De acordo com o engenheiro agrônomo e assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, Ilvandro Barreto de Melo, após a pandemia, o consumo per capita de erva-mate caiu de 11 para nove quilos e, desde então, o setor tem enfrentado dificuldades para se recuperar. “A expectativa é que a safra deste ano permita encerrar o período com um consumo per capita de 10 quilos. Até 2028, esperamos recuperar e voltar àqueles 11 quilos per capita que tínhamos antes”, explica.
Em relação às exportações, a expectativa é de manutenção dos números. “O ano de 2025 fechou com 48 mil toneladas exportadas e a ideia para este ano é seguir na margem dos 48 mil a 50 mil toneladas”, explica De Melo. O engenheiro agrônomo da Emater-RS ainda destaca que apesar da exportação da erva-mate gaúcha ser mais direcionada para o Uruguai, com compradores também na Síria e no Chile, o Estado tem expandido para outros países. “Estamos conseguindo entrar com a erva-mate brasileira na Argentina, que era um mercado fechado”.
O produtor de erva-mate e gerente da Indústria Barão, filial de Machadinho, no Nordeste do Rio Grande do Sul, Altair Ruffato, vê sinais positivos para a colheita deste ano, mas diz que o setor ainda enfrenta crises em algumas regiões do Estado. Segundo ele, são situações pontuais, concentradas em locais que não contam com uma organização estruturada. Já Adroaldo Brandão, produtor de erva-mate há 50 anos no Polo Ervateiro do Nordeste Gaúcho, na região de Machadinho, destaca que, apesar das perspectivas positivas para a safra, é necessário cautela na expansão da produção.
Segundo ele, a erva-mate exige planejamento e paciência, já que não proporciona retorno financeiro imediato, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelo setor nos últimos anos. “A erva-mate é uma cultura que precisa ser implantada aos poucos. Ela não gera renda de um ano para o outro. São necessários três ou quatro anos para começar a produzir. Nesse período, o produtor continua tendo custos e precisa realizar diversos manejos. Hoje, plantar um hectare de erva-mate exige um investimento elevado. Por isso, é preciso ter os pés no chão e entender que o retorno virá apenas no longo prazo”, afirma.

Adroaldo Brandão é produtor de erva-mate há 50 anos em Machadinho (RS)Arquivo pessoal/Divulgação/JC
Polo Ervateiro de Machadinho é o primeiro a receber Indicação Geográfica (IG) no RS
Embora atualmente a colheita da erva-mate ocorra durante todo o ano, seu forte valor cultural, social, ambiental e econômico fez com que o período de maior produção se transformasse em uma data simbólica que marca oficialmente a abertura da safra. Neste ano, a celebração ocorreu nesta quinta-feira (28), no Polo Ervateiro do Nordeste Gaúcho, na região de Machadinho.
Segundo o engenheiro agrônomo e assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, Ilvandro Barreto de Melo, a data é importante porque valoriza todos os envolvidos na cadeia produtiva, desde os produtores de mudas e os trabalhadores responsáveis pela colheita até a indústria, os pesquisadores, os técnicos e os consumidores. “A abertura da colheita é um momento de confraternização, de discussões técnicas e de debates sobre políticas setoriais, mas também é uma homenagem a quem vive da erva-mate”, salienta.
Todos os anos, a colheita da erva-mate é realizada em um dos cinco polos ervateiros que integram o sistema de rodízio adotado no Estado para destacar as qualidades das diferentes regiões produtoras. Neste ano, além de sediar a celebração que marca o início da safra, o Polo ganhou ainda mais destaque por ser a região de origem da primeira erva-mate do Rio Grande do Sul a conquistar uma Indicação Geográfica (IG).
Segundo De Melo a IG é um instrumento que confere notoriedade, posicionamento, identidade e segurança a um produto, garantindo sua autenticidade dentro de um território com características próprias. “Ela está ligada às condições naturais de solo e clima da região, mas também à cultura e à história das pessoas que vivem naquele lugar. A indicação geográfica anuncia ao mundo que determinada região produz um serviço ou produto diferenciado, com identidade própria e origem vinculada ao território”, afirma.
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