sábado, 7 de novembro de 2026


07 de Novembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Indicação ao Supremo não pode ser toma lá dá cá

Tudo ainda é extraoficial, mas a simples cogitação de que Lula vai insistir na indicação de Jorge Messias para a vaga aberta há mais de um ano no Supremo Tribunal Federal provoca um desgaste desnecessário para o governo. A se confirmar, contradiz o discurso de campanha e rebaixa ainda mais a relação entre os poderes, dado que na negociação estaria um toma lá dá cá com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AL), que tenta a reeleição.

Foi Alcolumbre, em um conluio que envolveu até o ministro Alexandre de Moraes, o maior responsável pela rejeição de Messias pelo plenário do Senado. Insistir na indicação do advogado-geral da União e ainda incluir o compromisso de aprovação na "bacia das almas" onde são negociados os acordos políticos é uma desmoralização generalizada.

Se a Messias resta um pouco de amor-próprio, o melhor seria dizer "não, obrigado", para não correr o risco de nova derrota. Ele sabe, ou deveria saber, que nas duas casas do Congresso as traições são recorrentes e que pode estar servindo de massa de manobra.

Na campanha, questionado sobre a crise no STF e correndo o risco de perder a eleição, Lula se comprometeu a discutir mudanças na forma como são indicados os ministros. Ainda que uma alteração só venha a valer para seu sucessor, cabe ao presidente começar a mudança agora, definindo suas escolhas por outros critérios que não o da amizade, o da gratidão ou da confiança pessoal.

Ministro do Supremo precisa ter notório saber jurídico e reputação ilibada, conceitos imprecisos pelo histórico de alguns dos indicados. Lula precisa escolher um jurista acima de qualquer suspeita, de preferência mulher, para garantir um mínimo de diversidade, e que não seja das suas relações pessoais. Ministro do Supremo não é cargo de confiança, que se vai quando o presidente termina o mandato. Se a lei não mudar, é alguém que poderá ficar até os 75 anos de idade, a menos que cometa crime de responsabilidade e seja afastado em um processo de impeachment. _

Olívio e Yeda dão lição de civilidade

De campos políticos diferentes, os ex-governadores Yeda Crusius (PSDB) e Olívio Dutra (PT) deram demonstração de civilidade rara nestes tempos de radicalização política.

Assíduo frequentador da Feira do Livro, Olívio foi à sessão de autógrafos de Yeda, que lançou Fios Tecendo Vida - Crônicas de um cotidiano entre séculos.

Ao ver o ex-governador na fila, Yeda abriu os braços sorridente e os dois trocaram um abraço afetuoso. Conversaram, posaram para fotos e Yeda escreveu a dedicatória. À coluna, disse que os dois são amigos e elogiou a cultura de Olívio, com quem se encontra regularmente em eventos ou nos jantares promovidos por outro ex-governador, o decano Jair Soares, que governou o Estado de 1983 a 1986.

- Adoro conversar com ele. É um homem muito culto. Esses dias, ficamos discutindo filosofia - contou Yeda toda animada.

Nas filas em que esteve na feira, Olívio foi abraçado e convidado a tirar fotos com outras pessoas que elogiaram a sua coerência e dignidade. _

Prévia para candidato a prefeito

Apesar da euforia com a vitória de Lula e o bom resultado dos candidatos da esquerda em Porto Alegre, a direção municipal do PT não quer afobação para a eleição de 2028. Ao contrário de PP e PL, que já começam a projetar possíveis candidatos a prefeito, os dirigentes petistas preferem manter os pés no chão, com foco em fazer um balanço do pleito que acabou de passar e definir um método para escolha dos nomes que concorrerão daqui a dois anos.

Enquanto articula a base em torno da ideia de candidato do PT, o presidente municipal, Rodrigo Dilelio, diz que tem ótima relação com Roberto Robaina, presidente do PSOL na Capital, e não descarta a possibilidade de realizar uma prévia para que os aliados decidam qual dos dois partidos deve liderar o processo. Internamente, o PT só deve começar a discussão de possíveis candidatos em 2027, após o verão. _

PDT aprova entrada em federação

Após fracasso nas urnas em 4 de outubro, quando não conseguiu ultrapassar a cláusula de barreira, o PDT encontrou tábua de salvação na federação com Solidariedade, PRD e Avante. Em reunião, a executiva nacional do PDT aprovou a entrada na federação, e um indicativo favorável ao ingresso do PSB no grupo. Esse arranjo não garante sobrevida ao PDT, porque há resistência nas bases à federação, principalmente pela incerteza em relação à posição do PSB.

Ainda não está claro se a Justiça Eleitoral aceitará a formação de federação pós-eleitoral para fins de cumprimento da cláusula de barreira. Como o PDT não conseguiu vencer a exigência, a legislação permite a troca de partido sem risco de perder o mandato. Aprovada a federação, a direção do partido pode abrir processo por infidelidade partidária e requisitar o mandato. _

Gaúchos estudam cenário e futuro

Os deputados eleitos ou reeleitos em 4 de outubro pelo PDT vão se reunir na terça-feira em Porto Alegre para avaliar a situação e tomar uma posição. Tiago Cadó disse à coluna que no Interior "as reações internas no PDT são as mais variadas com esse cenário".

A federação com PRD, Avante e Solidariedade não empolga ninguém no PDT gaúcho, que ainda cura as feridas da derrota na eleição estadual. Caso o PSB concorde em aderir ao grupo, a federação se torna mais palatável.

O partido do vice-presidente Geraldo Alckmin ultrapassou a cláusula de barreira, mas teme perder espaço nas próximas eleições e, por isso, avalia a conveniência de aderir à federação. _

Acusação de assédio moral

Um assessor da vereadora de Porto Alegre Atena Roveda (PSOL) denunciou ter sofrido assédio moral no gabinete, além de ter realizado atividades particulares para a parlamentar, o que configura desvio de função.

Felipe Chagas divulgou o relato pelos stories do Instagram após deixar o cargo, com prints de conversas com Atena que comprovariam as acusações. Conforme Chagas, Atena controlava os funcionários da sua residência a partir de câmeras de vigilância instaladas no gabinete, e questionava os assessores se não cumpriam suas ordens, com reprimendas públicas.

Ela nega "episódios que firam ou ponham a dignidade humana em risco". À coluna, Atena afirmou que os supostos desvios de função "não são nada além de suposição". _

POLÍTICA E PODER

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