segunda-feira, 13 de janeiro de 2025



13 de Janeiro de 2025
EM FOCO

Lei que restringe celulares em escolas será sancionada hoje

Uso do telefone móvel passará a ser limitado no ambiente escolar, inclusive nos intervalos e recreios. Expectativa é de que novas regras passem a vigorar já no ano letivo de 2025. Deputado federal autor de proposta diz que objetivo é dar respaldo aos colégios e que é necessário entender a realidade de cada local

Sofia Lungui

Deve ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tarde de hoje, a lei que restringe o uso de celular nas escolas públicas e privadas do país. A proposta, de autoria do deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), foi aprovada pela Câmara e o Senado em dezembro, após nove anos tramitando no Congresso.

A cerimônia está marcada para as 15h, no Palácio do Planalto, em Brasília, com a participação de parlamentares envolvidos na tramitação da medida. A expectativa é de que Lula sancione o texto sem vetos e que as novas regras passem a vigorar já no ano letivo de 2025.

A legislação será regulamentada pelo Ministério da Educação (MEC). Pela lei, o uso de celular passa a ser limitado no ambiente escolar, inclusive nos intervalos e recreios. Será permitido apenas para fins pedagógicos e para garantir acessibilidade a estudantes com deficiência, ou em casos de violência no entorno da instituição.

Orientações

O porte será vedado apenas aos alunos da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º a 5º ano), com exceção para casos de inclusão ou acessibilidade. Para alunos de Ensino Médio e anos finais do Ensino Fundamental (6º a 9º ano), será possível levar o celular para a escola, mas o dispositivo deve ficar guardado na mochila ou em outro local.

Conforme Alceu Moreira, o objetivo é dar respaldo às escolas para que possam restringir o uso dos dispositivos, caso sintam necessidade. Ele destaca que é necessário entender a realidade de cada local:

- A legislação autoriza que não se permita a utilização, ninguém pode tirar a autoridade dos professores no recinto escolar. Mas terá de haver diálogo. A lei estabelece que o telefone não deverá ser utilizado. A palavra proibição é muito pesada. É preciso conversar, mostrar para as pessoas que a legislação não é para proibir, mas sim proteger os alunos.

A legislação orienta que o aparelho não seja utilizado nem mesmo no recreio. Segundo a psicóloga e especialista em uso de telas Sofia Sebben, as escolas devem implementar as novas medidas gradualmente.

Outra medida a ser tomada pelos colégios é garantir que haja profissionais dispostos a acolher os alunos, uma vez que abandonar repentinamente o uso do celular pode trazer sofrimento para alguns.

- Para aqueles adolescentes que vinham utilizando bastante o celular, será mais desafiador. Nessa fase, o cérebro está a todo vapor, e mudar um hábito assim, do dia para a noite, pode ser complicado. É importante que as escolas e as famílias auxiliem nessa adaptação - explica.

Leitura

Para Sofia, uma boa dica é que as instituições e os familiares incentivem que as crianças e jovens despertem o interesse por outras atividades para além do tempo nas telas, como leitura e esportes. Nas escolas, é importante criar espaços atrativos aos adolescentes, para que não sintam tanta falta do celular.

É o caso do colégio Arthur da Costa e Silva, de Capivari do Sul, no Litoral Norte. Mesmo com o celular liberado nos intervalos, como os estudantes já se acostumaram a utilizar menos o aparelho, costumam aproveitar o recreio para outras atividades, como jogar vôlei, tocar violão e conversar com os colegas. _

"No início, houve resistência, mas agora se acostumaram"

O assunto vem gerando discussões por parte de especialistas, profissionais da educação, mães e pais de estudantes, tendo em vista que os celulares são muito presentes em sala de aula. O entendimento é de que será um desafio implementar a lei e aderir às restrições. Na prática, algumas escolas já contam com regras próprias para controle do uso do aparelho.

É o caso da Escola Estadual de Ensino Médio Arthur da Costa e Silva, de Capivari do Sul, que limita o uso do aparelho desde 2022. De acordo com a diretora Sinara Araujo da Silveira Famer, após a pandemia, os gestores perceberam que o uso dos dispositivos eletrônicos por parte dos alunos estava sendo excessivo e prejudicava a aprendizagem. Por isso, sentiram a necessidade de impor limites.

A instituição adquiriu caixas para colocar nas salas de aula. Assim que entram no recinto, os estudantes precisam deixar o celular na caixa.

Acordo

Mas eles podem usar os dispositivos em outros espaços do ambiente escolar, inclusive nos intervalos. A medida vale para alunos de todas as idades.

- No início, houve resistência, mas agora eles se acostumaram. Quando um aluno acaba desrespeitando a regra e insiste, após a terceira advertência, o professor tira o celular dele e entrega para a direção. A direção só entrega o celular para o responsável do aluno, que precisa vir buscar. Tudo isso foi acordado junto à comunidade escolar - diz a diretora do colégio, que conta com 277 alunos. _

"Após a terceira advertência, o professor tira o celular dele e entrega para a direção."

Sinara Araujo da Silveira Famer

Diretora da Escola Arthur da Costa e Silva, de Capivari do Sul

"É importante que as escolas e as famílias auxiliem nessa adaptação.

Sofia Sebben - Psicóloga e especialista em uso de telas


13 de Janeiro de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O que a tragédia do bolo ensina

Enquanto os gaúchos não conseguem desgrudar os olhos do caso do envenenamento em série, em Torres, dois temas são urgentes para que, como sociedade, possamos tirar algum aprendizado de toda essa tragédia. O primeiro é sobre a necessidade de revisão dos protocolos hospitalares a respeito de óbitos decorrentes de intoxicação alimentar.

A polícia chegou a comentar sobre o assunto na coletiva de sexta-feira, após a análise que comprovou que o sogro da suspeita também morreu devido ao arsênio. Ora, o corpo só pode ser exumado e periciado porque não fora cremado em setembro.

Claro, não havia qualquer tipo de investigação ou suspeita de envenenamento no momento da morte daquele homem. Mas, se ficasse comprovado o óbito, ainda no hospital, devido à ingestão de arsênio, os novos assassinatos teriam sido evitados.

Outro ponto que a tragédia familiar levanta é a facilidade a que se tem acesso a arsênio no Brasil. Devido ao grande risco de contaminação acidental, a substância tem venda controlada e é proibido como raticida. No entanto, uma rápida pesquisa na internet leva a conhecidos sites de comércio digital para a compra do produto. E por um preço bem baixo. _

Apenas nas duas primeiras semanas de janeiro, já há três datas que marcam temas relacionados à defesa da democracia: a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro, os dois anos dos ataques de 8/1 e, na próxima quarta-feira, os 40 anos da eleição de Tancredo Neves.

Quem mais foi à posse do ditador da Venezuela

Além da embaixadora Gilvânia Maria de Oliveira, que compareceu à posse do ditador Nicolás Maduro, em Caracas, representando oficialmente o Brasil, integrantes da esquerda estiveram na solenidade: o historiador Valter Pomar e a psicóloga Monica Valente, secretários-executivos do Foro de São Paulo, Camila Moreno, que atuou na coordenação do Ministério da Educação durante o governo Dilma Rousseff, e Vera Lúcia Barbosa, ex-secretária de Movimentos Populares do PT. O MST também enviou comitiva composta por cinco integrantes, entre eles João Pedro Stédile. _

Experiência gaúcha na Academia de Lisboa

Com vasta experiência e prática, o coordenador do curso de especialização em Direito Penal da PUCRS, Marcos Eberhardt, vai integrar o corpo docente da pós-graduação da Universidade Autónoma de Lisboa, em Portugal.

Ele ministrará o curso de "Prova e Garantismo Penal", que começa em 3 de fevereiro. As aulas foram projetadas para quem deseja aprofundar o conhecimento sobre matéria probatória no âmbito do processo penal garantista. _

Entrevista

"O antissemitismo vem da ignorância"

Daniela Russowsky Raad

Presidente da Federação Israelita do Rio Grane do Sul

Aos 34 anos, a advogada Daniela Russowsky Raad é a nova presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul (Firs). Ela é a mais jovem dirigente da instituição e a segunda mulher. Descendente de árabes e judeus, Daniela conversou com a coluna sobre seus planos à frente da entidade.

? Como a sua descendência contribui para a sua visão de mundo?

Meus avós por parte de pai eram libaneses, vieram para o Brasil em 1948. Eram cristãos maronitas. Por parte de mãe, tenho uma família judia. Meus bisavós vieram para cá, para o Brasil, fugidos da região da Bielorrússia, naquela onda imigratória para as colônias do interior do Rio Grande do Sul, para Philippson, especificamente. Tanto da parte libanesa da família quanto da judia, valorizamos muito o respeito às pluralidades. Também prezamos muito pela educação. Isso me forjou como pessoa.

? Está havendo renovação na presidência da Firs?

Gosto de pensar como uma continuidade. Quando se vê alguém jovem, isso remete a uma ideia de ruptura. Não é como eu vejo. É uma diretoria que, na média de idade, todos são relativamente jovens. Mas, ao mesmo tempo, para se chegar a uma diretoria como essa, existe um trabalho de muito tempo. Sobre o fato de ser mulher, a gente teve Matilde Gus, a outra presidente, muitos anos atrás, que fez um trabalho maravilhoso e que é uma inspiração. Temos movimentos na comunidade muito fortes que trabalham com o social e com a caridade. Foram sendo plantadas sementes que vão gerando frutos. Hoje, eu estar aqui (na presidência), como jovem e mulher, é resultado do trabalho de pessoas que foram plantando, deixando um espaço para desenvolvimento, para que a gente quisesse vir também e continuar esse trabalho.

Você era vice-presidente. Também, nesse sentido, é uma continuidade?

Comecei como voluntária na Firs aos 19 anos, mas na diretoria estou há quatro anos. No último ano, eu era vice. Foi uma sucessão bem-feita. O Márcio Chachamovich, o antigo presidente, fez um trabalho incrível. Não teve uma renovação completa da diretoria.

Como você pretende tratar o tema do antissemitismo?

O antissemitismo não é novo. Achar que surgiu nos últimos anos é ingenuidade. Sempre existiu. É uma forma de ódio, de preconceito, de racismo. Infelizmente, isso existe e dificilmente a gente consegue se livrar. A gente contém o antissemitismo, trabalha para que não se propague. A Conib (Confederação Israelita do Brasil) criou um sistema de mapeamento nacional que mostra que, no último ano, houve aumento de quase 70% de denúncias no país. Isso só faz com que a gente tenha de trabalhar de forma ainda mais firme para combater o ódio. O antissemitismo, a meu ver, vem, em grande parte, devido à ignorância.

Como combater?

Acredito que educação e informação são as melhores formas. Esta gestão está comprometida com isso.

Como vê a importação, no Brasil, do tema dos conflitos no Oriente Médio, em geral com uso político e ignorando as complexidades daquela região?

Precisa ser evitada. A gente não tem de trazer o conflito para cá. A comunidade judaica é conhecida. Completamos, no ano passado, 120 anos da imigração judaica para o RS. Nesse período, a comunidade judaica foi mais do que acolhida e mais do que abraçou. Ela se integrou a todas as outras comunidades no Estado. Isso é o que temos de olhar: para essa construção conjunta. Hoje em dia, pessoas antissemitas querem disseminar algum ódio contra os judeus e o fazem, muitas vezes, mirando Israel. Chamamos de roupagem do antissionismo. É necessário quebrar estereótipos, preconceitos, de achar que a comunidade judaica tem um perfil único. Isso não existe. A comunidade é plural, diversa politicamente. É preciso valorizar o respeito ao próximo, à vida, à tolerância ao outro, ao diferente. 

INFORME ESPECIAL

sábado, 11 de janeiro de 2025

08/01/2025 - 17h35min
Sofia Lungui

Hospital Moinhos de Vento formaliza pedido para abrir curso de Medicina no Rio Grande do Sul 

Solicitação foi protocolada junto ao Ministério da Educação. Para iniciar as atividades, é necessário aguardar autorização do governo federal, que ainda não tem previsão 

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

A solicitação foi protocolada junto ao MEC.

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

A Faculdade de Ciências da Saúde do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, formalizou pedido para abrir um curso de Medicina no Rio Grande do Sul. A solicitação foi protocolada junto ao Ministério da Educação (MEC). Para que as atividades iniciem, é necessário aguardar os trâmites regulatórios determinados pelo governo federal para abertura do curso, conforme informou o hospital. 

O MEC está analisando a solicitação e ainda não há previsão para a aprovação do pedido. Nesta semana, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) uma portaria anunciando que a Faculdade Moinhos recebeu habilitação do MEC para “solicitar o protocolo do pedido de autorização do curso de Medicina”.

No entanto, de acordo com esclarecimentos do MEC à reportagem, isso não significa que o curso esteja autorizado. Conforme nota enviada pela pasta, “a habilitação não equivale à autorização para o funcionamento do curso de Medicina e não enseja a garantia de autorização do curso”. 

A habilitação atesta que a Associação Hospitalar Moinhos de Vento, mantenedora da faculdade, cumpre com exigências necessárias para obter essa certificação. Entre os requisitos estão: ter as condições necessárias para residências médicas em diferentes áreas, ter número mínimo de leitos de emergência e ter convênio com a rede de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS) no município da unidade hospitalar.

Somente após a conclusão da análise do pedido, caso o pedido seja aprovado, será emitido o ato autorizativo que permitirá o início das atividades do curso. A partir da publicação dessa autorização, devem ser iniciadas as atividades do curso em um prazo de no mínimo três meses, e no máximo de 12 meses, conforme o MEC.

Questionado, o Hospital Moinhos de Vento informa que aguarda os trâmites regulatórios determinados pelo MEC para abertura do curso. A possibilidade de aprovação já havia sido anunciada pelo então ministro da Comunicação, Paulo Pimenta à Rosane de Oliveira.

Em nota, o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, defende que as novas faculdades de Medicina devem oferecer todos os pré-requisitos para que a formação dos alunos seja adequada para o futuro da profissão.

"Para cada faculdade, com condições que venha a ser aberta, é fundamental que o mesmo número de vagas seja fechada em faculdades que não oferecem o mínimo necessário para uma formação acadêmica correta. Nós temos que olhar para a Medicina para o futuro e onde nós vamos precisar de médicos qualificados, com capacidade de atendimento e com uma boa formação", afirma Matias.

11/01/2025 - 05h00min
Marcelo Gonzatto

Casas resistem ao avanço dos arranha-céus e preservam estilo de veraneio "raiz" no Litoral Norte

Pátio com grama, móveis antigos e quinquilharias na garagem são algumas das características que ecoam verões passados nas praias gaúchas, mesmo em zonas cada vez mais urbanizadas

Duda Fortes / Agencia RBS

Imóvel na Avenida Fernando Amaral, em Tramandaí, prensado entre dois prédios altos erguidos nos últimos anos.

Mesmo diante do avanço irrefreável de prédios altos e condomínios fechados no Litoral Norte, nas zonas centrais de praias como Tramandaí há casas que teimam em preservar um estilo "raiz" de veraneio. Com varandas sombreadas, brinquedos infantis espalhados pelo pátio e garagens cheias de objetos antigos, elas resistem às pressões imobiliárias alicerçadas nas memórias afetivas de seus proprietários — que não abrem mão dos imóveis onde, a cada ano, mantêm a tradição de verões passados.

Em todo o lado Sul da famosa Avenida da Igreja, no Centro, restou uma única casa de veraneio em meio aos edifícios e estabelecimentos comerciais. De propriedade da professora aposentada Ângela Elisabeth Kuwer Rothen, 69 anos, e de sua irmã, Leda Brenner, a moradia em si é uma relíquia familiar a céu aberto.

— Quando meus pais precisaram desmanchar a casa deles em Sapiranga porque perderam um pedaço do terreno, trouxeram toda ela para Tramandaí e a reconstruíram nesse terreno, comprado em 1957, tijolo por tijolo — revela Ângela.

A família de veranistas, que inclui três filhas da professora e dois netos, de sete e de quatro anos, além de quatro cachorros, já perdeu a conta de quantas ofertas milionárias recebeu nos últimos anos para vender o imóvel. Todas recusadas prontamente.

— Estamos na quarta geração veraneando aqui. Sentamos no pátio, fazemos uma roda de chimarrão e, quando passa um conhecido aqui pela frente, entra e toma um chimarrão com a gente — conta uma das três filhas de Ângela, a nutricionista Renata Elisabeth Rothen, 40 anos.

Como em muitos outros endereços de perfil semelhante, objetos que não têm espaço nas moradias citadinas conseguem abrigo definitivo no litoral. No caso da família Rothen, isso inclui pequenas esculturas de uma galinha e três pintinhos que decoram o pátio junto à cerca de tela.

— Não deu para ficarem em Sapiranga, então colocamos aqui. As crianças passam na calçada e adoram — complementa Renata.

Terreno foi adquirido nos anos 1950, e a casa veio desmontada de Sapiranga.

Duda Fortes / Agencia RBS

Pátio dos Rothen tem grama, cachorro e brinquedo de criança.

Duda Fortes / Agencia RBS

Ângela, à direita, com as filhas e a neta Maria Isadora, quatro anos.

Duda Fortes / Agencia RBS

Local já recebeu quatro gerações da mesma família em Tramandaí.

Duda Fortes / Agencia RBS

Casa prensada entre arranha-céus

Não muito longe dali, até quatro ou cinco anos atrás a casa de alvenaria cor salmão situada na Avenida Fernando Amaral era apenas mais uma propriedade térrea entre as vias Almirante Tamandaré e Marcílio Dias. Agora, está literalmente espremida entre dois arranha-céus. Rachaduras chegaram a aparecer nas paredes do imóvel onde, há décadas, o designer gráfico Rodrigo Vianna Lauer, 49 anos, e Vera Freitag Muller, 87, passam os verões juntos.

Neste ano, Vera — que considera Rodrigo como um filho de criação — ainda não conseguiu rumar para a praia por questões de saúde. Mas o designer mantém o espaço ao gosto da veranista à sua espera: na cozinha, onde cortinas brancas e azuis na janela combinam com as lajotas igualmente azuladas na parede, se destacam um antigo fogão Wallig e tradicionais potes de cerâmica para café, farinha, açúcar e feijão sobre uma bancada de fórmica.

O interior é repleto de raridades como uma caixa amplificada Cadensa Amplisom SA 400, de 4 watts, modelo à venda nos anos 1970 que ainda é usado para ouvir música.

Rodrigo Vianna Lauer com foto mais antiga da casa localizada na Avenida Fernando Amaral.

Duda Fortes / Agencia RBS

Muro baixo que costumava caracterizar as casas de veraneio décadas atrás.

Duda Fortes / Agencia RBS

Cozinha guarda as mesmas características de meio século atrás.

Duda Fortes / Agencia RBS

Dois prédios altos foram construídos de cada lado da casa nos últimos anos.

Duda Fortes / Agencia RBS

— É, realmente, uma demonstração de resistência — resume o designer.

Objetos guardam memórias afetivas

A cadeira de couro surrado onde todos os dias se recosta a veranista Carmen Lúcia Flores Machado, 66 anos, para bater papo com os três filhos ou vigiar as brincadeiras dos cinco netos, tem permanência garantida na varanda da propriedade localizada na Avenida Protásio Alves, em Tramandaí.

Sobre o mesmo couro marrom rasgado, sentou-se durante décadas o pai de Carmen, Guaracy Machado, falecido há quase 20 anos.

— Ele levantava, sentava aqui e tomava um chimarrão. O pessoal passava na frente e dizia "Oi, seu Guaracy!". Dali um pouco, a mãe trazia a caipirinha, e aqui ele ficava. Depois ia para a praia — conta Carmen.

Os netos, agora, brincam de subir e deslizar pelos pilares do alpendre da mesma forma como a veranista se divertia há mais de 50 anos.

— A gente até se emociona, porque nós fazíamos isso, e o pai dizia: "cuidado!" — relembra Carmen, com a voz trêmula.

Casa de veraneio da família de Carmen Lúcia Flores Machado.

Duda Fortes / Agencia RBS

Veranista costuma sentar na mesma cadeira em que o pai passava boa parte do dia.

Duda Fortes / Agencia RBS

Cortinas de crochê na sala, onde uma antiga mesa redonda de fórmica recebe as refeições.

Duda Fortes / Agencia RBS

Veranista planta hortênsias no pátio, hábito que herdou dos pais.

Na garagem, um Corcel II, ovos e um colchão

Casa de veraneio raiz de verdade não pode deixar de ter uma característica: uma garagem repleta dos mais variados itens — nem todos eles ainda úteis ou em uso. O imóvel de madeira azul localizado na Rua Jorge Sperb, na verdade, é tanto moradia para Zenith Souza, 76 anos, quanto imóvel de temporada para os familiares que, nos meses mais quentes do ano, rumam para o local a fim de aproveitar os dias de sol e calor.

No quarto, uma velha TV de tubo garante a audiência das novelas e telejornais. Nas paredes, se dependuram peixes decorativos, um pequeno relógio de madeira, fotos esmaecidas.

Corcel II deixou de circular para armazenar compras e materiais da casa.

Duda Fortes / Agencia RBS

Zenith Souza diz que não pretende se desfazer do imóvel onde a família passa o verão.

Duda Fortes / Agencia RBS

Antiga TV de tubo no quarto de paredes de madeira pintadas de rosa.

Duda Fortes / Agencia RBS

Antigo relógio de parede, feito de madeira, é uma das peças de decoração.

Na garagem, resta um Corcel II de pneus murchos convertido em uma espécie de móvel de despensa. No banco do carona, repousa um conjunto de rolos de papel higiênico. Sobre o capô, está uma embalagem com 30 ovos, fios enrolados, sacos plásticos. Na parede, se sustenta uma velha secadora de roupas que, segundo Zenith, ainda funciona perfeitamente, próximo de um par de escadas.

— Uma prima minha já disse que iria jogar tudo fora e comprar tudo novo. Mas esse é o tipo de decoração que eu gosto. Fui criada assim — justifica Zenith, que não troca suas paredes de tinta já um pouco descascada nem por uma cobertura.

11/01/2025 - 06h00min
Fabricio Carpinejar

Relacionamento com o padre

Leitora conta que o sacerdote da cidade mantinha um relacionamento com ela e com outra mulher ao mesmo tempo. Leitora de GZH compartilha que teve um caso com o padre de sua cidade por três anos. No entanto, descobriu que ele tinha uma relação com ela e com uma outra mulher, ao mesmo tempo.

Ao descobrir que o sacerdote estava em dois relacionamentos, ela buscou entrar em contato com a envolvida. Mas como troco, foi bloqueada pelo homem, que continuou o relacionamento com a outra. 

Confira no vídeo acima a opinião do colunista sobre o caso, no episódio desta semana do Desafio Sentimental, com Carpinejar. "No desafio sentimental GZH, uma história cabeluda. Leitora teve um caso com um padre, descobriu que o padre tinha uma amante, descobriu o paradeiro da amante e contou para a amante que também estava sendo enganada pelo mesmo padre.

O padre não somente tinha um caso, tinha dois casos simultâneos. Rompendo o seu voto de abstinência. E, mais grave, profanando o seu papel de orientador. É como se um terapeuta tivesse um caso com a sua paciente. Não dá. Pois você está numa posição de orientar, de formar, de aconselhar.

Você não pode usar o seu poder para benefícios pessoais, para motivos subterrâneos, para segundas intenções. Você tem um papel moral de cuidador.Não pode se aproveitar da fraqueza do outro para garantir vantagens. E essa leitora sofre, não pela situação em si, mas porque o padre a bloqueou e não estabelece mais contato.

Quando estamos apaixonados, ficamos obcecados e não entendemos o certo e o errado. Você deve se distanciar dessa figura, que não é nem um pouco inspiradora.

Ela não faz jus à sua humanidade. Aproveite esse momento para conseguir se desintoxicar pouco a pouco. Vê só, um padre e suas duas amantes. E as duas amantes brigando para ter a exclusividade dele, sendo que o padre não pode se relacionar com ninguém.

Que tempos! Que tempos de treva! O que você deve fazer é se cuidar, é se resguardar, é limpar a ferida e denunciar o padre, porque senão ele fará novas vítimas". Quer compartilhar seu dilema amoroso? Semanalmente, GZH recebe relatos para o escritor, em maioria enviados pelo direct do Instagram (siga em @gzhdigital).

Mande a sua mensagem! Ela pode aparecer na coluna nos próximos dias. 

11/01/2025 - 05h00min
Marcelo Rech

O risco do improviso

Políticos veteranos são hoje vítimas de hábitos passados, quando as redes ainda não selecionavam frases

Duda Fortes / Agencia RBS

Durante sua posse, tudo que Melo conseguiu com seu improviso sobre ditaduras foi ofuscar os temas que, de fato, afetam o futuro dos moradores da cidade.

Dez dias depois, alguém se lembra de algo na posse do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, além da sua controversa defesa da liberdade de defender ditaduras? Pois Melo, que tem uma veia de comunicador popular, parece não ter se dado conta de que, no mundo de hoje, ninguém mais presta atenção ao conjunto do discurso — mas apenas a frases curtas, extratos fugazes e, preferencialmente, polêmicos.

Quem fizer uma busca sobre o discurso de Melo vai encontrar tão somente dezenas de menções a sua fala sobre ditaduras — de direita e de esquerda, ressalve-se. Quem não acompanhou a cerimônia ao vivo penou para conhecer a íntegra do discurso na Câmara de Vereadores. Ali, ele falou por 23 minutos, manifestou respeito a diferenças e defendeu a reforma da previdência municipal e a retomada do otimismo em Porto Alegre. Mas tudo que ele conseguiu com seu inútil improviso sbre ditaduras foi ofuscar os temas que, de fato, afetam o futuro dos moradores da cidade.

Lula acha que resolverá o problema de comunicação de seu governo falando mais. Aí é que mora o perigo

Com ou sem checagem de fatos no Facebook e no Instagram, políticos veteranos são hoje vítimas de hábitos passados, quando as redes ainda não selecionavam frases — os tais cortes — para amplificar trapalhadas verbais. Em eras pregressas, Lula, como hoje, cometia incontáveis gafes em suas gambiarras verbais, mas pouco se dava atenção. Agora, Lula acha que resolverá o problema de comunicação de seu governo falando mais. Aí é que mora o perigo. Quanto mais fala de improviso, mais ele cai na armadilha dos extratos. Fosse apenas pelo dano a suas imagens, como nos memes de Dilma Rousseff, o problema seria dos políticos. Mas quando Lula larga que o único problema do país é a taxa de juros, só fica registrado seu negacionismo quanto à trajetória insustentável da dívida pública. O dólar explode, a inflação se retroalimenta, os juros futuros empinam e o povo paga a conta da asneira presidencial.

Lula pode se mirar em casa sobre como não se comunicar nos dias atuais. Janja atrapalhou o esforço de visibilidade do G20 no Brasil quando, num impulso adolescente, soltou um “Fuck you, Elon Musk”. No fim, foi essa frase que marcou o encontro.  Faltou compreensão da liturgia do cargo, como diria José Sarney, mas falta também a muitos que se aventuram no improviso o autocontrole para não avançar o sinal, a menos que isso seja parte de uma tática política.

O triunfo do caradurismo

Jair Bolsonaro e, recentemente, Pablo Marçal são os que mais souberam tirar proveito de declarações escandalosas. No caso deles, era estratégia para sair do anonimato, mas essa é sempre uma jogada de risco: Bolsonaro exagerou tanto na dose que a verborragia espalhafatosa ajudou a queimar sua reeleição. 

10/01/2025 - 18h32min
Marta Sfredo

Galípolo aponta o dedo para o governo em carta aberta para explicar estouro da inflação

Presidente do BC disse que o câmbio foi um dos três motores da alta de preços, e que "a percepção sobre o cenário fiscal afetou o preço dos ativos"

Sergio LIMA / AFP

Galípolo afirmou que dólar subiu mais por fatores domésticos.

Sergio LIMA / AFP

Como o IPCA, índice oficial de inflação no Brasil, fechou 2024 acima do teto da meta, em 4,83%, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi obrigado a escrever uma carta aberta explicando os motivos e se comprometendo com medidas para evitar que volte a ocorrer.

Nas justificativas, Galípolo apontou três principais causas da inflação: o "ritmo forte de crescimento da atividade econômica", a depreciação cambial e fatores climáticos (leia a íntegra clicando aqui). Dois desses fatores têm forte peso das decisões do governo Lula: o aumento de gastos acelerou o crescimento e hesitações em cortes de gastos pressionaram o câmbio.

Na carta, Galípolo afirma que "a significativa depreciação cambial decorreu principalmente de fatores domésticos, complementada pela apreciação global do dólar norte-americano". Esse trecho acentua a responsabilidade do governo Lula sobre o estouro da meta de inflação.

Para não deixar dúvidas, Galípolo coloca o alvo no lugar: "A percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal afetou, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes, especialmente o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio".

Nas providências para que a inflação não volte a estourar, o presidente do BC reafirma a intenção de fazer mais duas elevações de um ponto percentual no juro básico. E confirma uma leitura do mercado: "Vários riscos se materializaram, tornando o cenário mais adverso, mas menos incerto, permitindo maior visibilidade para que o Comitê oferecesse uma indicação de como antevia as próximas decisões".

Também reiterando leituras do mercado, Galípolo projeta que "a inflação ficará acima do limite do intervalo de tolerância até o terceiro trimestre de 2025, entrando depois em trajetória de declínio, mas ainda permanecendo acima da meta".

Para esclarecer

A carta de explicações dos presidentes do Banco Central são dirigidas ao presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN) porque é esse órgão que define a meta de inflação que o BC deve perseguir. Como quem ocupa esse cargo é o ministro da Fazenda, é o destinatário da carta, mas o documento é concebido como uma explicação à nação. Logo, Galípolo não dá explicações a Haddad, mas à população brasileira, que sofre o efeito da alta de preços.

Para lembrar

O sistema de meta de inflação foi adotado em 1999, depois da fracassada tentativa de controlar o câmbio. A meta de inflação do ano passado era de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Se não passasse de 4,5%, ficaria dentro do teto. Mas excedeu esse limite em 0,33 ponto percentual.

Neste ano, entra em vigor um novo formato de acompanhamento da inflação, a chamada "meta contínua", baseada nas melhores práticas internacionais. Em vez de cuidar apenas do fechamento do ano, a inflação em 12 meses é acompanhada a cada mês e avaliada de acordo com a meta e seu intervalo de tolerância.

Por outro lado, não tem prazo fixado para ser alcançada. O Conselho Monetário Nacional (CNM) não precisa mais definir a meta com dois anos de antecedência, como ocorreu até 2022. A mudança já foi adotada na maioria dos países que usam o regime de meta de inflação e o Brasil era considerado "atrasado" nesse avanço.

Estouros sucessivos

Nos últimos seis anos, só dois dentro da meta

2019 | 4,31%

2020 | 4,52%

2021 | 10,06%

2022 | 5,79%

2023 | 4,62%*

2024 | 4,83%

(*) na época, o teto era de 4,75%

Fonte: IBGE

11/01/2025 - 05h00min
Juliana Bublitz

Demi Moore e a crueldade do etarismo

Aos 62 anos, a atriz venceu o Globo de Ouro e desabafou sobre rótulos e preconceitos que enfrentou ao longo da carreira

ROBYN BECK / AFP

Ela e o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Comédia/Musical.

A noite do último domingo (5) foi dela: Fernanda Torres conquistou o público (e emocionou o Brasil) ao vencer o Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático. Mas foi, também, de uma outra grande atriz, que nos últimos anos vinha sendo preterida pela indústria do cinema por um motivo inacreditável: a idade.

Envelhecer, meu amigo, minha amiga, é cruel especialmente para as mulheres. Cinquentões grisalhos costumam ser vistos como “charmosos”, “maduros” e “sexies”. A versão feminina é bem diferente: “desleixada” e “velha” são apenas alguns dos adjetivos usados para defini-las, caso não correspondam aos padrões esperados.

Se já é difícil passar da barreira dos 50 anos para nós, reles mortais, imagine para quem vive da imagem. É o caso de Demi Moore. Quando a atriz mundialmente conhecida pela doce (e jovem) personagem de Ghost (1990) amadureceu, foi deixada de lado.

Demi contou que vivia um momento pessoal ruim quando o roteiro de A Substância, de Coralie Fargeat, foi parar em sua mesa. Estava em baixa e sem perspectivas. Além de tudo, seguia sendo vista em Hollywood como uma "atriz menor", de filmes divertidos, mas rasos.

Até que foi fisgada por aquele roteiro insano e entendeu a mensagem. O filme conta a história de uma mulher famosa (estrela de um popular programa de ginástica na TV) que se submete a um procedimento misterioso (e dilacerante)  para rejuvenescer. 

No fundo, o que está em discussão na tela são temas como o culto à juventude, a obsessão pela beleza e os sentimentos de obsolescência e inadequação sentidos, em especial, pelas mulheres. Bingo.

— O universo me disse que eu ainda não havia terminado — contou Demi, na premiação em Los Angeles.

Ela aceitou o papel, fez uma atuação brilhante e, aos 62 anos, se consagrou no Globo de Ouro (lado a lado com Fernanda, a quem abraçou), com o primeiro grande prêmio de sua trajetória. 

Quando parecia impossível, ela deu uma surra no etarismo.

Em seu discurso, a atriz desabafou sobre os rótulos que ganhou e os preconceitos que enfrentou ao longo da carreira. Disse que o filme e sua vitória são um recado para as mulheres que acreditam que nunca são "inteligentes o suficiente, ou bonitas o suficiente, ou magras o suficiente, ou bem-sucedidas o suficiente, ou basicamente não o suficiente". 

— Hoje, finalmente me sinto eu mesma — concluiu Demi Moore, falando por si e por todas nós.

Aliás...

Além de Demi Moore e Fernanda Torres, outras atrizes 50+ arrasaram no Globo de Ouro: Viola Davis (59), Cate Blanchett (55), Nicole Kidman (57), Tilda Swinton (64). Kate Winslet e Angelina Jolie, com 49, também.

Cultura velhofóbica

A antropóloga Mirian Goldenberg, autora de A Invenção de uma Bela Velhice, vem alertando para os perigos da cultura velhofóbica. A gente só muda isso se parar de ver apenas doença e feiura na velhice.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024


31 de Dezembro de 2024
CARPINEJAR

Em 2025

Que você se lembre de procurar a lua no fim do dia, que volte a se sentir no interior, observando as estrelas no céu. Que você ame quando menos esperar, que seja feliz de repente.

Que você dirija cantando as suas músicas prediletas, não sofrendo tanto com os engarrafamentos. Que você possa estar em casa quando chover. Que você possa estar na rua quando houver sol e brisa.

Que você seja surpreendido pela fala de uma criança, renovando a sua delicadeza. Que você engome a sua roupa fantasiando o encontro. Que você namore num jantar segurando as mãos por cima da mesa e encostando os pés por baixo.

Que você dance como se não houvesse amanhã, que converse em botecos numa eterna saideira. Que você frequente os cinemas para recuperar o protagonismo de sua vida. Que você se esforce para reconhecer os seus colegas, sempre chamando-os pelo nome. Que você já demonstre capricho no café da manhã, no primeiro ato de se servir.

Que você nunca passe por um cachorro sem oferecer a ternura da sua infância. Que você durma consciente de dormir, que não desmaie no sofá ainda vestido. Que você abra espaço para plantas em sua residência, que não se veja longe do verde. As mudas melhoram o nosso silêncio e solitude.

Que você descubra algo novo todo mês, que não se restrinja a repetir o que já conhece. Que você seja premiado com dinheirinho perdido nos bolsos dos casacos. Que você reviste as peças antes de colocar na máquina de lavar.

Que você dê mais valor para as moedas e para os 15 minutos que sobram. Que você seja mais alegre torcendo para o seu time do que secando o rival. Que você elogie os amigos e incentive seus projetos de mudança.

Que você respeite a dor da perda e não apresse o luto de ninguém. Que você leia um pouco por vez, algumas páginas, para treinar a memória. Que você invista num esporte, para recobrar o prazer da disputa saudável.

Que você convide os pais para uma viagem, que não se reduza ao mundo do casal. Que você tenha confiança para não se rebaixar, e humildade para não deixar nenhuma pessoa invisível ao seu lado.

Que você esqueça o celular quando estiver frente a frente com os seus afetos. Que você consiga listar os lugares aonde deseja ir, os shows a que pretende assistir, começando a contagem regressiva de seus sonhos.

Que você tenha coragem de enfrentar as amizades quando elas se envolverem em relacionamentos tóxicos, e tenha empatia para socorrê-las sem jogar na cara que tinha razão e avisou antes.

Que você não se constranja ao entrar no elevador ou na sala de espera do médico. Que você saiba diferenciar a teimosia burra da insistência inteligente. Que você se apresente aos seus vizinhos.

Que você não desmarque compromissos com a família em cima da hora, causando frustração e descrédito. Que você faça o bem para depois olhar para quem foi. Que você acredite em si e desconfie das críticas.

Que você seja contente do seu jeito, sem preconceito, usando a gamela para o churrasco ou para as frutas. Que você não seja influenciável a ponto de duvidar de si, nem uma parede a ponto de não escutar ninguém.

Que você jamais subestime seus problemas pensando que não precisa de terapia. Que você aprenda a respirar quando irritado, a se acalmar quando provocado, a se retirar quando o outro não fizer por merecer a sua companhia.

Que você perdoe as suas versões anteriores e agradeça quem se tornou. Que 2025 não traga nada para você, que você mesmo busque. 

CARPINEJAR


31 de Dezembro de 2024
MÁRIO CORSO

Ano novíssimo

Caro leitor, acabas de ganhar, especialmente personalizado para ti, um ano novo em folha. Ele brilha, não tem nenhum arranhão, nenhuma poeira, nem marca de dedos. Está à tua disposição a partir de agora, sem nenhum custo adicional. Dica: não use com moderação.

Repetindo, não use com moderação, pega com as duas mãos e morde com força. Afinal, o fornecimento é limitado, eles não aceitam trocas, tampouco admitem recurso e o que não usares vai fora.

Especialmente, não deixe para depois. Se és desses que só vai abrir a caixa depois do Carnaval, olha que poderá já estar mofado. Saiba que é um artigo muito bom, excelente, mas precisa ser cultivado, arejado, tratado com carinho.

Recém acabou um ano, lembre de quantas vezes já trocaste de ano te perguntando o que fizeste com esse tempo passado. Isso não pode se repetir. O ano de 2025 não é para ficares guardado no armário esperando a hora certa para usar. A hora certa é agora. Promessas e decisões que esperam a segunda-feira nunca dão certo. O que dá certo é a que começas neste momento.

Leia atentamente o manual de instruções do Ano-Novo. Sim, eu sei, é parecido com o dos outros anos. Eles não têm feito atualizações, ou alterações de funcionalidades no produto, desde o reinado de Tutancâmon, mas ninguém o lê com calma. Todas as regras onde dizia que se fizeres X vai dar m*, segue dando m*. E o avesso, se não fizeres Y vai dar m*, seguirá dando m*. Não te faz de tonto. Não me venha com: eu não sabia? Foi só uma vez? Não era minha intenção?

Aceito que as condições não são das melhores para viver um ano novo pleno, mas pensa bem, quando foi diferente? Às vezes, por sorte, tropeçamos em tempos amenos, menos ácidos, mas eles são a exceção, não a regra. Vai te acostumando, não espere o sol, quase sempre a vida é abaixo de mau tempo.

Se existe algo intelectualmente pouco razoável é a esperança. Apesar disso, ela é o combustível da nossa substância. Ela é a palavra que encontramos para o que em nós não desiste. Ela é a simbolização da força da vida. Ela é a própria insistência de querer seguir vivo. Em 2025 escute a esperança, mas não fazendo planos, simplesmente faça, ou te prepare, para o que queres realizar. _

MÁRIO CORSO

31 de Dezembro de 2024
OPINIÃO RBS

O Brasil na virada

Considerados os aspectos marcantes da retrospectiva de 2024 em nosso país - a crise climática representada por cheias, incêndios e estiagens, as dificuldades do governo federal para cortar gastos e controlar a inflação, o indiciamento criminal de políticos e autoridades envolvidos num plano golpista e a crescente animosidade entre os poderes da República -, é perfeitamente compreensível a descrença de muitos brasileiros em relação ao futuro imediato do país. Mas esse desencanto não pode ser encarado como sentença definitiva, até mesmo porque cada virada no calendário representa uma nova oportunidade para a correção de erros pretéritos e para a formulação de planos mais realistas e factíveis.

O aumento do pessimismo não é apenas uma hipótese. É uma realidade mensurável. Pesquisa recente encomendada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) nas cinco regiões do país demonstra que menos da metade dos entrevistados (49%) acredita que o Brasil vai melhorar em 2025. Foram consultadas 2 mil pessoas, entre os dias 5 e 9 deste mês de dezembro. O resultado contrasta com igual levantamento feito em dezembro de 2023, quando 59% dos brasileiros ouvidos confiavam na melhora do país neste ano que está se despedindo.

Num âmbito mais abrangente, essa frustração já tinha ficado evidente nas últimas eleições municipais, com o fracasso inquestionável do partido do governo e o avanço de siglas e candidatos mais identificados com a oposição. A desilusão está diretamente relacionada às dificuldades do governo Lula para implementar o equilíbrio das contas públicas - num cenário em que a arrecadação cresce, mas os gastos públicos são cada vez mais elevados e parecem incontroláveis. 

Em paralelo, percebe-se uma preocupante degradação das relações institucionais entre os poderes da República, evidenciada pela batalha em torno das emendas parlamentares, que inclui chantagem de parcela do Legislativo sobre o Executivo, uso político de verbas orçamentárias e interferência demasiada do Judiciário.

Quando as autoridades dão mau exemplo, os demais substratos da sociedade se sentem no direito de transgredir. Nesse contexto, fica mais difícil implementar a cultura da integridade de que o país tanto necessita para desconstruir o jeitinho matreiro de contornar regras e abolir a desculpa de que é certo fazer o errado porque todo mundo faz. Ainda assim, como já ocorreu em outras nações, sempre é possível aperfeiçoar condutas individuais e coletivas por meio de instrumentos democráticos reconhecidos como a educação, o regramento e as necessárias sanções sociais para infratores.

A virada de ano impõe esta reflexão. O Brasil pode, sim, superar mazelas históricas e iniciar sua travessia para um futuro mais justo e próspero, desde que comece logo a combater a corrupção em todas as camadas da sociedade, dos governantes aos governados. Como se faz isso? Com prevenção, vigilância, correção, monitoramento permanente e exercício pleno da cidadania, o que inclui exemplo, conscientização política, vigilância e escolha criteriosa de representantes. 



31 de Dezembro de 2024
GPS DA ECONOMIA - Anderson Aires

Reta final realça pressões sobre Galípolo

Os mais recentes indicadores econômicos, divulgados na reta final do ano, reforçam o tom de pressão que deve dominar o início do mandato de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central (BC). Assumindo a cadeira da presidência oficialmente a partir desta quarta-feira, Galípolo enfrenta de cara emprego ainda aquecido, câmbio desvalorizado, economia fechando o ano acima do esperado e mercado estressado. Mesmo que contratações em alta e atividade aquecida passem a impressão geral de boas notícias, a união desses fatores pressiona os preços e embaraça a caçada pela meta de inflação por parte do BC.

Divulgado ontem, o último Relatório Focus do ano confirmou a aposta em atividade acima das projeções e juro e inflação persistentes ao longo do próximo ano, mesmo que com um asterisco (veja mais abaixo).

Na última sexta-feira, o IBGE apontou taxa de desemprego recuando para 6,1% - menor índice de desocupação registrado desde o início da série histórica, em 2012. No mesmo dia, dados do Novo Caged, que pega apenas postos com carteira assinada, informaram que o país chegou, em novembro, ao maior estoque de empregos da história: 47,74 milhões vínculos ativos.

Desafios

O avanço do emprego convive com dólar acumulando salto de 27% no ano e economia flertando com alta de 3,5% em 2024. Mercado de trabalho e atividade aquecidos aumentam o potencial de compra das famílias, o que respinga em mais demanda e crescimento da inflação. Tudo isso em ambiente fiscal tenso.

- O grande desafio é trazer essa inflação para dentro da meta, depois continuar reduzindo e equilibrar o tripé, que conta com controle inflacionário, mercado de trabalho e atividade econômica. Então, o principal desafio vai ser esse. Além disso, tem a questão política - avalia o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Como lembrado por Agostini, além dos pontos técnicos, Galípolo vai precisar transitar de maneira mais harmoniosa entre mercado e governo. Seu antecessor não teve muito sucesso nessa missão. _

Ainda na segunda, Galípolo tratou sobre o termo de posse em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O BC ainda não confirmou algum evento oficial na quarta-feira.

Como confiar nas projeções econômicas para 2025 ?

Um dos principais instrumentos de planejamento no país, o Relatório Focus, chamado informalmente de "consenso de mercado", errou quase tudo em 2024. As primeiras projeções do ano apontavam para PIB de 1,52%, dólar a R$ 5 e taxa básica de juro de um dígito.

Conforme o economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, entre o primeiro e o último dia útil de 2024, houve grande recálculo de rota por aumento de gastos com transferência de renda - como os repasses via Benefício de Prestação Continuada (BPC) - e outras áreas. Em tese, isso acelera a economia e facilita o repasse de preços. Em consequência, o BC precisa elevar o juro - ou deixar a taxa básica alta por mais tempo.

A Selic, por outro lado, começa 2025 com viés de alta. A projeção em janeiro era de que o juro básico desceria até 9% em 2024. Nem perto de um dígito, a taxa encerra o ano em 12,25%. Para 2025, o mercado estima taxa em 14,75%.

Segundo Costa, parte da apreciação da moeda norte- americana é consequência da eleição de Donald Trump. No início do ano, o favoritismo estava com os democratas, o que contribuía com o cálculo de cotação mais próxima de R$ 5. A vitória do republicano, com pauta mais protecionista, tende a fortalecer o dólar ante todas as demais moedas.

O menor dos erros veio do IPCA. Mas ainda que a previsão dominante do primeiro Focus de 2024 já indicasse inflação acima da meta, a 3,9%, não previa estouro do teto, de 4,5%. O último Focus de 2024, apresentado nesta segunda-feira, aponta IPCA em 4,90% no ano. Em 2025, 4,96%.

(Interino)

Ano termina bem diferente do projetado por parte do mercado em janeiro

02/01/2024 30/12/2024

Inflação (IPCA) 3,90% 4,90%

PIB 1,52% 3,49%

Câmbio R$ 5 R$ 6,05

Selic 9% 12,25%*

*Dado da última reunião do Copom

Fonte: Banco Central

Dólar fecha em queda após flerte com alta

O dólar chegou a flertar com valores acima dos R$ 6,20 nesta segunda-feira, mas fechou o último pregão do ano cotado a R$ 6,179.

O leve recuo, de 0,22%, ocorreu após o BC realizar novo leilão de dólares à vista ao longo da tarde para frear a guinada.

O desafio do novo presidente do BC e do governo federal será enorme para trazer o câmbio novamente para a casa dos R$ 5 no próximo ano, conforme prevê o mercado. _

R$ 266,8 mi

era o total negociado dentro do Desenrola Pequenos Negócios no Rio Grande do Sul, segundo dado mais recente, de novembro, informado pelo Ministério do Empreendedorismo.

O programa beneficiou 4,2 mil empresas no Estado. Esses números tendem a aumentar com o fechamento do ano.

O programa prevê financiamento diretamente pelo sistema financeiro, com descontos que variam de 20% a 95%.

Oficialmente, o prazo para a realização das transações dentro do programa é até 31 de dezembro de 2024.

Busca por retomada na reta final do ano

Ramos ligados ao turismo no Estado tentam aproveitar esta época do ano para ensaiar recuperação.

Dados do mercado de trabalho reforçam esse movimento.

Com a abertura de 814 vagas com carteira assinada no penúltimo mês do ano, o setor de alojamento e alimentação acumula a criação de 3.458 postos de julho a novembro, período que marca a retomada pós-inundação, segundo números do Novo Caged.

Um dos mais afetados pela enchente, o segmento ainda não superou os 4.495 postos destruídos em maio e junho, no auge da tragédia, mas tenta.

Com o Aeroporto Salgado Filho funcionando a pleno e o aumento da circulação e do consumo das famílias nessa época, negócios como hotéis, bares e restaurantes buscam mitigar parte das perdas.

O setor ainda caminha para fechar o ano no vermelho nas contratações, mas se distanciando, cada vez mais, de uma queda mais brusca. _

GPS DA ECONOMIA

31 de Dezembro de 2024
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Melo ainda está com equipe incompleta

Em mais uma rodada de anúncio de secretários, na tarde dessa segunda-feira, o prefeito Sebastião Melo ainda deixou em aberto duas das secretarias mais importantes do governo: Saúde e Fazenda. A primeira, hoje ocupada por Fernando Ritter, é disputada por diferentes partidos aliados, o que explica o atraso. Já para a Fazenda não existe uma explicação lógica, dado que o titular será um técnico. A única certeza é de que Rodrigo Fantinel não vai continuar.

A principal novidade entre os anúncios do dia foi a indicação da vereadora Mônica Leal (PP) para a Secretaria de Transparência e Controle. Na eleição de outubro, Mônica ficou na primeira suplência.

Outro suplente acomodado no governo é Cassiá Carpes (Cidadania), que será secretário de Administração e Patrimônio. A transferência para o PL não garantiu a permanência de André Barbosa, que contava com a indicação do partido.

Melo decidiu manter Liliana Cardoso na Cultura, Adão de Castro Júnior na Mobilidade e Alexandre Aragon na Segurança. Confirmou, também, o que a coluna havia informado em relação à Procempa, que continuará sendo comandada por Letícia Batistela.

O procurador concursado Jhonny Prado, que atuou como chefe de gabinete do prefeito no período eleitoral, assumirá a Procuradoria-Geral do Município (PGM). _

aliás

Os últimos nomes do secretariado de Melo, que já tem 21 titulares confirmados e uma interina, deverão ser anunciados nesta terça-feira, véspera da posse. Ao longo do mês de janeiro serão preenchidos os cargos de segundo e terceiro escalões, de forma a contemplar os 11 partidos e os vereadores da base do governo. Cada vereador terá direito a indicar, no mínimo, 10 afilhados para cargos em comissão.

MIRANTE

A patrulha falou mais alto do que a qualidade técnica: a veterinária Lisandra Ferreira Dornelles caiu antes de assumir. O PL retirou o apoio à indicada pela vice Betina Worm para cuidar dos animais. Interinamente, a própria Betina ficará no Gabinete da Causa Animal.

Lisandra Dornelles foi desconvidada porque em suas redes sociais foram encontradas publicações de cunho esquerdista, como em defesa do empoderamento feminino e no voto em Lula. Outro "pecado": foi casada com o vereador Alex Fraga, do PSOL.

Marido de Leite vai morar no RS e clinicar em Porto Alegre

De maleta, jaleco e estetoscópio, o médico Thalis Bolzan, marido do governador Eduardo Leite, está de mudança para Porto Alegre.

Ele tinha dois empregos em São Paulo, um como gerente médico de uma indústria farmacêutica e outro na Central de Regulação do Estado. Pediu demissão do segundo, que era presencial, e seguirá se dividindo entre o trabalho remoto e o consultório.

- Vou defender meu mestrado no início de 2025 e conseguirei iniciar os atendimentos em Porto Alegre já em fevereiro - contou Thalis à coluna.

Pediatra, ele vem há alguns anos se dedicando a estudar sobre obesidade e suas complicações associadas, além de distúrbios metabólicos e emagrecimento saudável. Já fazia esse trabalho com crianças e adolescentes e agora também atenderá adultos. _

Fantinel e a certeza do dever cumprido

A despeito dos bons resultados obtidos em sua gestão, o secretário da Fazenda de Porto Alegre, Rodrigo Fantinel, foi informado de que não continuará no cargo.

Em carta aos funcionários, Fantinel disse que sai com a certeza do dever cumprido. Na despedida, o agora ex-secretário afirmou que encerrava seu ciclo de quatro anos com superávits e recorde de investimentos em 2022 e 2023.

"A Fazenda não existe mais para arrecadar, hoje ela existe para ajudar Porto Alegre a se desenvolver", escreveu. 

Prefeita de Pelotas assume no Piratini

A atual prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), não terá férias depois de transmitir o cargo a Fernando Marroni (PT). Paula foi nomeada para o gabinete do governador Eduardo Leite, na função provisória de secretária-executiva de Relações Institucionais. Mais tarde, irá para o secretariado de Leite.

Funcionária da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Paula está sendo cedida para o governo do Estado e receberá uma gratificação de confiança correspondente ao valor da FG Superior 13 (R$ 12 mil). _

Sete ex-ministros da Justiça divulgaram manifesto em defesa do decreto do presidente Lula que regulamenta lei de 2014, sobre uso de armas pelos agentes de segurança pública. Governadores do Sul e Sudeste repudiam o decreto.

POLÍTICA E PODER

31 de Dezembro de 2024
INFORME ESPECIAL - Vitor Netto

A agenda mundial que se inicia

Ao olhar para 2024, a agenda geopolítica foi intensa. Internacionalmente, houve mudanças históricas nos poderes, manifestações em diversos países, ascensões e quedas de líderes e novos conflitos.

Olhando para a América do Sul, pode-se destacar as eleições na Venezuela, por exemplo, em que até hoje não foram apresentadas as atas da vitória do ditador Nicolás Maduro. Na Bolívia, uma tentativa de golpe de Estado e de derrubar o presidente Luis Arce. No Uruguai, o pupilo do ex-presidente Pepe Mujica, Yamandú Orsi, foi eleito presidente.

Na América Central, Claudia Sheinbaum foi eleita a primeira mulher na presidência do México. E nos Estados Unidos, já na América do Norte, a eleição do republicano Donald Trump para o seu segundo mandato à frente da maior potência do mundo.

Na Europa, observou-se avanço de partidos de direita. Na França, instabilidade política durante todo o ano. No Reino Unido, um trabalhista assumiu o posto de primeiro-ministro.

Ainda no velho continente, persiste a guerra entre Ucrânia e Rússia.

No Oriente Médio, o conflito entre Israel e os grupos terroristas Hezbollah e Hamas. Também ocorreu, recentemente, um conflito na Síria, que resultou na queda do ditador Bashar al-Assad.

Internacionalmente, acordos multilaterais foram firmados entre países.

O que olhar daqui para frente

Muito do que ocorreu em 2024 seguirá na pauta de 2025.

Haverá eleições presidenciais no Chile e na Bolívia. Novos primeiros-ministros surgirão no Canadá e na Alemanha. Na Argentina, a eleição de meio de ano definirá postos na Assembleia e no Senado. Posses nos Estados Unidos e no Uruguai. O primeiro, conta com relações com todo o planeta, e o segundo com vínculos históricos com o governo brasileiro.

Também haverá desdobramentos do importante acordo comercial entre o Mercosul e União Europeia (UE), firmado ainda em 2024 depois de anos de tratativas entre os países.

No caso do Brasil, por exemplo, o país vai liderar pela segunda vez a presidência rotativa do Brics, grupo de países emergentes. Belém, capital do Pará, será sede da COP30 e irá debater importantes assuntos sobre mudanças climáticas.

Além destas, outras agendas se formarão. A coluna reuniu abaixo 10 pautas que merecem atenção a partir do ano que se inicia. _

Principais pautas da geopolítica de 2025

Donald Trump assume, pela segunda vez, a presidência dos EUA. Entre as medidas que prometeu implementar, estão deportação de imigrantes ilegais, aumento do protecionismo, taxação de produtos chineses, saída do Acordo de Paris, entre outras.

Em outubro, terá eleições no Canadá. O primeiro-ministro, Justin Trudeau, mira a sua quarta disputa. Hoje, o país vive uma crise política e econômica.

De 1º de janeiro a 31 de dezembro, o Brasil exercerá a presidência rotativa do Brics. A última vez que o país presidiu o grupo foi há seis anos.

Belém (PA) será a sede da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, prevista para novembro. São esperados mais de 40 mil visitantes.

Em fevereiro, a Alemanha definirá o próximo chefe de governo. A disputa será, basicamente, entre o bloco conservador de centro-direita e o atual chanceler Olaf Scholz, que tenta reeleição. A candidata da ultradireta Alice Weidel, por exemplo, defende sair da UE.

Em agosto, a Bolívia vai às urnas para decidir o próximo presidente. Evo Morales ratificou sua candidatura, porém a Justiça proibiu que um presidente cumpra mais de dois mandatos. No mesmo partido, está Luis Arce que tentará a reeleição.

Em novembro será a vez do Chile escolher seu novo presidente. Os principais nomes: Antonio Kast, do Partido Republicano, e Evelyn Matthei, da União Democrática Independente. Gabriel Boric não disputará, pois no Chile não existe reeleição imediata.

O foco da Argentina para 2025 é com as chamadas eleições de meio de ano, que irão eleger os próximos integrantes do Congresso. Atualmente, Javier Milei não conta com a maioria do parlamento e seu grande desafio será fortalecer o número de aliados, tanto no Senado quanto na Câmara.

Yamandú Orsi toma posse como presidente do Uruguai em março. Ele substituirá o atual líder Luis Alberto Lacalle Pou. Orsi é apoiado pelo ex-presidente Pepe Mujica e promete ações sociais e econômicas.

Em 2024, o Mercosul e a União Europeia (UE) chegaram à conclusão de um acordo comercial. Porém, a entrada em vigor depende de etapas formais. Diante da burocracia, o processo não deve finalizar antes da metade de 2025.

INFORME ESPECIAL