagem de avião barata ficou a madrugada inteira pesquisando promoções. Lembra quando dependíamos de ligações telefônicas para empresas que só davam ocupado? Quantas horas tentando, tentando, até ser atendido? Que bets, que nada: a melhor aposta é em si mesmo.

Não somos prêmios para ninguém, não estamos em promoção, mas o exemplo do Giba serve de alerta: quem almeja algo, seja o que for, não pode ser tão preguiçoso. Que se dedique um pouquinho, até para demonstrar que tem alguma noção sobre as dificuldades da vida. Eu imagino o Giba deitado numa cama às quatro da tarde, abatido, entediado, escrevendo aquelas duas linhas entre uma soneca e outra. Já o carioca que perambulou pela Patagônia voltou a me escrever mais uma, duas, três vezes, e acabamos namorando. Não durou para sempre, mas foi divertido. Quando a persistência encontra a confiança, dá match. 

MARTHA

60 MAIS

- Um absurdo. Muito tempo perdido. Tenho que voltar a estudar - constatou. Empresário aposentado, Naujorks segue atuando como assessor imobiliário e corretor de imóveis, além de ter uma ativa rotina de exercícios físicos, mas sentia que faltavam atrativos para preencher seus dias. Acompanhar o neto pré-adolescente à escolinha de futebol lhe despertou uma paixão antiga e, a poucos meses de completar 70 anos, ele decidiu realizar um sonho: está cursando a graduação em Educação Física.

Me sinto jovem ainda, motivado, encorajado, valorizado - descreve.

A idade não o impede de traçar mais planos a médio e longo prazos. Ex-jogador de futebol amador, Naujorks pretende trilhar uma nova carreira assessorando técnicos, garimpando talentos ou treinando a gurizada no futebol de campo ou no futsal.

Tenho muito para contribuir. Meu foco é viver até os 90 anos com saúde mental e física. Acredito em aliar a experiência dos mais velhos e dos mais jovens. Com respeito, podemos trabalhar juntos, nos auxiliar e somar - afirma o aluno de primeiro semestre do Centro Universitário Fadergs.

Descobrir algo novo

- Aposentar-se da carreira principal não é se aposentar da vida e de outros sonhos e desejos. É muito importante continuar com planos. Enquanto temos objetivos, estamos vivos, saudáveis, buscando - afirma Simone. - O que ele (Naujorks) está fazendo é superpositivo: realizar um sonho, descobrir algo novo - aponta.

Simone é professora e costuma testemunhar, em sala de aula, os inúmeros benefícios da convivência entre diferentes faixas etárias.

- Precisamos trabalhar mais a questão intergeracional na nossa sociedade. Isso vai gerar uma aceitação maior dos idosos. Cada vez mais, vamos precisar nos acostumar e interagir com diversas idades. O conhecimento, o histórico dos mais velhos contribui muito para os mais jovens, assim como a agilidade de pensamento, a criatividade e a inovação dos mais jovens ajuda as pessoas idosas - comenta a psicóloga.

Troca de experiências

- A troca de experiências e a socialização auxiliam na aprendizagem. O idoso que chega à faculdade terá desafios novos. Isso será saudável para o processo de envelhecimento dele e para os jovens também, que vão ouvir uma pessoa extremamente experiente, trocar ideias sobre a vida e habilidades socioemocionais - observa Eliane.

Desafios também se apresentam ao novato, ressalta a pedagoga. Se o idoso nunca fez uma graduação antes ou está há décadas longe dos bancos escolares, necessitará de um período de adaptação. A rotina de estudante inclui leituras, horas de concentração para estudar, realização de provas e atividades em grupo, apresentação de trabalhos. Aspectos tecnológicos do cotidiano também podem ter impacto, considerando-se as habilidades de cada um.

- O estudante vai precisar construir algumas habilidades que ficaram adormecidas, se organizar no tempo, fazer um cronograma. Pode ter uma dificuldade ou outra, mas, se for empoderado e ativo, vai superá-las com ajuda dos professores e dos colegas - afirma Eliane.

Hoje em dia, o ensino não é unilateral nem individual, destaca a pedagoga. Trata-se de um trabalho coletivo. A idade é apenas um detalhe.

- Não vamos olhar o aluno idoso, com 70 anos. Vamos olhar o aluno. Um sujeito de direitos, com capacidade de aprender. Não existe isso de "as pessoas não aprendem". As pessoas aprendem dentro das suas possibilidades. Quem dera tivéssemos mais idosos na sala de aula - conclui Eliane. _

60 Mais Larissa Roso 


12 de Outubro de 2024
J.J. CAMARGO

Quando alguém, movido por algum estímulo generoso e desconhecido, encantado com sua própria lavra, resolve apostar na remota possibilidade de tornar-se famoso, ele tem ou devia ter a noção de que a fama pretendida é uma enorme improbabilidade. Verdade que uma parcela expressiva de autores estreantes começa escrevendo para satisfazer a si próprio, e mantém-se assim, reconhecido apenas para o círculo de parentes e amigos, o que antecipa o risco de opiniões contraditórias, somando-se às dificuldades naturais de separar os amigos verdadeiros daqueles que parecem ser, mas nada de juramento. E sempre haverá alguém que estimulado por um comentário favorável aqui, outro ali, possa ser mordido pela fantasia de tornar-se conhecido.

Ninguém pode se considerar livre desse risco, haja vista a frequência com que pessoas aparentemente maduras são consumidas por este delírio. Algumas delas, depois de um tempo e muitas consultas aos livros de autoajuda, que estimulam a ideia de que "se você não fizer por si, quem o fará?", resolvem levar a sério um projeto que machucaria menos se nunca ultrapassasse o limiar que quimera.

Como qualquer desistência é difícil, por que consiste em admitir o que de fato somos, alguns autores, em protesto pela sustentada condição de ignorados crônicos, resolvem persistir indefinidamente na perseguição a essa meta, que resultará ao longo do tempo na subtração de muitos pontos na escala pessoal da autoestima.

Quanto tempo pode durar essa insistência é imprevisível, por que esperança e birra são sentimentos pessoais e inegociáveis. No meio do caminho, entre os que recuam e reassumem a condição de autores exclusivos de diários pessoais, e no outro extremo, aqueles de depois de tentativas frustradas, possuídos de fúria, decidem queimar tudo o que escreveram, situam-se alguns de alma serena, que alimentam a coluna dos leitores dos jornais com textos inteligentes e bem resolvidos.

As redes sociais, desprovidas de senso crítico, o que lhes permite aceitar tudo o que alguém se proponha a postar, abriram as portas para uns tipos curiosos. Há os inconformados que esses leitores insensíveis deixem de lê-lo só porque ele não é famoso e resolvem adotar uma estratégia que se tornou rotineira nos últimos anos: tomam emprestado, sem consultar, o nome de um autor famoso e, protegidos pelo biombo da invisibilidade, ficam curtindo, com um risinho maroto, a admiração e os elogios dos tolos ludibriados.

Luis Fernando Verissimo, na sua genialidade bem-humorada, chegou a admitir que algumas vezes gostaria de ter escrito o texto que lhe atribuíram. Mario Quintana, Eduardo Galeano e Pablo Neruda são também vítimas frequentes. O problema é que o escritor escolhido para ser esse tipo improvisado de pombo-correio precisa ser conhecido, e quanto mais famoso ele for, mais detratores da falsificação estarão disponíveis.

E existirão aqueles que, por puro deboche, selecionam autores clássicos para ironizá-los com textos ridículos, como se os séculos de sucessos não os imunizassem. Mas na verdade eles, provavelmente, pretendem apenas arrancar pelo riso de um desconhecido uma frágil vingança para compensar a sua silenciosa decepção. 

J.J. CAMARGO

12 de Outubro de 2024
CARPINEJAR

O privilégio de ter nonos

Não há nada mais delicioso na vida do que ter nona e nono por perto. Minha nona materna partiu cedo, quando eu tinha sete anos. Meu nono mais cedo ainda, quando eu tinha três anos. Não convivi com eles durante a adolescência. Foi só um pouco da infância, e já transbordaram em mim.

Se você conta com a possibilidade de desfrutar dos avós mais demoradamente, aproveite a dádiva. Não adie encontros: visite, acolha, converse, compartilhe a mesa, as confissões e a varanda.

Nono e nona são denominações afetuosas para quem é patrimônio afetivo da família. Indicam a sabedoria do afeto. Correspondem a promoções da velhice, títulos outorgados àqueles que adoçam o coração.

Minha nona mantinha algumas fixações em seus hábitos. Ao se deparar com qualquer cena bonita, ela queria eternizá-la em porta-retratos:

Rende um bom postal!

Tanto que ela espalhava as pequenas molduras com cavalete pelas cômodas e estantes. Reunia um museu de seus mortos e vivos pelos corredores, não distinguindo-os entre si, pois o amor reinava sobre o tempo.

Ela também, como gringa genuína de Guaporé, entendia comida como presente. Vivia oferecendo salame, queijo, pão e pêssegos ou figos em calda de aniversário. Montava uma cesta básica para engordar o celebrante. Após suportar duas guerras mundiais, valorizava o alimento como herança. O produto se originava de fabricação caseira, feita pelas próprias mãos. Ela já preparava as encomendas rezando e agradecendo pela nossa saúde.

Da mesma forma, fazia questão de tricotar malhas para as crianças. Com cores vibrantes de Frida Kahlo, destoando dos trajes sóbrios que usava.

Meu primeiro blusão amarelo veio de suas agulhas de plástico. Ela concedia os agasalhos fora das datas festivas, como uma surpresa para enfrentar o inverno.

Não deixava nenhum neto escapar das tarefas domésticas. Não estávamos ali para ser servidos. Diferentemente dos pais, acreditava que a infância se habilitava a ajudar. Ninguém poderia permanecer parado, ocioso, com os pés levantados no sofá.

Despertávamos cedo para retirar os ovos do galinheiro, e nenhum de nós reclamava. Ficávamos horas escolhendo e colhendo os morangos na horta, e nenhum de nós reclamava. Éramos escalados para cortar cebola, tomate, temperinho verde na tábua da cozinha, e nenhum de nós reclamava. Juntávamos achas de madeira para a provisão noturna, e nenhum de nós reclamava. Sua voz nos pedia com tanto carinho que nunca soou como ordem, mas como convite para dividir a intimidade.

Eu dormia feliz por ter sido útil, eu dormia fundo porque eu havia colaborado com todos.

Os avós não são os que permitem tudo aos netos, mas os que disciplinam os netos, desde cedo, a assumir responsabilidades.

Jamais me esquecerei daquele fogão a lenha crepitando no meio da sala, com polentas e queijos na chapa. Ou daquela avó no centro do mundo, aquecendo o meu futuro.

Quando minha mãe voltava para pegar seus quatro filhos, sempre perguntava para a avó Elisa:

- Eles deram muito trabalho?

E ela respondia, com um sorriso bondoso:

- Pelo contrário, eles dividiram o trabalho comigo.

A mãe pensava que ela estava mentindo. Jamais desconfiava que virávamos outras pessoas na casa da nona. 

CARPINEJAR


12 DE OUTUBRO DE 2024
COM A PALAVRA - Sonia Consiglio

COM A PALAVRA

Jornalista, palestrante e escritora, reconhecida em 2016 pelo Pacto Global da ONU como "SDG Pioneer"

"Houve um despertar das lideranças para a importância da agenda ESG"

Jornalista, palestrante e escritora, Sonia Consiglio foi reconhecida pelo Pacto Global da ONU como "SDG Pioneer", uma das 10 pessoas que impulsionam o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ela falou a ZH sobre práticas ESG.

Sofia Lungui

O que mudou nos últimos anos que amplificou a discussão sobre ESG?

A pandemia foi uma virada de chave do ponto de vista das empresas, mostrando que essas questões são mais estratégicas e menos operacionais. Essa questão de saúde colocou a economia em lockdown, e os líderes perceberam que o mundo é interligado. Houve um despertar das altas lideranças, dos conselhos, dos CEOs que ainda não estavam atentos, para a importância da agenda ESG do ponto de vista estratégico. De olhar para essa agenda não como uma lista de afazeres, mas como as questões sociais e ambientais podem impactar o meu negócio. E tem movimentos anteriores à pandemia que já vinham acontecendo. Muitos riscos se materializaram, com os desastres ambientais que vimos acontecer, e oportunidades foram criadas em torno dessa agenda. Muitas empresas perceberam que estavam perdendo dinheiro e oportunidades por não olharem para a agenda ESG.

Você acredita que a enchente no Rio Grande do Sul influenciou de alguma forma a visão das empresas sobre ESG?

Sem dúvidas. Para as empresas que já estavam engajadas na agenda, houve um aumento da conscientização, porque o que aconteceu no RS foi extremo. Nunca tínhamos visto uma devastação tão grande como essa. As empresas já conscientes ligaram ainda mais o alerta. Quem estava fora dessa discussão teve um despertar. Esse evento é um marco na agenda de conscientização sobre a gravidade das mudanças do clima. É um sinal de alerta definitivo para o setor empresarial e público também, assim como a sociedade civil.

Qual a relação disso com o conceito de "cisne verde", que se refere à crise financeira gerada pelas mudanças climáticas?

Esse conceito aborda como uma tragédia climática, como esta que devastou cidades inteiras no RS, afeta a questão financeira, social e ambiental. As empresas têm de ter lucro, mas ele não pode mais ser baseado só em variáveis econômico-financeiras. Porque os desastres ambientais e sociais também impactam no financeiro. Se a empresa não estiver gerenciando os seus riscos socioambientais, está colocando em risco o retorno financeiro. A lógica é mudar a gestão empresarial, trazer essas variáveis para o seu acompanhamento, para a sua mitigação. 

As empresas precisam ampliar o olhar para questões sociais e ambientais, e isso já está acontecendo. Assim surge esse conceito dos cisnes verdes. Quando a gente fala de ESG, de sustentabilidade, é uma transformação de modelo de mundo. Pessoas, meio ambiente e a forma como a gente faz as coisas, que é a governança, passaram a influenciar o capitalismo. Aí entra o capitalismo consciente, responsável, o capitalismo de stakeholder. Independentemente do nome adotado, é um novo capitalismo.

Que lacunas você percebe no setor privado em relação à implementação da agenda ESG?

Quando a gente separa as três letras, temos um desafio grande no "S" do ESG, que trata sobre pessoas. Precisamos pensar em como trabalhar direitos humanos na cadeia de valor, nos fornecedores e nos funcionários, de uma forma mais efetiva. Mas eu gosto de juntar as três letras. Precisamos usar a lente da sustentabilidade de uma forma holística, e trazer essas questões no planejamento estratégico da empresa. Se você continua olhando só para o ponto de vista financeiro no planejamento, você terá problemas a curto prazo. Tem um desafio grande do ponto de vista de mercado que impacta na gestão empresarial.

? Quais mudanças estão acontecendo dentro das empresas, na prática, que servem como bom exemplo?

O Brasil foi o primeiro país do mundo a aderir, por meio da Comissão de Valores Mobiliários, às normas do International Sustainability Standards Board. As empresas estão muito atentas a isso, e isso vai trazer uma mudança absurda na forma como olhamos para a sustentabilidade. 

A International Financial Reporting Standards Foundation criou essas duas primeiras normas para a elaboração de relatórios de sustentabilidade. Com isso, as empresas terão de publicar as informações sociais, ambientais e de governança junto das informações financeiras. Isso será obrigatório a partir de 2027, ou seja, as informações relativas ao ano de 2026. Isso vai mexer muito com o mundo da contabilidade. Atualmente, não é feito dessa forma, é tudo separado. 

O relatório de sustentabilidade é voluntário, inclusive. Por isso, nem sempre temos um padrão comparável. Isso significa que a partir de 2026 vamos acabar com o mundo paralelo da sustentabilidade, do ponto de vista de publicação de informações, da transparência. Conforme nós vamos acelerando esses movimentos de criação de mercado e de estabelecer novas regras, vamos mudando a lógica de que essas questões são voluntárias. Esse movimento não é algo voluntário, mas sim algo essencial para os negócios.

Quanto dessas iniciativas se concretiza, de fato? Muito se fala de greenwashing por parte das empresas, de um discurso ambiental que fica só no papel.

Um ponto importante é de que agora começam a surgir regras, como essas normas internacionais. São formas de estabelecer critérios para que as empresas possam se declarar socialmente e ambientalmente responsáveis. Tem fundos de investimento sendo multados, porque nos panfletos dizem uma série de coisas que não correspondem à realidade, conforme critérios definidos pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). 

Essa é uma forma de tentar coibir os washings. Outro aspecto é o controle social muito maior do que temos hoje. Se uma empresa vem a público dizer que ela faz uma coisa que ela não faz, ela pode ser penalizada fortemente, pode ser cancelada, gerar um movimento nas redes sociais. Por isso, as organizações estão mais atentas a essas questões, evitando exagerar nas narrativas, porque já vimos muitos casos que deram errado. O lado bom é a visibilidade que esses temas ganharam.

Essa pressão exercida pelos jovens e pelas redes sociais tem surtido efeito nas práticas das empresas?

Com certeza. Da pandemia para cá, o mundo virou digital. O que não era acabou se tornando digital. Uma pesquisa recente da Orbit mostra as redes sociais que mais estimulam conversas sobre sustentabilidade, e a primeira da lista é o TikTok. Instagram e YouTube também. Então, não tenho dúvidas. 

A rede social hoje é onde nós pressionamos e valorizamos as empresas também, principalmente em relação a essas temáticas. E a geração Z já vem com o chip da sustentabilidade, eu sempre brinco. Essa é uma das coisas que me animam, porque estamos fazendo essa transição de modelo e já temos uma geração que chega mais consciente, mais preocupada com o impacto ambiental, que vai acelerar essa transformação. 


12 de Outubro de 2024
MARCELO RECH

Outras vozes das urnas

Além de apontar eleitos e candidatos ao segundo turno, as urnas do 6 de outubro desenharam algumas pistas sobre a realidade e o futuro político do país. Aqui alguns dos efeitos colaterais da eleição.

Abstenção - Está na hora de encarar a realidade. O alto índice de não comparecimento - em Porto Alegre chegou a quase um terço do eleitorado - demonstra que, na prática, o voto obrigatório caiu por terra. Menos de 20 países mantêm a obrigação de ir às urnas, um ato que deveria ser encarado como direito, e não como dever. A obrigatoriedade resulta também em alto número de votos nulos e em branco, além de estimular currais eleitorais. O voto facultativo tende a elevar o nível das eleições, uma vez que candidatos e partidos são compelidos a convencer primeiro o eleitor de que vale a pena comparecer às urnas.

Os grandes vencedores - Um nome consagrado nesta eleição não recebeu um voto sequer. É Gilberto Kassab, criador e mentor do PSD, partido que mais capturou prefeituras. Foram 877, entre elas o cobiçado Rio de Janeiro. Um contorcionista político de raro faro eleitoral, Kassab consegue, ao mesmo tempo, ser o principal secretário e conselheiro do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e manter três ministérios no governo Lula. Contrariando a tese da polarização, o centro foi o grande vitorioso. MDB e PSD foram os mais votados, com mais de 10 milhões de votos cada.

Marçalismo - É cedo para dizer que o estilo mafioso de fazer campanha veio para ficar. Se não for preso ou tornado inelegível, Pablo Marçal terá uma expressão nas próximas eleições, mas sempre é bom lembrar que São Paulo, celeiro de políticos de renome, também nutre criaturas políticas exóticas, como os campeões de votos Tiririca e Enéas. O principal efeito de Marçal foi evidenciar que a extrema direita não é mais território exclusivo de Jair Bolsonaro.

Esmaecido - No mapa nacional de votos, não há mais manchas vermelhas da esquerda, mas apenas pontinhos isolados. O PT e o esquerdismo se saíram um pouco melhor do que a lavada de 2020, passando de 182 para 284 prefeituras, mas o avanço ocorreu quase todo em pequenas cidades do Nordeste. Recife é a única capital com vitória até agora de um partido de centro-esquerda, mas é difícil carimbar a marca de esquerdista no fenômeno João Campos.

Bateu asas - Os votos tucanos saíram em revoada. Na maioria dos Estados, o PSDB derreteu e, com ele, a chance de voo nacional do governador Eduardo Leite caso permaneça no partido ou não haja fusões em série nos próximos meses. É o fim de uma era, a da polarização PT x PSDB. _

MARCELO RECH

12 de Outubro de 2024
CONSELHO EDITORIAL - Nelson P. Sirotsky

Publisher e presidente do Conselho da RBS

Jayme, 90 anos

Na condição privilegiada de sobrinho, sócio e amigo, eu já teria motivos suficientes para homenagear Jayme Sirotsky neste 13 de outubro, data em que o Presidente Emérito do Grupo RBS completa 90 anos de vida. Mas prefiro deixar em segundo plano o parentesco, a parceria empresarial e a amizade para destacar outra razão mais relevante para a homenagem que compartilho com os leitores deste espaço habitual de reflexões jornalísticas: Jayme é hoje, muito provavelmente, o brasileiro que mais contribuiu para as liberdades de imprensa e de expressão em nosso país, no continente sul-americano e em boa parte do mundo democrático.

Primeiro latino-americano a assumir a presidência da mais representativa entidade jornalística do planeta, a Associação Mundial de Jornais, Jayme Sirotsky alcançou em 1996, em Washington, o ponto mais alto de sua militância em entidades associativas comprometidas com a liberdade de imprensa e com a independência da indústria editorial.

Antes, ele já havia prestado inestimáveis serviços a entidades dedicadas à liberdade de informar e empreender. No Estado, participou de todas as associações ligadas ao jornalismo impresso, ao rádio, à televisão e à publicidade. Nacionalmente, apoiou e presidiu entidades como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Também foi diretor da Sociedade Interamericana de Imprensa (Sip) e, nessa condição, esteve entre os cem especialistas reunidos no México, em 1994, para elaborar e aprovar a Declaração de Chapultepec, carta de princípios que oficializou as liberdades de expressão e de informação como direitos inalienáveis dos povos e das sociedades democráticas. Posteriormente, com envolvimento pessoal e habilidade diplomática, conseguiu que sucessivos presidentes do nosso país reconhecessem e aderissem oficialmente às recomendações do documento.

Em paralelo, dedicou-se visceralmente à comunicação no Rio Grande do Sul e a nossa empresa em particular. A RBS deve muito do que é hoje a Jayme Sirotsky, que participou ativamente da construção do grupo desde o seu início, ao lado de seu irmão Maurício Sirotsky Sobrinho. Referência de conhecimento e ética, ele tem sido ao longo da história da empresa um dirigente seguro, um conselheiro sereno e uma inspiração para todos nós.

Do ponto de vista pessoal e familiar, sou muito grato ao tio que acompanhou meu pai no registro de meu nascimento e que sempre esteve ao meu lado em todas as horas, especialmente nos momentos difíceis. Entre as muitas virtudes de Jayme, gosto de destacar três que o tornam uma pessoa muito especial. A primeira é sua disposição para agir: está sempre pronto para tentar, para experimentar e para empreender. A segunda característica que admiro nele é a sua curiosidade. Quer saber de arte, de literatura, de tecnologia, de meio ambiente, de qualquer coisa que represente novidade. E um terceiro aspecto que destaco em sua personalidade é o humor. Mesmo nos momentos delicados, sempre encontra uma palavra suave, uma brincadeira, uma tirada qualquer que acrescente mais sabor à vida.

Jayme Sirotsky é reconhecido como um diplomata da comunicação e um militante incansável das liberdades e da democracia, mas eu o considero - acima de tudo - um ser humano extraordinário, que conjuga ética, elegância e bom humor, razões pelas quais chega aos 90 anos tão amado e respeitado por familiares, amigos e admiradores. E no mundo todo - de sua Passo Fundo natal aos recantos mais distantes do planeta, por onde continua transitando com sua sede de conhecimento e de aventura.

Por tudo isso, nesta data tão significativa, quero deixar aqui registrado que é uma honra para todos nós continuar contando com a presença, com o dinamismo, com o aconselhamento e com o bom humor deste jovem de 90 anos. 

CONSELHO EDITORIAL

12 DE OUTUBRO DE 2024
DISPUTA ENTRE PODERES

DISPUTA ENTRE PODERES

Deputado vai ao STF contra PEC que afeta julgamentos da Corte

Disputa entre poderes

O Supremo Tribunal Federal (STF) terá a oportunidade de se manifestar sobre o projeto que pretende dar ao Congresso a prerrogativa de revisar julgamentos da Corte. Os ministros consideram a mudança uma forma de interferência indevida e inconstitucional na jurisdição do tribunal. Esse é considerado o ponto mais sensível do chamado "Pacote Anti-STF".

O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) pediu a suspensão urgente da tramitação da proposta. Ele afirma que o projeto é uma "ameaça real e séria à conformação institucional do Estado democrático de direito".

"A tramitação da matéria se dá ao preço da violação da autonomia do Poder Judiciário, em sua dimensão organizacional e de procedimento", diz um trecho do pedido.

O projeto compõe o pacote de medidas para alterar o funcionamento do STF, aprovado nesta semana pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Com o aval da CCJ, o projeto poderá ser analisado por uma comissão especial.

Emenda

Qualquer alteração sobre a chancela de decisões dos ministros do STF precisa ser aprovada na forma de emenda constitucional, o que demanda maioria qualificada na Câmara e no Senado.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não pretende, por enquanto, acelerar a tramitação dos projetos, segundo interlocutores. 


De âncora a possível acelerador

Uma das âncoras que manteve a inflação dentro da meta no ano passado, os alimentos exercem pressão inversa em 2024. Com mudança climática intensa, que vai desde aguaceiros até estiagens severas, esse grupo acende alerta para o potencial da alta geral de preços no fim deste ano e possibilidade de novo estouro do teto da meta, após breve pausa no ano passado.

O ramo de alimentação em casa acumula alta de 6,27% em 12 meses fechados em setembro no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No mesmo período do ano passado, apresentava queda de 0,78%. Mas o cenário era diferente, com safra melhor, seca menos intensa, preços internacionais em retração e custos menos pesados aos produtores.

Agora, esse segmento está bem acima da média. O IPCA de setembro mostrou que a inflação acumula alta de 4,42% em 12 meses - apenas 0,08 ponto percentual abaixo do teto da meta estipulada para 2024.

Como os alimentos concentram um dos maiores pesos dentro do indicador, a escalada pode gerar projeção de inflação acima do esperado.

Um dos itens que chama a atenção dentro do grupo de alimentos em setembro é o composto pelas carnes, uma das principais fontes de proteína nas mesas das famílias. Na avaliação de especialistas e do IBGE, a falta de chuva e o clima seco afetam a oferta do produto. Além disso, o período de entressafras se soma a esse cenário, inflando os preços. O problema é de que esse aumento de preços ocorre em um cenário de demanda menor em algumas classes econômicas.

Juro no radar

Resta saber como uma eventual alta mais intensa da inflação vai afetar a dinâmica do novo ciclo de alta do juro básico no país. Para a próxima reunião, que ocorre em novembro, parte do mercado enxerga um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa - hoje em 10,75% ao ano.

A soma de inflação acima do esperado com economia que desacelera em ritmo lento aumenta a expectativa sobre a força dos próximos acréscimos na Selic e até quando essa nova etapa de alta seguirá. _

O dólar atingiu o maior patamar em um mês, com alta de 0,5%, para R$ 5,615. Fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil voltou a afetar a percepção sobre risco fiscal.

Aluguel desacelera

O preço do aluguel em Porto Alegre subiu 0,35% em setembro, menor alta desde junho, quando começaram a ser sentidos os efeitos da enchente. Foram registrados resultados históricos em julho e agosto, com aumento de preço de 3,45% e 3,85%, respectivamente, maiores de toda a série do Índice de Aluguel QuintoAndar Imovelweb, iniciada em 2019.

- O que se vê é uma acomodação. Precisa acompanhar para entender se é tendência - afirma o gerente de Dados do Grupo QuintoAndar, Thiago Reis. _

Serviços com pé no freio

Se de um lado a Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada sexta-feira pelo IBGE, reforça sinais de desaceleração da economia do país, com recuo de 0,4% no setor de serviços, de outro, camadas do indicador apontam que o consumo das famílias segue aquecido e freando queda maior.

Fica a dúvida de até quando esse movimento vai seguir diante de um cenário cada vez mais restritivo no horizonte. Inflação e juro iniciando novo ciclo de alta são alguns dos pontos que reforçam esse ambiente de desconfiança. _

Metade ainda luta contra enchente

Pesquisa da Fecomércio-RS mostra que 54% do setor atacadista gaúcho ainda não está financeiramente recuperado da enchente de maio. Entre as empresas que seguem operando com efeito da enxurrada, 78,3% preveem ao menos mais de três meses para se reerguer (veja tabela ao lado).

Realizada de 12 de agosto a 28 de setembro, a pesquisa ainda indica que 92,5% dos entrevistados foram atingidos pela cheia, sendo 21,3% diretamente, e 71,2% indiretamente.

Período necessário para se recuperar

tempo %

Até três meses 21,7

Três a seis meses 35,6

Seis meses a um ano 33,7

Um a dois anos 9

GPS DA ECONOMIA 


12 de Outubro de 2024
ACERTO DE CONTAS - Giane Guerra

Onde se escolhe de quem comprar energia

Em tempos de alta forte da conta de luz, a coluna volta a provocar o pessoal do setor sobre quando todos os consumidores terão acesso ao mercado livre de energia (inclusive residências), onde, quem pode comprar, economiza até 35%. Seu grande atrativo é escolher o fornecedor e a flexibilidade, pois permite negociar, por exemplo, o preço e a fonte da energia (que seja renovável!). A Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel) defende uma abertura completa deste mercado para todos os clientes já a partir de 2026.

Provavelmente, seria de forma gradual, por faixas de consumo. As regras estão sendo estudadas. Consulta pública do governo federal anterior havia trazido uma previsão entre 2026 e 2028. O atual ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem falado em começar em 2030 e estar totalmente liberado em 2040. Ou seja, um período amplo está em discussão, mas não é um prazo tão longo assim para uma grande conquista.

O mercado livre de energia elétrica já passou de 50 mil clientes no país. O Rio Grande do Sul está batendo a marca de 5 mil registros e fica atrás somente de São Paulo. Por enquanto, lembrando, são médios e grandes consumidores de energia que têm a autorização.

Ainda segundo a Abraceel, 2.672 empresas consumidoras do Estado já informaram as distribuidoras que vão deixar de comprar energia elétrica com elas e vão começar a comprar energia elétrica no mercado livre ao longo de 2024 e 2025. Quase todas são de porte menor. As empresas migram de fato do ambiente regulado para o ambiente livre quando vence o contrato de fornecimento com a distribuidora, que tem validade de 12 meses.

"No Rio Grande do Sul, 37% de toda a energia elétrica consumida é por clientes do mercado livre de energia", diz o levantamento da Abraceel enviado à coluna.

Procura maior aumenta valor

Sim, os preços têm subido também no mercado livre de energia. A mesma seca que está fazendo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) cobrar bandeira tarifária vermelha, encarecendo a conta de luz, deixa a geração dos fornecedores livres mais cara e, principalmente, mais demandada. Ainda assim, vale a pena, tanto que atrai os consumidores que podem comprá-la, seja por preço, seja por segurança de fornecimento, o que é essencial, por exemplo, para empresas. _

Luz alta na conta

Em setembro, a conta de luz foi o item que mais pesou na inflação da região metropolitana de Porto Alegre. Segundo o cálculo do IBGE, o aumento foi de 7,01% sobre agosto, com a entrada em vigor da bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,463 a cada 100kWh consumidos. Prepare o bolso, pois aumentará de novo agora em outubro, porque a bandeira subirá para o patamar 2. _

Com ajuda do sol

Consumidor verde

Com seca, alta demanda, transição energética, não tem como ser um consumidor mais verde hoje do que produzir a própria energia. Nas residências, a mais acessível é a solar. Os painéis fotovoltáicos e seus sistemas estão mais baratos e, com a disparada da conta de luz, o retorno do investimento para instalá-los caiu para de três a quatro anos, considerando a economia que proporcionam, estima a coordenadora estadual da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Mara Schwengber.

Surgiu nos últimos dias, porém, um entrave, que está atingindo consumidores das áreas da RGE, mas ainda não os da CEEE Equatorial. Por lei, as regiões não podem gerar mais do que consomem de energia. Sim, a regra não tem sentido quando não há dano ao sistema, pois o mundo precisa de mais energia. Mas, enquanto não é alterada no Congresso, a inversão de fluxo está travando a liberação de novos projetos. Ou a geração de energia pelo consumidor é limitada a uma parte do consumo ou a algumas horas do dia.

Mara, da Absolar, recomenda que o consumidor pondere isso com a empresa na hora da compra do sistema, até mesmo para não tomar financiamento e ter o projeto limitado. Ainda vale a pena, pois há economia, mesmo que não se consiga abater toda a conta de luz.

- A grosso modo, se tem a limitação de gerar 50% do que consome, investirá R$ 15 mil para economia de R$ 400 mensais na conta, em vez de R$ 30 mil para abater R$ 800. O tempo de payback (retorno do investimento) será o mesmo.

É provável que isso potencialize o uso de baterias nas residências para armazenar a energia gerada, sem precisar injetá-la na rede elétrica. O preço dos equipamentos vem caindo e já parte de R$ 15 mil. 

O impulso de consumo no Sul

Veja as respostas de quem é do Sul à pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC):

Faço muitas pesquisas de preço antes de comprar qualquer produto ou serviço 58%

Quando o assunto é comprar, sou moderado, ou seja, nem muito econômico e nem muito gastador 33%

Se desejo algum produto ou serviço, compro sem pensar 9%

ACERTO DE CONTAS


12 de Outubro de 2024
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O alerta do Nobel da Paz

O Nobel da Paz que distinguiu na sexta-feira a luta da organização japonesa Nihon Hidankyo contra a ameaça nuclear carrega, em si, a contradição do criador da mais importante láurea para o progresso humano. Alfred Nobel, ao mesmo tempo em que destinou sua fortuna a um prêmio que dignifica a paz, foi o inventor da dinamite - criação que mudou a forma da guerra, tornando-a mais mortífera.

A contradição do prêmio de 2024, de alertar para o abismo nuclear, reside no fato de a sociedade humana ter alcançado, nas últimas décadas, tamanho progresso: somos mais longevos do que nossos antepassados, estamos mais perto de descobrir a cura para doenças terminais e lidamos, não sem dilemas, com a inteligência para além do ser humano - supostamente "artificial".

Há, no entanto, reveses na globalização, restrições à liberdade de expressão e de imprensa, ao livre-comércio e à democracia. Ao mesmo tempo, estamos, como em poucas vezes ao longo da trajetória humana, tão próximos do abismo nuclear: testemunhamos duas guerras simultâneas - no Oriente Médio e na Europa -, nunca tantas nações detiveram arsenal atômico e os acordos que restringem ogivas nucleares foram rasgados ou estão moribundos.

Ao mesmo tempo, o multilateralismo, um freio ao homem como lobo do próprio homem, luta para se manter relevante. A ONU não consegue ser efetiva para garantir a segurança internacional, razão para a qual foi criada, e suas agências são, em geral, patroladas pelas próprias potências atômicas.

Parte do problema reside no fato de a organização não representar a balança de poder do atual sistema internacional. Passados 76 anos desde sua criação, o Conselho de Segurança, seu órgão máximo, é, ainda hoje, moldado à imagem e semelhança do cenário imediato pós-Segunda Guerra Mundial: os cinco grandes (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) têm arsenal nuclear, mas há outros países que detêm a tecnologia: Paquistão, Índia, Coreia do Norte e Israel (não declarado).

Todos eles, juntos, contabilizam 12.121 ogivas, 90% em poder dos EUA e Rússia, que travam uma velha nova Guerra Fria no Leste Europeu. Não dispõem da bomba, mas desempenham peso no tabuleiro geopolítico atual outros players, como Alemanha, África do Sul, Brasil e o próprio Japão, o único a sentir a ferro e fogo o poder devastador da bomba.

Olhar para o Oriente Médio

No momento em que o regime dos aiatolás trava uma guerra por procuração, por meio dos grupos terroristas Hamas, Hezbollah e os houthis do Iêmen, contra Israel e aliados, vale o alerta da ameaça que um Irã nuclear representa para a humanidade. Sabe-se que o país estaria muito perto de enriquecer urânio capaz de dispor de uma bomba.

Embora sempre valha a ressalva "ter a bomba é uma coisa e capacidade tecnológica para dispará-la outra", essa premissa é muito frágil para garantir que nós, nossos filhos e netos, estejamos vivendo em um mundo seguro. _

Furacão Milton: homem é resgatado boiando agarrado a freezer

Um homem que flutuava no mar agarrado a um freezer foi resgatado de helicóptero pela Guarda Costeira dos Estados Unidos na quinta-feira a 48 quilômetros da costa de Longboat Key, no sul da Flórida, região fortemente afetada pelo furacão Milton.

Ele era o capitão de um barco de pesca que havia ficado à deriva ainda na segunda e seu paradeiro era desconhecido desde quarta-feira. Ao voltar para tentar resgatar a embarcação, o homem acabou tendo problemas mecânicos que o impediram de navegar até um porto e foi atingido pela tempestade.

O presidente Joe Biden anunciou que visitará o Estado no domingo para supervisionar os trabalhos em áreas danificadas. Segundo dados das autoridades, ao menos 16 pessoas morreram. _

Força para abolir armas nucleares

Para o diretor da organização Nihon Hidankyo, o prêmio "será uma grande força para lembrar ao mundo que a abolição das armas nucleares pode ser alcançada". _

Brasil se abstém sobre violação de direitos humanos na Venezuela

Os países membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovaram na sexta-feira a renovação da missão de investigação de violações de direitos humanos na Venezuela por mais dois anos.

A decisão, que também dá continuidade ao trabalho do Alto-Comissariado da entidade no país, contou com 23 votos favoráveis, seis contra e 18 abstenções, entre elas a do Brasil.

A resolução solicita que a Missão Independente da ONU no país, criada em 2019, investigue a repressão ocorrida após a eleição presidencial de 2024. O documento foi apresentado por Canadá, Argentina, Chile, Equador, Guatemala, Paraguai e Uruguai. Os seis votos contra foram da Argélia, China, Cuba, Eritreia, Sudão e Vietnã. A delegação venezuelana presente na sessão criticou o texto da resolução antes da votação. 

Resultados da cocriação holandesa

Está em fase de revisões finais um relatório com propostas obtidas na conferência de cocriação realizada entre o governo do Estado e a Holanda em agosto. O documento, que deve sair nos próximos dias, é um compilado dos resultado colhidos por 140 profissionais que trabalharam de forma prática durante três dias para reunir as melhores referências dos conhecimentos, tanto neerlandeses quanto brasileiros, para chegar a soluções contra enchentes nas áreas do Delta Metropolitano de Porto Alegre.

Entre as propostas, foram abordadas questões como monitoramento e sistemas de alerta, sistemas de proteção contra inundações e governança e financiamento.

Os estudos foram realizados também em parceria com a prefeitura de Porto Alegre e a Universidade Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS). _

No RS, 12 políticos religiosos eleitos

No primeiro turno das eleições de 2024, foram eleitos 37 candidatos com identidades religiosas no nome de urna em todo o Sul do Brasil. O número aumentou em relação a 2020, quando foram 28. No Rio Grande do Sul foram 12 políticos, contra 11 na eleição passada.

Os anos recordes foram 2012 e 2016, ambos com 13. O levantamento foi elaborado pela Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados. Para a pesquisa, foram aplicados filtros de religiões evangélicas, católicas e de matriz africana para identificar o vínculo.

As palavras foram: pai, mãe, pastor, pastora, pr., missionário, missionária, bispo, bispa, apóstolo, apóstola, reverendo, irmão, irmã, ir., padre, abençoado, abençoada, babalorixá, ialorixá, ministro, ministra, Ogum, Exú, Iansã, Yansã, Iemanjá, Obaluaê, Oxalá, Omulu, Oxóssi, Oxum, Oxumaré e Xangô. 

INFORME ESPECIAL

sábado, 5 de outubro de 2024


05 de Outubro de 2024
MARTHA

Vida: embarque imediato

Não vejo o mar há sete meses. Saudade de sua extravagância, da quantidade imensurável de água refletindo o azul do céu, do ruído que emerge de suas profundezas, produzindo ondas que dialogam com quem está sentado na areia. O mar, sustento de pescadores, desafio de remadores, caminho de navegadores, alegria de banhistas, modelo para fotógrafos, o rei dos cartões-postais, leito para pores do sol. 

O mar, além disso tudo, é túmulo de poetas suicidas, roteiro de filmes-catástrofe, vista panorâmica que encarece o preço dos apartamentos. O mar, despindo-se de sua grandeza, molha nossos pés nas caminhadas de final de tarde, é quem dá o match perfeito com a música que estamos escutando, ameniza nossa melancolia e serve como cenário para uma paixão recém iniciada. O mar é um aliado, se soubermos nos aproximar e nos mantermos serenos diante de sua superioridade.

Quando não é o mar, é a montanha, ela que também redimensiona nosso tamanho, nos coloca em nosso lugar. Alta, emergente, de uma imponência vertical, é uma onda gigante que não arrebenta, uma ameaça cinematográfica, um deslumbramento de pedra, forrado de verde. Obstinados, trilhamos por meio de suas florestas, esquiamos pela neve que ali repousa no inverno, buscamos seus picos, viramos alpinistas que competem por uma majestade que jamais abandonará sua dona. Cenário que também atende aos apelos dos fotógrafos, que encarece igualmente as vistas dos chalés, que nos acorda com a pureza do ar matinal e induz a sonos profundos, nenhum relevo consegue ser tão quieto. Montanhas guardam segredos eternos.

Distantes dos grandes ecossistemas terrestres e aquáticos, nos resta uma praça, um parque, um lago, pequenas recompensas em meio à urbanidade, prêmios de consolação. Mas é só junto ao mar e à montanha que nossa pulsação muda, que nossa respiração desintoxica, que nossos olhos se arregalam e que a vida encontra seu verdadeiro sentido. Não é no cimento, no asfalto, no trânsito.

Desculpe se abusei do romantismo, mas se você concordou com cada linha, se por pouco não chorou, toque aqui: como eu, também deve estar precisando urgentemente de férias.

MARTHA

05 de Outubro de 2024
CARTA DA EDITORA

Donna Beauty Pompéia

Colorimetria a seu favor

O que é ter sorte na vida para vocês?

As Gu te deixaram indecisa nas fotos abaixo? A Alice Bastos Neves e a Kelly Costa apostaram na coleção Primavera/Verão e fizeram bonito. É sempre assim: na Pompéia tem looks para todos os gostos. E ainda uma consultoria de moda para compor produções diferentes. Uma delas é apostar na colorimetria. A calça em tons terrosos, quando combinada com nuances de azul, compõe uma produção alegre e primaveril. Já a dupla colete e saia mídi em cores iguais traz a sofisticação do monocromático. Além disso, utilizar camisas como sobreposição de vestidos oferece um toque de modernidade. Quer um truque extra de styling? Se a peça for colorida, invista em uma cor que está presente no vestido, além de amarrações variadas.

Todos esses looks podem ser encontrados nas lojas, no site lojaspompeia.com.br e no App. Nos visite no Donna Beauty Pompéia, no Pontal Shopping (Av. Padre Cacique, 2.893), de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 12h às 20h. E não deixe de solicitar o nosso serviço de consultoria de moda gratuito, disponível em todas as unidades.

Não é novidade que o papo é sempre solto quando a entrevistada é uma das titulares do programa Saia Justa, do GNT. O elenco, sempre em ciclos e diverso, não abre mão de um ponto-comum: são mulheres com muito a nos dizer.

Quando a nova formação foi anunciada, nossas antenas foram direcionadas para esses nomes como desejo de capas futuras, e estreamos com a jornalista soteropolitana Rita Batista, que cumpriu o esperado e superou. Inteligente e espiritualizada, entrega na entrevista para a repórter Letícia Paludo um tutorial de generosidade - inclusive com ela mesma, algo tão difícil no universo feminino, território em que as cobranças chegam de fora, mas também partem de dentro.

O que lemos é uma lição de autoestima e uma positividade que fogem dos discursos vazios de redes sociais - aliás, nada nela é clichê. Rita vê abundância no saber, na educação, no trabalho e no autocuidado. Diz que não tinha a menor chance de não ter dado certo na vida sendo parte do "camarote da pirâmide", mas sabemos que não é bem assim. Rita nos ensina a querer dar certo como ela. Olhar a sorte quando temos uma família amorosa e potente. Aproveitar o acesso aos estudos. Uma aula de vida, direto dos nossos sofás. Isso também é um privilégio. _

moda exposição - Pompéia e Duda Galvani - Trinta anos de Herchcovitch

Tem novidade no mundo fashion. A coleção Duda Galvani para Pompéia será apresentada no dia 17 de outubro, durante o Pompéia Fashion Weekend, que será realizado no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre. A união das expertises das marcas foi celebrada pela CEO do Grupo Lins Ferrão, Carmen Ferrão: - Unir duas referências em moda, trazendo modelos da Duda Galvani para as clientes com um valor acessível, é uma oportunidade incrível. Acredito que será um sucesso. As peças apresentam uma fusão de cores vibrantes de forma elegante. O laço, elemento icônico e tão presente nas coleções da estilista, aparece em formatos e tecidos diversos. Com um brilho sutil que permeia cada modelo, os vestidos capturam a essência do Atelier Galvani, proporcionando um design de personalidade. Com preços de R$ 299 e R$ 399, a coleção limitada será vendida exclusivamente na Pompéia Iguatemi.

corrida - em Sapatos no foco

Só para elas

Será realizada até 13 de outubro a feira Loucura por Sapatos, nos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo. Nos 25 mil m² de área de exposição e atrações, o público poderá conferir cerca de 200 expositores e 500 marcas de calçados, bolsas e acessórios, além de roupas e utensílios domésticos. De segunda a quarta-feira, das 14h às 21h, e de quinta-feira a domingo, das 10h às 21h.

Gosta de correr? Então se prepare, pois no dia 20 de outubro ocorrerá o Poa Ladies Run, corrida diurna com participação exclusiva do público feminino. A prova terá sua largada às 8h, no Golden Lake (Av. Diário de Notícias, 1.200), na Capital, nas modalidades de 3, 5 e 10 quilômetros. As inscrições podem ser feitas pelo site poaladiesrun.com.br.