Proposta de Flávio para garantir mais um ano de mandato é indecente
Ainda nem disputou o segundo turno, para o qual é favorito por ter chegado à frente no primeiro, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) já colocou as manguinhas de fora com sua proposta de reforma constitucional. Na campanha era apenas a promessa de não concorrer à reeleição, o que deixaria o caminho aberto para o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas. Agora, com deputados e senadores de sua base em número suficiente para mudar a Constituição, Flávio flerta com a transformação do Congresso eleito em Assembleia Nacional Constituinte, pela força da maioria.
Primeiro, a reforma era apenas para reduzir a maioridade penal para 16 anos e mudar a forma de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal, impondo idade mínima e limite do tempo no cargo. Agora, sem nenhum pudor, propõe aumentar em um ano o mandato que ainda não conquistou, como contrapartida ao fim da reeleição.
- Não tem que valer só para o futuro. Para mim, tem que valer já no meu mandato. Se serão quatro ou cinco anos, se também vai valer para governador e prefeito, isso o processo legislativo é que vai definir - afirmou, em coletiva de imprensa ontem.
Regras do jogo
Isso nada mais é do que mudar as regras do jogo com a partida em andamento. Quem votou em 4 de outubro votou para escolher o presidente e os governadores dos próximos quatro anos, não de cinco. E quem garante que, se a proposta for adiante, não vai surgir uma proposta de emenda para estender para seis, coincidindo a eleição com a de prefeito?
Se você sentiu um cheiro de Venezuela no ar, não é cebola com tomate fritando na cozinha do vizinho. Flávio é contra a reeleição? Muito simples: basta não ser candidato, se vencer daqui a duas semanas. O que não faz sentido é alterar a Constituição em benefício próprio, ressuscitando um debate de 1987, quando José Sarney ganhou o mandato de cinco anos.
O instituto da reeleição pode ser bom ou ruim, dependendo da forma como quem está no poder usa a máquina para se eleger. Em 1998, foi a reeleição de Fernando Henrique Cardoso que salvou o Plano Real, porque nada impedia que a construção fosse implodida pelo vencedor. Lembremos que o PT era contra o real e quatro anos depois, quando Lula venceu, o plano estava consolidado. _
Três erros na campanha do PT
No momento em que o centrão avança na direção de Flávio Bolsonaro (PL), com os parlamentares migrando a passos largos para a banda de onde vem o cheiro de poder, o presidente Lula, os líderes do PT e os envolvidos na campanha eleitoral deveriam fazer um exercício de humildade. Três desses erros são visíveis a olho nu: incapacidade de mostrar ao eleitor que o escândalo do Banco Master não é do governo Lula e que os principais envolvidos estão ligados ao adversário, incluindo o próprio Flávio Bolsonaro; subaproveitamento do potencial do vice-presidente Geraldo Alckmin e o salto alto por conta das pesquisas que indicavam vantagem para o presidente.
O marketing da campanha partiu de um princípio equivocado, o de que Lula venceu a eleição de 2022 pela própria força e não pela rejeição de Jair Bolsonaro e pela captura dos eleitores de Simone Tebet, à época, no MDB. As primeiras pesquisas, com ampla vantagem para Lula, estimularam o salto alto na campanha. _
Juliana Brizola reforça apoio a Lula no segundo turno
Apesar de aparecer pouco e de mencionar raramente Lula no primeiro turno, Juliana Brizola (PDT) deve se engajar mais para reeleger o presidente no segundo turno. Foi a promessa dela em reunião com a coordenação do comitê petista no Estado, ontem. Juliana garantiu que está disposta a participar ativamente da campanha de Lula.
O encontro reuniu dirigentes das oito siglas que participaram da coligação em torno de Juliana no Estado e líderes do PT. Foi definido um plano de ação para que Lula amplie sua votação no Rio Grande do Sul - ele fez 35% dos votos para presidente.
O grupo será coordenado por Edegar Pretto (PT), candidato a vice na chapa com o PDT, e contará com o trabalho de Manuela D?Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT), candidatos derrotados na disputa pelo Senado. _
Com a adesão dos derrotados no Rio Grande do Sul ao governo de Luciano Zucco (PL) e à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), os suplentes podem ter esperança de conquistar uma vaga na Câmara ou na Assembleia, com a ida de um titular para o governo, ou de arranjar algum cargo no segundo ou terceiro escalão.
Não tem outra alternativa a não ser apoiar o Flávio (Bolsonaro). O Lula, com esse Congresso que foi eleito, caminha para a ingovernabilidade."
Germano Rigotto - Ex-governador do RS e ex-candidato ao Senado pelo MDB
Bancadas do PSD gaúcho apoiam PL
Depois do MDB, ontem as bancadas estadual e federal do PSD anunciaram adesão à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O assunto foi discutido em um almoço no Palácio Piratini, com o governador Eduardo Leite, os atuais deputados e os eleitos. Embora Leite tenha dito que tende a ficar neutro, os deputados se reuniram depois na Assembleia e assinaram uma nota de apoio incondicional à candidatura de Flávio.
A nota diz que os signatários trabalharam pela candidatura de Ronaldo Caiado (PSD), mas que, encerrada essa etapa da disputa, os parlamentares avaliam ser necessário mudar a condução dos rumos do país.
Fecomércio quer ouvir os eleitos
Para começar a relação com o pé direito, a Fecomércio convidou todos os deputados estaduais e federais do RS eleitos, além dos dois senadores, para apresentar as pautas de interesse do comércio de bens, serviços e turismo. O presidente da entidade, Luiz Carlos Bohn, deve apresentar essas pautas em um café da manhã hoje.
A Fecomércio apresentará sua atuação institucional e prioridades para o desenvolvimento econômico, empreendedorismo e fortalecimento empresarial. Temas como a proibição das bets e o fim da escala 6x1 estarão entre as pautas. Reforma administrativa e ajuste fiscal também serão discutidos. _

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