A TV pública e o exemplo húngaro
Passou quase despercebido por aqui, mas o dia 7 de julho deveria virar um case de análise para todos aqueles que defendem o papel social da imprensa profissional. Naquela terça-feira, às 16h em Budapeste, o canal de notícias M1 exibiu uma tela preta com a seguinte mensagem: "A mídia pública não deve mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tanto tempo. A mídia pública será reformada para se tornar independente e confiável. Nosso serviço de notícias está temporariamente suspenso. Fique ligado!".
Todos os telejornais e programas de política transmitidos pelos canais públicos de televisão e rádio da Hungria, reunidos no conglomerado MTVA, exibiram essa mesma mensagem por quase quatro horas. Durante os 16 anos em que Viktor Orbán esteve no poder, a emissora divulgou notícias estapafúrdias, propagou desinformação e, por vezes, veiculou versões tão absurdas quanto perversas: de que migrantes árabes e africanos eram criminosos que estupravam meninas húngaras indefesas; de que o Estado ucraniano, supostamente dominado por uma máfia, desejava sacrificar sua geração mais jovem na guerra e roubar milhões de aposentados húngaros; e por aí vai.
Diferenças
TV pública é diferente de TV estatal. A primeira pertence à sociedade, é financiada pelo Estado ou por recursos públicos, deve prestar contas ao cidadão e fiscalizar o próprio governo. Já uma TV estatal funciona como instrumento de comunicação do governo, prioriza a agenda oficial e, por isso, possui menor autonomia editorial. Melhor exemplo do mundo, a BBC é financiada por recursos públicos, mas sua obrigação é informar, fiscalizar e incomodar Westminster e Downing Street. A Televisión Española (TVE), por sua vez, viveu altos e baixos. Abraçou o franquismo durante a ditadura, mas, desde a redemocratização, trava uma disputa permanente para fortalecer sua autonomia editorial.
A MTVA, ao contrário, aproximou-se de modelos hoje observados na Venezuela chavista-madurista e na Rússia de Vladimir Putin.
No Brasil, o debate sempre foi como impedir que uma TV pública se transforme em TV de governo. A própria lei que criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 2007, estabeleceu o conceito de comunicação pública, voltada ao interesse da sociedade, e não apenas à divulgação dos atos do Poder Executivo. A missão institucional da TV Brasil é justamente ser uma televisão pública, independente e democrática, complementar ao sistema privado. Mas isso está longe de ser simples.
Uma comunicação pública verdadeiramente independente depende de mecanismos permanentes de participação social, governança e proteção institucional. Que, ao menos, as instituições brasileiras, quando discutirem formas de fortalecer essa independência para que ela não dependa da boa vontade do governo de plantão, se lembrem da lição deixada pelo caso húngaro. _
Novas escolas na Capital
Estão definidos os locais onde serão construídas as 10 novas escolas de Educação Infantil como parte da parceria público-privada (PPP) da prefeitura de Porto Alegre.
Os prédios devem ficar prontos até 2028. Com isso, cerca de 1,8 mil vagas seriam criadas em até dois anos.
A coluna obteve imagens de projetos referenciais usados para a modelagem. Agora, a concessionária irá trabalhar para um modelo similar para as unidades da cidade. _
Bloco Norte - Uma no Rubem Berta, uma no Santa Rosa de Lima e duas no Mario Quintana.
Bloco Centro - Uma no bairro Santo Antônio e uma no Jardim do Salso.
Bloco Sul - Uma na Aberta dos Morros, duas na Hípica e uma na Restinga.
Delegação chinesa visita Grupo RBS
Visitaram o Grupo RBS o ministro conselheiro da Embaixada da China no Brasil, Ji Wei, a terceira secretária da embaixada, Sun Jing, e a terceira secretária do Consulado Geral em São Paulo, Ding Jiahui. Acompanharam o grupo o professor Diego Pautasso, especialista em China, e o pró- reitor de Desenvolvimento Institucional do IFRS, Lucas Coradini.
A delegação foi recebida pelo editor Leandro Fontoura e por este colunista. _
Quem é o futuro primeiro-ministro do Reino Unido
O ex-prefeito da Grande Manchester Andy Burnham foi confirmado na sexta-feira como o novo líder do Partido Trabalhista britânico. Com isso, Burnham está a um passo de se tornar o primeiro-ministro do Reino Unido, o que deve se confirmar na segunda-feira, quando ele se tornará o sétimo chefe de governo britânico em uma década. Único candidato na disputa, ele sucederá o atual premiê Keir Starmer, que renunciou ao cargo há quase um mês após enfrentar intensa instabilidade política e pressão interna.
Trajetória
A consolidação de Burnham como nome de consenso ocorreu após seu retorno ao Parlamento em junho de 2026, quando renunciou à prefeitura para vencer uma eleição especial (by-election) pelo distrito de Makerfield.
Essa, porém, está longe de ser a sua primeira passagem pelo centro do poder em Londres. Entre 2001 e 2017, Burnham foi parlamentar e integrou os gabinetes de Tony Blair e Gordon Brown, ocupando os ministérios da Saúde e da Cultura. Na época, chegou a disputar - e perder - a liderança do Partido Trabalhista por duas vezes. Ele retornou à sua região natal para disputar o recém-criado cargo de prefeito da Grande Manchester, em 2017.
Foi justamente a gestão local que o projetou nacionalmente. Ao se posicionar como um contraponto firme às decisões de Westminster e evidenciar a profunda divisão socioeconômica entre o norte e o sul do país, Burnham ganhou o apelido de "Rei do Norte".
Vale lembrar que o Reino Unido não elege o seu primeiro-ministro diretamente. O chefe de governo é escolhido pelos parlamentares do partido majoritário na Câmara dos Comuns - posto ocupado hoje pelos trabalhistas - e o cargo, por convenção, cabe ao líder da sigla. _
Ajuda humanitária aos deslocados
O Médicos Sem Fronteiras (MSF) abre, na próxima segunda-feira, a exposição interativa O Que Se Leva no BarraShoppingSul, em Porto Alegre. A mostra apresenta histórias reais de pessoas que tiveram de deixar suas casas e enfrentar os desafios da migração, do refúgio e do deslocamento forçado.
Na exposição, o público tem acesso a mais de 20 fotografias e testemunhos de migrantes e refugiados que deixaram tudo para trás, exceto alguns poucos objetos carregados de memórias de familiares e amigos. Ao caminhar pelo espaço, painéis fotográficos mostram as principais causas do deslocamento forçado - como a crise climática e os conflitos armados - e a resposta humanitária do MSF para salvar vidas, com destaque especial para a atuação nas Américas e no Mar Mediterrâneo. O evento tem entrada franca. _

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