sábado, 6 de setembro de 2025


BC aperta a segurança após três ataques que envolvem Pix

Depois de três ataques envolvendo o Pix e o sistema financeiro nacional, o Banco Central (BC) anunciou na sexta-feira novas regras para evitar problemas desse tipo. Conforme o presidente do BC, Gabriel Galípolo, são medidas para dar mais segurança a todo o sistema, assim como para os clientes. E afirmou que é a forma de enfrentar a migração do crime organizado de furto de carteira e assalto a agências bancárias para roubo de senha e invasão de sistemas de tecnologia.

- Como houve associação de fintechs e da Faria Lima, é preciso dizer que ambas são vítimas do crime organizado. Tanto os bancos incumbentes (tradicionais) quanto os novos são responsáveis por uma inclusão fantástica (da população) ao sistema financeiro - afirmou Galípolo.

O aperto das normas do BC envolve, principalmente, limite de operações com TED e Pix a R$ 15 mil em instituições de pagamento não autorizadas e as que se conectam ao Sistema Financeiro Nacional via Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI). Conforme Galípolo, está prevista revisão contínua das regras, na medida do avanço das tentativas de ataque.

O maior dos ataques foi em julho, à C&M Software, com estimativa de desvio de até R$ 1 bilhão. Em agosto, houve outro com foco na Sinqia, avaliado em R$ 420 milhões, e o mais recente ocorreu no banco digital gaúcho Monbank, envolvendo R$ 4,9 milhões.

Conforme o BC, as novas medidas não envolvem apenas supervisão posterior, também serão preventivas: as operações acima de R$ 15 mil não autorizadas, por exemplo, serão automaticamente travadas por sistemas de segurança.

Instituições de pagamento não autorizadas?

Para dar espaço à inovação que permitiu o surgimento de fintechs (financeiras que atuam com uso de tecnologia), o BC permitiu a existência de vários tipos de empresas para dar mais competitividade e inclusão ao mercado. O prazo para a regularização completa dessas empresas, que se encerraria em 2029, foi antecipado para maio de 2026, e não poderão se credenciar novas nesse modelo. As que já estiverem prestando serviços e tenham pedido de autorização indeferido terão de encerrar atividades em até 30 dias. A vigência da medida é imediata. _

A bolsa subiu mais de 1% e fechou acima dos 142 mil pontos pela primeira vez na história, quebrando novo recorde na sexta-feira. O dólar caiu 0,64%, para R$ 5,414. Tudo porque os EUA geraram menos empregos do que o previsto e devem ter corte no juro.

Exportando para os EUA mesmo com tarifa de 50%

Na contramão da maioria, uma multinacional com unidade no RS segue exportando normalmente para os EUA mesmo com tarifa de 50%. Trata-se da Stihl, indústria de máquinas de origem alemã que produz cilindros em sua fábrica de São Leopoldo que vão para 162 países, separados ou dentro de equipamentos. Essas peças essenciais para o funcionamento de máquinas e equipamentos são os únicos itens exportados diretamente aos EUA da unidade gaúcha.

- Embora seja uma peça importante, a alma do equipamento, no custo do produto final, lá nos EUA, tem impacto de 3% no preço final - diz Claudio Guenther, presidente da Stihl Brasil.

Além do baixo impacto no custo final dos equipamentos que vai compor, os cilindros da Stihl tiveram outra ajuda na continuidade dos embarques. A unidade do Brasil não exporta de forma direta a pontos de venda americanos, mas para a Stihl Inc., outro negócio na multinacional nos EUA. _

Crédito de R$ 30 bi a partir do dia 15

Depois da publicação da medida provisória que autoriza abertura de crédito extraordinário de R$ 30 bilhões no Diário Oficial da União de terça-feira, aprovações de financiamento devem começar a ocorrer até o dia 15, dentro de pouco mais de uma semana.

Os empréstimos são para exportadores em dificuldades com o tarifaço sobre o Brasil. A prioridade será para as que tenham no mínimo 5% das vendas ao Exterior impactadas pela alíquota de 50% no período de julho de 2024 a junho de 2025.

As taxas de juro já foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), e vão de 1% a 5% ao ano, variando conforme o tipo de operação e do porte da empresa. O custo máximo é equivalente a um terço da Selic e pouco acima do juro básico americano (4,25%).

Como de hábito, é exigida situação regular na Receita Federal e na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Não poderá se candidatar empresa em recuperação judicial ou extrajudicial, falência ou liquidação, a menos que exista plano de recuperação aprovado judicialmente. _

GPS DA ECONOMIA

06 de Setembro de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Pacote de Lula ajuda a reduzir tensão

A presença do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, representando o governo federal ao lado do colega Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, na Expointer reduziu em parte a tensão entre os produtores rurais.

Na véspera, o clima era de indignação pela informação de que Fávaro estaria no Amapá, em vez de vir ao Rio Grande do Sul na sexta-feira. Alertado para o prejuízo que a ausência do ministro causaria, o presidente Lula chamou sua equipe para discutir o pacote de ajuda aos agricultores e determinou que os ministros viessem à Expointer.

Do palanque das autoridades, os ministros e demais convidados viram uma cena marcante: coroas de flores e balões pretos representando cada um dos agricultores que se suicidaram nos últimos meses. Os organizadores da manifestação atribuem as mortes à depressão provocada pelo endividamento e pela falta de perspectiva de pagar os financiamentos depois de sucessivos problemas de estiagem e de excesso de chuva.

Fávaro anunciou oficialmente as medidas que a coluna havia adiantado - linhas de crédito subsidiado, com juros de 6% para os pequenos, 8% para os médios e 10% para os grandes produtores, com um ano de carência e pagamento em nove anos.

Quantia extra

O valor é de R$ 12 bilhões, o que significa R$ 2 bilhões a mais do que o valor previsto na véspera por deputados que acompanharam as discussões sobre o conteúdo da medida provisória assinada pelo presidente Lula (leia mais na página 15).

Como na saúde, tudo o que se fizer na agricultura será considerado pouco. As medidas do governo foram consideradas insuficientes, até porque políticos ligados ao agronegócio venderam a ilusão de uma securitização mais ampla, com pagamento em até 20 anos. _

ALIÁS

Apesar das vaias aos ministros Carlos Fávaro e Paulo Teixeira, o governo federal acertou ao mandar os dois representantes à Expointer para anunciar a renegociação das dívidas. A falta de civilidade de uma minoria ruidosa não pode se sobrepor ao interesse público e servir de pretexto para boicotar uma exposição com a história e o peso da Expointer.

Reação de Leite às vaias foi firme, sem esconder a irritação

Acostumado desde o primeiro ano de mandato a surfar na Expointer sem ser incomodado, o governador Eduardo Leite viveu uma situação diferente nesta que deve ser a sua última feira no comando do Piratini - se for candidato em 2026, terá de renunciar no início de abril.

Leite foi vaiado durante todo o seu discurso de seis minutos na abertura da Expointer por produtores rurais - instrumentalizados por políticos de direita, que transformaram a arquibancada ao lado do palanque em arena política.

Em resposta às vaias, Leite falou mais alto do que costuma falar e nos gestos não conseguiu esconder a irritação.

A interlocutores, disse estar incomodado pois sempre ouviu as demandas dos agricultores, anunciou medidas de socorro dentro dos limites de recursos do Estado e apoiou a proposta de utilização de recursos do fundo social para a renegociação das dívidas. _

Julgamento de Bolsonaro foi um não assunto na Expointer

Na semana em que começou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, havia um temor latente entre os organizadores da Expointer: de que o evento fosse contaminado pela radicalização.

Mas, ao contrário dos anos em que foi candidato ou presidente, não se viram camisetas, bonés, cartazes ou faixas com o nome de Bolsonaro nos cinco dias anteriores à abertura oficial. Era como se em Brasília não estivesse ocorrendo o julgamento do ex-presidente.

Nas rodas de conversas, a política se fez presente, mas com o setor dando sinais de que já assimilou a inelegibilidade de Bolsonaro e que o nome da vez é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas - que foi convidado a vir por Eduardo Leite, mas preferiu concentrar-se em Brasília e trabalhar pelo projeto de anistia. _

Auditora do TCE é convidada para integrar conselho da ONU

A auditora Andréia de Oliveira dos Santos, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), foi selecionada para integrar o Conselho de Auditores da ONU - organismo responsável por conduzir auditorias internas nas finanças das entidades das Nações Unidas, incluindo fundos, programas e missões de paz.

A seleção foi conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em parceria com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon).

- Sinto-me muito honrada. É a primeira vez que a gente vai ter essa representatividade no cenário internacional - celebra.

A auditora gaúcha estará acompanhada de Gabriela Flávia Ribeiro Mendes, auditora do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), que também foi selecionada.

O TCE-RS avalia que a participação no Conselho de Auditores da ONU representa um "marco de projeção internacional" para o tribunal, e reforça o "compromisso com a excelência no controle externo". _

Deputados formalizam o que já era prática na Assembleia

A pouco mais de um ano da eleição, sete parlamentares resolveram montar um "bloco de oposição de direita ao governo Eduardo Leite" na Assembleia Legislativa, formalizando o que na prática marca a atuação do grupo desde o início de 2023.

Integram o bloco os deputados Felipe Camozzato (Novo), Cláudio Branchieri (Podemos), Capitão Martim, Delegado Zucco e Gustavo Victorino (Republicanos) e Paparico Bacchi e Kelly Moraes (PL).

O Novo, que antes se declarava independente, virou um apêndice do PL. E o Republicanos se dividiu entre o governo e a oposição - o que não significa que nas futuras votações essa divisão se reproduza sem alteração.

- Não temos pretensão para ser do contra tudo e contra todos, pelo contrário, queremos oferecer uma visão alternativa - declara Camozzato, que vai liderar o grupo.

Batizado de O RS pode mais, o bloco é a materialização de uma aliança que está sendo encaminhada para a eleição de 2026. _

A direção do PSOL esclarece que não aderiu ao movimento liderado pelo ex-governador Tarso Genro para garantir a unidade da esquerda na eleição de 2026.

POLÍTICA E PODER 


INFORME ESPECIAL
informe especial - Vitor Netto

Anistia de 1979 vs anistia de 2025

Em 28 de agosto de 1979, o presidente João Baptista Figueiredo concedeu anistia aos perseguidos políticos da ditadura militar. Passados 46 anos, debate-se no Congresso a aplicação da mesma ferramenta aos participantes dos atos de 8 de janeiro de 2023. Apesar de, em ambas as ocasiões, os solicitantes pedirem a medida de forma "ampla, geral e irrestrita", há diferenças substanciais entre os dois contextos.

A anistia é um instrumento previsto no Direito brasileiro. O professor da FGV Direito Rio, Felipe Fonte, explica que a principal diferença é o contexto político em que cada projeto se insere:

- A de 1979 foi adotada e comandada pelo Congresso em um contexto de transição política do país. O Brasil tem uma tradição de transição por transação. Chega um momento em que os políticos se juntam e acabam negociando. A anistia, que começou com um projeto para que as pessoas que estivessem fora do país acusadas de crimes políticos durante a ditadura pudessem voltar, tornou-se algo maior, porque ela também anistiou pessoas do regime que tinham praticado crimes de tortura.

O professor lembra outra diferença: a anistia aplicada em 1979 não estava sujeita às vedações existentes em 2025, previstas na Constituição de 1988. O art. 5º, inciso XLIII, por exemplo, proíbe a concessão de anistia, graça ou indulto para crimes inafiançáveis, como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e crimes hediondos.

- Antes não havia limite; portanto, poderia ser para qualquer crime, inclusive tortura, crime político etc. A Constituição atual, não. Ela já trouxe outros limites. Essa anistia (de 2025) não faz parte de um processo de transição por transação, não estamos falando de substituição de regime político. Há uma percepção de que os que foram condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 cometeram crimes que foram punidos com penas excessivas; acho que esse é o objeto dessa anistia, o que é muito diferente da outra hipótese. Acho que o Congresso está usando a sua prerrogativa para atuar sobre essa percepção de justiça. É um cenário muito diferente daquilo que aconteceu em 1979 - observa.

Análise de cada caso

O professor avalia que, textualmente, a Constituição não contempla vedação explícita à concessão de anistia aos autores dos crimes pelos quais os réus estão sendo julgados, e as pessoas envolvidas nos atos poderiam receber a anistia; porém, é necessário analisar cada caso individualmente.

- Não sei ao certo qual é a natureza dos crimes pelos quais elas foram individualmente condenadas; acho que é preciso olhar cada processo, para ter certeza. Mas o que eu posso dizer, na minha visão, e de modo geral, é que se os crimes pelos quais elas foram condenadas não estão abrangidos pelo rol explícito de vedações constitucionais, tecnicamente poderiam ser anistiados - declarou à coluna. _

Ajuda ao agro e o tarifaço

O Campo em Debate desta sexta-feira saiu da Casa RBS, na Expointer, em Esteio, e foi para o espaço do Banrisul para debater as Tendências Econômicas e Perspectivas para a Safra Gaúcha. Entre os assuntos tratados, a reorganização do Estado, a assinatura da Medida Provisória que libera R$ 12 bilhões para a repactuação das dívidas de até 100 mil produtores rurais gaúchos e o tarifaço do presidente americano, Donald Trump.

Estiveram presentes o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, e o engenheiro agrônomo e sócio-diretor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros. _

Gaúchos na canonização do santo millennial

O papa Leão XIV vai canonizar o beato Carlo Acutis neste domingo. Conhecido como "o padroeiro da internet", ele se tornará o primeiro santo da geração millennial. Dois gaúchos da Minha Biblioteca Católica, uma editora de Dois Irmãos voltada ao público católico, já estão no Vaticano para acompanhar a celebração.

Waleska Camargo, criadora de conteúdo da Minha Biblioteca Católica, e Pedro Tiago Silva, videomaker, já chegaram à Itália. Em abril, quando a canonização seria realizada, mas foi cancelada devido à morte do papa Francisco, o grupo também estava no país.

Em maio, a editora também lançou uma biografia do santo millennial, intitulada Carlo Acutis: sua Vida, seu Exemplo e seus Milagres. Neste sábado será lançado um livro infantil, em formato de história em quadrinhos, sobre Acutis. _

Documentos perdidos de Nobel

Perdidas por quase 50 anos, diversas patentes pertencentes ao inventor e filantropo sueco Alfred Nobel foram recentemente encontradas na casa de veraneio de um casal sueco. Segundo informações da Fundação Nobel, o inventor, que descobriu a dinamite em 1867 e criou os prêmios Nobel em seu testamento de 1895, possuía centenas de patentes em vários países - a maioria delas relacionada a métodos de produção e usos de explosivos que utilizavam nitroglicerina.

Conforme a direção da Fundação, não se sabe como as patentes foram parar no local. _

Desfile de 7 de Setembro na Capital

O desfile de 7 de Setembro em Porto Alegre, neste domingo, contará com 4,6 mil participantes. O evento ocorrerá na Avenida Edvaldo Pereira Paiva, em frente ao trecho 3 da orla do Guaíba.

Dos participantes, 1,2 mil são militares do Exército, da Força Aérea e da Marinha. Serão 314 viaturas, entre motocicletas, veículos motorizados e blindados, além da tropa hipomóvel, helicópteros e embarcações.

O evento terá início às 9h30min, quando o comandante do Comando Militar do Sul (CMS), general de Exército Luís Cláudio de Mattos Basto, e o governador Eduardo Leite farão a revista das tropas. A partir das 10h, inicia-se o desfile. 

Pesquisadora receberá prêmio da Fapergs

A jornalista, professora e pesquisadora Raquel Recuero, que também integra o Conselho Editorial do Grupo RBS, foi agraciada com a mais importante premiação de pesquisa do Estado: a de Pesquisador Gaúcho 2025.

Promovida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do RS (Fapergs), vinculada à Secretaria Estadual de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), a premiação teve como tema "Ciência para a Reconstrução e Resiliência". O objetivo é reconhecer pesquisadores e profissionais que se destacaram na academia e nos setores público, industrial, empresarial e de comunicação.

Raquel foi agraciada na categoria Pesquisador Destaque na Área de Ciências Humanas e Sociais. A cerimônia de entrega será em 21 de outubro, no Salão de Convenções da Fiergs. Outros 13 pesquisadores também receberão o prêmio. 

INFORME ESPECIAL 

sábado, 30 de agosto de 2025


30 de Agosto de 2025
ANDRESSA XAVIER

Jogo jogado

Há julgamentos que começam antes de o tribunal se reunir. O do ex-presidente Jair Bolsonaro é um deles. A data no calendário do Supremo Tribunal Federal, que reunirá a atenção do país a partir desta semana, apenas oficializa o que já se desenha nos corredores, nas análises de bastidores e nas expectativas da opinião pública: o resultado é previsível. A condenação não será uma surpresa, mas a confirmação de um roteiro que o próprio Bolsonaro ajudou a escrever.

A insistência em flertar com o autoritarismo, a tentativa de mudar as regras do jogo e a incapacidade de aceitar a derrota nas urnas colocaram Bolsonaro e sua trupe diante de um tribunal que não julga apenas um ato, mas o modus operandi. É o acerto de contas entre o que se espera da liturgia democrática e quem a desrespeitou, ou a testou, de forma sistemática.

Não se trata apenas de um processo jurídico. É também um julgamento simbólico, de caráter histórico. A democracia brasileira, tão jovem e ainda marcada por cicatrizes, precisa dar respostas claras quando testada. O Supremo, desta vez, não julga apenas Bolsonaro, mas a resiliência das instituições diante de um projeto de poder que não se conforma com limites.

Todos sabem o que virá. Não haverá absolvição milagrosa, surpresas e nem espaço para vitimização convincente. O resultado já está assimilado até por aliados, que hoje medem cada palavra de apoio ou, em casos extremos, somem. Mas o que se abre depois da sentença é mais complexo. A condenação isola Bolsonaro politicamente, mas não elimina a polarização que ele consolidou. O eleitor que o seguiu, o fiel, não desaparece com a decisão do tribunal. O bolsonarismo, como fenômeno social, sobrevive, nesse caso apesar de seu líder. Assim como, lá atrás, o lulismo sobreviveu à série de escândalos de corrupção que culminaram na prisão de Lula.

Hoje todos sabem o desfecho jurídico do caso Bolsonaro, mas ninguém sabe qual será o desfecho político. Afastado do centro da disputa formal, o ex-presidente se torna ainda mais mito para os convertidos. A história brasileira, que acabo de citar, mostra que a prisão não significa necessariamente o fim de uma carreira política e que as brechas jurídicas e políticas podem nos surpreender. Lula esteve atrás das grades e voltou ao Planalto.

O Brasil assiste, assim, a um julgamento com duas camadas. Na superfície, a punição de um homem que afrontou a lei. Em profundidade, repetir que o país não aceitará mais aventuras golpistas. Por ora, o que todos sabem é o resultado que está para ser anunciado. O resto, como sempre na política brasileira, continua em aberto. Espero que o Brasil consiga enxergar além dos fanatismos em torno de dois nomes. O país é maior que isso. 

ANDRESSA XAVIER


30 de Agosto de 2025 
EUGÊNIO ESBER

Nós e o tribunal chinês

Aos brasileiros que sentem a temperatura da água subir, mas ainda consideram estar em uma tépida piscina e não em uma panela, recomendo prestar atenção ao termômetro. Os fatos, sempre eles, são implacáveis com quem os despreza, e os avisos do lento e progressivo cozimento das liberdades no Brasil se sucedem há pelo menos seis anos, quando a suprema corte brasileira se tornou o braço judicial do Partido dos Trabalhadores e a longa manus de perseguição aos dissidentes e de livramento dos corruptos apanhados pela Operação Lava Jato. 

Tudo o que se passou desde março de 2019, com a instauração do interminável e obscuro "Inquérito das Fake News", dá a medida de como uma pequena elite de burocratas pode subjugar um povo pela troca de favores com atores políticos, empresariais e intelectuais cujo cinismo foi magistralmente retratado por Verissimo em seu personagem "Queromeu, o corrupião corrupto", baseado nos corrupiões, aquele pássaro de peito laranja e que parece vestir um capuz preto.

A menos que as sanções norte-americanas funcionem para inibir os donos do poder, é do capuz do STF que sairá a decisão sobre quem pode concorrer a presidente em 2026; quem, se eleito, pode tomar posse; e quem, se empossado, pode governar sem a monolítica oposição do bloco STF-PT. O voto popular, portanto, torna-se secundário, e só não digo que é inócuo porque ainda atende a uma finalidade: produzir, para o mundo, a imagem de milhões de brasileiros acorrendo às cabines de votação. Uma bela coreografia, sem dúvida, a inspirar manchetes-clichês, como "Festa da democracia". Mas, passada a quarta-feira de cinzas, as alegorias são recolhidas. A real engrenagem do poder opera longe e à revelia das ruas.

A caminho de consolidar um regime de partido único, o STF, em coro com reiteradas manifestações de Lula, faz sucessivos acenos à China. Depois de Lula se dizer muito feliz por ter conseguido "colocar na suprema corte um ministro comunista", em referência a Flávio Dino, o futuro presidente do STF, Edson Fachin, recebeu ministros da suprema corte popular da China em abril. 

Os dois tribunais já haviam conversado em 2024, e agora firmaram um acordo de cooperação cujos termos exatos o STF decidiu manter em sigilo. Diante da estranha manifestação do ministro Gilmar Mendes em sessão do tribunal ("... nós todos somos admiradores do regime chinês, né?"), resta perguntar o que a mais alta instância do poder judiciário brasileiro tem a aprender com a corte que serve às diretrizes e interesses ditatoriais do Partido Comunista Chinês.

Não tente exigir, na justiça, o porquê do sigilo. A resposta será algo como "Porque sim. E não amola". _

EUGÊNIO ESBER

30 de Agosto de 2025
MARCELO RECH

Um basta ao Estado mafioso

A megaoperação de asfixia financeira ao PCC é um daqueles momentos em que o país precisa parar para ver onde estamos e como se conserta a situação. A descoberta da imensa rede de trambicagem levanta uma batelada de indagações sobre como, em última análise, chegamos até aqui - e se este é o ponto final ou inicial de algo maior.

É para lá de louvável a união de forças e o trabalho meticuloso dos órgãos de fiscalização para que fosse desfechado na quinta-feira o mais duro golpe nas finanças do crime organizado. Mas o fato de que o PCC estava se adonando dos postos de gasolina de São Paulo com métodos mafiosos era sabido e comentado há anos, com pouca ou nenhuma resistência à ação da facção.

Em abril do ano passado implodiu-se em São Paulo a infiltração do PCC no comando de duas das maiores empresas de ônibus da cidade. A velocidade com que o crime organizado se espraiou para refinarias, usinas de açúcar e o mercado financeiro assusta pela facilidade com que passou a movimentar bilhões nas sombras. A Receita Federal, a Comissão de Valores Mobiliários, o Banco Central, o Ministério Público, a Polícia Federal e entidades que representam o mercado honesto e legal tinham conhecimento das frestas e também há anos trabalham para fechá-las por meio de instrumentos legais, sem que eles conseguissem avançar.

E aqui é preciso parar e perguntar de novo. Por que não avançaram? A ex-senadora Ana Amélia Lemos apresentou há mais de seis anos um projeto sobre devedores contumazes que ajudaria a desmantelar as práticas criminosas de sonegação. Forças estranhas bloquearam o projeto. Agora, o senador Efraim Filho é relator de projeto semelhante. Segundo ele, 1.200 CNPJs devem mais de R$ 200 bilhões - e não por dificuldades financeiras mas porque tais empresas são criadas e fechadas exatamente para burlar o fisco. Com os holofotes acesos, ao menos será mais difícil agora que as forças do mal se movimentem no Congresso para barrar o projeto mais uma vez.

Outra história por ser contada é a resistência que se ergueu, sobretudo nas redes sociais, quando a Receita corretamente tentou aumentar a fiscalização sobre o Pix. Quem espalhou ou reproduziu a fake news de que o governo pretendia taxar o Pix acabou fazendo o trabalho sujo, ainda que indireta e involuntariamente, para que o crime organizado seguisse se valendo de fundos bilionários em fintechs suspeitas.

Agora, espera-se que os órgãos de fiscalização ganhem mais força e instrumentos para dar um basta ao Estado mafioso paralelo. Mas, como dito lá em cima, esse pode ser o ponto de partida. Quando as redes do tráfico, do contrabando e da pirataria forem atacadas com o mesmo vigor, talvez não se precise cobrar ainda mais impostos de quem já os paga e o Brasil ingresse de vez no rol dos países decentes. _

MARCELO RECH

30 de Agosto de 2025
OPINIÃO RBS

Raízes fortes

Não poderia ter sido melhor escolhido o slogan da 48a edição da Expointer, a maior feira agropecuária a céu aberto da América Latina, que começa neste sábado e vai até o dia 7 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Quando anunciam aos visitantes que "nosso futuro tem raízes fortes", os agricultores, os criadores, os empresários e os governantes gaúchos não estão se referindo apenas à história de um Estado que cresceu e se desenvolveu a partir das lides do campo, mas também reafirmam a resiliência dos rio-grandenses para se reerguer depois de cada dificuldade.

Só mesmo um povo com raízes fortes seria capaz de organizar essa grande festa do setor primário depois de ter enfrentado três estiagens seguidas, uma grande enchente estadual e outras pequenas localizadas, o endividamento decorrente das intempéries que ainda não está equacionado e, por fim, os efeitos do recente tarifaço norte-americano. Porém, mesmo nesse contexto de obstáculos sequentes, todos podem ficar certos de que as raízes do trabalho e da coragem brotarão e produzirão árvores, frutos, grãos, alimento para o gado, animais saudáveis, carne, máquinas agrícolas, novas tecnologias, inovação, todo o progresso contido na semente milagrosa da determinação.

A feira será, novamente, um grande palco para o desfile de animais, para as novidades tecnológicas da indústria do campo e para os produtos da agroindústria e da agricultura familiar. Mas pretende ser, igualmente, um espaço estratégico para negócios, para o contato dos brasileiros com representantes internacionais de mais de 25 países, para a abertura de novos mercados, para a presença de autoridades e para a renegociação das dívidas dos produtores rurais. Um dos eventos previstos pelos organizadores é a reunião dos 27 secretários estaduais de Agricultura do país, que já confirmaram presença. Além disso, todos os governadores estão convidados e é esperada, também, a participação de representantes do Ministério da Agricultura e do alto escalão do governo federal.

Mais de 25 países estarão representados na 48ª Expointer. Entre os estrangeiros, estão confirmadas as presenças de autoridades da Ásia, que é um grande e potencial mercado consumidor, das Américas, da África e da Europa, com destaque especial para a Itália, que terá estande próprio em homenagem aos 150 anos da imigração italiana no Estado.

Público e autoridades terão a oportunidade de acompanhar uma programação intensa e atraente, que inclui o maior concurso de cavalos crioulos da América Latina - o Freio de Ouro -, para cuja final, no dia 6 de setembro, são esperadas mais de 200 mil pessoas. Além disso, os visitantes poderão conhecer e fazer negócios no parque de máquinas agrícolas, onde estarão 120 expositores dos mais modernos equipamentos fabricados no Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção nacional nessa área específica.

Como sugere o slogan da Expointer, vamos mostrar nossas raízes fortes, mas o futuro também estará presente. 

OPINIÃO RBS

30 de Agosto de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Federação PP-União aposta em Covatti Filho para o Piratini

Quando Covatti Filho se lançou candidato ao Piratini, o objetivo era evitar a divisão entre o grupo que defende o apoio a Gabriel Souza, com Ernani Polo na vaga de vice, e o que prefere uma aliança com o PL, na qual o PP indicaria o companheiro de chapa. A situação mudou nos últimos dias, a ponto de o secretário do Desenvolvimento Rural, Vilson Covatti, dizer para quem quiser ouvir que o filho será governador, com o deputado Sanderson (PL) de vice e Luciano Zucco na disputa por uma das duas cadeiras do Senado.

Nesta sexta-feira, no almoço de abertura da Casa da RBS na Expointer, Covatti repetiu essa história sem pedir segredo - e os trechos principais puderam ser ouvidos nas mesas vizinhas. Um dos líderes envolvidos nas negociações com o PL confirma que as conversas estão bastante avançadas e envolvem figuras como Ciro Nogueira (PP) e Valdemar Costa Neto (PL).

Os líderes dos dois partidos ficaram alarmados com uma pesquisa encomendada pelo PL. Segundo líderes, ela mostra que, se a eleição fosse hoje, a direita no RS estaria em maus lençóis. Zucco aparece tecnicamente empatado com Juliana Brizola (PDT). No Senado, Marcel van Hattem (Novo), que concorreria em aliança com o PL, perderia para Eduardo Leite (PSD) e Manuela D?Ávila, que ainda não escolheu seu partido.

A pesquisa fez soar o alerta entre os caciques, que consideram fundamental aumentar a relevância da direita no Senado. Zucco seria, na avaliação desses líderes, mais viável do que Van Hattem, por ser o homem mais próximo de Bolsonaro no RS.

Zucco garante que é candidatíssimo

O deputado Luciano Zucco disse que não existe hipótese de desistir da candidatura a governador para concorrer ao Senado. Contou que há alguns dias almoçou com os presidentes nacionais do PP, Ciro Nogueira, e do PL, Valdemar Costa Neto, e nada foi dito sobre a hipótese levantada por Vilson Covatti de ter o deputado Ubiratan Sanderson como vice e ele como candidato ao Senado.

- Não existe isso. Não sei de onde Covatti pode ter tirado essa ideia e não é verdade que o PL tenha encomendado alguma pesquisa que mostre os resultados mencionados. Sou candidatíssimo ao Piratini, com Sanderson e o deputado Marcel van Hattem disputando as vagas no Senado - disse Zucco, preocupado com o prejuízo que a afirmação de Covatti pai possa causar a sua candidatura.

Zucco diz que o PL está conversando com o PP e que ele tem interesse em ver a direita unida na eleição. 

Pimenta visita Juliana de olho em união da esquerda no RS

Não foi só uma visita de cortesia a que o deputado Paulo Pimenta (PT) fez a Juliana Brizola (PDT) nesta sexta-feira. Empenhado em trabalhar para que a esquerda concorra unida em 2026, o PT quer mostrar ao PDT que os dois partidos podem reproduzir no RS a aliança que buscará a reeleição de Lula.

Como Juliana aparece à frente do pré-candidato Edegar Pretto (PT), o PDT vem dizendo que a aliança só prospera se ela for a candidata. Já os petistas adotaram o discurso de que primeiro é preciso discutir a aliança sem impor nomes. Pimenta foi ao encontro de Juliana com esse espírito: tentar convencê-la de que a união é necessária para evitar a vitória da extrema direita. _

Como Heinze explica seu voto contra o "PL da Adultização"

Como pode um senador votar contra um projeto para proteção das crianças e adolescentes nas redes sociais? A pergunta tem se repetido desde quarta-feira, quando o Senado aprovou o PL da Adultização, com apenas três votos contrários - um deles o do gaúcho Luis Carlos Heinze (PP).

Questionado pela coluna, Heinze respondeu com uma extensa nota. Ele reconhece a necessidade de proteger menores no ambiente digital, mas argumenta que o projeto é "deficiente pela falta de especificidade". Entende que o texto não deixa claro o que seria "conteúdo impróprio" e supõe que a lei possa ser usada com interesses políticos, para "ações indevidas de controle das redes". _

Para onde vão os novos helicópteros da Brigada Militar

Um dos novos helicópteros da Brigada Militar destinados a operações de segurança e resgates deverá pousar em Santa Maria, onde ainda este ano será criado o 3º Esquadrão de Aviação. O novo grupamento faz parte da expansão do serviço de aviação da BM.

A opção por Santa Maria é explicada pela geografia, já que fica na Região Central. De lá, o helicóptero pode atender outras regiões com viagens mais curtas em comparação às aeronaves que partem de Porto Alegre, por exemplo.

Ter um helicóptero da Brigada em Santa Maria é uma demanda de toda a região, com apoio dos setores político e empresarial. O presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços da cidade, Luiz Fernando Pacheco, diz que há um movimento da sociedade civil e da prefeitura para a construção do hangar, dentro da Base Aérea de Santa Maria.

- A prefeitura se comprometeu em fazer a terraplenagem no entorno, asfalto, piso, e a sociedade civil vai custear o hangar - revela Pacheco.

No total, são quatro helicópteros adquiridos pela BM, dois deles com verba do fundo da reconstrução (Funrigs). Também há expectativa de que uma das aeronaves seja destinada à Fronteira Oeste. 


A Expointer da sustentabilidade

Se o agro e os humores do clima já eram temas inseparáveis, os eventos extremos que vêm acometendo o RS nos últimos anos tornaram essa relação ainda mais evidente. O produtor rural gaúcho sofre pelos dois lados - com a falta e com o excesso de chuva.

Os efeitos do aquecimento global prejudicam a produção e aumentam os custos, encarecendo o preço final, que é sentido no bolso de todos nós, principalmente nos supermercados.

Por isso, no início de mais uma Expointer, é importante destacar o papel do agronegócio como parte fundamental da solução diante do desafio das mudanças climáticas. Se em muitos campos políticos a polarização é fenômeno recente, no campo a dualidade agronegócio x ambientalismo é antiga. Felizmente, essas rusgas, hoje, limitam-se a pequenos nichos. Quase nenhum produtor rural nega os efeitos climáticos, assim como poucos ambientalistas defendem o ambiente sem incluir o homem do campo no debate. Ano passado, houve a maior tragédia climática do Estado, e, mesmo assim, a feira foi realizada. Agora, é hora de dar novo impulso.

A Expointer é mais do que o Freio de Ouro, a exposição e a premiação de animais. É da agricultura familiar, das máquinas e dos negócios. Mas é um momento de debater pesquisas, compartilhar conhecimentos e reafirmar compromissos com a sustentabilidade. _

Melo vai à COP30

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, confirmou participação na COP30. A presença estava em avaliação devido aos altos custos de hospedagem em Belém (PA).

A comitiva ficará em um apartamento de Airbnb, com diária de R$ 7 mil. A vantagem é a capacidade de acomodar até seis pessoas, permitindo dividir o custo.

O valor da diária por pessoa ficará em aproximadamente R$ 1,1 mil. Esse valor supera o limite de R$ 800 estabelecido pela prefeitura para eventos nacionais. No entanto, como a COP30 é um evento internacional, a gestão entende ser possível aumentar para até R$ 2,5 mil, valor que será ultrapassado com a hospedagem coletiva.

A comitiva ficará em Belém de 9 a 15 de novembro. _

A COLUNA ERROU

A China ultrapassou os Estados Unidos em PIB por paridade de poder de compra, e não em PIB per capita, conforme informamos na edição de sexta-feira. _

Entrevista - Marcelo Gleiser - Físico e astrônomo brasileiro

"A natureza é mais poderosa do que qualquer solução tecnológica"

Marcelo Gleiser fará palestra de encerramento do 16º Congresso Estadual da Magistratura, da Ajuris, entre 17 e 19, em Garibaldi. No dia 22, às 10h, fará a palestra "Reconstruir e reencantar: ciência, consciência e o cuidado com a vida". O evento, do Instituto Cidadania Cabanellos, será aberto ao público, no prédio 40 da PUCRS, na Capital.

O que é mais importante: ação coletiva ou ação individual na pauta da sustentabilidade?

Há um problema que chamamos de dissonância cognitiva. O indivíduo, em geral, acha que é muito pequeno para fazer diferença. "Quem sou eu para tomar uma atitude e começar a cuidar das minhas emissões, quando a minha participação nesse processo é tão mínima?". As pessoas desistem antes de começar, e isso para mim é um problema seríssimo. Porque eu acredito em democracia. Acredito na pressão para que os governos também façam alguma coisa, adotem medidas. Você faz a sua reciclagem de lixo, usa menos água, menos energia, usa mais transporte público. Chamo de "a doutrina do menos": menos lixo, menos energia, menos água, menos carro e menos energia. Por que isso é importante? Porque a pessoa, então, fala: "Estou fazendo o meu papel". As pessoas da família podem se mobilizar. Como os governos não estão fazendo muito, acredito muito na força das pessoas.

Qual é o papel das empresas?

Essa é parte desse projeto que começamos aqui na Toscana. Estou extremamente surpreso com o interesse das lideranças brasileiras nesse tipo de conversa. Quando falamos sobre isso, não temos aquela coisa evangélica: "Vocês têm de fazer isso". Algo do tipo alarmista, distópico. Ninguém vai mudar de opinião. Vão começar a mudar de opinião não é só com a cabeça, mas com o coração. A emoção é que gera esse tipo de transformação, de atitude no âmbito pessoal e de liderança corporativa. As pessoas vêm aqui e recebem um tratamento tanto emocional quanto racional. O líder empresarial precisa entender o impacto ambiental que pode ter no processo decisório. É por isso que estamos investindo tanto nessas conversas com lideranças empresariais. O líder sai mexido pessoalmente. Isso gera a transformação que queremos.

É possível conciliar a ciência e a espiritualidade?

A ciência continua sendo objetiva sempre. O que difere a ciência de uma fé é que existe uma objetividade concreta na ciência baseada no processo de validação empírica. Quando as pessoas, no Brasil, falam sobre espiritualidade, começam a achar que é coisa de alma, de espírito, de sobrenatural. Aqui, não estamos falando de nada disso. A ideia é uma espiritualidade ligada com a compreensão de que somos parte de um processo natural muito maior. Não tem a ver com Deus ou deuses. É um processo de pertencimento ao mundo natural. A natureza é muito mais poderosa do que qualquer tipo de solução tecnológica que possamos ter. A tecnologia auxilia, mas ela não resolve. O que resolve é uma mudança de mindset, de ideologia. E é essa mudança que eu estou pregando. Estou propondo o que eu chamo de espiritualidade secular, completamente desvinculada de qualquer tipo de religião. _

INFORME ESPECIAL 

segunda-feira, 25 de agosto de 2025


25 de Agosto de 2025
CARPINEJAR

Paulo Coelho na fila de mendigos

Em O Mago, biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais (Editora Planeta, 2008), consta a descrição de um episódio decisivo na trajetória do autor brasileiro mais lido e mais traduzido do mundo.

Ele já foi um mendigo na fila de Irmã Dulce, em Salvador. Tinha escapado do sanatório psiquiátrico aos 19 anos, ao lado de um interno, sem nada nos bolsos, somente com a roupa do corpo. De carona, ambos viajaram para a Bahia. Penaram com fome, dormiram na rua, sobreviveram de esmolas e sobras de lixo, até que não lhes restou saída a não ser pedir socorro à Padroeira dos Pobres.

Paulo suportou uma longa romaria de horas, de pé, na obra social instalada no bairro de Roma, nas dependências do convento e do hospital que ainda estavam sendo erguidos na época, e conseguiu se aproximar dela. Recebeu um prato de sopa quente e os olhares úmidos da beata magra e franzina, de 1m48cm.

Ela perguntou do que mais precisava. Ele respondeu: voltar ao Rio de Janeiro. Irmã Dulce alegou que não tinha dinheiro, apenas palavra. E palavra, garantiu, durava mais. Pegou papel e caneta e anotou: "Vale dois bilhetes de ônibus para o Rio". Carimbou com o selo das Obras Sociais e assinou.

Paulo acreditou no manuscrito, que guarda como relíquia até hoje. Apresentou-o a um motorista na rodoviária no Largo dos Dois Leões. O condutor sequer questionou a autoridade moral daquelas linhas: ordenou que a dupla embarcasse.

Nesse momento, Paulo experimentou sua virada de chave. Talvez tenha sido um dos milagres silenciosos de Irmã Dulce, que se tornaria a primeira santa do Brasil. Desde então, não foi posto novamente em camisa de força pelos pais. Havia fugido da terceira internação, em que sofrera choques elétricos e tratamento desumano.

Respirou sua arte sem a censura e o tolhimento familiar. Pôde enfim levar uma vida autônoma, mergulhando no jornalismo e no universo do teatro e da música. Viria a ser parceiro criativo de Raul Seixas, mudando a cena roqueira com as letras de Sociedade Alternativa e Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás. Em seguida, começou a apostar em sua carreira solo literária, publicando sua trinca de grande sucesso: O Diário de um Mago (1987), O Alquimista (1988) - que venderia mais do que O Pequeno Príncipe - e Brida (1990).

O que o destino dá, o destino devolve.

Consagrado como escritor de brilho planetário, com 350 milhões de livros comercializados, vertido para 88 idiomas e presente em 170 países, transformou-se em um dos mais generosos benfeitores das obras de caridade de Irmã Dulce.

- Doei a quem me deu de comer - afirmou Paulo Coelho. E não se tratava simplesmente de pão, mas de outro alimento: o da alma, feito dos nutrientes eternos da confiança, da fé, da esperança.

Paulo e Dulce nunca mais se viram pessoalmente. Não foi necessário. Na gratidão, é possível repetir o encontro incansavelmente na memória. _

CARPINEJAR


25 de Agosto de 2025
CLÁUDIA AITANO

Apocalipse anunciado

Fico imaginando Marty McFly, o viajante do tempo de De Volta para o Futuro, ou qualquer outro visitante imaginário do século 21 por acaso de passagem por Porto Alegre em 1985, tentando me explicar como a Internet transformaria a maneira como as pessoas trabalham, se comunicam, fazem compras, se divertem, namoram. E mais: que tudo isso começaria a mudar muito antes do que eu pensava, dali a pouco menos de 10 anos. (Disclaimer: em 1985, nem secretária eletrônica tinha lá em casa.)

Explicar o Tinder, o WhatsApp, o TikTok, o Uber, os aplicativos de banco, a Netflix, os satélites na Amazônia, o smartphone e o gabinete do ódio seria apenas o começo. Depois de 15 minutos, McFly já estaria exausto, e eu ainda não saberia da missa a metade.

Àquela altura, fora dos livros de ficção científica, ninguém parecia muito preocupado com os perigos da nova tecnologia. A maioria das pessoas sabia tão pouco sobre computadores que seria incapaz de alimentar ansiedades muito concretas em relação ao futuro. (Em retrospecto, penso que muitos de nós, pais da chamada "geração ansiosa", gostaríamos de ter sido um pouco mais educados para a paranoia tecnológica nos anos 1990, quando ainda dava tempo de evitar o empanturramento digital das crianças. Carregamos essa culpa. Mais essa.)

Em 2025, as viagens no tempo continuam rolando apenas na imaginação, mas a quantidade de gente fazendo previsões para o futuro aumentou muito - assim como a paranoia. O campo favorito de especulação agora é a Inteligência Artificial, como até o observador mais distraído já percebeu. Não passa um dia sem que surja um aspecto novo, em geral assustador, com potencial para transformar um mundo que já não é grande coisa em algo ainda mais caótico e desigual.

Apenas na semana que passou, colecionei notícias sobre suicídio ("O que minha filha disse ao ChatGPT antes de tirar a própria vida"), desaparecimento de empregos ("40 profissionais com o maior risco de serem substituídos pela IA"), superconsumo de energia ("Data centers estão aumentando a conta de luz de todos"), prejuízos ao aprendizado ("IA está alimentando a pobreza da Imaginação") e manipulação de imagens em vídeos falsos ("O que eu não disse sobre Sydney Sweeney"). Em um mesmo dia, li um texto apocalíptico ("Os pessimistas da IA estão ficando cada vez mais pessimistas") e outro que supostamente deveria me deixar mais tranquila ("IA pode ser meio que normal").

Minha sensação, de vez em quando, é que estão tentando explicar a Internet para quem mal aprendeu a operar uma secretária eletrônica sem se atrapalhar com os botões. _

CLÁUDIA AITANO

25 de Agosto de 2025
OPINIÃO RBS

O desafio do ensino básico

Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, na última quinta-feira, o ministro da Educação, Camilo Santana, admitiu que o maior desafio educacional do país é fazer com que jovens e adultos brasileiros concluam o ensino básico. O Censo Escolar de 2024 e levantamentos realizados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que um terço da população brasileira (cerca de 66 milhões de pessoas) não concluiu a Educação Básica, que abrange Ensino Infantil, Fundamental e Médio.

Significa que esse contingente enorme de brasileiros carece de instrução formal suficiente para competir em igualdade de condições num mercado de trabalho cada vez mais exigente e baseado na compreensão das novas tecnologias. Pessoas sem essa formação essencial têm menores salários e menos oportunidades de desenvolvimento profissional, isso quando não resvalam para o trabalho informal precário, gerador de ciclos de pobreza e de desigualdade social.

Considerando tal situação, o MEC elegeu a formação básica como foco prioritário, a partir de programas que assegurem não apenas mais qualidade ao ensino, mas também a permanência de crianças e adolescentes na escola. Os números justificam essa opção política: segundo Santana, a evasão no Ensino Médio chegou a 480 mil alunos antes do lançamento do programa Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro-educacional na modalidade de poupança para estudantes de escolas públicas, condicionado a matrícula, frequência, conclusão do ano letivo e participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A partir de sua implantação no ano passado, bons resultados já começaram a aparecer: mais de 84% dos estudantes alcançaram a frequência escolar exigida e mais de 90% foram aprovados.

Ainda que persistam resistências políticas ao sistema de remuneração estudantil, que continua sendo visto com desconfiança por parcela expressiva da população (46,9% em recente pesquisa da AtlasIntel), parece haver poucas dúvidas de que, ao combater a necessidade de o jovem trabalhar para ajudar no sustento da família, o programa atua como um incentivo para a permanência na escola e resulta na melhoria dos índices de evasão.

Porém, conforme lembrou o ministro na entrevista à Rádio Gaúcha, o desafio começa na base, na alfabetização das crianças na idade certa. Depois da pandemia de 2020, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) constatou que apenas 36% dos estudantes brasileiros chegavam alfabetizados à idade esperada. Por isso, o MEC estabeleceu a meta ambiciosa de elevar este índice para 80% até 2030. No ano passado, só não alcançou os 60% previstos (ficou em 59,2%) porque o Rio Grande do Sul, devido às consequências das enchentes, não conseguiu cumprir a sua parte. Ainda agora, das 610 escolas estaduais afetadas pelas cheias de maio do ano passado, sete permanecem fechadas, impactando 1.423 alunos, segundo dados da Secretaria da Educação do RS (Seduc). Cabe ao Estado, portanto, um esforço maior para o cumprimento do grande desafio nacional. _

O Censo Escolar de 2024 e pesquisas do MEC e do IBGE demonstram que um terço da população brasileira não concluiu a Educação Básica


25 de Agosto de 2025
GPS DA ECONOMIA - Anderson Aires

Respostas capitais

Alexandre Schwartsman

Economista da Pinnotti & Schwartsman Associados e ex-diretor do Banco Central (BC) para Assuntos Internacionais

"Os bancos estão entre a cruz e a caldeirinha"

Na última semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que restrições judiciais estrangeiras unilaterais não têm validade automática no Brasil. O possível efeito sobre a Lei Magnitsky, aplicada contra Alexandre de Moraes, colocou instituições financeiras em uma encruzilhada.

Com dúvidas sobre qual legislação acatar, os principais bancos do país avaliam os possíveis impactos em meio a incertezas.

Como ficam os bancos brasileiros na questão envolvendo a Lei Magnitsky e o Supremo Tribunal Federal?

Estão entre a cruz e a caldeirinha. Temos ordens conflitantes, em jurisdições conflitantes. A rigor, a Lei Magnitsky não vale no Brasil. O que acontece é que, se você opera nos EUA, e todos os bancos brasileiros relevantes operam lá, essa parte do negócio está sujeita à legislação americana. E a lei americana diz que você não pode ter negócios com pessoas sancionadas, sem entrar no mérito da sanção. Por outro lado, o STF diz que você não pode bloquear as pessoas por causa da Lei Magnitsky. Os bancos têm de convencer um dos lados que não pode ser assim. E concretamente, se há alguma chance de convencer alguém, tem de ser no Brasil, não lá. Ou então, os bancos vão estar sujeitos a sanções. Tem de escolher qual que é o menos pior dos cenários. E eu, honestamente, não sei. Os bancos foram colocados numa situação impossível.

Quais os riscos para o sistema bancário nacional?

Se decidirem obedecer ao STF, os bancos podem continuar fazendo negócios com o Alexandre de Moraes, mas vão estar sujeitos a multas muito pesadas lá fora, e, no limite, podem perder a licença bancária.

Qual efeito prático?

Não é o fim desses bancos, não estamos falando de uma crise sistêmica, mas impacta, sim, não só o negócio dos bancos, mas todas as empresas que dependem de acesso ao mercado americano. Por exemplo, exportadores e importadores tipicamente precisam de linhas de crédito em dólares. Se o banco perde licença lá, impacta financiamento de comércio exterior. Pessoas que tenham conta em bancos brasileiros no Exterior seriam impactadas. Se o cenário é o contrário, os bancos decidem obedecer à Magnitsky e não ao STF, ficam sujeitos a sanções locais, como multas. Então, não há quadro de catástrofe, mas os bancos têm de escolher onde vão levar o menor prejuízo.

Quais os riscos para a economia em caso de sanção dos EUA aos bancos?

É um pouco do que vimos nos últimos dias. Vamos ter de conviver com dólar mais caro, alguma pressão sobre a inflação, juro mais alto.

? O BC pode agir no impasse?

Tem um negócio chamado Ministério das Relações Exteriores, que deveria agir, não o BC. O que o BC pode fazer, mas são cenários hipotéticos e alguns muito remotos, é, caso, de fato, sejam cortadas as linhas de crédito em dólar para os principais bancos, colocar reservas na linha para fazer parte do financiamento do comércio exterior brasileiro.

Pode pesar na próxima decisão da Selic?

Nada. Não vai. Vai ter de esperar para ver para onde inclina.

Qual seria o melhor caminho para sair dessa encruzilhada?

O Itamaraty não tem qualquer entrada. É achar alguém que, de alguma maneira, acabe convencendo o Departamento de Estado de que não é para punir. Por menos que eu goste das decisões do Alexandre de Moraes, me parece fora de propósito a Magnitsky. Não vai equiparar o sujeito a regimes que arremessam opositores de janelas. É uma decisão irracional.

A decisão dos bancos deve ser tomada em bloco?

Tenho a impressão de que cada um vai fazer uma análise individualizada dos riscos. Em particular, se você é um banco do qual o Alexandre de Moraes não é cliente, por que você vai se coçar a esse respeito?

Como essa incerteza sobre alcance da Lei Magnitsky polui o ambiente de negócios?

Um banco que corre o risco de sofrer sanções talvez vá operar com um pouco mais de cautela. A disposição para ofertar crédito, em alguma maneira, pode ser afetada.

O Pix corre algum risco?

Está citado no contexto das sanções comerciais, mas acho que não corre risco nenhum. Um dos motivos não é o motivo principal. Também está errado. O Pix é um experimento extraordinariamente positivo. Acho que o BC não vai abrir mão. As sanções comerciais já aconteceram. Acaba não entrando nos cenários discutidos hoje.

Os últimos acontecimentos da política nacional têm efeito prático neste momento?

Depende do que vai passar pela cabeça do Trump. É imprevisível. Depende de uma variável que não está ao alcance de um economista. Você precisaria de um bom psiquiatra. Talvez não um bom psiquiatra, vai precisar de um xamã. _

GPS DA ECONOMIA

25 de Agosto de 2025
POLÍTICA E PODER - Paulo Egídio

Estado cobra R$ 803 milhões da União no STF

O governo do Rio Grande do Sul ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a União indenize o Estado em R$ 803,5 milhões. Esse valor, já corrigido, teria sido perdido pelo Tesouro estadual entre 2016 e 2022, devido a regras federais julgadas inconstitucionais pelo Supremo.

A ação movida pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) sustenta que normas da Receita Federal limitaram a possibilidade de os Estados reterem o Imposto de Renda na fonte sobre pagamentos pelo fornecimento de bens e serviços, concedendo tratamento mais favorável à administração pública federal.

Em resumo, as instruções normativas da Receita permitiam que os Estados retivessem o tributo apenas sobre determinadas operações e com alíquotas de 1% e 1,5%, menores do que a de 4,8% praticada por órgãos federais. Em julgamento realizado em 2022, o STF considerou essa restrição inconstitucional, assegurando a Estados e municípios o direito de reter o tributo nas mesmas condições que a União.

- As instruções normativas da Receita Federal arrolavam determinados serviços em que se poderia fazer a retenção, e em percentual inferior ao praticado pela União. Essa restrição foi reconhecida pelo Supremo como inconstitucional - explica o procurador-geral adjunto para Assuntos Jurídicos da PGE, Thiago Ben.

Embora o pedido seja por restituição de recursos, o governo do Rio Grande do Sul não quer receber o valor cobrado no processo. O objetivo é usar o montante como crédito para aderir ao Propag, novo programa de refinanciamento da dívida dos Estados. Na prática, o abatimento do estoque do passivo tornaria as condições de renegociação mais favoráveis ao Estado. Hoje, a dívida com a União é de cerca de R$ 105 bilhões, mas o pagamento está suspenso até abril de 2027 em razão da enchente do ano passado.

A ação, com pedido de liminar, foi protocolada há duas semanas e está sob relatoria do ministro André Mendonça. Ele não tem prazo para decidir sobre a demanda. A coluna questionou a Advocacia-Geral da União sobre o processo, mas não havia recebido resposta até ontem. _

Afago público

- Se a humilhação traz tristeza, o tempo vai trazer justiça - afirmou, colhendo aplausos.

Em prisão domiciliar, Bolsonaro está prestes a ser julgado pelo STF por tentativa de golpe.

Tarcísio dividiu o palco com os também governadores Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG), que já se lançaram pré-candidatos. Ambos disseram à imprensa que a direita deve se dividir no primeiro turno para, depois, se unir no segundo. _

Tarefa difícil

A liderança de Juliana Brizola (PDT) nas pesquisas para o governo do Estado impulsiona a tese de união da esquerda em torno dela, mas essa hipótese está longe do consenso no PT.

Próceres petistas admitem a possibilidade, mas dizem que isso dependeria de uma articulação demorada e cuidadosa, envolvendo o comando nacional do partido. E, claro, da saída do PDT do governo Leite. _

Cálculos eleitorais

A despeito da empolgação com Juliana, a coligação com o PT não é consenso no PDT, mesmo na condição de cabeça de chapa. Deputados resistem à ideia de afastar-se do governo Leite e temem desgaste na vinculação com a esquerda na campanha. _

Baixo calão

Decisão liminar mandou tirar do ar um vídeo em que o comunicador Marco Antônio Costa, ex-Jovem Pan, ofende o governador Eduardo Leite. Na gravação, Costa reage a críticas de Leite ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo tarifaço.

"As críticas podem ser feitas, sem que sejam levianamente depreciativas", assinalou a juíza Deise Lange Vicente. 

Ainda as vacinas

Passados mais de dois anos do fim da pandemia de covid-19, o deputado federal Osmar Terra (PL-RS) segue dedicado a questionar a eficácia das vacinas. Por proposição dele, a Comissão de Saúde da Câmara sediará amanhã audiência para discutir o assunto. _

mirante

É crescente o apoio de empresários ao secretário do Desenvolvimento, Ernani Polo (PP), para a eleição majoritária de 2026. Polo é pré-candidato a governador, mas pode ser o vice de Gabriel Souza (MDB).

O prefeito Sebastião Melo deverá ser convidado a depor, como testemunha, na CPI da Assembleia que investiga os serviços da CEEE Equatorial e da RGE. A sugestão partiu da deputada Laura Sito (PT).

Ex-prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi (PT) vai concorrer a deputado federal em 2026.

As sessões de quintas-feiras estão com dias contados na Câmara de Porto Alegre. Por acordo dos líderes, as reuniões passarão a ser apenas às segundas e quartas.

POLÍTICA E PODER

25 de Agosto de 2025
INFORME ESPECIAL  Vitor Netto

As expectativas para o Natal Luz

Passado o Festival de Cinema, o Rio Grande do Sul se prepara para um evento que é considerado, por alguns, o maior de todo o Estado: o Natal Luz de Gramado.

Datado para começar no dia 23 de outubro, o evento contará com 82 dias de duração. Esta é a 40ª edição, e as expectativas são as mais altas - pelo menos para Rosa Helena Pereira Volk, presidente da Gramadotur, órgão que organiza a festividade, que espera que esta seja a edição com maior venda de ingressos, principalmente pela retomada após a enchente de 2024.

- O Natal do ano passado já foi importante, foi uma recuperação para a cidade, que passou seis meses fora da prateleira de qualquer agência de viagem. Eles podiam vender qualquer destino brasileiro, menos Gramado, menos o RS, porque para fazer turismo profissional tem de ter assento em aeronave e nós não tínhamos malha aérea suficiente - disse Rosa à coluna.

Segundo a presidente, a primeira edição do evento, em 1986, foi uma reunião de pessoas na Praça das Etnias - na época chamada de Praça das Comunicações - e uma caminhada até a frente da igreja, onde ocorreu um concerto. Em 2025, a ideia é relembrar a tradição.

- Neste ano em especial, toda quinta-feira, nós vamos fazer exatamente dessa mesma forma. Vamos ter coral e elenco, mas também é um convite para que nossa comunidade, que sempre participou ativamente do Natal, que esteja revivendo isso. Essa caminhada vai terminar na Rua Coberta com uma apresentação a cada semana diferente - contou à coluna.

Outra atração que será colocada em prática em 2025 ocorrerá durante o desfile. Dentro de uma ala específica de um carro alegórico, os turistas, por meio do passaporte premium, terão a oportunidade de participar do tradicional desfile.

Outras atrações

Já divulgado no início do mês, o Natal Luz de Gramado deste ano contará também com a participação dos ilusionistas Henry e Klauss, conhecidos internacionalmente, que farão um show dentro do Palácio dos Festivais. Também está confirmado o Nativitaten, espetáculo que celebra o nascimento de Jesus e a magia do Natal por meio de música, dança e pirotecnia, entre outras atividades.

Rosa salienta que, além das atrações pagas, há diversas atividades externas que não exigem a compra de ingressos.

- Temos atividade diariamente na Rua Coberta, na Vila de Natal, muita atividade gratuita. A decoração por si só já é um atrativo inacreditável, porque a cidade vira um parque temático natalino.

A expectativa da organização é receber cerca de 3 milhões de visitantes. _

Tensões diplomáticas

EUA exigem perfis abertos para vistos

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil publicou ontem em suas redes sociais que, a partir de agora, solicitantes de visto de estudante ou intercâmbio (categorias F, M ou J) deverão ajustar a configuração de privacidade de todas as suas redes sociais para o modo "público".

O objetivo do governo norte-americano é facilitar a verificação de alguns requisitos exigidos por lei e o monitoramento das redes sociais para a liberação dos vistos aos solicitantes dessas categorias.

"Essa medida facilita as verificações exigidas por lei para confirmar sua elegibilidade para entrar nos EUA", diz um trecho da publicação. _

Xadrez da política

Assim, o número de países liderados por presidentes de direita aumentará para cinco, já grupo da esquerda perde um, passando para sete líderes. _

INFORME ESPECIAL