sábado, 16 de agosto de 2025


16 de Agosto de 2025
ATAQUE HACKER

ATAQUE HACKER

Zambelli aceita cumprir pena no Brasil, diz defesa. O advogado Fábio Pagnozzi, que representa a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), disse que ela não se opõe a cumprir pena no Brasil. Zambelli está detida na Itália, para onde se transferiu após ser condenada a 10 anos de prisão pelo STF pelo ataque hacker aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

- Ela não se opõe a cumprir pena no Brasil. O que a Carla sempre disse é que ela quer estar em um país no qual possa ser julgada por pessoas imparciais - afirmou Pagnozzi, em entrevista à GloboNews.

Em outro processo, o Supremo julga a parlamentar por ter perseguido o jornalista Luan Araújo com uma arma em punho em uma rua de São Paulo em outubro de 2022. Na sexta-feira, o ministro Nunes Marques votou pela absolvição de Zambelli, mas a Corte já formou maioria para condená-la.

sábado, 2 de agosto de 2025


02 de Agosto de 2025
CARPINEJAR

Quando o artista é impostor de si mesmo

Saiu uma série sobre Raul Seixas na Globoplay, extremamente fidedigna à metamorfose ambulante da história do cantor, desde a infância em Salvador (BA) até a morte em São Paulo (SP), aos 44 anos, em 1989, já corroído pelo álcool e pelas drogas.

O protagonista é o gaúcho Ravel Andrade, porto-alegrense, irmão do também ator Júlio Andrade. Ele pega emprestada a alma do roqueiro baiano, sem caricatura, e acompanha fase a fase da evolução do personagem - contrastando a época careta como produtor e a psicodelia de suas experiências transcendentes. Trata-se de uma reencarnação descomunal: a trama revive a condição contraditória, convincente, desesperadamente humana do músico, expondo seus dilemas entre a loucura e a lucidez, entre a vontade de ser um bom pai e o ímpeto de entrega a novos romances, entre a sede do sucesso e a necessidade do anonimato, entre o tempo com a família e a pregação da sociedade alternativa.

Um dos oito episódios destaca um fato pitoresco da biografia do Pai do Rock. No fim da carreira, debilitado pelo vício, Raul foi fazer um show em Caieiras, no interior de São Paulo, em 1982. Diante da voz castigada, o público começou a vaiá-lo e a agredi-lo, arremessando latas de cerveja e jurando que quem estava no palco era um sósia.

Ninguém acreditava que ele fosse o verdadeiro artista. Chegaram a pedir a prisão do "impostor". Sem contar com sua carteira de identidade na hora, Raul Seixas terminou na delegacia buscando provar, inutilmente, sua autenticidade.

Tal trauma anedótico me pôs a pensar nas dificuldades e constrangimentos que os famosos enfrentam. Eles não têm a paz da rotina, de uma vida normal. Não desfrutam dos desejos e arroubos comuns a todos. São ETs caçados por paparazzi.

Não transitam impunemente, tanto fisicamente quanto na web. Inclusive, existe um lugar em que não há como entrar: no Tinder ou nos demais aplicativos de paquera. A celebridade terá que ficar reiterando que é ela a cada contato. Não conseguirá convencer a sua interlocução.

Imagine se você encontrar Alessandra Negrini por lá. Ou Cauã Reymond. Ou Bella Campos. Aposto que concluirá que é alguém tentando se passar por eles. Nem levará a sério. Sentirá pena do falsário.

Mesmo mandando fotos, documentos, jamais receberão credibilidade. Qualquer um pode catar imagens de gente ilustre à paisana nas redes sociais.

Serão zombados, identificados como fakes. A virtualidade não é cupido para eles. Famosos não dão match. Suas contas verificadas são sempre postas, ironicamente, sob suspeita no cotidiano. Sofrem da solidão do selo azul.

Unicamente o amor à moda antiga funcionará: a discrição do olho no olho, longe do algoritmo.

O que explica a paixão de cativeiro. Celebridade costuma se casar com celebridade. Só serão críveis e reais entre si. 

CARPINEJar

02 de Agosto de 2025
MARCELO RECH

To LFV, with Love

Como bom cinéfilo, Luis Fernando Verissimo seguramente assistiu nos idos de 1968 ao filme Ao Mestre, com Carinho, no qual um brilhante e jovem ator negro, Sidney Poitier, interpreta um engenheiro nascido na então Guiana Britânica que acha trabalho como professor numa escola barra-pesada do East End de Londres.

Para mim, o filme traz a mais bela música-tema da história - To Sir, with Love, cantada por Lulu. É só ir no YouTube para concordar ou não. A produção inglesa é sobretudo uma ode à missão de ensinar e sobre como um mestre pode influenciar positivamente vidas alheias - no caso, uma turma rebelde e rabugenta.

Lembrei de Ao Mestre, com Carinho ao topar com uma antiga crônica de Luis Fernando Verissimo na enciclopédica e histórica edição de 100 anos do jornal O Globo no domingo passado. Ali, entre as 548 páginas do jornal, reencontro uma amostra da genialidade criativa de Luis Fernando, que foi colunista de O Globo e de Zero Hora. Na crônica In English, LFV redige metade do texto em inglês "porque acho que a imprensa brasileira tem o dever patriótico de passar a usar uma língua que o FMI entenda" e avisa que só vai voltar a escrever em português no caso de palavras intraduzíveis, como "marketing".

LFV é um mestre. Ele é do tempo em que catalogávamos jornalistas, cronistas e escritores dizendo "Fulano é um grande texto", uma expressão que caiu em desuso porque parece não ser muito apreciada pelos algoritmos. Em textos de humor, um estilo difícil porque sempre ameaçado pela pieguice, não há quem bata LFV no Brasil, e olha que passou por aqui muita gente boa, como toda a turma do Pasquim.

Posso ser suspeito porque, como colega, editor e leitor, tive o privilégio de acompanhar grande parte da trajetória de Luis Fernando, com suas milhares de crônicas, personagens e tiradas memoráveis. Duas delas para recitar de supetão: ressaca de gim é um dos poucos casos em que a medicina permite a eutanásia e 1987 foi tão inexpressivo que as pessoas só vão lembrar do ano porque foi quando deu maconha em lata na praia.

Mais uma lição: LFV é de uma geração de gaúchos que, como diria David Coimbra, outro grande texto, se aparafusou em Porto Alegre, sem precisar migrar para Rio ou São Paulo para ser lido e reconhecido - tal e qual seu pai, Erico Verissimo, aliás. Luis Fernando provou (concordam, Peninha, Carpinejar, Martha Medeiros e tantos outros?) que a aldeia pode ter suas limitações, mas não sufoca a inspiração. O mestre LFV é um destes gauchinhos metidos que colocaram o nariz no mundo, mas sempre voltaram para conviver com seus conterrâneos e, de alguma forma, nos ensinar a sermos mais civilizados. Então, "To Luis Fernando, with Love". 

MARCELO RECH

02 de Agosto de 2025
ANDRESSA XAVIER

João da Penha

Nessa semana assistimos, atônitos, ao vídeo que mostra um homem enchendo uma mulher de socos no elevador. Lá no Rio Grande do Norte, mas tão próximo da realidade que a gente acompanha diariamente. Ver os socos é materializar o que ouvimos no noticiário, entender os gritos de uma vizinha, o controle travestido de ciuminho quando o cara quer escolher a roupa ou as amizades da sua parceira ou desmerecer as realizações dela. É como levar aqueles socos junto com a vítima. É sentir um enjoo e, depois, uma raiva. Ver um covarde como este é aflorar sentimentos ruins.

O desrespeito à mulher muitas vezes vira agressão, física ou psicológica. Muitas vezes a mulher agredida acaba morta por quem ela achava que seria amada. Sua honra é colocada em xeque por quem deveria ajudar a defendê-la porque ainda tem quem pergunte o que ela fez para levar 60 socos ou um puxão de cabelo. Como se houvesse alguma justificativa para o que os imbecis fazem.

Uma sociedade machista empurra o preconceito para o colega do lado porque nunca vem da gente, afinal. Diz que ama as mulheres, que até é filho de uma. Que tem amigas mulheres. Mas uma sociedade machista ainda faz piada com o papel da mulher. Ainda deixa que elas lavem a louça e sirvam seus pratos com o almoço. Ainda pergunta na entrevista de emprego se ela pretende engravidar. Ainda diz que tinha que ter a lei João da Penha, afinal não são somente os homens que matam mulheres e o contrário também ocorre.

Sim, ocorre. Mulheres matam homens eventualmente. É preciso olhar as estatísticas para dizer, sem errar, que os homens são muito mais violentos. Você já viu uma mulher dando 60 socos no marido, até ele sangrar e precisar fazer plásticas para voltar a ter um rosto?

Você pode dizer também que há os casos de mulheres que sentem ciúmes ou que fazem falsas denúncias. De fato, há. Nessa semana fizemos um debate de altíssimo nível na Gaúcha sobre como combater a violência contra a mulher. A promotora Ivana Battaglin trouxe um dado que escancara o tamanho do mito. Estudos mostram que, no mundo, apenas entre 2% e 8% dos casos registrados por mulheres não se confirmam. Pode ser por mentira ou por falta de provas.

Calcula-se que vai demorar 150 anos para existir algo próximo a condições ou oportunidades iguais para homens e mulheres. Para isso acontecer, nesse século e meio precisaremos evoluir, e muito. Começa nas escolas, sem o medo de debater gênero, sem medo de educar as crianças contra o discurso de ódio que se propaga pelos algoritmos das redes sociais. 

Passa por não achar graça da piada machista. Por assumir responsabilidades que não são somente de homens ou mulheres. De mudar a cabeça e o comportamento. Passa por ver homens falando e postando sobre o monstro dos 60 socos sem questionar a vítima ou não falando do tema porque é um problema das mulheres, e não seus. _

ANDRESSA XAVIER

02 de Agosto de 2025
TENSÃO DIPLOMÁTICA

TENSÃO DIPLOMÁTICA

Após tarifaço, Trump afirma que Lula pode falar com ele "quando quiser". Em resposta a uma jornalista da TV Globo, republicano afirmou que "ama o povo brasileiro". Declaração pode indicar uma abertura por parte da Casa Branca, que até agora se fechou à negociação com Brasília. Planalto já sinalizou disposição para uma conversa, mas quer foco na questão comercial

Após confirmar o tarifaço de 50% sobre parte das importações brasileiras, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode falar com ele "quando quiser".

A declaração ocorreu em resposta a uma jornalista da TV Globo. Questionado se estaria disposto a uma conversa com Lula, Trump afirmou:

- Ele pode falar comigo quando quiser. Na sequência, a jornalista perguntou o que seria passível de negociação com o Brasil.

- Bem, vamos ver o que acontece, mas eu amo o povo brasileiro - afirmou o republicano.

Trump ainda foi questionado sobre por que uma tarifa tão alta, e que não parece ter fundamentação econômica, contra os produtos brasileiros.

- As pessoas que governam o Brasil fizeram a coisa errada - alegou Trump, sem dar maiores detalhes.

Na quarta-feira, Trump assinou o decreto que institui a tarifa adicional de 40% - que se soma à taxa de 10% em vigor desde abril - a partir do dia 6 de agosto.

O impacto econômico do tarifaço foi minimizado com as exceções a quase 700 produtos inseridas no decreto, incluindo alguns dos principais itens da pauta de exportações do Brasil aos EUA, como suco de laranja, aviões, petróleo e aço. Ainda assim, outros itens de peso na balança comercial, como café e carnes, terão a sobretaxa, e entidades empresariais projetam prejuízos relevantes em alguns setores, o que pode gerar demissões.

No início da semana, Lula já havia indicado que está disposto a uma conversa direta com Trump. O governo, porém, quer garantias de que o diálogo será focado em comércio e de que Lula não será submetido a nenhum constrangimento público, a exemplo do que ocorreu nos últimos meses com os presidentes da Ucrânia, Volodimir Zelensky, e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que tiveram bate-bocas durante reuniões com Trump.

A declaração de Trump pode ser um sinal de abertura da Casa Branca - que, até então, mantinha-se fechada a qualquer negociação com o governo brasileiro.

Na quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se encontrou com o chanceler Mauro Vieira em Washington. Um dia depois, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a Secretaria de Tesouro dos EUA procurou a pasta para marcar uma agenda com o objetivo de discutir o tarifaço. A conversa com o secretário Scott Bessent deve ocorrer na próxima semana.

- Finalmente nós vamos ter uma reunião mais longa e mais focada na decisão, até aqui unilateral dos EUA em relação ao Brasil - disse Haddad na sexta-feira.

"Sempre estivemos abertos"

Ainda na noite de sexta-feira, Lula respondeu à declaração de Trump em uma manifestação em rede social. O presidente afirmou que o Brasil "sempre esteve aberto ao diálogo".

"Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições. Neste momento, estamos trabalhando para proteger a nossa economia, as empresas e nossos trabalhadores", escreveu. _

Moraes diz que vai ignorar sanções e critica intervenção

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na sexta-feira que vai ignorar as sanções aplicadas contra ele pelo governo dos Estados Unidos.

- As ações prosseguirão o rito processual do STF, não se adiantará, não se atrasará. O rito processual do Supremo irá ignorar as sanções praticadas. Este relator irá ignorar as sanções praticadas e continuará trabalhando - afirmou o ministro.

Na quarta-feira, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUA confirmou a decisão de sancionar Moraes com base na Lei Magnitsky, que autoriza sanções contra pessoas ou entidades estrangeiras acusadas de violações graves contra os direitos humanos, mas jamais havia sido utilizada contra um juiz de Suprema Corte.

A medida bloqueia contas bancárias e bens de Moraes em solo norte-americano, além de proibir a entrada dele no país. A Casa Branca o acusa de decisões arbitrárias contra o ex- presidente Jair Bolsonaro e empresas de tecnologia americanas.

A manifestação de sexta-feira ocorreu durante a cerimônia de abertura do semestre do Judiciário.

Moraes disse que todos os réus pela tentativa de golpe de Estado em 2022 , entre eles Bolsonaro, serão julgados ainda neste semestre.

- Nós julgaremos todos os responsáveis, absolvendo aqueles onde não houver prova de responsabilidade, condenando aqueles onde houver prova, mas julgando, exercendo nossa função jurisdicional, e não nos acovardando por ameaças, seja daqui ou de qualquer outro lugar - alegou.

Moraes também criticou a tentativa de interferência e chamou de "pseudo-patriotas" os que buscaram articular sanções contra ele e contra o país - no caso do tarifaço imposto às importações brasileiras.

- É uma verdadeira traição à pátria. Uma traição covarde e traiçoeira - disse.

Jantar no Alvorada

Na véspera, em um jantar no Palácio da Alvorada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros, Moraes afirmou, segundo o jornal Folha de S. Paulo, que dispensa atuação do governo em sua defesa nos EUA. Lula havia determinado que a Advocacia-Geral da União (AGU) atuaria na representação do ministro. _

Fiergs: RS será o Estado mais afetado

Bruna Oliveira  - O Rio Grande do Sul é o Estado mais afetado pelo tarifaço de Donald Trump, mesmo com as exceções. A avaliação é da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs). A entidade aponta que as exceções têm efeito mínimo, pois somente 15% da produção gaúcha foi incluída na lista, contra uma média nacional de 45%.

Os cálculos da entidade preveem impacto em pelo menos 20 mil empregos diretos e queda de R$ 1,5 bilhão no PIB estadual.

Um comitê de crise com representantes do setor esteve reunido na manhã de sexta-feira na Fiergs. Na próxima terça-feira, haverá uma reunião com as secretarias de Desenvolvimento Econômico e da Fazenda na tentativa de renegociar créditos de ICMS retidos na exportação.

Em coletiva de imprensa após o encontro, Bier demonstrou preocupação em relação aos empregos. Uma possibilidade é a de buscar aumentar a linha de crédito de R$ 100 milhões assegurada pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A entidade também pede a liberação de créditos do ICMS Exportação para indústrias que tiverem suas vendas aos EUA afetadas.

Outro pedido é por medidas de alívio tributário e trabalhista, como ocorreu na pandemia.

- Vamos ter situações tão preocupantes como foi visto na pandemia e na enchente - afirmou Guilherme Scozziero, coordenador do conselho de relações do trabalho da Fiergs.

Os EUA são os maiores parceiros comerciais da indústria do RS. São 1,1 mil empresas que exportam ao país. _



02 de Agosto de 2025
POLÍTICA E PODER

Plano Diretor tem pontos que precisam ser discutidos

Os repórteres Gabriel Jacobsen e Paulo Egidio passaram os últimos dias debruçados sobre o projeto do Plano Diretor de Porto Alegre, que será discutido em audiência pública na próxima semana. O trabalho fez surgir informações que precisam ser debatidas com a sociedade.

Um estudo jurídico produzido pelo Centro de Apoio Operacional da Ordem Urbanística do Ministério Público concluiu que a minuta do novo Plano Diretor contém uma série de omissões e de regras inconstitucionais. As mais graves seriam a ausência de mapeamento das áreas de risco e de medidas de proteção contra desastres. O estudo já foi enviado à prefeitura.

O MP também considera que apenas uma audiência pública é insuficiente para o debate social adequado - e nesse ponto não há como discordar.

Além da construção de prédios de até 130 metros de altura no Centro Histórico, Quarto Distrito, Zona Norte, áreas próximas à beira do Guaíba e às margens das grandes avenidas, como Ipiranga, Protásio Alves e outras, a prefeitura propõe reduzir a distância entre os prédios, acabando com a lógica atual em que edifícios mais altos precisam ter uma margem de recuo maior. O que isso significa? Apartamentos menos ensolarados em uma cidade conhecida pela umidade no inverno.

A lógica do adensamento é trazer as pessoas para mais perto de onde há serviços consolidados e que a pessoa fique mais perto do trabalho. Na teoria, tudo certo, mas e na prática? Serão os preços de um apartamento no 30º andar da Ipiranga acessíveis para quem depende de programas como o Minha Casa, Minha Vida?

Porto Alegre é, de fato, uma das últimas capitais a ampliar a altura dos seus prédios - a prefeitura diz que o plano foi inspirado em Cingapura e em cidades do Brasil, como Curitiba, que quem conhece sabe estar muito distante da nossa realidade de ruas estreitas, trânsito congestionado e sistema deficitário de transporte coletivo.

Sem conhecer os detalhes, não é prudente definir posição. Os vereadores terão de aprofundar a discussão, ouvindo técnicos em vez de transformar em um simples embate político. _

Ameaças não intimidam os ministros do Supremo

A reabertura dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF) transformou-se num ato de desagravo aos ataques à instituição e ao ministro Alexandre de Moraes. Os ministros trataram como "organização criminosa" o grupo que atuou contra a democracia brasileira, e sinalizaram que o movimento feito por Eduardo Bolsonaro nos EUA produzirá efeito contrário ao que ele esperava.

O presidente do Supremo, Luis Roberto Barroso, disse que Moraes agiu com bravura e encarou "altos custos pessoais" para evitar a erosão da democracia.

O decano do Supremo, Gilmar Mendes, foi na mesma linha:

- Um deputado, na linha de frente do entreguismo, fugiu do país para covardemente difundir aleivosias contra o Supremo Tribunal Federal, num verdadeiro ato de lesa-pátria. _

Deputados fazem acordo para impulsionar região das Missões

A Assembleia Legislativa assinou na sexta-feira um acordo com representantes legislativos da Província de Missiones, na Argentina. Com a parceria, deputados gaúchos e argentinos trabalharão em sintonia para melhorar o capital turístico da região, de olho na celebração dos 400 anos das Missões Jesuíticas.

Um dos temas discutidos foi a Ponte da Integração que vai unir Porto Xavier, do lado brasileiro, a San Javier, na Argentina - onde estiveram os parlamentares gaúchos. O presidente da Assembleia gaúcha, Pepe Vargas, explica que falta apenas assinar o contrato para que a obra, sonhada desde a década de 1980, saia do papel. _

Lula fica na obrigação de ligar

A declaração de Donald Trump na sexta-feira (leia na página 10) deixa o presidente Lula na obrigação de tomar a iniciativa do diálogo.

Se Trump está disposto a conversar, Lula precisa tomar a iniciativa e telefonar. Existe a barreira do idioma, mas para isso existem os intérpretes na diplomacia.

Melhor seria um encontro presencial, olho no olho, na companhia do chanceler Mauro Vieira e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Não é hora de bravata nem de preconceito. O que está em jogo é um prejuízo bilionário para o Brasil. _

União é condenada a ressarcir Estado por fraudes no home care

A União foi condenada a pagar R$ 2 milhões ao Estado como ressarcimento por valores bloqueados das contas do Estado destinadas ao custeio dos serviços de home care (atendimento médico domiciliar). A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

A Justiça acolheu o argumento da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RS), de que a Lei nº 8.080/90 atribui ao Ministério da Saúde a responsabilidade pelo financiamento de tratamentos não incorporados ao SUS.

- A sentença reiterou que, havendo a condenação ao SUS para a prestação do atendimento, cabe à União o financiamento - explica o procurador Lourenço Floriani Orlandini.

Em março, o Grupo de Investigação da RBS (GDI) revelou supostas fraudes no sistema de home care na Região Metropolitana. Os casos envolviam adulteração de laudos, assinaturas e carimbos para justificar decisões que obrigam o poder público a custear o atendimento.

Em 2024, mais de R$ 38 milhões foram bloqueados das contas do Estado para pagar por esse tipo de tratamento. 

POLÍTICA E PODER

02 de Agosto de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Belém não é Dubai, e nem deve ser

Nos últimos dias, a notícia de que 25 países solicitaram a transferência da sede da COP30 de Belém para outra cidade acendeu um alerta vermelho. A motivação principal é clara - e escandalosa: o abuso nos preços de hospedagem. Diárias em hotéis simples ultrapassam a casa dos R$ 7 mil, um valor que beira o inacreditável e compromete o princípio básico de uma conferência que se pretende ampla, inclusiva e acessível, como reiterou em nota o governo brasileiro.

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, foi enfático: não há plano B. A COP será em Belém. Reconheceu, no entanto, a gravidade da situação e informou que o governo busca alternativas para garantir hospedagem a preços mais justos. Mas o episódio revela um dilema entre o espírito da COP e os interesses de mercado.

A menos de cem dias do início do evento, cogitar a mudança de sede seria um desrespeito com as milhares de pessoas que já compraram passagens, reservaram hospedagem e organizaram suas agendas com base na realização da COP em Belém. Além disso, jogaria por terra anos de preparação, centenas de milhões em investimentos públicos e, especialmente, o principal ativo simbólico desta conferência: sua realização no coração da Amazônia.

A COP30 não será uma cúpula genérica em uma capital global. Foi pensada para ser uma conferência conectada ao território mais estratégico do planeta no debate climático - a floresta amazônica. Sobretudo, um gesto de reconhecimento à importância do bioma, à cultura amazônica e à urgência de se ouvir quem vive a floresta por dentro. Retirar a COP de Belém agora seria não apenas um retrocesso logístico, mas uma derrota política e simbólica. A ganância de alguns setores da hotelaria não pode contaminar o esforço coletivo de preparar uma reunião histórica. Belém não é Dubai, sede da COP28 - e não deve ser. _

Descida da rampa não será pública

Se você, como eu, está ansioso para ver o dia em que um skatista descerá a "rampa" do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), na Capital, é bom calibrar as expectativas. A coluna apurou que a ação, prevista para o começo de setembro, será fechada ao público.

Pessoas ligadas à organização afirmam que não se trata de evento e sim de ação de empresa particular, no caso a Red Bull. Obviamente, a área é ampla, talvez seja possível ver a movimentação a distância, mas não se sabe como ficará o trânsito no dia da descida - ou se um limite de restrição ao tráfego e aproximação de pessoas será criado no entorno.

A coluna pediu autorização à Secretaria do Planejamento, responsável por parte do Estado pelo acordo com a Red Bull, para sobrevoar de drone o local. Mas recebeu como retorno que não seria permitido devido à preocupação da empresa com a segurança do atleta (cujo nome é mantido sob sigilo) e para não gerar expectativa de público para ação que não será aberta.

A coluna apurou que o espaço aéreo na área do CAFF é restrito ao sobrevoo de drones. As primeiras estruturas do evento "Building Drop" já foram colocadas no local. _

Campanha contra o antissemitismo no Brasil

Em reação à onda de antissemitismo, o Memorial do Holocausto e a Federação Israelita do Estado de São Paulo lançaram uma nova campanha com vozes de sobreviventes do horror nazista que migraram para o Brasil.

Entre os protagonistas estão Ariella Segre e Gabriel Waldman, que narram suas trajetórias de dor, superação e gratidão ao país, mas também expressam preocupação com os sinais crescentes de intolerância e desinformação. Os vídeos terminam com a mensagem direta: "Diga NÃO ao antissemitismo."

Os vídeos foram dirigidos pelo cineasta Marcio Pitliuk, curador do Memorial do Holocausto.

A campanha é lançada no momento em que o governo retirou o Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), organização que reúne países comprometidos com o combate ao antissemitismo. A medida do governo Lula foi em resposta à maneira como o governo Benjamin Netanyahu vem lidando com a crise na Faixa de Gaza.

Os vídeos estão sendo veiculados nas redes sociais das instituições e devem integrar ações educativas e de mobilização pública em escolas, universidades e espaços comunitários ao longo do segundo semestre. _

Submarinos americanos virados para Rússia

Em seu afã de brincar de dono do mundo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter mobilizado dois submarinos nucleares após ameaças russas. Aos fatos: quinta-feira, o ex-presidente da Rússia Dmitri Medvedev, espécie de títere de Vladimir Putin de 2008 a 2012 no Kremlin, mencionou o "Mão Morta", sistema automático de disparo de mísseis nucleares desenvolvido na época soviética.

Nesta sexta-feira, Trump informou sobre movimento militar em "regiões apropriadas". Não disse onde. O "Mão Morta" é do tempo da Guerra Fria e foi desenvolvido para reagir caso a liderança russa seja eliminada em ataque.

Vale lembrar que um submarino nuclear não significa que tenha arsenal atômico. Tecnicamente, é movido com energia nuclear, podendo transportar armas convencionais ou nucleares.

O fato de Trump ter reposicionado submarinos nucleares, na prática, não significa muito: serve mais ao propósito de dissuasão. _

Trump para Nobel da Paz?

O governo do Camboja anunciou nesta sexta-feira que indicará Donald Trump para o Prêmio Nobel da Paz. O vice- primeiro-ministro Sun Chanthol destacou como motivo a intervenção direta do líder americano para interromper o recente conflito na fronteira com a Tailândia.

Esta não é a primeira vez que o nome do republicano é cogitado para a honraria. Em junho, o Paquistão já havia manifestado a intenção de recomendar Trump pela atuação dele na mediação do conflito com a Índia. Recentemente, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também revelou ter indicado o presidente para o prêmio. _

O delegado aposentado Guilherme Wondracek foi reeleito para a presidência da Associação dos Delegados de Polícia do RS (Asdep-RS). A chapa terá como vice-presidente a delegada Marina Machado Dillenburg, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Viamão.

INFORME ESPECIAL

sábado, 26 de julho de 2025



26/07/2025 - 13h00min
Martha Medeiros

É pela imperfeição que me enamoro

Andamos obcecados por qualidade técnica, filtros que eliminam defeitos, nenhum ruído escapando, nenhum fio solto, a artificialidade substituindo o que é verdadeiro. Também somos aquele ser indefinido por trás do espelho embaçado no banheiro.

Meus pais sempre me pareceram, aos olhos da criança que fui, perfeitos. A Família Real de Porto Alegre. Eu agradecia a Deus por ter nascido em um lar tão abençoado, onde tudo funcionava, e ai de quem duvidasse. Até que cresci e passei eu mesma a duvidar: ora, quem é perfeito? Eu não iria pagar o mico de passar o resto da vida inebriada pela própria ilusão. Passei a glorificar o imperfeito e segui amando todos eles.

Resultado: até hoje mantenho atração pelo que não é 100%. Peguei ranço da correção absoluta. O 100% é uma certificação estática, aprisionada, não há mais para onde ir. Ora, de que jeito conceber a vida sem movimento? Estou longe de desprezar genialidades, como uma foto de Sebastião Salgado, uma página de Guimarães, o canto do Caetano, a entrega cênica das Fernandas, mãe e filha. Aproximam-se do sagrado. Mas quando desço desse altar e caio no mundano, é pela imperfeição que me enamoro. Meu coração é off-Broadway.

Todo esse preâmbulo para dizer que exalto o que está fora de foco. O abandono da excelência a favor da essência. Andamos obcecados por qualidade técnica, filtros que eliminam defeitos, nenhum ruído escapando, nenhum fio solto, a artificialidade substituindo o que é verdadeiro. A essência, ao contrário, é inexata, transcende, se move, esparrama. A essência não se falsifica, transforma a própria falha em gozo. Sabe que o excelente, ou é um gênio, ou um impostor.

Adoro, especialmente, fotos desfocadas, com sua imperfeição poética, humana. São retratos em movimento: da gente dançando, correndo, gesticulando. Somos borrões capturados por olhares objetivos, mas não há quem possa nos reduzir a uma única dimensão. Temos várias versões sobrepostas, somos reais e fictícios, seres indeterminados fazendo o possível para se enquadrar, só que um pedaço de nós sempre invade o contorno limitador e escorre para fora. Queremos ser vistos com nitidez, eu sei, mas também somos aquele ser indefinido por trás do espelho embaçado no banheiro. Estarei dando razão ao ébrio que enxerga três de nós, embriagado?

Está parecendo que quem bebeu fui eu, mas o álcool fica para depois: é a arte a única culpada pelos meus lampejos. Este texto foi inspirado por uma visita recente que fiz ao museu L´Orangerie, em Paris. A mostra chama-se Dans Le Flou e expõe várias obras, de 1945 até aqui, que foram criadas propositalmente desfocadas. São várias pinturas, fotos e trechos de filmes, e os curadores ainda criaram paredes translúcidas, para que a gente enxergue apenas o espectro dos outros visitantes na sala ao lado. Para quem tiver a sorte de estar por lá, a exposição fica até 18 de agosto. Saindo do museu, aí sim, tome um vinho por mim e divague à vontade, também. 


Checklist da alegria de viver

Da vida, não levamos nenhum bem, só experiências. Só o que lembramos, só como somos lembrados. Por mais que se aspire à fortuna, a maior riqueza é imaterial: emerge da simplicidade, do artesanato do afeto, do despojamento, da confiança de se impor diante da opinião alheia.

Há momentos que não podemos deixar de viver. É preciso, pelo menos, tentar alcançar. Não fugir do encontro. Não fugir da emoção.

Felicidade é um filme de baixo orçamento. Não dependemos de muito para sorrir. Felicidade consiste em estar presente. É se manter perto do próprio corpo. É quando a mente e o corpo estão no mesmo lugar.

Que tal fazer um checklist de alguns dos prazeres e aventuras que não devem faltar na sua história? São aquelas cenas indispensáveis numa comédia romântica com final feliz. São os porta-retratos que permanecem atrás das retinas, não dos vidros. Talvez não existam nem fotos, nem vídeos, porque você se esqueceu de registrar - tão ocupado que estava com o seu contentamento, não querendo perder um minuto da sua espontaneidade.

São instantes em que você suspira e diz: nem acredito. Não acreditar é começar a acreditar além dos seus limites.

( ) Ver a neve.

( ) Acompanhar o sol se levantando na praia.

( ) Acampar com colegas.

( ) Pular fogueira ou formar roda ao redor do fogo.

( ) Participar de excursão de ônibus da escola.

( ) Ganhar uma medalha em competição esportiva.

( ) Adormecer ao relento, olhando as estrelas.

( ) Andar de avião.

( ) Tomar banho de chuva.

( ) Festejar até de manhã, e ir dormir enquanto todos acordam.

( ) Ficar apaixonado.

( ) Amar alguém de verdade, a ponto de sonhar envelhecer junto.

( ) Ter um amigo para todas as horas.

( ) Passar a noite em claro, conversando com quem você acabou de conhecer.

( ) Atravessar o réveillon numa cidadezinha pacata.

( ) Entrar numa piscina de roupa.

( ) Plantar uma árvore e visitá-la anos depois.

( ) Fazer trilha e mergulhar numa cachoeira.

( ) Rezar por alguém, não só por si mesmo.

( ) Comer brigadeiro na panela.

( ) Reunir a família inteira num almoço.

( ) Comprar um mimo caro para os pais, que eles julgavam que não fosse possível.

( ) Conviver com a lealdade de um cachorro - ou com a astúcia de um gato.

( ) Viajar para longe e interagir em um idioma diferente.

( ) Chorar no cinema.

( ) Assistir a um show no gargarejo.

( ) Admirar a cidade do alto de uma roda-gigante ou de um arranha-céu.

( ) Rir até doer a barriga, até rolar no chão, até pedir para parar.

( ) Cantar sua canção favorita num karaokê.

( ) Escrever uma carta à mão e enviá-la pelo correio.

( ) Explorar a terra de origem dos seus bisavós.

( ) Cozinhar para um afeto.

( ) Beber um cálice de vinho no topo de um morro.

( ) Realizar piquenique no parque.

( ) Terminar um livro e sentir que transformou sua mente.

( ) Subir num palco.

( ) Dançar na sala sozinho.

( ) Perdoar mudando de assunto.

( ) Imaginar como o outro pensa - e descobrir que errou feio. Melhor perguntar do que adivinhar.

Se algum item ainda não foi riscado, está tudo bem: o tempo não cobra pressa, mas coragem. _

CARPINEJAR

26 de Julho de 2025
OPINIÃO - Opinião RBS

Ainda é preciso persistir na negociação

A menos de uma semana da entrada em vigor do tarifaço contra o Brasil prometido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, não resta alternativa a não ser insistir na tentativa de abrir um diálogo com o governo norte-americano. A despeito da falta de interesse em negociar demonstrada até aqui pela Casa Branca, do lado brasileiro é dever esgotar todos os meios possíveis para encontrar algum avanço e evitar o pior cenário. 

Valem os esforços do Itamaraty, as buscas do vice-presidente Geraldo Alckmin para ter alguma interlocução com o primeiro escalão de Trump, as articulações da iniciativa privada junto a clientes, fornecedores e entidades empresariais norte-americanas e outros canais de conversação, como a delegação de senadores que vai a Washington.

O caráter político da chantagem de Trump dificulta ainda mais essa tarefa, é verdade. Afinal, o Brasil está prestes a enfrentar uma tarifa de 50% sobre as exportações para os EUA, o maior patamar até agora imposto pela Casa Branca, não por razões comerciais. Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump citou os processos enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e decisões judiciais que atingem plataformas digitais norte-americanas, mas se especula também incômodo com a atuação do Brics, bloco de emergentes que tem o Brasil como um dos principais membros. As justificativas de Trump são tão estapafúrdias que, noticiou-se na sexta-feira, os EUA ainda buscam base legal para a medida.

Nos últimos dias surgiram alguns sinais incipientes de pontos que poderiam ser explorados nas tratativas. A soberania brasileira e a independência do Judiciário, convém reforçar, não estão na mesa de negociação. Mas se impõe reiterar o interesse em tratar de temas econômicos, demonstrando que ambos os países perdem com uma taxa de importação proibitiva.

Um dos indicativos de possibilidade de negociação foi revelado por Alckmin, que manteve teleconferência com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Nas palavras do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, o tom do diálogo foi o da busca pelo "ganha-ganha". Ou seja, com vantagens recíprocas. Em outra frente, senadores de diferentes linhas ideológicas terão compromissos a partir de segunda-feira com entidades empresariais e parlamentares norte-americanos.

Também foi revelado que, em reunião com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, manifestou o interesse norte-americano nos minerais críticos e estratégicos (MCEs) do país. Surge, portanto, outra pauta que pode evoluir. Negociar não significa entregar riquezas a estrangeiros, como sugere o nacionalismo embolorado, mas buscar conciliar benefícios para ambos os lados. A retórica agressiva de Lula, nesse sentido, atrapalha.

Ainda assim, é mandatório estar preparado para o cenário de o tarifaço de Trump ser praticado. Empresas e setores afetados necessitarão de apoio extraordinário. O governo federal já diz ter um cardápio de medidas. Na sexta-feira, o BRDE apresentou uma linha de crédito com juro subsidiado de R$ 100 milhões para as exportadoras gaúchas. Mas, mesmo que o tarifaço entre em vigor, deve ser mantida a racionalidade e a disposição para o entendimento. A retaliação é o último recurso. _

Conselho Editorial

José Galló

Empresário e membro do Conselho Editorial da RBS

contatoconselhoeditorial@gruporbs.com.br

A cacofonia do nosso tempo

A probabilidade de você ler este texto até a última linha é pequena. Não porque ele é mais ou menos interessante: simplesmente porque ingressamos na Era da Pressa.

A leitura de um texto ou a atenção dedicada a uma conversa não são mais as mesmas. As pessoas mal conseguem articular uma ideia antes de serem interrompidas. Todos nós estamos ansiosos, sem paciência, fazendo várias coisas ao mesmo tempo. Os debates se tornaram fragmentados. O raciocínio complexo tornou-se raridade. O tempo da reflexão, da análise, da qualidade das ideias se perdeu na urgência da reação imediata.

Essa pressa está comprometendo a vida. A leitura rápida de um título, de uma mensagem, o consumo fragmentado das redes sociais pode nos levar a avaliações superficiais e decisões erradas. Pensamentos mais elaborados mal têm tempo de se formar antes de chegar mais um alerta sonoro ou a tela acender mais uma vez. Definir o melhor a fazer exige ponderação, raciocínio e tempo. Mas cedemos lugar ao imediatismo, à urgência e à superficialidade.

Há poucos dias alguém me perguntou se é verdade que os Estados Unidos iriam lançar uma bomba no Brasil. Mas de onde surgiu isso? Dos boatos, delírios e teorias conspiratórias que pipocam a todo momento no nosso dia a dia. Tudo vira verdade, e assim vai se levando a vida aos trambolhões. O que deveria provocar indignação nos alerta para algo ainda mais grave: a erosão da capacidade coletiva de discernir o real do absurdo.

A cultura da urgência está também nas ruas. Observo, com frequência, carros amassados na traseira - e invariavelmente há um celular no painel, distraindo o motorista. A pressa está em todo lugar, como no trânsito, nos cortes bruscos, nas ultrapassagens forçadas, nas sinaleiras não respeitadas, nos atropelamentos, nas mortes evitáveis.

É nesse cenário de ruído e urgência que o jornalismo responsável precisa reafirmar sua vocação essencial: a verificação rigorosa dos fatos, a capacidade de análise e de mostrar contexto. A imprensa não é mais uma voz no caos: é um lugar de pausa, de profundidade e de responsabilidade. Quando tudo grita e nada mais tem valor, o conteúdo criterioso de uma reportagem bem apurada pode ser a diferença. Em tempos de decisões afobadas e vida sob pressão, a informação confiável torna-se não apenas necessária, mas vital. Que o jornalismo sério permaneça como farol, na contramão da crescente cacofonia de distrações e ruídos irrelevantes. 

OPINIÃO

26 de Julho de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Leite cobra de Lula o que está nas mãos de Trump

A linha de crédito especial do BRDE para os exportadores prejudicados pelo tarifaço de Donald Trump, anunciada na sexta-feira pelo governador Eduardo Leite, foi recebida com entusiasmo pelos representantes dos setores afetados, mas todos sabem que se trata de um paliativo.

O governo do Rio Grande do Sul fez o que estava ao seu alcance ao propor um empréstimo para evitar que o impacto imediato seja a demissão de trabalhadores. Com isso, dá fôlego às empresas, enquanto não se chega a um acordo para redução das tarifas.

Logo depois de anunciar o acordo, Leite voltou a dizer que a solução para o impasse está na negociação e que cabe ao presidente Lula dar o primeiro passo.

A sugestão seria óbvia, não fosse pública e notória a informação de que Trump não quer negociar com o Brasil e que a primeira condição por ele imposta não cabe em uma negociação legítima. É chantagem a exigência de livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro da ação penal por tentativa de golpe de Estado.

Leite contestou a opinião de que sua sugestão de Lula dar o primeiro passo oscilava entre a ingenuidade e o oportunismo político. O secretário de Comunicação, Caio Tomazeli, traduziu o pensamento do governador como "a defesa de um gesto político de boa vontade". A ideia não é Lula viajar para os EUA sem uma audiência marcada, mas dar um telefonema para Trump.

Entusiasmado com o reconhecimento de que é o único entre os potenciais candidatos a presidente que não tem ligação com Lula nem com Jair Bolsonaro, o governador aproveitou a reunião para condenar a polarização, discurso que adotou logo após o anúncio do tarifaço, como se a responsabilidade de cada um fosse de 50%.

Ignorou que o deputado Eduardo Bolsonaro está nos EUA há quatro meses, tentando convencer autoridades americanas de que seu pai é vítima de uma injustiça e pedindo sanções. Mesmo quando a sanção veio em forma de tarifaço, Eduardo comemorou como vitória, imaginando que o Executivo, o Legislativo e o Judiciário se renderiam. _

Crise com os EUA reforça papel de Alckmin no governo

A crise do tarifaço colocou em evidência a figura serena do vice-presidente Geraldo Alckmin. É ele o interlocutor dos empresários e o homem escalado para conversar com o governo dos EUA, tarefa até aqui frustrada pela irredutibilidade de Donald Trump.

Na sexta-feira, em Osasco (SP), Lula ressaltou o papel de Alckmin na negociação:

- Esse cara é exímio negociador, não levanta a voz e não manda carta. Ele só quer conversar - discursou.

Na segunda-feira, os líderes dos setores mais prejudicados pelo tarifaço terão mais um encontro com Alckmin e com Lula em Brasília para discutir estratégias de reação e o programa do governo para socorrer as empresas afetadas. _

Avante quer o centro

Apontado como um dos partidos que negocia com o PL para 2026, o Avante nega qualquer conversa com Luciano Zucco ou Giovani Cherini, os dois principais líderes liberais no RS. Segundo o presidente estadual da legenda, Mário Cardoso, o Avante é um partido de centro e quer se afastar dos extremos.

Foi Cherini quem disse a jornalistas, antes do anúncio da coligação com o Novo, que tinha conversado com o Avante, o Solidariedade e o PSDB.

- Somos do diálogo, não tem problema falar com quem for, mas hoje o que buscamos é uma alternativa de centro - disse Mário.

As preferências do Avante são as pré-candidaturas de Marcelo Maranata (hoje no PDT, mas tem conversas com PSDB) e Juliana Brizola (PDT). Nomes da centro-direita, como Gabriel Souza (MDB) e Covatti Filho (PP), estão mais distantes. _

Eduardo Leite se prepara para tirar seis dias de férias na próxima semana. O governador vai aproveitar a última semana do recesso na Assembleia para descansar. Não há previsão de agendas que envolvam articulações para a eleição.

Definição do PL não deve apressar adversários

O lançamento antecipado dos principais nomes da futura coligação PL-Novo não deverá apressar o calendário de definições dos outros concorrentes que estão com as candidaturas alinhavadas.

Não é novidade para nenhum dos protagonistas da eleição que o MDB terá o vice-governador Gabriel Souza como candidato.

Quem estará com Gabriel? O PSD, por ser o partido do governador Eduardo Leite, mas não necessariamente como vice. O mais provável é que o próprio Leite seja candidato ao Senado, se não conseguir viabilizar a candidatura a presidente.

Gabriel gostaria de ter um nome do PP como vice, mas o deputado Covatti Filho está empolgado com a receptividade da pré-candidatura. A ala direita do PP resiste a Gabriel, porque no Interior o MDB é um adversário histórico. 

Esquerda vai se unir? A expectativa de união da centro-esquerda é o principal motivo para PT, PSOL, PCdoB e PSB evitarem nomes agora.

Para atrair o PDT, que tem Juliana Brizola como pré-candidata ao Piratini, líderes do PT adotaram o discurso de que quem busca uma aliança ampla não pode impor nomes.

O PSDB lançou a ex-prefeita de Pelotas Paula Mascarenhas, mas a direção nacional ainda não desistiu de filiar o prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, que quer concorrer a governador.

Nos bastidores, os petistas acreditam que a tendência é o PDT fechar com Gabriel Souza e Juliana concorrer a deputada federal. _

Manuela no radar

Edegar Pretto é o nome do PT para governador. Na improvável hipótese de uma aliança com o PDT, tendo Juliana como candidata, Pretto disputaria uma vaga na Câmara, já que para o Senado o nome do partido é Paulo Pimenta.

A segunda vaga ficaria para um partido aliado, provavelmente o PSB, que tenta atrair a ex-deputada Manuela D?Ávila, que deixou o PCdoB e é afinada com João Campos, presidente nacional do partido, que avalia decretar uma intervenção no diretório estadual do PSB e convidar Manuela para a presidência estadual.

O PSOL também tenta atrair Manuela, na esperança de ganhar um reforço para 2026. 

POLÍTICA E PODER


26 de Julho de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Minerais põem Brasil no mapa geopolítico do futuro

O apetite trumpiano por minerais críticos e terras raras lembra a fixação da Casa Branca em tratar a China como inimiga existencial. Muda o presidente, troca a retórica, mas certos consensos permanecem imutáveis em Washington - entre eles, a percepção da China como principal adversário global e a obsessão por garantir o controle de recursos estratégicos. Sai o democrata Joe Biden, entra o republicano Donald Trump, e o roteiro se repete: Pequim continua o vilão da vez - como já foram, em outros tempos, fascismo, soviéticos e fundamentalistas islâmicos.

A busca por minerais críticos insere-se nesse enredo. Com aplicação direta na indústria da defesa, no setor energético e na transição para uma economia de baixo carbono, esses minerais se tornaram peça-chave da geopolítica contemporânea. Não por acaso, o Brasil entrou no radar americano após declarações recentes do encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar, sobre o interesse de Washington em acordos por esses insumos.

Minerais como lítio, nióbio, tântalo, terras raras, entre outros, são usados em baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, sensores de mísseis, radares, drones e blindagens de última geração. O neodímio, disprósio e praseodímio, por exemplo, integram ímãs superpotentes utilizados em motores militares e aeronaves de combate. O gálio e o germânio são indispensáveis em semicondutores e sensores infravermelhos. 

O titânio, por leveza e resistência, é utilizado em submarinos e veículos blindados. E o tungstênio, com seu altíssimo ponto de fusão, é essencial em projéteis perfurantes e ligas bélicas. Isso sem falar em tântalo, berílio, níquel e cromo, aplicados em capacitores de precisão, turbinas de alta temperatura e sistemas eletrônicos estratégicos.

O interesse americano

A lista de minerais considerados críticos pelos EUA é composta por quase 15 elementos que não existem em abundância no subsolo americano. As maiores reservas estão em regiões como América Latina, Groenlândia (lembram da tentativa de Trump de comprar a ilha da Dinamarca?), sul da África, Austrália, China, Rússia, Ucrânia e Cazaquistão. O Brasil desponta com 14 minerais classificados como críticos, respondendo por 10% das reservas globais - localizadas principalmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Norte.

Na gestão Biden, minerais críticos eram vistos como motores da economia verde. Mesmo que Trump despreze a pauta ambiental, seguem vitais para a segurança nacional e a estratégia de contenção global. E, agora, voltam ao centro do tabuleiro até nas propostas para encerrar a guerra na Ucrânia, como instrumento de pressão.

O que está em jogo é mais do que o controle de insumos industriais: é o poder sobre o futuro. Não há transição energética, revolução tecnológica nem soberania militar sem esses minerais. Em tempos de emergência climática e rearranjos geopolíticos, o mapa mineral vale mais ou tanto quanto os antigos mapas do petróleo. _

Referência em pesquisa sobre a Antártica, com inferências científicas no dia a dia dos gaúchos em tempos de mudanças ambientais, o Centro Polar e Climático da UFRGS tem novo site. Mais intuitivo, está em centropolar.com

Símbolo de resiliência

Olhando rapidamente lembra o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Mas a cena foi registrada nas Filipinas, onde um casal decidiu manter a data do casamento, realizado no último dia 22, mesmo com a igreja alagada devido às chuvas intensas agravadas pelo tufão Wipha. A cerimônia ocorreu na histórica Igreja de Barasoain, em Malolos, na província de Bulacan, uma das regiões atingidas. Com os bancos parcialmente submersos, os convidados acompanharam a cerimônia com os pés na água, enquanto Jade Rick Verdillo e Jamaica Aguilar disseram sim.

- Estamos juntos há 10 anos. Este é só mais um desafio que superamos - declarou Rick. _

Casa dos Raros terá tratamento de neuromielite óptica

A partir de agosto, a Casa dos Raros, na Capital, inaugurará o primeiro centro exclusivo para tratamento de neuromielite óptica no Estado. O objetivo é facilitar a jornada do paciente, desde o diagnóstico até o tratamento e terapias multidisciplinares.

A neuromielite óptica é doença rara e grave que ataca o sistema nervoso central, principalmente o nervo óptico e a medula espinhal. Estima-se que 5 mil pessoas no Brasil convivam com ela. _

Sistema gaúcho de compostagem atrai interesse da COP30

Um sistema de compostagem desenvolvido por uma startup do Tecnopuc chamou a atenção dos organizadores da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). A tecnologia, criada pela startup Igapó - integrante do Tecnopuc e vinculada ao Celeiro AgFood, vertical de negócios em agro e foodtech do instituto -, está em operação na Central de Resíduos da PUCRS desde novembro de 2024.

Recentemente, um representante da prefeitura de Belém, sede da COP30, visitou a universidade para conhecer o projeto em detalhes. A composteira em uso na PUCRS processa resíduos orgânicos com maior rapidez do que os equipamentos convencionais, com capacidade de até uma tonelada por dia.

A expectativa é de que um equipamento baseado na mesma tecnologia - porém em escala ampliada - seja instalado durante a COP30. _

Rede de ambientalistas denuncia desmonte

O Observatório do Clima (OC), principal rede de entidades ambientais do país, encaminhou nesta semana nota técnica ao governo federal defendendo o veto integral do projeto de lei 2159/21, que altera regras de licenciamento no país. O documento aponta que 42 dos 66 artigos do texto desmantelam o licenciamento ambiental.

A nota, de 95 páginas, baseia-se em análise técnica e afirma que a proposta é "incompatível com o interesse público e inconstitucional". Para a entidade, a eventual sanção das novas regras pode ameaçar proteção ambiental, saúde pública, povos e comunidades tradicionais, patrimônio histórico-cultural e sítios arqueológicos. A análise técnica foi entregue à Presidência da República e a 17 ministérios. _

INFORME ESPECIAL

sábado, 19 de julho de 2025


19/07/2025 - 13h51min
Martha Medeiros

Viajar é um vício, um prazer, um tratamento de saúde mental

Não é porque se está fora de casa que se pode agir feito um ogro, desrespeitando o silêncio alheio e a cultura de cada povo. Com adesão voluntária é melhor não contar: ninguém vai deixar de renovar o passaporte.

A pandemia trancou 7 bilhões de pessoas em casa. Quando acabou, éramos 7 bilhões de estressados, com abstinência de liberdade e craques em trabalhar online. Debandamos, claro. As vielas de Veneza hoje parecem formigueiros humanos, comprometendo o patrimônio histórico e elevando o custo de vida de quem lá nasceu, mas quem se importa, além dos moradores? Veneza é só um exemplo da invasão em massa. 

Protestos têm sido feitos nos mais cobiçados destinos turísticos, mas levantar cartazes têm pouco efeito prático. Alguns nativos reagem infantilmente, como os barceloneses que apontam pistolas d’água para os turistas. Com os termômetros batendo os quarenta graus, fazem até um favor a quem se arrasta pelas Ramblas com uma mochila pesada nas costas.

Alguns londrinos adotaram uma forma mais radical de expulsar os chatos. Desde quando foi lançado o filme Um Lugar Chamado Notting Hill, o bairro passou a concentrar alto índice de visitantes que fazem questão de conhecer a livraria “do Hugh Grant” e o conjunto de casas coloridas que dá um ar brejeiro à região. Pois alguns moradores, exaustos de verem seus jardins invadidos por turistas em busca do melhor ângulo para fotografar as fachadas, resolveram pintar suas casas de preto. Adeus, amarelinho, rosinha, azulzinho. Casas pretas. Notting Hill versão Família Addams.

Em Paris, há duas semanas, funcionários do Louvre organizaram uma greve relâmpago e fecharam as portas, deixando os turistas do lado de fora, com ingresso na mão, sem entender nada. Reivindicavam um limite de visitação, antes que o caos se instale no famoso museu. E nos aeroportos, na entrada das salas vip, as filas também andam gigantes. O que era para ser uma área destinada a poucos, se tornou acessível a todos, devido a ampliação das vantagens oferecidas pelos cartões de crédito. O benefício é vendido como “premium”, mas o que se vê é uma horda disputando o pão de queijo grátis.

Difícil reverter a situação, uma vez que o turismo impulsiona a economia mundial. Estudam-se paliativos, como exigir taxas de entrada nas cidades, impedir a construção de novos hotéis em zonas centrais e estimular a visita a lugares ainda não explorados, os tais paraísos secretos. 

Com adesão voluntária é melhor não contar: ninguém vai deixar de renovar o passaporte. Viajar é um vício, um prazer, um tratamento de saúde mental. Eu adoraria que Porto Alegre recebesse mais turistas – até que alguém invada meu jardim e perturbe a minha paz, logo, educação turística vai ter que entrar na pauta. Não é porque se está fora de casa que se pode agir feito um ogro, desrespeitando o silêncio alheio e a cultura de cada povo. Mas enquanto não se organiza essa barafunda, pistola d’água em nós. 



04/07/2025 - 17h00min
Sara Bodowsky

Passeie comigo por uma das minhas regiões preferidas do Rio Grande do Sul: o sul do Estado

Confira a nossa visita no Theatro Sete de Abril, um dos mais antigos em solo gaúcho, no quadro "Na Estrada" do "Baita Sábado"

Eu amo viajar, seja qual destino for. Todo o povo e todo o lugar têm histórias únicas. E a experiência de viver e observar essas narrativas muda nossa própria perspectiva. 

Por isso sou uma entusiasta do movimento. De descobrir espaços próximos ou mais distantes. Não importa. O que precisamos é seguir abrindo a mente e o coração para o que está fora da nossa caixa. Da nossa (não tão) confortável bolha. 

Cada encontro semanal nosso, aqui na coluna, me deixa muito feliz porque sei que tu, leitora e leitor, também se sente provocado por essas descobertas. Seja de lugares, de sabores, de saber fazer. 

Sou muito feliz quando recebo tua sugestão também, ou quanto tu divides comigo o quanto curtiu alguma coisa que leu aqui. Um beijo, que a gente siga juntos saindo das nossas bolhas e descobrindo o mundo!

Neste sábado tem Na Estrada, na RBS TV, mais cedo: o Baita Sábado começa às 9h. Te convido para passear comigo por uma das minhas regiões preferidas do Rio Grande do Sul: o sul do Estado. 

Nossa equipe fez um passeio especial pelo centro histórico de Pelotas, onde tivemos uma surpresa inesperada, que foi um verdadeiro presente – a possibilidade de entrar no Theatro Sete de Abril, um dos mais antigos do RS. 

Foi inaugurado em dezembro de 1834, um pouco mais de 23 anos antes do que o São Pedro, em Porto Alegre, e está fechado há 15 anos. No entanto, a reabertura está próxima, dependendo ainda de alguns detalhes de estrutura e acústica. Foi uma visita emocionante!

Se quiser conferir também no Globoplay, é só buscar por Baita Sábado. O acesso é grátis, só precisa fazer uma conta e assistir. 

Um dos lugares com a melhor vista do pôr do sol de Porto Alegre, o Lola Bar, que fica no terraço da Casa de Cultura Mario Quintana, comemora 13 anos com programações muito bacanas. É a tua oportunidade de revisitar a casa ou, quem sabe, finalmente conhecer esse espaço charmoso, acolhedor e muito diverso. 

Na próxima terça-feira, dia 8, tem Majestic Sessions a partir das 18h. O projeto é comandando pelo querido Dante Longo e terá como convidado especial o jornalista Roger Lerina. Será apresentada uma seleção especial de grooves, soul e raridades musicais dos anos 1970 e 1980, combinadas com projeções de filmes italianos. 

Já no dia 20, tem Bailinho do Lola a partir das 16h. O show comemorativo será com a banda Baby Paloma, que traz no repertório nomes clássicos como Marvin Gaye, Jorge Ben, Rita Lee e Steve Wonder. O Lola Bar fica no terraço da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736), no 7º andar. Tem mais informações no Instagram @lolaccmq. 

Sou fã de marmitas e não nego. Sejam preparadas por mim ou por marcas que mantêm a qualidade e o sabor caseiro, ajudam demais a manter a boa alimentação durante a correria da semana. E uma das minhas preferidas é a Tchê Gourmet, que está completando 10 anos em Porto Alegre. 

No aniversário, estão trazendo pratos novos, com combinações de arroz com galinha, panquecas com carne moída, peixe à milanesa, almôndegas, carne de panela e sobrecoxa ao molho, sempre acompanhados de arroz, feijão ou outras delícias. 

A Tchê Gourmet tem loja na Avenita Otto Niemeyer, 1.699, bairro Camaquã. Aberto de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e sábado das 9h às 15h. Pedidos podem ser feitos pelo WhatsApp (51) 99196-6695 ou pelo Instagram @tche_gourmet.